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quinta-feira, 28 de maio de 2026

Analisando Discografias - Ebony: Parte 2

                  

Terapia – Ebony





















NOTA: 9/10


Dois anos se passaram, e a Ebony lançou seu sensacional 2º disco, intitulado Terapia. Após o Visão Periférica, ela começava a viralizar constantemente nas redes sociais por versos polêmicos, entrevistas e posicionamentos fortes dentro do debate sobre misoginia no Rap nacional. Só que esse trabalho funciona como o oposto de uma terapia tradicional: em vez de buscar cura emocional, Ebony mergulha ainda mais fundo em obsessões, paranoia, desejo, ego e impulsividade. A produção, feita por AG Beatz, LARINHX e Leo Justi, ficou limpa, mas ainda consegue encaixar aquele peso característico. Os beats misturam Trapfunk com certas influências do Hyperpop, além de graves distorcidos, sintetizadores cortantes e efeitos digitais exagerados, que se encaixam perfeitamente com os vocais agressivos e os flows rápidos dela. O repertório é incrível, e as canções são muito divertidas. Enfim, é um baita disco, além de ser extremamente ousado. 

Melhores Faixas: Pensamentos Intrusivos, Hentai, 100 Mili, Paranoia 
Vale a Pena Ouvir: Lei da Atração, Terapia

KM2 – Ebony





















NOTA: 8,7/10


E aí, no ano passado, foi lançado seu 3º e mais recente álbum até então, intitulado KM2. Após Terapia, a Ebony decidiu mudar drasticamente o foco da própria música. Em vez de ampliar ainda mais a estética maximalista e sexual do disco anterior, ela voltou o olhar para a infância, adolescência e formação emocional dentro da Baixada Fluminense, especialmente em Queimados, cidade onde cresceu. A produção, feita por ela junto com AG Beatz, LARINHX e Pep, aposta em uma sonoridade mais orgânica, melancólica e cinematográfica. Os beats frequentemente misturam 808s com texturas ambientais, samples suaves, ruídos urbanos e uma instrumentação mais quente. Fora que os vocais da Ebony conseguem ser bem variados e até suaves, dialogando com Trap, Cloud Rap e R&B. O repertório é muito bom, e as canções transitam entre um lado envolvente e um lado mais profundo. No fim, é um trabalho muito coeso. 

Melhores Faixas: Não Lembro Da Minha Infância, Vale Do Silício (Black Alien mandou bem), KIA, Gin Com Suco De Laranja, Gin Com Suco De Laranja 
Vale a Pena Ouvir: Extraordinária, Parte do Mundo

 

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Analisando Discografias - Ebony: Parte 1

                  

Condessa – Ebony





















NOTA: 5/10


Em 2020, a Ebony lançava seu 1º trabalho no formato de EP, intitulado Condessa. Sua carreira começou um ano antes, quando lançou seus singles pela plataforma SoundCloud, além de participações em cyphers e projetos importantes da cena underground. Ela já era vista como uma das grandes revelações femininas do Rap brasileiro, especialmente por unir agressividade técnica, estética sofisticada e um lirismo emocional pouco comum dentro do Trap nacional. A produção foi feita por AJ Wav, Pedro Lotto, Nagalli e Celo1st, que criaram beats minimalistas, carregados de ambiência, hi-hats espaçados e graves muito profundos. Os flows técnicos dela se encaixam bem numa temática do Trap com R&B, mesmo que muitas coisas soem repetitivas. O repertório é irregular, com canções boas e outras mais fraquinhas. Enfim, é mais um trabalho de apresentação, mas que já mostrava algo promissor. 

Melhores Faixas: Paris, Paris (Sidoka no auge) 
Piores Faixas: Bugatti, Lipsticks

Visão Periférica – Ebony





















NOTA: 8,4/10


No ano seguinte, a Ebony retornou lançando seu álbum de estreia, o Visão Periférica. Após o EP Condessa, a Ebony já não era mais apenas uma promessa do Trap feminino brasileiro: ela começava a ser vista como uma das artistas mais criativas e completas da nova geração do Rap nacional. O disco surge justamente nesse contexto de consolidação artística e de afirmação dentro de uma cena ainda muito masculina. A produção, feita por BENO, AJ Wav e Nave Beatz, trouxe uma sonoridade cinematográfica que transita entre atmosferas melancólicas, beats densos, sintetizadores etéreos e graves muito profundos, típicos do Trap tradicional, além de passear por R&B, Drill e até Jazz Rap. Além disso, os flows da Ebony ficaram mais técnicos e até um pouco mais agressivos. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem profundas. Enfim, é um ótimo disco de estreia e bastante consistente. 

Melhores Faixas: Festa do Pijama, Pódio (Borges mandou bem), Caneta 
Vale a Pena Ouvir: Camarim (BK’ mandou bem), Flashes, Melhor do Ano


Review: VERAS II do Vera Fischer Era Clubber

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