terça-feira, 3 de março de 2026

Analisando Discografias - Bob Dylan: Parte 3

                 

Shot Of Love – Bob Dylan





















NOTA: 8/10


No ano seguinte, foi lançado mais um álbum do Bob Dylan intitulado Shot of Love. Após o Saved, Dylan já estava começando a flexibilizar sua abordagem mais Gospel. Ele ainda mantinha a espiritualidade como eixo central, mas gradualmente voltava a misturar temas pessoais, reflexões existenciais, humor e elementos do Rock e do Blues que sempre fizeram parte de sua trajetória. A produção, feita por Chuck Plotkin e Bumps Blackwell, apresenta uma abordagem mais solta e, em alguns momentos, quase crua. Isso se deve em parte ao processo de gravação fragmentado, no qual Dylan experimentou várias formações de banda. Os arranjos trazem guitarras mais destacadas e teclados característicos do início dos anos 80. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas. No fim, é um disco bacana e que encerrou essa trilogia tão odiada. 

Melhores Faixas: Property Of Jesus, Lenny Bruce 
Vale a Pena Ouvir: In The Summertime, Heart of Mine, Dead Man, Dead Man

Infidels – Bob Dylan





















NOTA: 8,2/10


Dois anos se passaram, e foi lançado mais um projeto do Bob Dylan intitulado Infidels. Após o Shot of Love, ele percebeu que tinha sido largado pela mídia, então queria se reintroduzir ao diálogo com o mundo contemporâneo: geopolítica, moralidade, desigualdade e identidade voltam a aparecer com força em suas letras, além de perceber novas tendências na produção sonora, incluindo o uso mais sofisticado de estúdio, texturas mais limpas e uma fusão de estilos como Rock, Reggae e Pop. A produção, feita por ele junto com Mark Knopfler, do Dire Straits, traz guitarras mais claras, elegantes e atmosféricas, criando um contraste interessante com o vocal áspero e expressivo do Bob Dylan, além de fazer uma junção de Pop Rock com aquela dinâmica atmosférica. O repertório é muito bom, e as canções são bem suaves e melódicas. Enfim, é um trabalho bacana e que é bem consistente. 

Melhores Faixas: License to Kill, I And I 
Vale a Pena Ouvir: Man Of Peace, Jokerman

Empire Burlesque – Bob Dylan





















NOTA: 3/10


Mais dois anos se passaram e foi lançado mais um disco do Bob Dylan, o fraquíssimo Empire Burlesque. Após o Infidels, o cantor, que sempre teve uma relação ambígua com tendências comerciais, acabou se aproximando parcialmente desse som. Já que seu status cultural continuava enorme, mas havia uma percepção de que sua obra estava entrando em uma fase irregular. Dylan parecia experimentar direções diferentes, tentando encontrar um novo equilíbrio entre tradição e modernidade. A produção, conduzida por ele próprio, contou com vários colaboradores, e aqui houve uso intensivo de técnicas de produção típicas da época: camadas de sintetizadores, bateria com som processado, efeitos digitais e uma mixagem bastante limpa, além de deixar as guitarras mais processadas, ou seja, ele foi completamente pasteurizado e com um som arrastado. O repertório é ruim, tendo canções chatíssimas e com poucas se salvando. No fim, é um disco terrível e que foi um tropeço. 

Melhores Faixas: Emotionally Yours, Never Gonna Be the Same Again, When the Night Comes Falling From the Sky 
Piores Faixas: Trust Yourself, Something's Burning, Baby, Seeing the Real You at Last, Clean Cut Kid

Knocked Out Loaded – Bob Dylan





















NOTA: 2,5/10


No ano seguinte, Bob Dylan ressurge com seu 24º álbum de estúdio, o Knocked Out Loaded. Após o Empire Burlesque, Dylan parecia buscar novas abordagens, mas sem necessariamente consolidar uma direção única. Diferente de muitos de seus trabalhos clássicos, este disco não surgiu de um conjunto totalmente coeso de composições escritas para um único projeto; ele reúne músicas desenvolvidas em diferentes contextos e com vários colaboradores. A produção, feita pelo próprio cantor, mantém elementos da estética dos anos 80, com arranjos relativamente polidos e uso de instrumentos elétricos e teclados, mas também apresenta momentos que se aproximam de uma abordagem narrativa e teatral, além de ter influências do Pop Rock daquele período, só que tudo continua bem pasteurizado e completamente sem alma. O repertório é péssimo, tendo poucas canções interessantes. Enfim, é um álbum terrível e que foi um verdadeiro fiasco. 

Melhores Faixas: Brownsville Girl, Got My Mind Made Up
Piores Faixas: Maybe Someday, Driftin' Too Far From Shore, Precious Memories

Down In The Groove - Bob Dylan





















NOTA: 3/10


Em 1987, foi lançado mais um álbum do Bob Dylan, o Down in the Groove, que prometia ser mais raiz. Após o Knocked Out Loaded, Dylan passou um período gravando músicas em diferentes sessões, com vários músicos e ideias que nem sempre faziam parte de um conceito claro de álbum. Esse processo acabou influenciando diretamente o resultado desse trabalho, que foi montado a partir de gravações feitas ao longo de diferentes momentos e contextos. A produção, feita por ele novamente junto com Mark Knopfler, apresentou uma abordagem bastante tradicional, com instrumentos que remetem ao Rock clássico e ao Folk Rock, enquanto outras faixas apresentam um clima mais descontraído, quase como gravações feitas para capturar a espontaneidade da performance, mas, de novo, é algo bem arrastado e sem coesão. O repertório é ruim, tem até canções divertidas, mas o resto é fraco. No fim, é um disco péssimo e que já era hora de mudar. 

Melhores Faixas: Silvio, Let's Stick Together, Had A Dream About You, Baby 
Piores Faixas: Sally Sue Brown, Ugliest Girl In The World, Shenandoah, Ninety Miles An Hour (Down A Dead End Street)

Oh Mercy - Bob Dylan





















NOTA: 8,5/10


Chegando no final dos anos 80, foi lançado mais um disco do Bob Dylan, o Oh Mercy. Após o Down In The Groove, ele decidiu mudar o ambiente de gravação e buscar uma abordagem mais focada e atmosférica. O processo de composição também passou por um momento de redescoberta pessoal: Bob Dylan estava refletindo sobre sua trajetória, sua relação com o tempo, a espiritualidade e as transformações do mundo ao seu redor. Produção feita por Daniel Lanois, que ao invés de apostar em produções excessivamente polidas ou fragmentadas, ele ajudou a construir arranjos que valorizavam espaço, ambiência e emoção. O resultado é um som mais orgânico, mas também envolto em camadas de atmosfera que dão às músicas uma sensação de profundidade e mistério, e a voz do cantor acaba se encaixando colocando um ar de melancolia. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem imersivas e suaves. No geral, é um disco bacana e que foi um verdadeiro respiro. 

Melhores Faixas: Most Of The Time, Man In The Long Black Coat, Everything Is Broken, Shooting Star 
Vale a Pena Ouvir: What Good Am I?, Political World, What Was It You Wanted

Under The Red Sky - Bob Dylan





















NOTA: 8/10


Entrando nos anos 90, foi lançado o 27º álbum do Bob Dylan, o injustiçado Under the Red Sky. Após o Oh Mercy, ele decidiu seguir um caminho bastante diferente daquele lado atmosférico. Em vez de aprofundar aquela abordagem mais reflexiva, Dylan optou por um álbum que, em muitos momentos, apresenta uma estética mais simples e até lúdica. Algumas das letras possuem uma qualidade quase infantil ou inspirada em contos e cantigas tradicionais, o que surpreendeu parte do público. A produção, conduzida pelo cantor junto com os irmãos Was, misturou elementos do Rock, Blues e música tradicional americana, com arranjos relativamente simples. Em muitos momentos, a sensação é de uma banda tocando de forma direta, sem a preocupação de criar grandes camadas sonoras ou atmosferas complexas. O repertório é bem legal, e as canções são todas bem divertidas e têm seu charme. Em suma, é um álbum muito bom, mas que é bastante desprezado. 

Melhores Faixas: Under The Red Sky, God Knows 
Vale a Pena Ouvir: 10,000 Men, Born In Time, Cat's In The Well

                                                                        Então é isso, um abraço e flw!!!                    

Analisando Discografias - Bob Dylan: Parte 3

                  Shot Of Love – Bob Dylan NOTA: 8/10 No ano seguinte, foi lançado mais um álbum do Bob Dylan intitulado Shot of Love. Após ...