segunda-feira, 2 de março de 2026

Analisando Discografias - Bob Dylan: Parte 2

                    

New Morning – Bob Dylan





















NOTA: 8,2/10


Alguns meses se passaram, e o Bob Dylan volta com mais um disco intitulado New Morning. Após o questionável Self Portrait, Dylan começou a experimentar uma fase curiosa de transição. Nesse momento, ele também estava envolvido em outros projetos, incluindo gravações informais e tentativas de compor material para cinema e teatro. Dylan vinha de um período em que queria simplificar sua música e, ao mesmo tempo, recuperar certa espontaneidade que sentia ter se perdido em projetos mais ambiciosos ou conceituais. A produção, conduzida por Bob Johnston, capturou uma energia mais natural e menos calculada. Musicalmente, o álbum mistura Folk Rock, Country e um pouquinho de Gospel, mantendo a linha sonora que Dylan vinha explorando desde o final dos anos 60, mas com arranjos um pouco mais variados e cheios, além de muito uso de piano. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem relaxantes. Enfim, é um ótimo trabalho e mais intimista. 

Melhores Faixas: If Not For You, Day Of The Locusts, The Man In Me, If Dogs Run Free 
Vale a Pena Ouvir: New Morning, Went To See The Gypsy

Pat Garrett & Billy The Kid (Original Soundtrack Recording) – Bob Dylan





















NOTA: 8/10


Três anos se passaram, e foi lançada a trilha sonora do filme Pat Garrett & Billy the Kid. Após o New Morning, Bob Dylan começou a explorar novas possibilidades artísticas fora do formato tradicional de álbum de estúdio. Uma dessas oportunidades surgiu quando ele se envolveu nesse filme com temática de faroeste, dirigido por Sam Peckinpah, onde ele não só compôs a trilha como também participou do filme como ator, interpretando o personagem Alias. A produção, feita por Gordon Carroll, criou uma sonoridade minimalista e evocativa, muito baseada em violões, guitarras elétricas discretas, baixo, bateria suave e alguns elementos de harmônica. A instrumentação é propositalmente econômica, refletindo a paisagem desolada do Velho Oeste retratada no filme, sendo basicamente um álbum de Country tradicional. O repertório é ótimo, e as canções são bem melódicas e atmosféricas. No geral, é um trabalho bacana e que cumpre bem sua proposta. 

Melhores Faixas: Knockin' On Heaven's Door, Billy 1 
Vale a Pena Ouvir: Billy 4, Turkey Chase, Final Theme

Dylan – Dylan





















NOTA: 5,5/10


Aí no fim daquele mesmo ano foi lançado outro disco do Bob Dylan intitulado apenas Dylan. Após a trilha sonora do filme Pat Garrett & Billy the Kid, o cantor havia deixado a gravadora Columbia Records para assinar com a Asylum Records e iniciar uma nova fase artística. Durante essa transição contratual, a Columbia decidiu lançar material que já estava em seus arquivos, composto principalmente por gravações feitas alguns anos antes, durante sessões que originalmente não tinham sido planejadas para formar um álbum oficial. A produção, feita por Bob Johnston, apresenta uma sonoridade bastante simples e direta. Os arranjos são predominantemente acústicos ou levemente elétricos, com a voz do Bob Dylan bem precisa, só que, no geral, percebe-se que não houve todo aquele capricho. O repertório é bom, mas algumas canções são bem interpretadas e outras ficam bem abaixo, fora que a ordem das faixas está errada. Enfim, é um trabalho mediano e que foi desnecessário. 

Melhores Faixas: Can't Help Falling In Love, Big Yellow Taxi (ótimo cover da música da Joni Mitchell), Lily Of The West 
Piores Faixas: Sarah Jane, The Ballad Of Ira Hayes, Mary Ann

Planet Waves – Bob Dylan





















NOTA: 8,7/10


Aí no ano seguinte, foi lançado mais um trabalho do Bob Dylan, o subestimado Planet Waves. Após o Dylan, o cantor decidiu iniciar uma nova etapa criativa. Esse período marcou também uma mudança importante na dinâmica de sua carreira: ele voltou a trabalhar de forma mais próxima com músicos com quem já tinha uma longa história artística. Esses músicos eram os integrantes do The Band, grupo que havia acompanhado Bob Dylan em momentos decisivos da década de 60, especialmente nas sessões lendárias que aconteceram após o acidente de moto do artista em 1966. A produção, conduzida por Rob Fraboni, foi gravada em apenas dois dias e privilegiou um som orgânico e vivo, apoiando-se mais na interação direta entre os músicos, com arranjos que parecem surgir naturalmente durante as sessões, sendo um Folk Rock bem suave. O repertório é bem legal, e as canções são todas bem melódicas e sentimentais. Enfim, é um trabalho bacana e bem coeso. 

Melhores Faixas: Forever Young, Something There Is About You, Wedding Song, Hazel 
Vale a Pena Ouvir: Dirge, Going, Going, Gone

Blood On The Tracks – Bob Dylan





















NOTA: 10/10


E aí chegamos ao começo de 1975, quando foi lançada uma das maiores obras-primas do Bob Dylan, o Blood on the Tracks. Após o Planet Waves, insatisfeito com a Asylum Records, ele decidiu retornar para a Columbia Records, só que nesse período sua vida pessoal também estava atravessando tensões significativas, particularmente em relação ao casamento com Sara Dylan. Embora Dylan nunca tenha confirmado oficialmente que o álbum seja autobiográfico, é basicamente um trabalho em que ele expressa a dor do fim de seu casamento. A produção foi a seguinte: as gravações foram feitas em Nova York com Phil Ramone, que colocou um caráter simples e intimista, só que Bob Dylan decidiu regravar em Minneapolis, o que deixou um caráter mais robusto, equilibrando uma sonoridade delicada com seus vocais carregados de nuances. O repertório é fantástico, é praticamente uma coletânea de grandes canções. No fim, é um álbum clássico e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Tangled Up In Blue, Simple Twist Of Fate, Shelter From The Storm, Idiot Wind 
Vale a Pena Ouvir: Buckets Of Rain, You're Gonna Make Me Lonesome When You Go

The Basement Tapes – Bob Dylan & The Band





















NOTA: 9/10


Já no fim do 1º semestre daquele mesmo ano, foi lançado o álbum The Basement Tapes. Após o clássico Blood on the Tracks, decidiram reunir um material gravado entre 1967 e 1968. O contexto era o seguinte: Bob Dylan sofreu um acidente de moto em 1966 que o levou a se afastar da vida pública e reduzir drasticamente suas atividades profissionais, e com o tempo ele passou a morar em Woodstock, convivendo e tocando informalmente com os músicos que ficaram conhecidos como The Band, e aí as gravações aconteciam no porão de uma casa apelidada de Big Pink. A produção, feita por eles mesmos, ocorreu de forma caseira e improvisada, com uma qualidade crua e orgânica, com instrumentos acústicos e elétricos tocados de forma relaxada. Violões, pianos, órgãos, baixo e bateria aparecem de maneira natural, formando um Folk Rock e Country Rock. O repertório é belíssimo, e as canções são todas bem suaves. No fim, é um belo trabalho e extremamente essencial. 

Melhores Faixas: You Ain't Goin' Nowhere, Tears Of Rage, Million Dollar Bash, This Wheel's On Fire, Goin’ To Acapulco, Katie's Been Gone, Don't Ya Tell Henry, Too Much Of Nothing 
Vale a Pena Ouvir: Yazoo Street Scandal, Please, Mrs. Henry, Ain't No More Cane

Desire – Bob Dylan





















NOTA: 9,9/10


Mais um ano se passou e foi lançado o 17º álbum do Bob Dylan, intitulado Desire. Após o The Basement Tapes, Dylan entrou em uma nova fase que combinava composição prolífica, colaboração com outros artistas e um retorno vigoroso aos palcos. Esse período coincidiu com a famosa Rolling Thunder Revue, uma turnê que reuniu vários músicos, artistas e colaboradores em um projeto que misturava espetáculo itinerante, teatro e música, influenciando esse disco, que se caracteriza por histórias amplas, personagens marcantes e temas sociais e políticos mais evidentes. A produção, feita por Don DeVito, apresenta arranjos ricos e dinâmicos, com uma instrumentação que combina Folk Rock, Country e música latina. Um dos aspectos mais marcantes é o papel do violino, que aparece como um elemento central e coloca aquele clima de dramaticidade. O repertório é incrível, e as canções são bem profundas. No fim, é um disco fantástico e também um clássico. 

Melhores Faixas: Hurricane, One More Cup Of Coffee, Isis, Sara, Oh, Sister 
Vale a Pena Ouvir: Joey, Romance In Durango

Street-Legal – Bob Dylan





















NOTA: 8,4/10


Dois anos se passaram, e o Bob Dylan lança seu 18º álbum intitulado Street-Legal. Após o Desire, ele estava querendo ampliar seu escopo sonoro, em meio às mudanças pessoais e espirituais que Dylan começava a atravessar. Embora sua conversão religiosa pública acontecesse pouco depois, o período já mostrava sinais de inquietação, questionamento e busca interior nas letras. A produção, feita mais uma vez por Don DeVito, mistura Folk Rock com elementos de Blues, Gospel e Roots Rock. Os arranjos frequentemente apresentam múltiplas camadas instrumentais, o que contribui para um clima dramático e, em alguns momentos, quase épico, além da presença de backing vocals femininos e uma seção de metais precisa. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem envolventes e profundas. Enfim, é um disco bacana e bastante consistente. 

Melhores Faixas: Changing of the Guards, Señor (Tales of Yankee Power), No Time to Think
Vale a Pena Ouvir: Where Are You Tonight? (Journey Through Dark Heat), Is Your Love in Vain?

Slow Train Coming – Bob Dylan





















NOTA: 8/10


E aí mais um ano se passou e foi lançado mais um trabalho do Bob Dylan, o Slow Train Coming. Após o Street-Legal, depois de anos explorando temas pessoais, sociais e narrativas complexas, ele passou por uma experiência religiosa que o levou a abraçar o cristianismo de maneira bastante intensa. Com isso, suas letras passaram a tratar explicitamente de fé, redenção, julgamento moral e espiritualidade. A produção, feita por Barry Beckett, colocou uma forte influência do Soul e do Gospel, dentro de padrões próximos do Rock cristão, com arranjos bem estruturados e uma base rítmica sólida, com guitarras marcantes, baixo consistente, bateria firme e teclados que adicionam textura espiritual, criando uma ambiência imersiva. O repertório é bacana e tem canções bem legais. No geral, é um ótimo disco, mas que foi mal recebido, algo que passaria a ser comum. 

Melhores Faixas: Changing of the Guards, Señor (Tales of Yankee Power), No Time to Think Vale a Pena Ouvir: Where Are You Tonight? (Journey Through Dark Heat), Is Your Love in Vain?

Saved – Bob Dylan





















NOTA: 8/10


Entrando nos anos 80, o Bob Dylan continuava nessa fase, lançando mais um álbum intitulado Saved. Após o Slow Train Coming, Dylan vinha realizando shows intensamente focados em música gospel, muitas vezes recusando tocar clássicos antigos de sua carreira. O material que seria reunido nesse disco nasce diretamente desse momento de transição profunda, em que sua fé se tornou o eixo central de sua arte. A produção, feita por Jerry Wexler, seguiu um som bastante enraizado em Soul, Blues Rock e Rock cristão. O disco possui uma instrumentação rica em piano, órgão, metais e corais femininos, criando um clima de celebração espiritual constante, e os vocais do Dylan estão mais discursivos. Seu timbre áspero contrasta com os corais mais suaves, criando uma dinâmica interessante entre fervor individual e celebração coletiva. O repertório é legal, e as canções são bem divertidas e melódicas. Enfim, é um trabalho bacana e que também foi injustiçado. 

Melhores Faixas: What Can I Do for You?, In The Garden 
Vale a Pena Ouvir: Solid Rock, Saved, A Satisfied Man
 

                                                                               É isso, um abraço e flw!!!                       

Analisando Discografias - Bob Dylan: Parte 2

                     New Morning – Bob Dylan NOTA: 8,2/10 Alguns meses se passaram, e o Bob Dylan volta com mais um disco intitulado New Mor...