quinta-feira, 12 de março de 2026

Analisando Discografias - Neil Young: Parte 5

                 

Hitchhiker – Neil Young





















NOTA: 9,2/10


Em 2017, foi lançado um material engavetado dos anos 70 do Neil Young, o Hitchhiker. Após o Peace Trail, resgataram um material gravado em 1976 em que o cantor estava transitando entre projetos experimentais com Crazy Horse e trabalhos acústicos mais introspectivos, como em Zuma e no início da concepção do Rust Never Sleeps. A ideia era capturar a essência de cada canção de maneira direta, sem overdubs, sem produção complexa e sem acompanhamento de banda, criando um documento cru da criatividade de Young naquele período. A produção, feita pelo cantor junto com David Briggs e John Hanlon, mostra Young sozinho, tocando guitarra e gaita e cantando ao mesmo tempo. Não há overdubs, instrumentos adicionais ou efeitos complexos; o som é direto, limpo e cru, refletindo a espontaneidade do momento. O repertório é ótimo, e as canções são bem contemplativas e divertidas. Enfim, é um belo disco e um achado encontrado na hora certa. 

Melhores Faixas: Powderfinger, Give Me Strength, Hitchhiker, Pocahontas 
Vale a Pena Ouvir: Captain Kennedy, Human Highway

Colorado – Neil Young & Crazy Horse





















NOTA: 6/10


Dois anos se passaram até Neil Young retornar com um projeto novo intitulado Colorado. Após o Hitchhiker, esse novo trabalho foi feito em um período em que Young buscava reconectar-se com a energia crua de sua banda elétrica clássica, ao mesmo tempo em que refletia sobre temas de envelhecimento, memória e crítica social. A escolha do título Colorado remete à paisagem americana e à sensação de vastidão e liberdade, associadas tanto à música do Neil Young quanto à história do Rock norte-americano. A produção, feita por ele junto com John Hanlon, aposta em uma sonoridade mais pesada, com guitarras elétricas densas, riffs hipnóticos e a sonoridade característica do Crazy Horse, mas com atenção especial aos arranjos, vocais e à clareza da narrativa lírica. Só que o problema é que há muita repetição nas estruturas rítmicas e solos magrinhos. O repertório é mediano: há canções legais e outras genéricas. No fim, é um álbum irregular e repetitivo. 

Melhores Faixas: Help Me Lose My Mind, Think Of Me, Milky Way 
Piores Faixas: Rainbow Of Colors, I Do, Olden Days

Homegrown – Neil Young





















NOTA: 8,1/10


Mais um ano se passou, e outro material arquivado foi lançado intitulado como Homegrown. Após o Colorado, Neil Young decidiu resgatar mais um material engavetado lá por volta de 1974 e 1975, onde lidava com perdas e luto. Esse projeto é intimista e pessoal, refletindo a turbulência emocional de Young durante seu relacionamento com a atriz Carrie Snodgress. As letras abordam amor, desilusão, arrependimento e saudade, oferecendo um retrato sincero de vulnerabilidade e introspecção. Produção feita pelo cantor junto com Elliot Mazer, Ben Keith e Tim Mulligan, teve uma abordagem crua, mas refinada o suficiente para destacar a melodia e a emoção das performances. Com eles focando em capturar a interpretação honesta do artista, com leve acompanhamento de músicos convidados seguindo a estética do Country Rock e do Folk. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem introspectivas e calmas. Enfim, é um trabalho interessante e mais pessoal. 

Melhores Faixas: Try, White Line, Kansas 
Vale a Pena Ouvir: Mexico, Separate Ways, Vacancy

Barn – Neil Young & Crazy Horse





















NOTA: 8/10


Mais um ano se passou, e mais um álbum de inéditas foi lançado, intitulado Barn. Após o Homegrown, Neil Young decidiu voltar à energia elétrica, visceral e direta com Crazy Horse, mas agora com uma maturidade artística que combina experiência e frescor. O álbum foi concebido em meio a um contexto contemporâneo de tensões sociais e reflexões pessoais, muito por conta do momento após a pandemia do COVID-19. A produção, feita como sempre pelo cantor junto com Niko Bollas, tem aquela sonoridade crua e vibrante, característica do Crazy Horse: guitarras elétricas robustas e distorcidas, baixo firme e bateria pulsante. A produção equilibra momentos de intensidade com passagens mais suaves, permitindo que as letras e melodias se destaquem. Com isso, as influências do Folk Rock predominam, além de momentos puxados para o Country. O repertório é bem legal, e as canções são todas bem envolventes. Enfim, é um álbum bacana e vale a pena ir atrás. 

Melhores Faixas: They Might Be Lost, Shape Of You 
Vale a Pena Ouvir: Heading West, Song Of The Seasons, Tumblin' Thru The Years

Toast – Neil Young & Crazy Horse





















NOTA: 8,3/10


Indo agora para 2022, foi lançado mais um material arquivado do Neil Young intitulado Toast. Após o Barn, o cantor acabou resgatando um material gravado 22 anos antes, e aqui ele buscava capturar performances íntimas com a banda Crazy Horse, mas com uma abordagem mais introspectiva, atmosférica e emocionalmente densa. As gravações ocorreram em um período conturbado pessoalmente para Young, incluindo reflexões sobre família, perda e envelhecimento, e, musicalmente, ele explorava grooves mais lentos, arranjos meditativos e improvisações com a banda. A produção, feita junto com John Hanlon, explora texturas densas e timbres ricos, criando um ambiente sonoro intimista, quase etéreo. O álbum equilibra guitarras elétricas e acústicas, baixos profundos, bateria espaçada e efeitos sutis de estúdio que conferem um clima introspectivo. O repertório é muito bom, e as canções transmitem uma vibe intimista. No geral, é um disco interessante e sombrio. 

Melhores Faixas: Goin' Home, Boom Boom Boom 
Vale a Pena Ouvir: How Ya Doin'?, Gateway Of Love

Oceanside Countryside – Neil Young





















NOTA: 8,5/10


Então chegamos em 2025, quando foi lançado mais um dos trabalhos arquivados do Neil Young, o Oceanside Countryside. Após o Toast, o cantor decidiu voltar um pouquinho no tempo para resgatar esse material, que foi gravado em 1977, quando estava no auge de uma de suas fases criativas mais prolíficas, logo antes de lançar Comes a Time. Muitos dos temas presentes nesse álbum acabaram sendo reaproveitados em trabalhos posteriores, mas aqui aparecem nas mixagens originais e na sequência que Young originalmente planejou para o disco. A produção foi feita por aquela turma conhecida de seus trabalhos setentistas e apresenta uma abordagem intimista e orgânica, que remete ao Country Rock e ao Folk característicos de Young naquela fase da carreira, mas apresentados de forma crua e imediata, sem muitos overdubs ou efeitos. O repertório é belíssimo, e as canções são todas bem melódicas e melancólicas. No fim, é um ótimo trabalho e bem tematizado. 

Melhores Faixas: Sail Away, Human Highway, Goin' Back 
Vale a Pena Ouvir: Field Of Opportunity, The Old Homestead

Talkin To The Trees – Neil Young And The Chrome Hearts





















NOTA: 4/10


E aí na metade do ano passado foi lançado seu último álbum até então, o Talkin’ to the Trees. Após o Oceanside Countryside, Neil Young decidiu montar uma nova banda de apoio chamada The Chrome Hearts. Essa formação reúne músicos experientes, incluindo Spooner Oldham (órgão), Micah Nelson (guitarra e vocais), Corey McCormick (baixo e vocais) e Anthony LoGerfo (bateria), e esse trabalho seria bem mais puxado para observações sociais e críticas culturais. A produção, conduzida por Lou Adler junto com o cantor, tem aquela abordagem crua e direta, com os arranjos variando do Folk Rock ao Hard Rock mais energético, dependendo das necessidades narrativas de cada faixa. Só que, apesar de ter momentos interessantes, tudo acaba sendo muito previsível, e os vocais dele às vezes acabam variando de forma estranha. O repertório até começa bem, mas depois decai com canções chatinhas. Em suma, é um álbum bastante sem graça. 

Melhores Faixas: First Fire Of Winter, Dark Mirage, Silver Eagle 
Piores Faixas: Big Change, Moving Ahead, Family Life, Lets Roll Again

                                                                            Por hoje é só, então flw!!!       

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