quarta-feira, 11 de março de 2026

Analisando Discografias - Neil Young: Parte 4

                    

Fork In The Road – Neil Young





















NOTA: 8/10


Em 2009, o Neil Young retorna com mais um disco intitulado Fork in the Road, que foi mais tematizado. Após o Chrome Dreams II, o cantor voltou sua atenção para outro tema que considerava urgente: a dependência global de combustíveis fósseis e a necessidade de alternativas energéticas mais sustentáveis. Essa preocupação se materializou em um projeto bastante pessoal chamado LincVolt, que era um automóvel clássico que Young decidiu converter em um veículo elétrico híbrido de alta eficiência energética, e esse projeto passou por altos e baixos. A produção, feita por ele mesmo, foi relativamente direta e enxuta. Os arranjos são estruturados de maneira simples, com forte presença de guitarras elétricas e uma base rítmica firme, seguindo toda aquela estética de Folk Rock com Hard Rock. O repertório é bem legal, e as canções são todas bem divertidas. Enfim, é um trabalho bacana e que, de certo modo, é subestimado. 

Melhores Faixas: Cough Up The Bucks, Off The Road 
Vale a Pena Ouvir: When Worlds Collide, Fork In The Road, Light A Candle

Le Noise – Neil Young





















NOTA: 8,2/10


Meses depois, foi lançado mais um álbum de Neil Young intitulado Broken Arrow. Após a trilha sonora do filme Dead Man, o cantor decidiu voltar a trabalhar com o Crazy Horse. Young, então, buscou novamente aquela sonoridade crua, pesada e expansiva que havia marcado seus discos clássicos. Com isso, teríamos mais uma série de longas jams, guitarras distorcidas, arranjos simples e muita intensidade emocional. A produção foi feita inteiramente pelo próprio cantor, na qual ele manteve essa sonoridade crua, buscando capturar pequenas imperfeições que transmitissem autenticidade. Isso significa que várias faixas preservam uma sensação de improvisação, com estruturas que se desenvolvem lentamente e solos de guitarra que parecem surgir de forma orgânica. O repertório é bem legal, e as canções são todas bem energéticas e atmosféricas. Enfim, é um projeto interessante e muito bem feito. 

Melhores Faixas: Slip Away, This Town 
Vale a Pena Ouvir: Loose Change, Music Arcade, Big Time

Americana – Neil Young & Crazy Horse





















NOTA: 8/10


Indo para o movimentado ano de 2012, o Neil Young lança mais um álbum, o Americana. Após o Le Noise, Young optou por um projeto que dialoga diretamente com a tradição musical do país. O conceito do disco é reinterpretar clássicos do cancioneiro americano, oferecendo versões próprias de músicas conhecidas, muitas delas emblemáticas da cultura popular e do folclore dos Estados Unidos. Produção feita pelo cantor junto com John Hanlon e Mark Humphreys, que combinaram o Folk Rock cru e energético característico do Crazy Horse com um respeito reverente pelos arranjos originais das músicas. O timbre da guitarra de Young, por vezes distorcido e por vezes limpo, serve para reinterpretar cada faixa com personalidade própria, dialogando tanto com o Country quanto com a música Americana. O repertório é muito bom, e as canções ficaram todas bem interpretadas. Enfim, é um trabalho bacana e que tem sua consistência. 

Melhores Faixas: Gallows Pole, Jesus' Chariot, Travel On 
Vale a Pena Ouvir: Get A Job, Wayfarin' Stranger

Psychedelic Pill – Neil Young & Crazy Horse





















NOTA: 8,5/10


E aí alguns meses se passaram, e o Neil Young lança um disco mais complexo, o Psychedelic Pill. Após o Americana, o cantor estava revisitando ideias de jams longas e improvisações, algo que sempre foi marca registrada de seu trabalho elétrico com a banda Crazy Horse, buscando explorar sons expansivos, solos extensos e uma energia quase improvisada. A produção foi basicamente a mesma, só que com uma abordagem crua e energética do Crazy Horse. Young privilegiou microfonação natural, longos takes e pouca edição, mantendo a espontaneidade e o dinamismo das performances, enfatizando a guitarra de Young e o feedback característico da banda, criando camadas sonoras densas e expansivas, fazendo assim uma junção de Rock psicodélico, Country Rock, Cosmic Country e Jam Band. O repertório, apesar de ter 8 faixas, traz canções longas que são todas bem dinâmicas. No final de tudo, é um ótimo disco e que dá para se divertir. 

Melhores Faixas: Born In Ontario, Ramada Inn (Going South), For The Love Of Man 
Vale a Pena Ouvir: Driftin' Back, Walk Like A Giant

A Letter Home – Neil Young





















NOTA: 8/10


Se passaram dois anos e mais um trabalho peculiar do Neil Young foi lançado, A Letter Home. Após o Psychedelic Pill, o cantor buscava uma abordagem radicalmente diferente, mais íntima e direta. O conceito do álbum nasceu do desejo de reinterpretar clássicos que influenciaram sua formação musical. Outro fator importante foi a colaboração com Jack White, que administrava a gravadora Third Man Records. White sugeriu o uso do Vintage Voice-O-Graph, um equipamento antigo de gravação portátil que imprime às gravações uma sonoridade Lo-fi, com chiados e imperfeições analógicas. A produção foi, como dito, feita de forma improvisada, com Young utilizando guitarra acústica e ocasionalmente piano. Não há overdubs ou arranjos complexos; tudo depende da interpretação direta, da proximidade vocal e da expressividade crua dele. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem interpretadas da forma proposta. No fim, é um disco bacana e criminosamente subestimado. 

Melhores Faixas: Girl From The North Country, On The Road Again 
Vale a Pena Ouvir: Reason To Believe, If You Could Read My Mind, Changes

Storytone – Neil Young





















NOTA: 3/10


Mais alguns meses se passaram, e foi lançado um álbum mais refinado intitulado Storytone. Após A Letter Home, Neil Young voltou sua atenção para arranjos grandiosos e um conceito que lembrasse a narrativa épica de um filme ou de um livro de memórias. O projeto nasceu de seu desejo de combinar canções originais com instrumentos orquestrais e Big Band, explorando novos territórios de textura sonora e expressão emocional. A produção, feita por ele junto com Niko Bolas, foi mais dividida em momentos orquestrados, que contêm arranjos complexos envolvendo cordas, metais, madeiras e, em alguns momentos, seções de Big Band. Enquanto as versões acústicas contêm arranjos de cordas, metais e madeiras e, em alguns momentos, poucas seções de orquestração, tudo é muito bagunçado e acaba não trazendo aquela imersão. O repertório é muito ruim, e as canções são bem chatinhas, com poucas que se salvam. Enfim, é um álbum fraquíssimo e tedioso. 

Melhores Faixas: Plastic Flowers, Tumbleweed, Like You Used To Do 
Piores Faixas: Say Hello To Chicago, I'm Glad I Found You, When I Watch You Sleeping

The Monsanto Years – Neil Young + Promise Of The Real





















NOTA: 3/10


Então se passou mais um ano e foi lançado outro disco do Neil Young, o The Monsanto Years. Após o Storytone, o conceito para esse novo trabalho é uma crítica aberta à Monsanto, multinacional conhecida pelo desenvolvimento de sementes geneticamente modificadas e pelo uso de agrotóxicos, simbolizando para Young a ganância corporativa e o impacto ambiental do capitalismo desenfreado. Para este projeto, Young formou uma parceria duradoura com a banda Promise of the Real, liderada por Lukas Nelson, filho do Willie Nelson. A produção, conduzida pelo cantor junto com John Hanlon, seguiu uma abordagem que mistura Folk Rock com elementos da música Americana. O som é bastante limpo: guitarras elétricas dominam a textura sonora, acompanhadas por uma seção rítmica até que sólida, só que, no geral, tudo é muito arrastado e bem sem graça. O repertório é bem ruim, e as canções são fracas, com algumas exceções. No fim, é um disco tedioso e cansativo. 

Melhores Faixas: Workin' Man, Monsanto Years, Wolf Moon 
Piores Faixas: Big Box, If I Don't Know, A Rock Star Bucks A Coffee Shop

Peace Trail – Neil Young





















NOTA: 7,8/10


Se passou mais um ano e foi lançado mais um trabalho do Neil Young, o Peace Trail. Após o The Monsanto Years, o cantor buscava retornar à simplicidade de suas composições acústicas e à tradição Folk e Country de sua carreira, em contraste com os projetos mais ambiciosos com o Crazy Horse ou experimentações orquestrais. O álbum reflete preocupações sociais, políticas e pessoais de Young, incluindo temas de paz, direitos humanos e justiça ambiental, mantendo uma conexão com o ativismo que ele já havia explorado em seu último disco. A produção foi propositalmente simples e crua. O foco está na guitarra acústica, às vezes acompanhada de violão e bateria mínima, criando uma sonoridade intimista e imediata. Não há sobreposições complexas nem efeitos de estúdio sofisticados, apesar de ter alguns momentos arrastados que até funcionam. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem envolventes. Enfim, é um projeto legal e cheio de urgência. 

Melhores Faixas: Show Me, Terrorist Suicide Hang Gliders 
Vale a Pena Ouvir: Glass Accident, John Oaks, Texas Rangers
 

                                                                                  Então é isso e flw!!!          

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