With His Hot And Blue Guitar – Johnny Cash
NOTA: 9,8/10
Em 1957, o lendário Johnny Cash lançava seu álbum de estreia intitulado With His Hot and Blue Guitar. O cantor, nascido em Kingsland, Arkansas, passou parte do início de sua vida entre várias mudanças. Em 1950, serviu na Força Aérea dos Estados Unidos e passou um período na Alemanha durante o serviço militar. Após quatro anos, voltou para Memphis e começou a tentar espaço na indústria musical, puxado pro Gospel mais depois foi pro Country, o que despertou o interesse da Sun Records. A produção, feita por Sam Phillips, trouxe uma abordagem crua e minimalista, destacando o trio de Cash com o guitarrista Luther Perkins e o baixista Marshall Grant, conhecido como The Tennessee Two, que apresentava um toque simples, repetitivo e hipnótico, com notas secas que funcionavam quase como uma percussão, no estilo chamado de “boom-chicka-boom”. O repertório é sensacional, e as canções são todas bem melódicas. No fim, é um baita disco de estreia e um verdadeiro clássico.
Melhores Faixas: I Walk The Line, Folsom Prison Blues, Cry, Cry, Cry, So Doggone Lonesome, I Heard That Lonesome Whistle
Vale a Pena Ouvir: Doin' My Time, The Rock Island Line, Remember Me, Country Boy
The Fabulous Johnny Cash – Johnny Cash
NOTA: 9/10
No ano seguinte, foi lançado seu 2º álbum de estúdio, intitulado The Fabulous Johnny Cash. Após o With His Hot and Blue Guitar, o cantor acabou saindo da Sun Records e assinou com a gravadora Columbia, já que o sucesso crescente de Cash levou à busca por um contrato mais vantajoso. Com isso, a gravadora ofereceu melhores condições financeiras e maior investimento em sua carreira. A produção, conduzida por Don Law, trouxe um refinamento maior nos arranjos e na qualidade sonora. Ainda assim, Luther Perkins e Marshall Grant mantiveram aquele “boom-chicka-boom” como a espinha dorsal das músicas. Outra diferença importante em relação ao disco anterior é o uso mais frequente de backing vocals, especialmente do grupo gospel The Jordanaires, que adicionava harmonias vocais suaves. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas e têm um lado mais imersivo. Enfim, é um projeto muito bom e que mantém algo mais básico.
Melhores Faixas: I Still Miss Someone, Don't Take Your Guns To Town, Frankie's Man, Johnny, That's Enough, Frankie's Man, Johnny
Vale a Pena Ouvir: The Troubadour, Shepherd Of My Heart, One More Ride
Hymns By Johnny Cash – Johnny Cash
NOTA: 8/10
Chegando ao fim dos anos 50, foi lançado mais um trabalho do Johnny Cash, o Hymns by Johnny Cash. Após o The Fabulous Johnny Cash, o cantor revelou um lado essencial de sua identidade artística: sua profunda ligação com a música religiosa. Embora Cash fosse conhecido por suas narrativas sobre prisioneiros, foras-da-lei e personagens marginalizados, a espiritualidade sempre esteve no centro de sua vida e de sua formação musical, já que ele sempre quis fazer um álbum interpretando hinos Gospel e agora, estando na Columbia Records, pôde ter essa oportunidade. A produção, feita mais uma vez por Don Law, mantém uma abordagem relativamente simples, mas com maior refinamento técnico, e agora com o grupo vocal The Jordanaires aparecendo com frequência nas harmonias vocais e criando uma atmosfera mais reverente. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem profundas. Enfim, é um álbum legal e que tem uma proposta que funciona.
Melhores Faixas: Swing Low, Sweet Chariot, These Things Shall Pass Vale a Pena Ouvir: Are All The Children In, He'll Be A Friend, Lead Me Gently Home
Songs Of Our Soil – Johnny Cash
NOTA: 8,2/10
E aí, na metade do mesmo ano de 1959, foi lançado mais um álbum de Cash, o Songs of Our Soil. Após o Hymns by Johnny Cash, esse novo projeto foi concebido com um conceito relativamente claro: explorar canções que refletiam o lado mais sombrio e tradicional da música Country. O disco também reflete um período difícil na vida pessoal do cantor. No final da década de 1950, Johnny Cash estava enfrentando um crescente problema com o uso de anfetaminas, agravado pela pressão constante das turnês e da fama, e isso paira na abordagem do disco. A produção, conduzida por Don Law e Al Quaglieri, seguiu uma abordagem simples e agora tendo mais influências do Country e do Nashville Sound, já não contando mais com o Rockabilly, ainda tendo a guitarra de Luther Perkins, que mantém seu característico estilo minimalista. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas e suaves. Enfim, é um ótimo álbum e que foi bem tematizado.
Melhores Faixas: The Great Speckled Bird, My Grandfather's Clock, Five Feet High And Rising, Don't Step On Mother's Roses
Vale a Pena Ouvir: I Want To Go Home, It Could Be You, Drink To Me
Now, There Was A Song! – Johnny Cash
NOTA: 8,2/10
Entrando nos anos 60, Johnny Cash retorna com seu 5º álbum, o Now, There Was a Song!. Após o Songs of Our Soil, Cash escolheu interpretar músicas associadas a artistas fundamentais do country, incluindo composições de figuras como Jimmie Rodgers e Hank Williams. Dessa forma, o álbum funciona quase como um tributo à tradição da Country music e à herança cultural que influenciou diretamente o próprio Johnny Cash. A produção, feita por Don Law e Frank Jones, segue uma abordagem simples, enquanto a guitarra de Luther Perkins continua desempenhando papel central no álbum. Seu estilo econômico, baseado em padrões repetitivos e secos, cria o famoso ritmo conhecido como “boom-chicka-boom”, que se encaixa perfeitamente nesse clima mais puxado para o Honky Tonk e o Country tradicional. O repertório é muito bom, e as canções ficaram todas bem interpretadas. No geral, é um ótimo álbum e mostra um lado consistente.
Melhores Faixas: Time Changes Everything, Transfusion Blues, Honky-Tonk Girl, I Feel Better All Over
Vale a Pena Ouvir: I Will Miss You When You Go, My Shoes Keep Walking Back To You, Just One More
Ride This Train – Johnny Cash
NOTA: 8/10
E aí alguns meses se passaram, e Johnny Cash retorna com um álbum mais conceitual, o Ride This Train. Após o Now, There Was a Song!, Cash decidiu criar um projeto com uma narrativa contínua, inspirado em suas experiências viajando pelos Estados Unidos durante turnês. O álbum funciona como uma espécie de viagem musical através do país dentro de um trem, com cada faixa representando um estado. Cash sempre foi fascinado pela geografia e pela diversidade cultural dos Estados Unidos, e a ideia do álbum era capturar pequenas histórias ligadas a diferentes lugares do país. A produção, conduzida por Don Law e Al Quaglieri, trouxe arranjos diretos; como o disco inclui narrações faladas de Cash entre as músicas, a produção também precisou trabalhar cuidadosamente a transição entre essas partes narrativas e as canções. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem reflexivas e sentimentais. No fim, é um álbum bacana e bem subestimado.
Melhores Faixas: Lumberjack, Boss Jack
Vale a Pena Ouvir: Going To Memphis, Slow Rider
Hymns From The Heart – Johnny Cash
NOTA: 8/10
Dois anos se passaram, e Johnny Cash retorna com um novo disco, o Hymns from the Heart. Após o Ride This Train, Cash estava no auge da fama dentro da música country, com forte presença nas paradas e uma agenda intensa de turnês. Ao mesmo tempo, ele enfrentava sérios problemas pessoais relacionados ao uso de anfetaminas, além de tensões crescentes em seu casamento e na vida familiar. Dentro desse contexto turbulento, a música religiosa sempre funcionou como uma espécie de refúgio para Cash, então ele decidiu preparar mais um álbum nesse estilo. A produção, conduzida por Don Law e Frank Jones, trouxe uma sonoridade bastante limpa e, por se tratar de um álbum de Country Gospel, os arranjos apresentam com mais frequência elementos típicos desse estilo. O repertório é bem legal, e as canções são bem imersivas e tem aquele lado pastoral. Enfim, é outro trabalho interessante e coeso.
Melhores Faixas: When He Reached Down His Hand For Me, Let The Lower Lights Be Burning, If We Never Meet Again
Vale a Pena Ouvir: When I've Learned, God Must Have My Fortune Laid Away, I Won't Have To Cross Jordan Alone
The Sound Of Johnny Cash – Johnny Cash
NOTA: 8,6/10
Então, praticamente no mesmo mês daquele ano de 1962, foi lançado mais um álbum de Johnny Cash, o The Sound of Johnny Cash. Após o Hymns from the Heart, Cash continuava extremamente produtivo no estúdio, e esse novo trabalho surgiu como mais um capítulo dessa fase criativa intensa. Diferente de alguns de seus álbuns anteriores, que tinham conceitos temáticos mais definidos, este disco funciona mais como uma coleção de músicas que exemplificam diferentes facetas de seu estilo. A produção foi aquela de sempre, mantendo um som direto e fazendo com que os vocais graves e marcantes de Cash funcionem bem, além de contar com a guitarra do Luther Perkins, cujo estilo econômico e repetitivo faz acontecer “boom-chicka-boom”, que funciona como a base onde tudo transita, desde o Country music até um pouquinho de Rockabilly. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem envolventes. Enfim, é um trabalho muito bom e bem sólido.
Melhores Faixas: In The Jailhouse Now, Delia's Gone, I'm Free From The Chain Gang Now, You Remembered Me, Sing It Pretty, Sue Vale a Pena Ouvir: Mr. Lonesome, Accidentally On Purpose, Let Me Down Easy
Blood, Sweat And Tears – Johnny Cash
NOTA: 8,7/10
Em 1963, foi lançado mais um álbum conceitual do Johnny Cash, o Blood, Sweat And Tears. Após o The Sound Of Johnny Cash, ele decidiu homenagear e retratar a vida do trabalhador americano. O título já aponta diretamente para essa ideia já que é uma expressão que evoca sacrifício, esforço físico e resistência diante das dificuldades. Já que o cantor cresceu em uma família de agricultores no estado do Arkansas, trabalhando nos campos de algodão durante sua infância. Essa experiência marcou profundamente sua visão de mundo e influenciou grande parte de suas composições. Produção foi para um caminho mais orgânico com arranjos relativamente simples, forte foco na voz e na narrativa e uma base instrumental enxuta que evoca muito mais ao Country tradicional, além de preserva uma sensação de crueza que combina bem com o tema do trabalho físico. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem profundas. No fim, é um ótimo disco e bastante reflexivo.
Melhores Faixas: Busted, The Legend Of John Henry's Hammer, Casey Jones, Chain Gang
Vale a Pena Ouvir: Nine Pound Hammer, Roughneck
I Walk The Line – Johnny Cash
NOTA: 10/10
Indo para 1964, foi lançado o espetacular 10º álbum do Johnny Cash, o I Walk the Line. Após o Blood, Sweat and Tears, esse novo álbum é estruturado como a trilha sonora de uma narrativa fictícia sobre um homem que deixa sua cidade natal em busca de oportunidades, enfrenta dificuldades e tenta manter seus princípios ao longo do caminho. Essa abordagem narrativa aproximava o disco de um formato quase radiofônico, lembrando programas dramáticos ou contos musicais. A produção, feita por Don Law e Frank Jones, trouxe uma sonoridade limpa e com aquele toque de simplicidade, além de também apresentar elementos adicionais que ajudam a construir sua atmosfera narrativa e, claro, sem faltar o estilo característico do “boom-chicka-boom”, que cria uma pulsação constante onde tudo transita entre o Country music e o Rockabilly. O repertório é sensacional, parecendo até uma coletânea, e conta com algumas reinterpretações divertidas. No fim, é um baita disco e certamente um clássico.
Melhores Faixas: Folsom Prison Blues, Understand Your Man, Big River, I Walk The Line, Give My Love To Rose
Vale a Pena Ouvir: Wreck Of The Old 97, Goodbye, Little Darlin' Goodbye, Bad News









