sábado, 21 de março de 2026

Analisando Discografias - Elton John: Parte 4

                 

Ice On Fire – Elton John





















NOTA: 2,5/10


Então, já na metade dos anos 80, foi lançado outro disco do Elton John, o Ice on Fire. Após o Breaking Hearts, e vendo que a música Pop se tornava cada vez mais orientada por sintetizadores, baterias eletrônicas e produções altamente polidas, influenciadas tanto pela New Wave quanto pela ascensão da MTV, o cantor precisava continuamente adaptar sua sonoridade para permanecer relevante nesse novo contexto. A produção foi basicamente aquela mesma de sempre: extremamente polida e radiofônica, refletindo a estética do Pop daquele período, incorporando extensivamente sintetizadores, baterias eletrônicas e técnicas de produção modernas típicas da época. Apesar disso, o piano do Elton John continua sendo o eixo central das composições; só que, ainda assim, tudo soa excessivamente açucarado e completamente repetitivo. O repertório é muito ruim, e as canções chegam a beirar o insuportável, com algumas exceções. No fim, é um disco ruim e bem descartável. 

Melhores Faixas: Cry To Heaven, Tell Me What The Papers Say 
Piores Faixas: Candy By The Pound, Wrap Her Up (participação do George Michael totalmente desperdiçada), Nikita, Satellite

Leather Jackets – Elton John




















NOTA: 1/10


Então, se passou mais um ano e foi lançado outro álbum terrível do Elton John, o Leather Jackets. Após o Ice on Fire, Elton John enfrentava problemas pessoais, incluindo exaustão causada por sua agenda intensa de turnês e dificuldades relacionadas ao uso excessivo de substâncias, além de passar por um bom momento como presidente do Watford (sim, aquele time que disputou a Premier League recentemente; o cantor comandava o clube havia 10 anos). A produção foi feita por Gus Dudgeon, que trouxe uma sonoridade fortemente marcada pela estética Pop da metade dos anos 80. Há uma presença significativa de sintetizadores e arranjos orientados para o rádio, só que o grande problema é que os vocais do Elton John foram colocados depois, por cima das bases, e praticamente não funcionam, ficando tudo muito bagunçado. O repertório é horrível, e as canções são completamente insuportáveis. Em suma, é uma das maiores porcarias lançadas em sua carreira. 

Melhores Faixas: (........................................) 
Piores Faixas: Gypsy Heart, I Fall Apart, Leather Jackets, Memory Of Love, Hoop On Fire

Reg Strikes Back – Elton John





















NOTA: 4/10


Dois anos se passaram, e foi lançado mais um trabalho novo do Elton John, o Reg Strikes Back. Após o terrível Leather Jackets, ele lidava com questões pessoais importantes, incluindo problemas de saúde vocal que eventualmente o levariam a realizar uma cirurgia nas cordas vocais em 1987. Essa cirurgia alteraria permanentemente o timbre de sua voz, tornando-a mais grave e rouca. Além disso, ele também deixou de ser presidente do Watford e decidiu focar muito mais em sua carreira. A produção foi conduzida por Chris Thomas, que buscou equilibrar o estilo clássico do Piano Rock do Elton com a sonoridade Synth-pop. Como mencionado, houve muito uso de sintetizadores, baterias eletrônicas e arranjos altamente polidos, embora muita coisa soe bastante clichê e falte algo mais preciso. O repertório é bem fraquinho, com algumas canções melhores e outras mais genéricas. No fim, é um disco ruim, mas mostra uma tentativa de consistência. 

Melhores Faixas: I Don't Wanna Go On With You Like That, The Camera Never Lies, Poor Cow 
Piores Faixas: Town Of Plenty, A Word In Spanish, Since God Invented Girls, Goodbye Marlon Brando

Sleeping With The Past – Elton John





















NOTA: 8/10


E aí, chega ao fim dos anos 80, e Elton John lança Sleeping with the Past, e aqui as coisas melhoram. Após o Reg Strikes Back, o cantor queria fazer algo bem diferente, então a ideia surgiu de uma sugestão do letrista Bernie Taupin, que propôs que o álbum fosse inspirado pela Soul music e pelo R&B, estilos que haviam exercido grande influência sobre Elton durante seus anos formativos como músico. A produção, feita por Chris Thomas, enfatizava clareza sonora, melodias fortes e arranjos cuidadosamente equilibrados, capturando a atmosfera da Soul music. Para isso, os arranjos frequentemente incorporam elementos característicos desse estilo, como linhas de baixo marcantes, seções de sopro discretas, harmonias vocais e grooves rítmicos, além do uso de sintetizadores para manter um caráter moderno. O repertório é bem legal, com canções que vão de um lado mais suave e envolvente a momentos mais enérgicos. No fim, é um ótimo disco e que deu muito certo. 

Melhores Faixas: Sacrifice, Stone's Throw From Hurtin' 
Vale a Pena Ouvir: Whispers, Sleeping With The Past, Durban Deep

The One – Elton John





















NOTA: 8/10


Quatro anos se passam, e é lançado mais um trabalho novo do cantor, intitulado The One. Após o Sleeping with the Past, Elton John enfrentou diversos desafios relacionados à sua saúde e ao abuso de substâncias, o que o levou a iniciar um processo de reabilitação. Em 1990, ele entrou em tratamento para superar dependências químicas, iniciando uma fase de recuperação que teria enorme impacto em sua vida e em sua música. A produção, conduzida por Chris Thomas, segue um caminho polido e refinado, com arranjos grandiosos, frequentemente incorporando sintetizadores, guitarras atmosféricas e seções de cordas que criam uma sensação de amplitude emocional, combinando com o vocal mais grave do Elton John após a cirurgia. O repertório é bem legal, com canções mais profundas e de temática vulnerável. No fim, é um ótimo disco e é bem subestimado pelos fãs. 

Melhores Faixas: Whitewash County, Emily 
Vale a Pena Ouvir: The North, Simple Life, The Last Song

Made In England – Elton John





















NOTA: 8,2/10


Indo para 1995, Elton John retorna com mais um disco novo, o Made in England. Após o The One, o cantor estava em um momento de grande revitalização em sua carreira, tanto musicalmente, onde vinha se aperfeiçoando, quanto em popularidade, já que havia feito parte da trilha sonora do filme O Rei Leão com as canções Can You Feel the Love Tonight e Circle of Life. Para esse novo projeto, ele decidiu seguir por um caminho mais melódico. A produção, feita por Greg Penny junto com o cantor, aposta em uma sonoridade orgânica e elegante. O piano do Elton John continua sendo o centro das composições, mas os arranjos frequentemente incluem cordas, guitarras atmosféricas e camadas instrumentais que criam uma sensação de profundidade sonora, enquanto sua voz soa mais delicada e carregada de sentimentalismo. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem imersivas. No fim, é um disco bacana e que mostra um lado elegante. 

Melhores Faixas: Latitude, Pain, Blessed 
Vale a Pena Ouvir: Belfast, Lies, Made In England

The Big Picture – Elton John





















NOTA: 5/10


Se passaram dois anos, e foi lançado o 25º álbum do Elton John, intitulado The Big Picture. Após o Made in England, Elton vivia uma fase de grande estabilidade pessoal e profissional. Ele havia consolidado sua recuperação de problemas relacionados ao abuso de substâncias, encontrava-se artisticamente maduro e continuava mantendo uma parceria extremamente sólida com o letrista Bernie Taupin. Além disso, voltou à presidência do Watford (só que não deu muito certo). A produção, feita mais uma vez por Chris Thomas, segue uma abordagem grandiosa e cinematográfica. As músicas frequentemente utilizam arranjos orquestrais amplos, camadas de teclados e guitarras atmosféricas que criam uma sensação de escala emocional bastante ampla, dialogando bastante com o Adult Contemporary daquele período, mas de forma bem genérica. O repertório até começa bem, mas depois decai rapidamente. Enfim, é um trabalho mediano e bem exagerado. 

Melhores Faixas: Live Like Horses, The Big Picture, Long Way From Happiness 
Piores Faixas: Love's Got A Lot To Answer For, Recover Your Soul, Can't Steer My Heart Clear Of You

Songs From The West Coast – Elton John





















NOTA: 8,4/10


Indo agora para 2001, Elton John retornava lançando mais um disco, o Songs from the West Coast. Após o The Big Picture, Elton começou a refletir sobre sua identidade musical. Ele desejava retornar a um som mais orgânico e centrado no piano, algo que lembrasse seus discos mais celebrados da primeira metade dos anos 70. Esse desejo também foi compartilhado por seu parceiro criativo de longa data, Bernie Taupin. A produção, feita por Patrick Leonard, trouxe uma abordagem que privilegiava a simplicidade instrumental e a clareza das melodias, evitando excessos de produção. O piano do Elton John volta a ocupar o centro das composições, enquanto guitarras, baixo e bateria criam uma base instrumental sólida, muitas vezes remetendo à estética dos discos clássicos do artista. O repertório é bem legal, com canções introspectivas e suaves. Enfim, é um trabalho interessante que demonstra maior consistência. 

Melhores Faixas: I Want Love, American Triangle, Mansfield 
Vale a Pena Ouvir: Original Sin, Dark Diamond, Love Her Like Me


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