The Stonewall Celebration Concert – Renato Russo
NOTA: 3/10
Em 1994, Renato Russo lançava seu 1º trabalho solo, o The Stonewall Celebration Concert. Após o lançamento do Descobrimento do Brasil, Renato já demonstrava, havia anos, fascínio por cancioneiros internacionais. O projeto nasceu originalmente como um recital beneficente de voz e piano ao lado do Carlos Trilha para arrecadar fundos para a Ação da Cidadania contra a Fome, e só depois foi transformado em álbum. Além disso, o título é uma celebração dos 25 anos dos motins de Stonewall, episódio fundador do movimento LGBTQIA+. Produção feita pelo próprio cantor, foi bastante moderno, já que teve uso de recursos digitais. Ainda assim, houve um uso tradicional de violão, teclados, texturas discretas e arranjos quase fantasmagóricos, dialogando com o Folk e Vocal Jazz, embora muitos dos arranjos se afastem da proposta original. O repertório, apesar de bom, tem canções que não ficaram bem interpretadas. No fim, a causa foi bem melhor do que o álbum em si.
Melhores Faixas: Clothes Of Sand (Nick Drake), And So It Goes (Billy Joel), If I Loved You (Richard Rodgers), If You See Him, Say Hello (Bob Dylan), Paper Of Pins, Somewhere In My Broken Heart (Billy Dean)
Piores Faixas: Send In The Clowns (Stephen Soundheim), Love Is (Kate & Anna McGarrigle), When You Wish Upon A Star (Cliff Edwards), If Tomorrow Never Comes (Garth Brooks), Let's Face The Music And Dance (Irving Berlin), Old Friend (Gretchen Cryer), Miss Celie's Blue (Quincy Jones)
Equilíbrio Distante – Renato Russo
NOTA: 1/10
Então, no ano seguinte, foi lançado seu 2º trabalho solo e último em vida, o péssimo Equilíbrio Distante. Após o The Stonewall Celebration Concert, esse projeto nasceu quando Renato, ainda impactado pela experiência do primeiro álbum solo, passou a se interessar pela música italiana, algo que, curiosamente, não era parte central de sua escuta até então. A partir daí, o projeto cresce não como simples coleção de covers, mas como uma investigação sobre raízes familiares, em um período em que ele enfrentava uma depressão profunda. A produção, feita pelo cantor junto com Carlos Trilha, foi bastante refinada, misturando Italo Pop orquestral, ambientações acústicas, elementos digitais, texturas eletrônicas discretas, música de câmara e até ecos de trilha cinematográfica. Mas tudo soa arrastado, e os vocais do Renato não ajudam nem um pouco. O repertório é péssimo, e as canções são todas muito chatas. No geral, é um disco terrível e profundamente esquecível.
Melhores Faixas: (..........zzzzzz...........)
Piores Faixas: Scrivimi, Strani Amori, La Forza Della Vita, La Solitudine, Dolcissima Maria
O Último Solo – Renato Russo
NOTA: 8/10
Em 1997, foi lançado o último trabalho solo do Renato Russo, intitulado O Último Solo. Após o terrível Equilíbrio Distante e a morte do cantor, decidiu-se reunir o material, com Carlos Trilha assumindo a tarefa de finalizar faixas que existiam em diferentes estados de elaboração: algumas praticamente prontas, outras com arranjos incompletos, outras com vocais-guia, e algumas exigindo intervenções técnicas complexas para se tornarem lançáveis. A produção foi bem mais sofisticada e polida, na qual Carlos finalizou os arranjos a partir de ideias deixadas por Renato e de inferências do que julgava coerente com sua sensibilidade. Com isso, a orquestração consegue acompanhar toda a base proposta de cada canção e, em alguns momentos, houve utilização de Auto-Tune para corrigir certos vocais, sendo está a primeira vez que essa ferramenta teria sido utilizada no Brasil. O repertório ficou bom, e até as canções em italiano ficaram legais. Enfim, é um trabalho bacana e bem coeso.
Melhores Faixas: Hey, That Is No Way To Say Goodbye (Leonard Cohen), The Dance (Tony Arata), Change Partners (Irving Berlin)
Vale a Pena Ouvir: I Loves You Porgy, Il Mondo Degli Altri


