domingo, 22 de março de 2026

Analisando Discografias - Elton John: Parte 5

                 

Peachtree Road – Elton John





















NOTA: 8/10


Se passaram então três anos e foi lançado um novo trabalho do Elton John, o Peachtree Road. Após o Songs From The West Coast, Elton havia reencontrado um equilíbrio criativo ao retornar a uma abordagem mais orgânica e centrada na composição e na interpretação. Assim, sua parceria com o letrista Bernie Taupin seguiu por um caminho que trouxe um conjunto de letras que exploram temas de memória, maturidade, reflexão e experiências humanas cotidianas. A produção, feita pelo próprio cantor, é relativamente discreta e orgânica, privilegiando os instrumentos acústicos e o calor natural das performances musicais, buscando transmitir uma sensação de intimidade e autenticidade, como se o ouvinte estivesse próximo da performance, principalmente na entrega vocal do Elton John, que é uma das mais expressivas de sua carreira. O repertório é bem interessante, com canções melódicas e profundas. No fim, é um ótimo disco, bastante consistente. 

Melhores Faixas: My Elusive Drug, All That I'm Allowed 
Vale a Pena Ouvir: They Call Her The Cat, Too Many Tears, Porch Swing In Tupelo

The Captain & The Kid – Elton John





















NOTA: 8,3/10


Entra um intervalo de dois anos e é lançado mais um álbum do Elton John, o The Captain & The Kid. Após o Peachtree Road, o cantor, junto com o letrista Bernie Taupin, decidiu fazer uma continuação do clássico Captain Fantastic and the Brown Dirt Cowboy (1975). Aqui, os personagens daquela narrativa retornam já mais velhos, refletindo sobre os caminhos que suas vidas tomaram desde então. Dessa forma, o disco funciona quase como um epílogo para a narrativa iniciada trinta anos antes. A produção, conduzida pelo cantor junto com Matt Still e lançada pela Interscope Records, tem uma abordagem bem enxuta: o piano do Elton continua preciso, frequentemente acompanhado por guitarras elétricas, baixo e bateria em arranjos relativamente diretos, misturando assim Piano Rock, Pop Rock e algumas influências da Country music. O repertório é ótimo, com canções envolventes e até imersivas. Enfim, é uma continuação decente de um álbum atemporal. 

Melhores Faixas: Tinderbox, Blues Never Fade Away, The Bridge 
Vale a Pena Ouvir: Postcards From Richard Nixon, The Captain And The Kid

The Diving Board – Elton John





















NOTA: 8/10


Foi só em 2013 que Elton John retornou lançando um novo trabalho, o The Diving Board. Após o The Captain & The Kid, o cantor acabou participando de outros projetos à parte e também encerrou seu vínculo com a Interscope Records, já que sua passagem por lá foi bastante conturbada (na verdade, ele voltaria tempos depois, pois sempre teve esse vai e vem com gravadoras para distribuir seus discos). Nesse projeto, ele decidiu refinar sua abordagem musical, priorizando simplicidade, composição e expressão artística em vez de produções grandiosas. A produção, feita por T Bone Burnett, é bem enxuta e formada por um trio: Elton John no piano, Pino Palladino no baixo e Jay Bellerose na bateria. Essa configuração minimalista lembra a abordagem de muitos discos clássicos de Jazz e Blues e funciona muito bem. O repertório é ótimo, com canções aconchegantes e exuberantes. Enfim, é um álbum legal e bem coeso. 

Melhores Faixas: A Town Called Jubilee, The New Fever Waltz 
Vale a Pena Ouvir: Oceans Away, Voyeur

Wonderful Crazy Night – Elton John





















NOTA: 3/10


Três anos se passam e é lançado mais um novo álbum do Elton John, o Wonderful Crazy Night. Após o The Diving Board, o cantor sentia vontade de fazer algo diferente no projeto seguinte. Em vez de um álbum introspectivo e minimalista, Elton queria um disco mais direto, animado e cheio de vitalidade, que lembrasse o espírito de seus trabalhos mais energéticos. A produção foi feita mais uma vez junto com T Bone Burnett, buscando uma sonoridade mais dinâmica e vibrante, com forte presença de piano, guitarras, baixo e bateria. A proposta busca capturar a sensação de uma banda tocando junta, algo que remete à energia dos álbuns clássicos do Elton John dos anos 70, porém tudo soa muito previsível e parece que ele está tentando repetir algo que já não funciona mais. O repertório é bem fraquinho, com canções medíocres e poucas realmente interessantes. No geral, é um disco ruim e uma tentativa precipitada. 

Melhores Faixas: Looking Up, Claw Hammer, A Good Heart 
Piores Faixas: Blue Wonderful, Tambourine, Guilty Pleasure, I've Got 2 Wings

Regimental Sgt. Zippo – Elton John





















NOTA: 8,5/10


No ano de 2021, foi disponibilizado um material curioso do Elton John, o Regimental Sgt. Zippo. Após o Wonderful Crazy Night, foi resgatado um material gravado por volta de 1967 e 1968, antes mesmo do lançamento do seu primeiro álbum oficial; o projeto permaneceu durante décadas praticamente desconhecido do público. Em um período em que ele trabalhava como músico de estúdio e compositor para a Dick James Music, empresa que buscava desenvolver novos talentos para o mercado musical britânico. A produção, feita por Caleb Quaye, é bem variada e experimental, apresentando elementos como órgãos, guitarras elétricas com efeitos, seções instrumentais inesperadas e mudanças de tonalidade, dialogando com o Pop psicodélico, muito por conta daquele momento pós-Sgt. Pepper’s dos The Beatles. O repertório é muito bom, e as canções têm aquele lado denso e, às vezes, energético. No fim, é um álbum muito legal e que vale a pena conhecer. 

Melhores Faixas: Regimental Sgt. Zippo, Angel Tree, Tartan Coloured Lady, Sitting Doing Nothing 
Vale a Pena Ouvir: Turn To Me, A Dandelion Dies In The Wind, Nina

The Lockdown Sessions – Elton John





















NOTA: 2/10


Meses depois, foi lançado o que é seu último trabalho até então, do Elton John, o The Lockdown Sessions. Após o lançamento do Regimental Sgt. Zippo, Elton John já estava preparando um álbum construído a partir de sessões organizadas em estúdio e com uma visão conceitual relativamente definida; no entanto, este álbum surgiu de forma espontânea durante o período da pandemia do COVID-19, quando grande parte do mundo estava em isolamento, sendo um projeto colaborativo que reuniu músicos de diferentes gerações e estilos musicais. A produção contou com nomes diversos e, no geral, seguiu uma abordagem polida; porém, tudo acaba soando como uma verdadeira bagunça, já que o disco transita entre Rock, Pop, Rap e, às vezes, R&B, resultando em muitas participações que não funcionam. O repertório é muito ruim, e as canções ficaram bastante esquisitas, com raras exceções. No fim, é um disco péssimo e que, sinceramente, merece ser esquecido. 


Melhores Faixas: Finish Line (Stevie Wonder bem demais), The Pink Phantom (música do Gorillaz, que Elton é feat) 
Piores Faixas: E-Ticket (desperdiçou Eddie Vedder, com essa mixagem feita por um jegue), Orbit, One Of Me (música do Lil Nas X), After All, Always Love You (Young Thug e Nicki Minaj indo muito mal)

 

Analisando Discografias - James Brown: Parte 2

                  Tour The U.S.A. – James Brown And The Famous Flames NOTA: 7/10 Indo para 1962, foi lançado mais um álbum deles, o Tour The...