sexta-feira, 27 de março de 2026

Analisando Discografias - James Brown: Parte 6

                 

People – James Brown





















NOTA: 2,8/10


Entrando nos anos 80, James Brown lançou mais um trabalho intitulado People. Após o horrível The Original Disco Man, Brown agora se encontrava diante de um cenário ainda mais fragmentado, com o início do declínio da Disco Music e o surgimento de novas sonoridades, como o Synth Funk, o Boogie e os primeiros sinais do que viria a ser o R&B contemporâneo dos anos 80. Só que o cantor ainda tentava juntar todas as suas influências clássicas com o moderno. A produção foi feita inteiramente por Brad Shapiro, que seguiu uma abordagem polida e radiofônica, com a bateria mais reta e constante, além de grooves menos fragmentados e mais lineares. Além disso, os teclados desempenham um papel central, com timbres mais modernos, só que, novamente, tudo soa muito mal resolvido e cheio de equívocos. O repertório é terrível, e as canções são bem genéricas, com poucas se salvando. Enfim, é um disco péssimo, no qual ele se mostra totalmente perdido. 

Melhores Faixas: Let The Funk Flow, That's Sweet Music 
Piores Faixas: Regrets, Stone Cold Drag, Are We Really Dancing

Soul Syndrome – James Brown





















NOTA: 8/10


Entrando no fim de 1980, James Brown lançou outro trabalho, o Soul Syndrome. Após o terrível People, o cantor queria voltar a algo que se aproximasse mais de sua sonoridade característica, em um período em que novas vertentes, como o Synth Funk e o R&B contemporâneo, começavam a dominar. Brown agora se encontrava em uma posição ainda mais delicada. A produção, feita pelo próprio cantor, é bem limpa, mas também variada, com grooves mais marcados, bateria sincopada e forte presença da seção rítmica. Em outros momentos, a sonoridade já aponta para os anos 80, com maior uso de sintetizadores e arranjos mais polidos. Além disso, os vocais do Brown são bem variados, apostando tanto em um lado mais contido quanto naquele mais energético, fazendo o som dialogar com o Funk e o Soul, com algumas pitadas do Boogie. O repertório é bem legal, e as canções são divertidas e imersivas. Enfim, é um ótimo trabalho, e aqui as coisas deram muito certo. 

Melhores Faixas: Funky Men, Rapp Payback (Where Iz Moses?) 
Vale a Pena Ouvir: Stay With Me

Bring It On! – James Brown





















NOTA: 8/10


Três anos se passaram, e foi lançado um álbum bem peculiar do James Brown, o Bring It On!. Após o Soul Syndrome, o cantor, já não estando mais nos holofotes, decidiu lançar esse trabalho de forma independente, ainda tentando um reposicionamento dentro da indústria. É um trabalho que busca atualizar sua sonoridade, ao mesmo tempo em que tenta manter elementos reconhecíveis de seu estilo. A produção é praticamente a mesma, com uma bateria mais mecânica, refletindo o uso crescente de drum machines ou estilos de execução mais rígidos. O baixo ainda está presente, mas frequentemente segue linhas mais simples e repetitivas, servindo mais como sustentação do groove do que como elemento criativo central, além de uma grande presença de sintetizadores, dialogando assim com o Funk e o R&B moderno. O repertório é bem legal, e as canções são envolventes e animadas. No fim, é um álbum legal, mas que foi um completo fiasco. 

Melhores Faixas: For Your Precious Love, Today 
Vale a Pena Ouvir: Bring It On

Gravity – James Brown





















NOTA: 8,2/10


Se passaram mais três anos, e James Brown lançava mais um novo álbum, o Gravity. Após o Bring It On!, e depois de atravessar a primeira metade dos anos 80 com dificuldades para se adaptar plenamente ao novo cenário musical, Brown encontra aqui uma oportunidade de reconexão com o mainstream. Esse reposicionamento está diretamente ligado à sua entrada na gravadora Scotti Brothers Records, que estava em ascensão naquele período. A produção foi feita pelo renomado Dan Hartman, que entregou um som polido e orientado para o mainstream. A bateria é predominantemente eletrônica, com batidas precisas e regulares, muitas vezes programadas. Os sintetizadores dão aquela cobertura às paisagens sonoras, assim como o baixo e a guitarra, fazendo, assim, uma junção do Synth Funk com a Soul Music e o R&B. O repertório é muito bom, e as canções são bem envolventes, com uma abordagem suave. No fim, é um ótimo disco que revitalizou o nome do cantor. 

Melhores Faixas: Repeat The Beat (Faith), How Do You Stop 
Vale a Pena Ouvir: Living In America, Gravity

I'm Real – James Brown





















NOTA: 3/10


Então chegamos a 1988, quando foi lançado o que é praticamente o último trabalho do James Brown, o fraquíssimo I’m Real. Após o Gravity, que conseguiu fazer o cantor voltar ao mainstream graças à repercussão de “Living in America”, que estava na trilha de Rocky IV, o cenário musical passou a ser dominado pelo Hip-Hop/Rap e pelo R&B, que ganharam ainda mais atenção do grande público. Como Brown era uma influência nesse meio, ele tentou a sorte nesse contexto. A produção, feita pelo grupo Full Force, incorporou batidas eletrônicas, drum machines e programação rítmica típicas do R&B da época. Em vez de tentarem suavizar o som, foi mais uma tentativa de recriar a crueza do Funk dentro desse novo formato do New Jack Swing, só que tudo soa muito forçado e não consegue funcionar. O repertório é bem ruim, com poucas canções interessantes. Após isso, Brown ainda lançou outros trabalhos até seu falecimento em 2006, mas deixou aqui um último registro bem esquecível. 

Melhores Faixas: It's Your Money$, She Looks All Types A' Good, Godfather Runnin' The Joint
Piores Faixas: Can't Git Enuf, You And Me, Keep Keepin', Time To Get Busy


Review: MR. do Yunk Vino

                    MR. – Yunk Vino NOTA: 7,2/10 Depois de quase 10 anos de carreira, enfim Yunk Vino lança seu álbum de estreia, intitulado...