Sex Machine Today – James Brown
NOTA: 8,4/10
Mais um ano se passou, e foi lançado mais um trabalho novo do James Brown, o Sex Machine Today. Após o Reality, a metade dos anos 70 já não era mais dominada exclusivamente pelo Funk cru que Brown ajudou a criar, já que o smooth soul, a nascente Disco music e outras tendências começavam a ganhar força. Além disso, a formação clássica dos J.B.'s já não era mais a mesma, já que aconteceram muitas mudanças, e o álbum carrega, portanto, uma sensação de reconstrução. A produção foi bem mais polida, não tendo aquela crueza de antes, com uma abordagem que se aproxima, em alguns momentos, do soul. A seção rítmica continua sendo central, mas já não possui o mesmo impacto minimalista e agressivo dos tempos áureos dos J.B.'s. O groove ainda está presente, mas é menos dominante e mais integrado a arranjos mais cheios. O repertório é muito bom, e as canções são bem mais variadas. No fim, é um disco bacana que tenta ser mais moderno.
Melhores Faixas: Deep In It, I Feel God
Vale a Pena Ouvir: Sex Machine Part I And Part II
Everybody's Doin' The Hustle & Dead On The Double Bump – James Brown
NOTA: 8/10
Meses depois, foi lançado mais um álbum do cantor, o Everybody's Doin' The Hustle & Dead On The Double Bump. Após o Sex Machine Today, James Brown se via diante de um cenário em que o público e a indústria começavam a se voltar para novas tendências, especialmente o som mais polido e orientado para as pistas de dança que caracterizaria a fase Disco. E, para esse projeto, Brown queria fazer um trabalho mais variado, que juntasse todas as suas influências ao decorrer dos anos. A produção foi basicamente a mesma, juntando a base funkeada com influências do Blues e do Soul. A bateria mantém o “on the one”, mas com uma abordagem mais suave em comparação com trabalhos anteriores. O baixo ainda desempenha um papel importante, mas suas linhas são mais integradas ao arranjo geral, em vez de dominar a estrutura. O repertório é bem legal, e as canções são bem mais melódicas e intimistas. Enfim, é um trabalho interessante e bem subestimado.
Melhores Faixas: Kansas City, Your Love
Vale a Pena Ouvir: Superbad, Superslick, Papa's Got A Brand New Bag
Get Up Offa That Thing – James Brown
NOTA: 10/10
Melhores Faixas: Medley: Get Up Offa That Thing / Release The Pressure, Home Again
Vale a Pena Ouvir: I Refuse To Lose, This Feeling
Bodyheat – James Brown
NOTA: 8,3/10
E aí, pro fim daquele ano, foi lançado outro álbum novo dele, intitulado Bodyheat. Após o Get Up Offa That Thing, o cantor continuava a dialogar com tendências contemporâneas, ao mesmo tempo em que buscava preservar sua identidade musical, com Brown experimentando arranjos mais sofisticados, grooves mais suaves e uma abordagem mais alinhada ao Soul e à estética Disco, sem abandonar completamente os fundamentos do Funk. A produção continuou bastante polida, mais densa e, em vários momentos, mais sofisticada em termos de arranjos. A seção rítmica continua sendo a base da música, mas o groove é menos agressivo e mais controlado. A bateria mantém o pulso característico, mas com menos ênfase naquele impacto seco, e os vocais de Brown passaram a apresentar nuances diferentes e mais controladas. O repertório é muito bom, e as canções são bem envolventes. No fim, é um disco legal que cumpre seu papel.
Melhores Faixas: Don't Tell It, Woman
Vale a Pena Ouvir: I'm Satisfied, Bodyheat
Mutha's Nature – James Brown
NOTA: 8/10
Se passou mais um ano, e foi lançado mais um disco do cantor, o Mutha's Nature. Após o Bodyheat, Brown continuava tentando encontrar um ponto de equilíbrio entre sua identidade como pioneiro do Funk e as exigências comerciais de um mercado cada vez mais orientado para as pistas de dança. Com o título tentando emular uma espécie de volta ao essencial, o conteúdo do álbum mostra que essa “natureza” já está profundamente filtrada pelas tendências da época. A produção foi bem mais polida e radiofônica; com isso, o groove é mais suave e menos agressivo. A bateria adota uma batida mais constante e menos fragmentada, aproximando-se do padrão da Disco music, enquanto o baixo segue linhas mais contínuas e menos minimalistas. Os teclados assumem um papel central, preenchendo o espaço sonoro com camadas harmônicas mais ricas. O repertório é bem interessante, e as canções são bem divertidas. No geral, é um disco bastante coeso.
Melhores Faixas: Have A Happy Day, Summertime
Vale a Pena Ouvir: People Who Criticize, People Wake Up And Live
Jam/1980's – James Brown
NOTA: 5/10
Mais um intervalo de um ano se passou, e foi lançado mais um trabalho dele, o Jam/1980's. Após o Mutha's Nature, James Brown ainda buscava equilibrar o Funk tradicional com influências contemporâneas; aqui, a proposta é mais direta: dialogar com o futuro imediato da música popular. Brown enfrentava uma realidade em que sua posição como inovador havia diminuído. Artistas mais jovens estavam redefinindo a música negra americana, enquanto ele buscava maneiras de se manter relevante. A produção foi para uma abordagem mais eletrônica. Embora a base rítmica ainda exista, há uma mudança clara na forma como ela é apresentada. A bateria, em muitos momentos, adota uma batida mais reta, alinhada à estética Disco e ao que viria a influenciar o Funk dos anos 80, mas os vocais do cantor não funcionam, mostrando-o sendo muito ofuscado. O repertório é bem mediano, com canções legais e outras esquisitas. Enfim, é um trabalho irregular e bastante confuso.
Melhores Faixas: Nature, The Spank
Piores Faixas: Eyesight, Jam
The Original Disco Man – James Brown
NOTA: 2,8/10
E aí, chegando ao fim da década de 70, foi lançado o péssimo The Original Disco Man (ego tava inflado, hein). Após o Jam/1980's, James Brown já não era visto como o principal nome do momento. A cena havia sido tomada por artistas e produtores que exploravam uma estética mais sofisticada, com arranjos orquestrais e forte apelo comercial; com isso, ele decidiu, basicamente por pressão de terceiros, fazer um trabalho que fosse completamente voltado à Disco music. A produção, feita pelo cantor junto com Brad Shapiro, seguiu por um caminho polido e radiofônico, com uma ênfase clara em grooves contínuos e dançantes. A bateria adota uma batida mais reta e constante, típica da Disco music, com uma presença ainda maior de sintetizadores, só que tudo é excessivamente repetitivo. O repertório é péssimo, e as canções são bem chatas, com poucas se salvando. No fim, é um álbum terrível, e nem preciso dizer que foi um fiasco.
Melhores Faixas: Women Are Something Else
Piores Faixas: The Original Disco Man, Still
Por hoje é só, então flw!!!






