terça-feira, 24 de março de 2026

Analisando Discografias - James Brown: Parte 3

                 

Say It Loud I'm Black And I'm Proud – James Brown





















NOTA: 8,5/10


Então, chegando ao fim dos anos 60, foi lançado um novo álbum do James Brown, o Say It Loud I'm Black And I'm Proud. Após o Thinking About Little Willie John And A Few Nice Things, Brown se posiciona de forma direta dentro das transformações sociais e políticas que estavam ocorrendo nos Estados Unidos no final da década de 60. Esse período foi marcado pelo fortalecimento do movimento dos direitos civis e pelo surgimento de uma nova consciência afro-americana, frequentemente associada ao conceito de “Black Power”. A produção apresenta uma coesão sonora baseada na linguagem Funk já consolidada pelo cantor, mas que também dialoga com o Southern Soul. A principal característica da produção é a centralidade absoluta do groove. As músicas são construídas a partir de padrões rítmicos repetitivos, em que cada instrumento desempenha um papel específico. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas. Enfim, é um ótimo disco e bem coeso. 

Melhores Faixas: Say It Loud - I'm Black And I'm Proud (Pts. 1 e 2), Licking Stick, Maybe I'll Understand, Let Them Talk 
Vale a Pena Ouvir: Goodbye My Love (Pt. 1 & 2), Then You Can Tell Me Goodbye

Gettin' Down To It – Mr. James Brown





















NOTA: 8,2/10


Alguns meses se passaram, e foi lançado mais um trabalho do James Brown, o sofisticado Gettin' Down To It. Após o Say It Loud I'm Black And I'm Proud, o cantor decidiu fazer um projeto mais tradicional, fortemente influenciado por standards da música popular americana. Ao adotar o crédito “Mr. James Brown”, há também uma tentativa clara de reposicionamento artístico, apresentando-o não apenas como o “Godfather of Soul”, mas como um intérprete refinado, capaz de dialogar com o universo da música de salão e do Pop orquestral. A produção é bem mais refinada e sofisticada, com forte presença de cordas, metais suaves e estruturas harmônicas mais elaboradas. As gravações foram realizadas com músicos de estúdio especializados nesse tipo de repertório, resultando em uma sonoridade que se aproxima mais do Vocal Jazz. O repertório é muito bom, e as canções ficaram bem interpretadas ao estilo de Brown. No fim, é um disco bem consistente. 

Melhores Faixas: That's Life, Sunny, All The Way, (I Love You) For Sentimental Reasons 
Vale a Pena Ouvir: Cold Sweat, It Had To Be You, Time After Time

It's A Mother – James Brown





















NOTA: 8,8/10


Aí, na metade daquele ano, foi lançado outro álbum sensacional intitulado It's A Mother. Após o Gettin' Down To It, ele continuava se posicionando como um símbolo de afirmação da identidade negra nos Estados Unidos. Outro elemento crucial nesse momento é a evolução de sua banda. A formação que acompanhava James Brown nesse período estava se tornando cada vez mais precisa e inovadora, desenvolvendo uma abordagem coletiva baseada em grooves repetitivos, síncopes e interações rítmicas complexas. A produção é bem mais variada, abusando de grooves repetitivos e hipnóticos, nos quais cada instrumento desempenha um papel específico dentro de uma estrutura coletiva. O baixo estabelece linhas simples, mas bem eficazes, enquanto a guitarra adota um estilo percussivo, com riffs curtos e sincopados, e a bateria é marcante no primeiro compasso. O repertório é incrível, e as canções são bem divertidas e melódicas. No geral, é um disco maravilhoso e bem energético. 

Melhores Faixas: Mother Popcorn (Part 1), If I Ruled The World, Any Day Now, You're Still Out Of Sight 
Vale a Pena Ouvir: I'm Shook, Popcorn With A Feeling, Top Of The Stack

The Popcorn – James Brown





















NOTA: 8/10


E aí, praticamente no mesmo mês, foi lançado um álbum instrumental do cantor, o The Popcorn. Após o It’s A Mother, James Brown decidiu fazer um trabalho que gira em torno do chamado “Popcorn”, uma variação rítmica e estética dentro do Funk que Brown vinha desenvolvendo em singles e sessões daquele período, algo que se tornaria frequente em sua música no início da década seguinte. A produção é bem enxuta e direta, com foco no groove, onde cada arranjo instrumental é construído a partir de padrões simples, com ênfase em linhas de baixo simples, guitarras percussivas e baterias precisas. Os sopros aparecem de forma pontual, com frases curtas e rítmicas que funcionam como acentos dentro do groove. O repertório é muito bom, e as canções são bem envolventes e com aquele lado energético. No fim, é um disco bacana e que mostrou uma prévia do que viria. 

Melhores Faixas: The Popcorn, The Chicken 
Vale a Pena Ouvir: Sudsy, A New Shift

Ain't It Funky – James Brown





















NOTA: 8,7/10


Entrando nos anos 70, foi lançado o primeiro álbum dessa era de ouro do James Brown, o Ain't It Funky. Após o The Popcorn, Brown vinha gradualmente desmontando as estruturas tradicionais do soul em favor de uma abordagem mais rítmica, e aqui essa transformação já está completamente estabelecida. O período entre 1968 e 1970 é talvez o mais prolífico e inovador da carreira de Brown. Ele não apenas definiu o Funk como linguagem musical, mas também influenciou profundamente a forma como a música popular passaria a lidar com ritmo, repetição e dinâmica coletiva. A produção, feita por ele próprio, é bem mais crua e pesada, focando bastante no groove, com o baixo estabelecendo linhas simples e circulares, a guitarra com riffs curtos, a bateria impactante, além de sopros pontuais e a voz do Brown, que às vezes aparece com suas interjeições. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem divertidas e dinâmicas. Enfim, é um álbum bem legal e consistente. 

Melhores Faixas: Ain't It Funky Now (Parts 1 & 2), Give It Up Or Turn It A Loose, After You Done It 
Vale a Pena Ouvir: Cold Sweat, Nose Job

Soul On Top – James Brown





















NOTA: 8,5/10


Aí se passaram apenas dois meses, e foi lançado mais um disco dele, o Soul On Top. Após o Ain’t It Funky, James Brown decide novamente expandir seus horizontes artísticos, desta vez mergulhando profundamente no universo do Jazz. Gravado com uma grande orquestra e arranjos sofisticados, o álbum o mostra em um caminho mais amplo dentro da música americana, dialogando diretamente com a tradição do gênero. A produção é bem mais refinada, sendo que tudo foi gravado em dois dias, com arranjos do Oliver Nelson que apresentam uma forte presença de metais, cordas e seções harmônicas elaboradas, criando texturas densas e sofisticadas. A orquestra é utilizada de forma dinâmica, alternando entre momentos de grande intensidade e passagens mais sutis, fazendo essa estética de Big Band dialogar com Soul music e R&B. O repertório é muito bom, e as canções são bem mais melódicas. Enfim, é um álbum legal, embora mais rústico. 

Melhores Faixas: It's A Man's, Man's, Man's World, Papa's Got A Brand New Bag, September Song 
Vale a Pena Ouvir: The Man In The Glass, For Once In My Life, Your Cheatin Heart

It's A New Day So Let A Man Come In – James Brown





















NOTA: 8,9/10


E aí, na metade do ano, foi lançado outro álbum magnífico do James Brown, o It's A New Day So Let A Man Come In. Após o Soul On Top, ocorreu uma série de mudanças, já que a saída de músicos importantes levaria, pouco depois, à formação dos The J.B.'s, que definiriam o som da fase seguinte de Brown. Então, esse trabalho captura justamente esse momento de transição, em que o estilo já está plenamente estabelecido, mas ainda passa por ajustes internos. A produção, feita como sempre pelo próprio cantor, é bastante fragmentada, já que foi realizada em várias sessões, mas mantém uma identidade sonora bastante clara. O elemento central continua sendo o groove. As músicas são construídas a partir de padrões rítmicos repetitivos, com foco na interação entre baixo, guitarra e bateria, além do vocal do James Brown, que está mais articulado e utiliza interjeições no momento certo. O repertório é ótimo, e as canções são bem divertidas. No fim, é um álbum bem legal e mais energético. 

Melhores Faixas: It's A New Day, It's A Man's, Man's, Man's World, If I Ruled The World, World (Part 1 And 2) 
Vale a Pena Ouvir: The Man In The Glass (Part 1), Let A Man Come In And Do The Popcorn

Hey America – James Brown





















NOTA: 7/10


E aí, no fim daquele ano, foi lançado outro álbum natalino do James Brown, o Hey America. Após o It's A New Day So Let A Man Come In, o cantor decidiu fazer um álbum temático de Natal, algo que ele já havia feito antes, mas aqui com uma diferença crucial: ele mistura o espírito natalino com o Funk politizado e urbano que vinha desenvolvendo no fim dos anos 60. A produção basicamente segue um caminho mais refinado, com presença de arranjos de cordas e vibrafone, uso mais evidente de órgão e piano, além de um clima mais orquestral e denso, especialmente em comparação com o Funk minimalista dos J.B.’s. A bateria ainda marca presença com precisão, e o baixo mantém a base rítmica, mas tudo é envolto em uma atmosfera sentimental; porém, muitas vezes, as escolhas nos arranjos e até nos vocais deixam a desejar. O repertório é interessante, com canções divertidas e algumas fraquinhas. Enfim, é um álbum bom, mas que apresenta algumas falhas. 

Melhores Faixas: Santa Claus Is Definitely Here To Stay, Hey America, I'm Your Christmas Friend, Don't Be Hungry 
Vale a Pena Ouvir: Merry Christmas My Baby And A Very, Very Happy New Year, My Rapp

Sho Is Funky Down Here – James Brown





















NOTA: 8,4/10


No ano seguinte, foi lançado mais um álbum instrumental do James Brown, o Sho Is Funky Down Here. Após o Hey America, esse novo projeto marca uma fase de transição importante para Brown. Mudanças na formação de sua banda já haviam ocorrido, levando à criação dos The J.B.'s, que seriam fundamentais para a próxima etapa de sua carreira. Ao mesmo tempo, o Funk começava a se tornar um gênero amplamente reconhecido, e Brown buscava constantemente novas formas de explorar suas possibilidades. A produção é bem mais crua e, de certo modo, experimental, seguindo as bases tradicionais do Funk, mas aqui a guitarra elétrica começa a aparecer com mais frequência, utilizando timbres mais pesados e distorcidos. Esse detalhe aproxima o álbum de influências do Rock psicodélico e do Blues Rock daquele período. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem mais imersivas. Em suma, é um álbum bem legal e bastante versátil. 

Melhores Faixas: Just Enough Room For Storage, Don’t Mind 
Vale a Pena Ouvir: Sho Is Funky Down Here


                                                                             Por hoje é só, então flw!!! 

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