quarta-feira, 25 de março de 2026

Analisando Discografias - James Brown: Parte 4

                 

Hot Pants – James Brown





















NOTA: 10/10


E aí, meses se passaram, e foi lançado o sensacional Hot Pants, que veio em um momento de virada para o cantor. Após o Sho Is Funky Down Here, James Brown acabou saindo da King Records depois de 13 anos e decidiu assinar com a Polydor. Além de marcar o início da consolidação dos The J.B.’s, com Bootsy Collins (ainda que sua permanência tenha sido breve) e outros instrumentistas altamente disciplinados. A produção foi bem mais robusta, mas mantendo o peso, intensificando o groove e trazendo uma maior coesão na execução da banda. O papel dos J.B.’s é fundamental. A seção rítmica é extremamente precisa, com o baixo assumindo linhas mais elásticas, enquanto a guitarra mantém o estilo percussivo característico, e a bateria continua com sua definição marcante, seguindo a estética do Deep Funk. O repertório contém 4 faixas que são simplesmente sensacionais. Enfim, é um álbum maravilhoso e uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Blues & Pants, Hot Pants (She Got To Use What She Got To Get What She Wants) 
Vale a Pena Ouvir: Escape-Ism, Can't Stand It

There It Is – James Brown





















NOTA: 9,9/10


Outro ano se passou, e foi lançado mais um álbum sensacional do James Brown, o There It Is. Após o Hot Pants, Brown operava em um nível de controle artístico muito elevado. Com os J.B.'s funcionando como uma máquina perfeitamente ajustada, ele conseguia extrair performances extremamente precisas e, ao mesmo tempo, cheias de energia. Essa formação, que incluía músicos como Fred Wesley e Maceo Parker em diferentes momentos, ajudava a dar forma ao som característico dessa fase. A produção seguiu por um caminho bem mais limpo e direto, com os J.B.'s sendo o coração do disco. A seção rítmica opera com uma precisão quase mecânica, criando grooves densos e repetitivos que servem como base para todas as faixas, e os vocais de Brown são bem variados, com uma articulação de tirar o fôlego. O repertório é belíssimo, com canções variadas e sempre com aquele toque energético. Em suma, é um baita disco, muito preciso. 

Melhores Faixas: There Is It, Public Enemy #1, I'm A Greedy Man, King Heroin 
Vale a Pena Ouvir: I Need Help (I Can't Do It Alone), Talking Loud And Saying Nothing

Get On The Good Foot – James Brown





















NOTA: 9,3/10


Perto do fim do ano de 1972, foi lançado um álbum duplo do James Brown, o ambicioso Get On The Good Foot. Após o There It Is, este disco mostra Brown operando em pleno domínio de sua linguagem musical, refinando e expandindo o estilo que ele próprio ajudou a criar. Nesse período, Brown já havia consolidado o Funk como uma estética dominante, e sua banda, os J.B.'s, funcionava com precisão impressionante. A produção é bem mais limpa, direta e extremamente focada na seção rítmica. Os J.B.'s desempenham um papel central. A bateria mantém o conceito do “on the one” com precisão absoluta, criando uma base sólida e inabalável. O baixo constrói linhas elásticas e pulsantes, enquanto a guitarra atua de forma percussiva, com riffs curtos e repetitivos, dialogando não só com o Funk, mas também com o Soul em momentos melódicos. O repertório é incrível, com canções bem divertidas e variadas. No fim, é um álbum sensacional e muito completo. 

Melhores Faixas: Get On The Good Foot (Parts 1 & 2), Funky Side Of Town, I Got A Bag Of My Own, Lost Someone, Ain't It A Groove 
Vale a Pena Ouvir: My Part / Make It Funky (Parts 3 & 4), The Whole World Needs Liberation, Dirty Harri

Black Caesar (Original Soundtrack) – James Brown





















NOTA: 9/10


Passado mais um ano, foi lançada a trilha sonora do filme Black Caesar, composta por James Brown. Após o Get On The Good Foot, esse trabalho, feito para o filme estrelado por Fred Williamson, se insere diretamente no contexto do movimento blaxploitation, que estava em plena ascensão no início dos anos 70. Esse período é particularmente interessante porque mostra artistas negros assumindo maior controle narrativo e estético dentro da indústria cultural. A produção, feita como sempre pelo cantor, segue por um caminho mais dinâmico e variado. Os J.B.'s continuam sendo a base instrumental, garantindo a qualidade e a precisão do groove. No entanto, há uma maior variedade de arranjos em comparação com seus álbuns tradicionais, além de os vocais aparecerem de forma mais seletiva. O repertório é incrível, com canções que vão de um lado mais imersivo ao energético. Em suma, é um ótimo álbum, bem estruturado. 

Melhores Faixas: The Boss, Down And Out In New York City, Mama Feelgood (cantado pela Lyn Collins), Like It Is, Like It Was, Blind Man Can See It 
Vale a Pena Ouvir: Make It Good To Yourself, Mama's Dead

The Payback – James Brown





















NOTA: 10/10


Então, no fim daquele ano de 1973, foi lançado o atemporal álbum do James Brown, o The Payback. Após a trilha do Black Caesar, esse novo álbum também seria uma trilha para o filme Hell Up in Harlem, sequência do Black Caesar, mas o projeto acabou sendo rejeitado pelos produtores por ser considerado excessivamente centrado no funk e pouco “cinematográfico”. Então, o cantor decidiu lançá-lo de forma convencional e, aqui, ele apresenta um lado mais introspectivo e até vingativo. A produção, feita pelo próprio Brown, apresenta uma sonoridade mais espaçada, minimalista e extremamente controlada. A principal característica da produção é o andamento mais lento das músicas, como se ele desacelerasse o ritmo, permitindo que cada elemento tenha mais espaço, equilibrando o Funk com o Soul, além de sua voz aparecer mais cheia de atitude. O repertório é maravilhoso, parecendo até uma coletânea. No fim, é um baita disco e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: The Payback, Mind Power, Take Some – Leave Some 
Vale a Pena Ouvir: Stone To The Bone, Forever Suffering

Hell – James Brown





















NOTA: 9,7/10


Passado mais um ano, foi lançado outro trabalho incrível do James Brown, intitulado Hell. Após o clássico The Payback, Brown já havia demonstrado que o Funk poderia assumir formas mais densas, lentas e atmosféricas. Esse projeto aparece como um desdobramento dessa estética, mas com maior variedade de abordagens. Além disso, há aquela prática comum de reunir material de diferentes sessões, o que resulta em uma obra com certa diversidade interna. A produção continua espaçada e orgânica, com os J.B.’s garantindo precisão e consistência. A seção rítmica permanece central, com a bateria marcando o “on the one” de forma firme, enquanto o baixo constrói grooves profundos e repetitivos. A guitarra segue desempenhando um papel percussivo, com riffs curtos e sincopados, e os vocais do Brown vão de um lado mais contido ao agressivo. O repertório é incrível, com canções bem divertidas. No fim, é um baita disco, que também é um clássico. 

Melhores Faixas: My Thang, Hell, Coldblooded, Papa Don't Take No Mess, Please, Please, Please, I Can't Stand It "76", A Man Has To Go Back To The Cross Road Before He Finds Himself 
Vale a Pena Ouvir: Don't Tell A Lie About Me And I Won't Tell The Truth On You, When The Saints Go Marching In, Soemtime These Foolish Things Remind Me Of You

Reality – James Brown





















NOTA: 9,2/10


E aí, no fim do ano de 1974, foi lançado mais um álbum do James Brown, o Reality. Após o Hell, Brown já havia consolidado plenamente sua linguagem. No entanto, o cenário musical começava a mudar. O Funk, que ele ajudou a definir, já estava sendo amplamente absorvido, nesse momento, já começava um certo burburinho da nascente Disco music. Ainda assim, Brown ignorou isso por um momento e, a partir daqui se iniciava a fase que ficou conhecida como ‘era do bigode’. A produção, feita pelo próprio cantor, trouxe uma sonoridade bem definida e cheia de textura, com os J.B.'s continuando como base instrumental, garantindo grooves sólidos e execução precisa. A bateria permanece centrada no “on the one”, enquanto o baixo constrói linhas repetitivas e profundas, a guitarra mantém aquele lado percussivo, e os sopros aparecem de forma econômica. O repertório é incrível, com canções bem divertidas. Enfim, é um baita disco e bastante subestimado. 

Melhores Faixas: Funky President (People It's Bad), All For One, Further On Up The Road, The Twist, I'm Broken Hearted 
Vale a Pena Ouvir: Reality, Check Your Body

                                                                        Então é isso, um abraço e flw!!!                      

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