quinta-feira, 16 de abril de 2026

Analisando Discografias - Centavrvs

                 

Pacífico – Centavrvs





















NOTA: 7/10


Em 2012, o Centavrvs lançava seu primeiro trabalho em formato de EP, intitulado Pacífico. Formado em 2011, o grupo surge no México com os integrantes Demián Galvéz (guitarras e voz), DJ Rayo (toca-discos), Paco Martinez (baixo) e Alan Santos (percussão), em um contexto de efervescência da música alternativa latina, especialmente de projetos que buscavam reinterpretar tradições regionais com uma linguagem contemporânea eletrônica. Com produção feita por eles mesmos, o som chega a ser orgânico dentro da eletrônica, com texturas que remetem tanto à música tribal quanto à psicodelia latino-americana, com presença de percussões marcadas e tribais, muitas vezes evocando ritmos de Cumbia, Afrobeat e música indígena, além de samples e timbres analógicos, linhas de baixo pulsantes com forte apelo dançante e camadas eletrônicas sutis. O repertório contém cinco faixas que são bem dinâmicas. No fim, é um projeto bacana e bem consistente. 

Melhores Faixas: El Reino Del Cacao, Debajo de la Noche 
Vale a Pena Ouvir: La Valentina, El Caporal, El Vuelo

ANIV DE LA VER – Centavrvs





















NOTA: 7,2/10


No ano seguinte, foi lançado outro EP, sendo este mais estruturado, intitulado ANIV DE LA VER. Após o EP Pacífico, que funcionava como um manifesto estético inicial, aqui a proposta ganha um eixo temático muito mais claro: a releitura da Revolução Mexicana através da música eletrônica. Esse trabalho foi encomendado para um espetáculo audiovisual comemorativo do aniversário da Revolução Mexicana, apresentado no Centro de Cultura Digital em 2012. A produção é bastante orgânica, com bases eletrônicas dançantes que contrastam com o caráter histórico das composições, além do uso de samples históricos e referências sonoras antigas, criando uma sensação de arquivo vivo, percussões híbridas que misturam marchas reais com batidas programadas e construções progressivas e cinematográficas. O repertório é muito legal, e as canções são todas bem imersivas e com muita profundidade. Enfim, é um ótimo trabalho, bem caprichado. 

Melhores Faixas: Maquina 501, Adiós al Soldado
Vale a Pena Ouvir: La Marcha de Zacatecas, Pt. 2

Sombras De Oro – Centavrvs





















NOTA: 8/10


Então chega em 2014, o Centavrvs lança seu álbum de estreia, o Sombras De Oro. Após o EP ANIV DE LA VER, o grupo começou a preparar esse projeto que ele fosse bem mais tematizado, onde decidiram explorar diferentes caminhos dentro do que eles chamam de “novo som mexicano”: uma mistura de Corridos, Cumbia, música regional e eletrônica contemporânea. Produção feita por eles junto com Toy Selectah, colocaram um som mais polido, mais expansivo e, principalmente, mais diverso. O álbum trabalha com uma fusão extremamente rica de elementos: eletrônico (beats, texturas e ambientações digitais), instrumentos e ritmos tradicionais mexicanos e seguindo as bases do Folktronica e música latina alternativa. Além de eles transitar entre euforia, nostalgia, melancolia e intensidade, criando uma experiência fluida e multifacetada. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas e introspectivas. Enfim, é um trabalho de estreia bem interessante. 

Melhores Faixas: Por Eso, Sombras de Oro, La Tarde Me Dio 
Vale a Pena Ouvir: La Noche y un Huracán, Mañana No, Por Donde Andaba

Somos Uno – Centavrvs





















NOTA: 8,4/10


Quatro anos se passam, e o Centavrvs lança seu 2º álbum de estúdio, o Somos Uno. Após o Sombras de Oro, o grupo volta com uma ambição ainda maior: ampliar essa mistura para um espectro latino mais amplo, incorporando não apenas referências mexicanas, mas também caribenhas e sul-americanas. O disco também carrega uma proposta conceitual mais direta, e o próprio título funciona como eixo temático, explorando a ideia de unidade cultural, social e emocional. A produção, feita inteiramente pelo renomado Tweety González, é mais refinada, aberta e diversa, ainda com elementos de Cumbia, mas agora aparecendo de forma fragmentada, acelerada, desacelerada e misturada com sintetizadores, guitarras e metais, criando uma atmosfera psicodélica e reforçando a identidade do grupo dentro da música latina alternativa. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem divertidas, transmitindo uma sensação tropical. No fim, é um ótimo disco e bastante consistente. 

Melhores Faixas: El Punto Final, Ángel Tropical, Quebrar las Ventanass, Volar Muy Alto, Flor de Mayo 
Vale a Pena Ouvir: Somos Uno, Ojos de Mar, Cataclismos

Levante la mano – Centavrvs





















NOTA: 2/10


Em 2022, o Centavrvs lançou seu mais recente trabalho, em formato de EP, o Levante la mano. Após o Somos Uno, a banda manteve atividade com singles e experimentações, mas o EP surge como um ponto de retomada criativa e também de transição dentro da carreira. Esse material foi desenvolvido ainda antes da pandemia, por volta de 2019, e finalizado posteriormente em um cenário completamente diferente, com processos mais fragmentados e uso intensificado do estúdio como ferramenta criativa. A produção, conduzida pelo próprio grupo, é mais enxuta, mas não menos sofisticada. Em vez de apresentar camadas densas e construções complexas como no álbum anterior, aqui eles apostam em clareza sonora e impacto imediato, seguindo uma abordagem mais eletrônica; porém, tudo soa muito arrastado e carece de algo mais preciso. O repertório contém 4 faixas bem fracas, com apenas uma exceção. Em suma, é um EP ruim e bastante sem graça. 

Melhores Faixas: Plata y Coral 
Piores Faixas: Voy de Aquí Pa'allá, El Efecto, Levante la Mano

                                                                            Então um abraço e flw!!!                  

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