Ronnie Von (1966) – Ronnie Von
NOTA: 8/10
Em 1966, Ronnie Von lançava seu álbum de estreia, que levava seu nome (algo que se tornaria frequente). O cantor carioca começou sua trajetória no ano anterior, em meio ao boom da Jovem Guarda. Ronnie rapidamente se destacou como uma figura alternativa dentro do mainstream jovem. Diferente de outros ídolos da época, sua imagem foi cuidadosamente moldada: ganhou o apelido de “Pequeno Príncipe”, já que apresentava o programa televisivo O Pequeno Mundo de Ronnie Von, na Record. Com produção do Fred Jorge, o álbum foi gravado de forma simples e limitada, sendo fortemente baseado em arranjos de Pop orquestrado leve, com guitarras limpas, seções de cordas discretas e uma base rítmica que lembra o que os Beatles faziam na época do Rubber Soul. Os vocais do Ronnie são bem variados, indo do sussurrado ao emocional. O repertório é muito bom, e as canções são todas bastante melódicas. Enfim, é um bom trabalho de estreia, apesar das limitações.
Melhores Faixas: Meu Pranto A Deslizar (As Tears Go By), Amor, Nada Mais (Here, There And Everywhere)
Vale a Pena Ouvir: Pequeno Príncipe, Meu Bem (Girl), Minha Crença (For No One)
Ronnie Von (1967) – Ronnie Von
NOTA: 8/10
Então se passou um ano, e foi lançado seu 2º álbum, que ainda seguia a mesma temática. Após o disco de estreia, Ronnie Von começou a ganhar muita visibilidade, com seu programa de TV funcionando como uma plataforma cultural relevante, inclusive abrindo espaço para nomes que mais tarde seriam centrais na Tropicália. Isso cria um contexto interessante: enquanto o disco ainda pertence à lógica da música jovem comercial, o artista já está em contato com ideias mais avançadas. A produção é mais tematizada, contendo arranjos limpos, gravações diretas, forte presença de guitarras elétricas suaves, baixo marcado e bateria simples. A voz do Ronnie Von continua sendo o centro: controlada, elegante e emocionalmente contida. O repertório é bem legalzinho, com canções divertidas e outras mais introspectivas. Enfim, é um álbum bacana e que cumpre sua proposta.
Melhores Faixas: Escuta, Meu Amor, O Carpinteiro (If I Were A Carpinter)
Vale a Pena Ouvir: Vamos Protestar, Menina Flor, A Praça
Ronnie Von Nº 3 – Ronnie Von
NOTA: 8,2/10
Melhores Faixas: O Último Homem Da Terra, Pra Chatear (participação do Caetano Veloso), O Homem Da Bicicleta
Vale a Pena Ouvir: Belinha, Jardim De Infância, A Chave
Ronnie Von (1969) – Ronnie Von
NOTA: 10/10
Dois anos se passaram, e foi lançado o sensacional 4º álbum de estúdio do Ronnie Von. Após o Nº 3, o cantor passou por mudanças drásticas em sua carreira, já que seu programa de TV na Record acabou se encerrando e, nesse período, ele passou a ficar muito próximo do pessoal do movimento Tropicália. Com isso, ele absorve influências, mas constrói uma linguagem própria, mais próxima do psicodelismo britânico. A produção, feita por Manoel Barenbein e Arnaldo Saccomani, é bem refinada, com os arranjos de Damiano Cozzella sendo centrais, trazendo cordas dramáticas, mudanças bruscas de dinâmica, efeitos sonoros (como vidro quebrando), colagens e estruturas não lineares. Com isso, você tem uma junção do Pop barroco, Rock psicodélico e Tropicália de forma brilhante. O repertório é sensacional, funcionando quase como uma coletânea. No fim, é um álbum maravilhoso e um clássico da música brasileira, apesar de ter sido menosprezado na época.
Melhores Faixas: Chega de Tudo, Silvia 20 Horas, Domingo, Meu Novo Cantar, Tristeza Num Dia Alegre, Menina De Tranças
Vale a Pena Ouvir: Anarquia, Canto De Despedida, Espelhos Quebrados
A Misteriosa Luta Do Reino De Parassempre Contra O Império De Nunca Mais – Ronnie Von
NOTA: 9/10
Meses se passaram, e foi lançado outro álbum dele, A Misteriosa Luta do Reino de Parassempre Contra o Império de Nunca Mais. Após seu clássico e, ao mesmo tempo, detestado pela mídia álbum anterior, Ronnie Von queria continuar seguindo essa temática, mas buscando organizar melhor suas ideias: menos ruptura caótica, mais coesão estética e maior integração entre experimentação e forma. A produção, feita por Afonso Soares, manteve a base psicodélica, mas com maior clareza estrutural, trazendo arranjos de cordas elaborados, guitarras trabalhadas e menos caóticas, uso de atmosferas melancólicas e uma integração entre MPB, Rock psicodélico e Pop barroco. Os vocais do Ronnie estão bem mais expressivos e cheios de energia. O repertório é incrível, com canções bem imersivas e profundas. No final de tudo, é um belo álbum, e que foi mais híbrido.
Melhores Faixas: Pare De Sonhar Com Estrelas Distantes, Atlântida (Atlantis), De Como Meu Herói Flash Gordon Irá Levar-Me De Volta À Alpha Do Centauro Meu Verdadeiro Lar, Por Quem Sonha Ana Maria, Foi Bom
Vale a Pena Ouvir: Mares De Areia, Regina E O Mar, Dindi
Minha Máquina Voadora – Ronnie Von
NOTA: 9,2/10
E aí, entrando nos anos 70, Ronnie Von lançava mais um álbum, intitulado A Máquina Voadora. Após o álbum anterior, ele se encontrava em uma posição artística única: completamente livre criativamente, mas também deslocado comercialmente, com esse trabalho funciona como a finalização dessa trilogia. O conceito central gira em torno da aviação, não apenas como tema literal, mas como metáfora de fuga, transcendência e deslocamento existencial. A produção, feita por Arnaldo Saccomani, é bem mais refinada e orgânica. A psicodelia ainda está presente, mas agora de forma menos explosiva e mais atmosférica, contendo arranjos sofisticados e detalhistas, uso de efeitos como distorções vocais e uma integração mais natural entre instrumentos elétricos e elementos orquestrais. O repertório é maravilhoso, com canções belíssimas e carregadas de profundidade. No geral, é um álbum sensacional, embora, no conjunto, essa trilogia tenha sido um fiasco comercial.
Melhores Faixas: Continentes E Civilizações, Viva O Chopp Escuro, Imagens, Baby De Tal, Seu Olhar No Meu, Cidade
Vale a Pena Ouvir: Você De Azul, Seu Olhar No Meu, Àguas De Sempre
Ronnie Von (1972) – Ronnie Von
NOTA: 8,3/10
Dois anos depois, Ronnie Von lançava mais um trabalho, que voltaria a levar seu nome. Após A Máquina Voadora e com o fim da trilogia psicodélica, neste novo trabalho há uma tentativa de reconciliação entre experimentação e comunicação. Ele não abandona completamente as ideias da fase anterior, mas reduz o grau de radicalismo, aproxima-se de estruturas mais tradicionais e incorpora elementos de espiritualidade e introspecção. A produção, feita mais uma vez por Arnaldo Saccomani, é bem mais contida, deixando de lado a colagem sonora caótica e trazendo arranjos mais orgânicos e uma instrumentação mais limpa, apesar de continuar seguindo influências do Rock psicodélico. Percebe-se também um diálogo com a MPB e alguns elementos do Afoxé, o que se encaixa bem na temática do cantor. O repertório é muito bom, com canções bastante introspectivas. Enfim, é um disco bacana, mas que também não emplacou.
Melhores Faixas: Eu Era Humano E Não Sabia, Céu Vermelho, Tereza Christina, Camping
Vale a Pena Ouvir: Cavaleiro De Aruanda, E Essa Gente Passa Cantando






