segunda-feira, 6 de abril de 2026

Analisando Discografias - Pharoahe Monch

                 

Internal Affairs – Pharoahe Monch





















NOTA: 10/10


Em 1999, foi lançado o 1º álbum solo do Pharoahe Monch, intitulado Internal Affairs. Após o lançamento de The Equinox, o Organized Konfusion acabou se encerrando. Vendo que o Rap passava por uma transição, com o mainstream sendo dominado por sons mais comerciais, enquanto o underground mantinha a tradição lírica viva, Monch entra nesse contexto com a missão de provar que sua habilidade não era dependente da dinâmica de grupo. A produção, feita por ele junto com Lee Stone, DJ Scratch e até The Alchemist, traz beats minimalistas, pesados e quase industriais, com samples mais obscuros, criando um contraste perfeito com o flow explosivo do Monch; ao mesmo tempo, outras faixas apresentam arranjos mais orgânicos e sofisticados, mostrando a versatilidade do projeto. Tudo isso segue a temática do Boom Bap tradicional. O repertório é maravilhoso, e as canções são cheias de profundidade. No fim, é um baita disco e um clássico. 

Melhores Faixas: Simon Says, Behind Closed Doors, Hell, No Here, God Send (ótima feat do Prince Po), Queens, The Light 
Vale a Pena Ouvir: The Truth, Right Here, The Next Shit

Desire – Pharoahe Monch





















NOTA: 8,7/10


Então, se passaram oito anos e foi lançado o 2º álbum solo do Pharoahe Monch, o Desire. Após o Internal Affairs, o rapper acabou saindo da Priority Records; ele chegou a passar pela Geffen, mas ficou pouco tempo, e então foi disputado por outras gravadoras até assinar com a Street Records Corporation (SRC). Esse retorno foi altamente consciente, não apenas de um MC veterano, mas de alguém que precisava se reafirmar em um novo contexto, em que o Rap já não era o mesmo do final dos anos 90. A produção conta com Lee Stone, The Alchemist, Denaun Porter, entre outros, e segue um caminho mais híbrido, incorporando elementos de Neo-Soul, música eletrônica e até influências mais contemporâneas do Hip-Hop/Rap dos anos 2000; além disso, os flows do Monch alternam entre agressividade, melodia e até spoken word. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem profundas e cheias de crítica social. No geral, é um álbum bem bacana e mais variado. 

Melhores Faixas: Desire, Push, Bar Tap, Hold On, Let’s Go 
Vale a Pena Ouvir: When The Gun Draws, So Good, Welcome To The Terrordome

W.A.R. (We Are Renegades) – Pharoahe Monch





















NOTA: 8/10


Indo para 2011, foi lançado mais um álbum do rapper, o W.A.R. (We Are Renegades). Após o Desire, que girava em torno da ideia de “desejo”, aqui Monch amplia o escopo para algo mais ideológico: a figura do “renegado” como símbolo de resistência, inconformismo e luta contra estruturas opressivas. Vindo em um período marcado por tensões políticas globais, guerras no Oriente Médio e crescente insatisfação social, esses elementos permeiam o conteúdo lírico de forma explícita. A produção, feita por ele junto com Diamond D, Marco Polo, Exile, entre outros, mergulha em uma sonoridade híbrida que mistura Rap com Rock, Soul e música eletrônica, com pouquíssimos elementos de Boom Bap; enquanto isso, os seus flows são extremamente técnicos, quase militares, embora em alguns momentos isso fique um pouco confuso. O repertório é bem interessante, com canções profundas e outras mais fracas. Enfim, é um álbum legal, mas com algumas falhas. 

Melhores Faixas: Evolve, Clap (One Day), The Hitman, W.A.R., Still Standing 
Piores Faixas: Black Hand Side, Haile Selassie Karate, Shine

P.T.S.D. (Post Traumatic Stress Disorder) – Pharoahe Monch





















NOTA: 8,2/10


Três anos depois, foi lançado seu 4º e último álbum até então, o P.T.S.D. (Post Traumatic Stress Disorder). Após o W.A.R. (We Are Renegades), que explorava o “renegado” como figura coletiva de resistência, aqui o foco se volta para dentro: o trauma como elemento central da experiência humana. O álbum é fortemente inspirado no conceito de transtorno de estresse pós-traumático, mas Monch expande essa ideia para além do diagnóstico clínico. A produção, como sempre, é bastante diversificada, contando não só com ele, mas também com Boogie Blind, Jesse West, entre outros, que seguem uma abordagem bastante híbrida; aqui, porém, há muito mais elementos de Boom Bap, com uma atmosfera mais densa, quase sufocante, refletindo o tema do trauma. A abordagem de Pharoahe Monch é mais emocional, sem deixar de lado seu jeito técnico de rimar. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem imersivas. Em suma, é um ótimo álbum e muito mais coeso. 

Melhores Faixas: Bad M.F., Rapid Eye Movement (Black Thought amassou), Broken Again
Vale a Pena Ouvir: The Jungle, Time2, D.R.E.A.M., Post Traumatic Stress Disorder

                                                                            Então um abraço e flw!!!                  

Analisando Discografias - Pharoahe Monch

                  Internal Affairs – Pharoahe Monch NOTA: 10/10 Em 1999, foi lançado o 1º álbum solo do Pharoahe Monch, intitulado Internal ...