Beats, Rhymes And Life – A Tribe Called Quest
NOTA: 9,4/10
Três anos se passaram, e foi lançado mais um álbum do A Tribe, intitulado Beats, Rhymes and Life. Após o Midnight Marauders, este disco nasce em meio a tensões internas, transformações estéticas no Hip-Hop e mudanças profundas no próprio funcionamento do grupo. Além disso, os conflitos internos estavam presentes: Q-Tip e Phife Dawg já não tinham a mesma naturalidade dos discos anteriores, e isso repercute no álbum de forma perceptível. A produção, feita pelo grupo agora com o auxílio da lenda J Dilla e um pequeno pitaco do Rashad Smith, caminha para um som mais pesado e fragmentado, em que os beats são secos e as baterias começam a adquirir um balanço menos previsível. Os grooves são mais oblíquos. Há uma sensação de instabilidade produtiva, no melhor sentido. O repertório é incrível, e as canções ficaram mais imersivas, com uma pegada atmosférica. Enfim, é um belo disco e, de certo modo, bastante subestimado.
Melhores Faixas: Phony Rappers, Stressed Out (feat da Faith Evans), Get A Hold, The Hop, 1nce Again, Word Play, The Pressure, Crew
Vale a Pena Ouvir: Keeping It Moving, Mind Power, Jam
The Love Movement – A Tribe Called Quest
NOTA: 8,5/10
Melhores Faixas: Find A Way, Busta's Lament, Common Ground (Get It Goin' On), Like It Like That, The Love, Rock Rock Y'all (ótima feat do Mos Def)
Piores Faixas: Against The World, 4 Moms, His Name Is Mutty Ranks, Hot 4 U
We Got It From Here... Thank You 4 Your Service – A Tribe Called Quest
NOTA: 9,9/10
Então chegamos a 2016, quando foi lançado o último álbum sensacional do A Tribe, o We Got It from Here... Thank You 4 Your Service. Após o The Love Movement, o grupo acabou se separando, e cada um seguiu trajetória solo, até que, em 2015, retornaram para preparar um trabalho final. Só que, na metade das gravações, Phife Dawg veio a falecer por conta de sua longa batalha contra a diabetes, em março de 2016, transformando essa obra, em uma despedida póstuma e em afirmação coletiva de continuidade. A produção, feita pelo grupo junto com Blair Wells, é bem mais densa, com elementos de grooves orgânicos, baixos marcantes, construção rítmica sofisticada e beats bastante variados, dialogando com o Jazz Rap moderno, mas também com influências do Boom Bap e da psicodelia. O repertório é espetacular, e as canções são cheias de críticas sociais e políticas. No fim de tudo, é um belo disco de despedida, que evoca um forte sentimento nostálgico.
Melhores Faixas: The Space Program, We The People..., Solid Wall Of Sound (que feat louca com Busta Rhymes, Jack White e Elton John), Dis Generation (outra feat do Busta Rhymes), Conrad Tokyo (baita feat do Kendrick Lamar), The Killing Season (bela feat do Talib Kweli e do Kanye West), Lost Somebody, Whateva Will Be
Vale a Pena Ouvir: The Donald, Mobius (de novo Busta aqui), Movin Backwards (Anderson .Paak mandou bem), Kids... (ótima feat do André 3000)


