quinta-feira, 2 de abril de 2026

Analisando Discografias - Willie Nelson: Parte 6

                 

Last Man Standing – Willie Nelson





















NOTA: 8,4/10


No ano seguinte, foi lançado outro álbum de Willie Nelson intitulado Last Man Standing. Após o God's Problem Child, que já refletia sobre envelhecimento e mortalidade com humor e sensibilidade, aqui esses temas são aprofundados de forma ainda mais direta. O título do álbum já carrega um peso simbólico forte: Willie se vê como um dos últimos sobreviventes de sua geração, muito porque nomes como Johnny Cash, Waylon Jennings e Merle Haggard já haviam falecido. A produção, conduzida por Buddy Cannon, mantém a abordagem orgânica e minimalista característica dessa fase da carreira do Willie. Os arranjos são enxutos e elegantes, com base em violão, guitarras elétricas, piano, steel guitar e uma seção rítmica discreta. Não há excesso de elementos, apenas a valorização da interpretação do cantor, que, já com seus 85 anos, entrega bastante sentimento. O repertório é muito bom, e as canções são todas reflexivas. No fim, é um ótimo trabalho e muito imersivo. 

Melhores Faixas: Something You Get Through, Me And You, I'll Try To Do Better Next Time
Vale a Pena Ouvir: Ready To Roar, She Made My Day, Bad Breath

My Way – Willie Nelson





















NOTA: 8,2/10


Meses se passaram, e foi lançado outro álbum do cantor intitulado My Way, que segue uma abordagem mais tradicional. Após o Last Man Standing, Willie Nelson decidiu retornar ao universo do Great American Songbook, desta vez com um foco específico: o repertório associado a Frank Sinatra. A conexão entre Nelson e Sinatra pode não parecer imediata à primeira vista, mas ambos compartilham uma característica essencial: o domínio da interpretação, além de terem sido amigos. A produção, feita por Buddy Cannon e Matt Rollings, é sofisticada e fortemente influenciada pelo Pop tradicional e pelo universo das Standards. Os arranjos são ricos, com presença de piano, cordas, sopros e uma base rítmica suave. Há uma clara inspiração nas grandes orquestras que acompanhavam Sinatra, mas com uma abordagem mais contida. O repertório, não preciso dizer, é muito bom, e as canções são todas interpretadas de forma certeira. Enfim, é um disco bacana e bem coeso. 

Melhores Faixas: Summer Wind, Night And Day, It Was A Very Good Year 
Vale a Pena Ouvir: A Foggy Day, Blue Moon, What Is This Thing Called Love (participação da Norah Jones)

Ride Me Back Home – Willie Nelson





















NOTA: 8,3/10


Indo para 2019, outro álbum do Willie Nelson foi lançado, o Ride Me Back Home. Após o My Way, esse novo trabalho seria a finalização da trilogia que começou com God’s Problem Child, a qual ficou conhecida como “trilogia da mortalidade”. Aqui, há uma dimensão mais espiritual e contemplativa, ampliando o foco para além da própria vida do Willie e incluindo reflexões sobre o mundo, a natureza e a existência. A produção, feita mais uma vez por Buddy Cannon, segue aquela abordagem minimalista e mais orgânica, resultando em uma sonoridade limpa, mas calorosa, mantendo uma sensação de proximidade com o ouvinte. Há um cuidado especial com o espaço, permitindo que cada instrumento respire e que os vocais delicados do cantor sejam o centro de tudo. O repertório é muito bom, e as canções são bem profundas e mais cadenciadas. No final, é um trabalho bacana e que fechou bem esse ciclo. 

Melhores Faixas: Immigrant Eyes, Nobody's Listening, Stay Away From Lonely Places 
Vale a Pena Ouvir: Maybe I Shouldn't Be Listening, Come On Time, Ride Me Back Home

First Rose Of Spring – Willie Nelson





















NOTA: 8,2/10


Entrando em 2020, Willie Nelson lançava mais um álbum, o First Rose of Spring. Após o Ride Me Back Home, o cantor decidiu suavizar um pouco esse tom de questionamento sobre o sentido da vida, trazendo uma abordagem mais serena e contemplativa. O álbum é menos centrado em declarações diretas e mais em atmosferas e sentimentos. Tanto que esse trabalho surge em um momento delicado, durante o período de isolamento social por conta da pandemia do COVID-19. A produção segue aquela mesma de sempre, mantendo a estética minimalista já consolidada, mas com uma leve ênfase em suavidade e leveza. Os arranjos são delicados, com predominância de violão, steel guitar e uma base rítmica discreta. Há também uso pontual de cordas e outros elementos que adicionam textura sem sobrecarregar. O repertório é muito interessante, e as canções são bem profundas e com um lado mais intimista. No geral, é um ótimo álbum e bastante sereno. 

Melhores Faixas: We Are The Cowboys, Our Song, Blue Star 
Vale a Pena Ouvir: First Rose Of Spring, Stealing Home

That's Life – Willie Nelson





















NOTA: 8,2/10


E aí, no ano seguinte, foi lançado mais um álbum tradicional do Willie Nelson, o That’s Life. Após o First Rose of Spring, o cantor decidiu reforçar sua conexão com o repertório associado a Frank Sinatra. Se, no álbum de 2018, Willie reinterpretava clássicos eternizados por Sinatra, aqui ele aprofunda essa abordagem, explorando ainda mais o universo do Pop tradicional. A produção segue aquela de sempre, ou seja, bastante sofisticada e elegante, com arranjos riquíssimos em sua abordagem. Há uma clara inspiração nas grandes orquestras que acompanhavam Sinatra, mas com um toque moderno, e os vocais do Willie são bem encaixados, com bastante variação em seu fraseado livre. O repertório é, obviamente, muito bom, e as canções são todas muito bem interpretadas. No fim, é um ótimo trabalho e também muito consistente em relação ao seu antecessor. 

Melhores Faixas: Cottage For Sale, In The Wee Small Hours Of The Morning 
Vale a Pena Ouvir: That's Life, I've Got You Under My Skin

                                                                                           Bom é isso e flw!!!         

Analisando Discografias - Willie Nelson: Parte 6

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