sexta-feira, 15 de maio de 2026

Analisando Discografias - Nine Inch Nails: Parte 2

                 

Ghosts I-IV – Nine Inch Nails





















NOTA: 8/10


Em 2008, o Nine Inch Nails lançava um disco bem diferente com Ghosts I-IV, seguindo uma abordagem peculiar. Após o Year Zero, Trent Reznor parecia interessado em fazer algo mais atmosférico, decidindo lançar esse trabalho de forma independente após problemas com a Interscope Records. Reznor claramente absorve elementos de compositores como Brian Eno, John Carpenter e da música minimalista experimental. A produção, feita por ele junto com Atticus Ross e Alan Moulder, foi repleta de improvisação, com uso de piano, sintetizadores analógicos, guitarras processadas, drones eletrônicos, percussões minimalistas, ruídos ambientes e manipulações digitais aparecendo constantemente. O álbum faz assim uma junção entre música ambiente, elementos da música eletrônica dos anos 70 e aquele toque industrial característico. O repertório possui 36 faixas, e todas elas são muito legais e imersivas. No fim, é um álbum muito bom e consistente. 

Melhores Faixas: 34 Ghosts IV, 4 Ghosts I, 18 Ghosts II, 24 Ghosts III, 28 Ghosts IV, 13 Ghosts II, 25 Ghosts III 
Vale a Pena Ouvir: 9 Ghosts I, 27 Ghosts III, 11 Ghosts II, 3 Ghosts I, 22 Ghosts III

The Slip – Nine Inch Nails





















NOTA: 8,2/10


Alguns meses depois, foi lançado o 7º álbum de estúdio do Nine Inch Nails, The Slip. Após o Ghosts I-IV, Trent Reznor já havia rompido sua dependência tradicional das gravadoras, explorava novos modelos de distribuição digital e operava com uma autonomia criativa muito maior. Diferente dos discos gigantescos e obsessivamente trabalhados do passado, este álbum possui uma energia muito mais imediata e impulsiva. A produção foi mais orgânica e detalhista, possuindo uma forte presença de bateria ao vivo e dinâmica de banda. Muitas músicas parecem construídas em torno de uma energia física imediata, algo que aproxima o disco de certa crueza do Rock alternativo e até do Punk em alguns momentos. As guitarras são bem mais secas, e os sintetizadores dão aquele aspecto industrial característico. O repertório é muito bom, e as canções são bastante pesadas e, ao mesmo tempo, delicadas. Enfim, é outro disco bacana e com uma crueza maior. 

Melhores Faixas: Discipline, Letting You, Head Down, Demon Seed 
Vale a Pena Ouvir: 1,000,000, The Four Of Us Are Dying

Hesitation Marks – Nine Inch Nails





















NOTA: 8,5/10


Indo para 2013, o Nine Inch Nails retornava com um novo disco, Hesitation Marks. Após o The Slip, a banda entrou em uma espécie de hiato informal enquanto Trent Reznor mergulhava profundamente em trabalhos de trilha sonora ao lado do Atticus Ross, mostrando que era apenas questão de tempo até ele entrar de forma efetiva no NIN. Esse novo trabalho seria mais introspectivo, consciente e até analítico em relação aos próprios estados emocionais. A produção foi bastante sofisticada, com a dupla utilizando construção cinematográfica gradual, drones sutis, pequenos ruídos eletrônicos e ambientações extremamente cuidadosas. Trabalhando com ritmos hipnóticos, baixos pulsantes, sintetizadores densos e baterias minimalistas, indo na onda do Electro-Industrial, com certos elementos de EBM e Downtempo. O repertório é muito bom, e as canções são bem cadenciadas e hipnóticas. No final de tudo, é um ótimo disco e um dos mais sérios deles. 

Melhores Faixas: Copy Of A, Various Methods Of Escape, I Would For You, Came Back Haunted, While I'm Still Here 
Vale a Pena Ouvir: Disappointed, Running, In Two

Bad Witch – Nine Inch Nails





















NOTA: 9/10


Se passaram então cinco anos, e o Nine Inch Nails retornou com um belíssimo disco, o Bad Witch. Após o Hesitation Marks, os trabalhos cinematográficos do Trent Reznor e Atticus Ross influenciaram profundamente a forma como a dupla passou a construir atmosfera, tensão e narrativa sonora. Esse trabalho seria mais abstrato, fragmentado e psicológico, dialogando muito com o momento social e político global, cercado de extremismo político, ansiedade tecnológica e uma sensação de colapso social. A produção foi uma das mais experimentais e agressivas da banda, juntando Rock Experimental, Rock industrial e elementos do Noise Rock, Ambient e Jazz. Os sons frequentemente parecem deteriorados ou deslocados. A mixagem trabalha muito com desconforto espacial, ruídos repentinos e fragmentação estrutural, com o maior destaque sendo o saxofone totalmente caótico. O repertório é ótimo, e as canções são bem variadas. No fim, é um baita álbum e muito bem amarrado. 

Melhores Faixas: God Break Down The Door, Shit Mirror 
Vale a Pena Ouvir: Over And Out, Ahead Of Ourselves

Ghosts V: Together – Nine Inch Nails





















NOTA: 8,3/10


Dois anos se passaram, e foi lançado mais um álbum do Nine Inch Nails, Ghosts V: Together. Após o Bad Witch, Trent Reznor e Atticus Ross decidiram lançar não apenas um, mas dois novos trabalhos instrumentais simultaneamente. Os dois discos funcionam quase como opostos emocionais complementares. Porém, o foco aqui é o “Together”, que procura oferecer calor humano e fragilidade emocional, lembrando que ele foi lançado no começo da pandemia da COVID-19. A produção seguiu uma abordagem delicada e emocional, com o piano possuindo papel central em grande parte do álbum. Muitas composições são construídas ao redor de melodias simples, repetitivas e profundamente emotivas. A abordagem minimalista amplifica o impacto emocional de cada nota, com os drones criando uma sensação contínua de espaço emocional compartilhado. O repertório é muito bom, e as canções são bem melancólicas. No fim, é um ótimo disco e muito bem estruturado. 

Melhores Faixas: Together, Letting Go While Holding On, Still Right Here 
Vale a Pena Ouvir: Hope We Can Again, Out In The Open

Ghosts VI: Locusts – Nine Inch Nails





















NOTA: 7/10


E também no mesmo dia foi lançado Ghosts VI: Locusts, que segue uma atmosfera sombria. Como esse álbum se interliga com Ghosts V: Together, a proposta aqui é criar um ambiente hostil, vazio e profundamente inquietante, absorvendo perfeitamente a atmosfera psicológica daqueles primeiros meses de 2020: medo coletivo, isolamento, sensação de suspensão temporal, potencial colapso social e ansiedade constante diante de um futuro imprevisível. A produção foi baseada em minimalismo sombrio, drones ambientais, texturas industriais discretas e construção constante de tensão psicológica. O silêncio possui papel central, e muitas músicas parecem existir em ambientes vazios gigantescos, criando uma sensação de isolamento profundo e seguindo aquela vibe do Dark Ambient. O repertório é legalzinho, com canções bem tematizadas, embora algumas exceções. Enfim, é um disco interessante, mas com algumas falhas. 

Melhores Faixas: Run Like Hell, Turn This Off Please, Trust Fades, Almost Dawn
Piores Faixas: Temp Fix, Another Crashed Car, Right Behind You

Quake – Nine Inch Nails





















NOTA: 8/10


Naquele mesmo ano de 2020, foi lançada a trilha sonora do 1º jogo da série Quake. Bom, vamos lá: o que aconteceu foi o seguinte: lá por volta de 1996, o Nine Inch Nails já havia alcançado enorme reconhecimento, e Trent Reznor estava artisticamente em um momento extremamente intenso e experimental. Trent já era entusiasta de jogos de computador, especialmente alguns feitos pela id Software. Inclusive, Doom pegou muitas influências do NIN, então acabou sendo fechada uma parceria para ele produzir a trilha do “jogo irmão” do Doom, Quake. A produção é extremamente minimalista, atmosférica e focada na construção de tensão psicológica. Os drones causam desconforto através de massas sonoras lentas, os sintetizadores são deteriorados e a temática industrial acontece a todo momento. O repertório é bacana, e as canções passam uma atmosfera pesada, assim como o jogo propõe. Enfim, é um ótimo trabalho e muito bem-feito. 

Melhores Faixas: The Hall Of Souls, Damnation, Parallel Dimensions, Focus 
Vale a Pena Ouvir: Quake Theme, The Reaction, Falling

Tron: Ares (Original Motion Picture Soundtrack) – Nine Inch Nails





















NOTA: 7,2/10


Cinco anos se passaram então, para o Nine Inch Nails retornar, só que agora com a trilha sonora do filme Tron: Ares. Após o Ghosts V: Together e Ghosts VI: Locusts, este trabalho marca a primeira vez em que Trent Reznor e Atticus Ross assinam oficialmente uma trilha sonora sob o nome Nine Inch Nails, e não apenas utilizando seus nomes individuais. Agora assinando o terceiro filme da franquia Tron, a abordagem da trilha até condiz com alguns elementos clássicos da banda, embora o filme deixe bastante a desejar. A produção, feita por Trent e Atticus com ajuda de Boys Noize, adota uma abordagem detalhada e cinematográfica que mistura Electro-Industrial, Synthwave, EBM e música ambiente. Os sintetizadores trazem toda aquela tensão, e as baterias são bem funcionais. O grande erro está nos riffs de guitarra, que soam bastante comprimidos. O repertório é bom, com algumas canções interessantes e outras sem graça. Enfim, é uma trilha boa de um filme bem chatinho. 

Melhores Faixas: Who Wants To Live Forever?, As Alive As You Need Me To Be, Echoes, Shadow Over Me, Target Identified, What Have You Done? 
Piores Faixas: A Question Of Trust, I Know You Can Feel It, Permanence

Nine Inch Noize – Nine Inch Noize





















NOTA: 8,9/10


Então chegamos a 2026, ano em que o Nine Inch Nails retornou com o álbum colaborativo Nine Inch Noize. Após o lançamento da trilha sonora do filme Tron: Ares, a turnê Peel It Back fez com que Trent Reznor e Atticus Ross passassem a confiar bastante em Boys Noize, fazendo dele uma peça importante dentro do universo sonoro recente da banda. O que eles decidiram fazer foi pegar músicas antigas e remixá-las em uma estética mais puxada para a vibe de rave. A produção é extremamente dinâmica, pesada e orientada para impacto físico. Boys Noize traz enorme influência do Techno industrial e da música de pista, enquanto Reznor e Atticus preservam o peso emocional e a textura agressiva do Nine Inch Nails. As batidas são secas e violentas, os sintetizadores são densos e os vocais de Trent seguem uma abordagem agressiva. O repertório ficou muito legal, e as canções foram muito bem reimaginadas. Enfim, é um ótimo disco e vale a pena conferir. 

Melhores Faixas: Closer, Heresy, Copy Of A, As Alive As You Need Me To Be, Parasite 
Vale a Pena Ouvir: Vessel, Came Back Haunted, Memorabilia

                                                                                            Bom é isso e flw!!!      

Analisando Discografias - Nine Inch Nails: Parte 2

                  Ghosts I-IV – Nine Inch Nails NOTA: 8/10 Em 2008, o Nine Inch Nails lançava um disco bem diferente com Ghosts I-IV, seguin...