segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Analisando Discografias - Weather Report: Parte 1

                 

Weather Report – Weather Report





















NOTA: 9,4/10


Voltando para o ano de 1971, foi lançado o álbum de estreia autointitulado do Weather Report. Formado em 1970 pelos já amigos Joe Zawinul (teclados) e Wayne Shorter (saxofone), que haviam sido peças-chave na fase elétrica de Miles Davis, participando diretamente da transição do Jazz para territórios mais abertos, modais e texturais. Com isso, eles chamaram Miroslav Vitouš (baixo acústico) e, para finalizar, recrutaram Alphonse Mouzon (bateria) e Airto Moreira (percussão). A produção, feita por eles mesmos, é econômica, aberta e profundamente espacial. Não há excesso de overdubs nem uma estética de estúdio grandiosa; o foco está na interação em tempo real entre os músicos. O som privilegia dinâmica, silêncio e textura, em vez de impacto rítmico ou virtuosismo ostensivo, fazendo basicamente uma junção do Jazz Fusion com elementos mais vanguardistas. O repertório é incrível, e as canções são bem atmosféricas. No fim, é um belo disco de estreia e imersivo. 

Melhores Faixas: Milky Way, Tears, Morning Lake, Umbrellas 
Vale a Pena Ouvir: Eurydice, Seventh Arrow

I Sing The Body Electric – Weather Report





















NOTA: 9/10


No ano seguinte, foi lançado o 2º álbum do Weather Report, o espacial I Sing The Body Electric. Após o álbum de estreia, a banda acabou passando por mudanças, com a saída do Alphonse Mouzon e Airto Moreira, e a entrada do Eric Gravatt e Don Um Romão. Com isso, Joe Zawinul começava a elevar o patamar do grupo para um caminho ainda mais elétrico. Wayne Shorter continuava sendo a voz melódica central, mas cada vez mais integrada ao tecido coletivo. A produção foi mais contrastada do que a do álbum de estreia. O disco alterna faixas gravadas em estúdio com um lado inteiro registrado ao vivo no Japão. Em estúdio, o som é mais denso e elétrico. Os teclados de Zawinul assumem papel central. O baixo vai para uma linguagem mais rítmica, e bateria e percussão tornam-se mais incisivas. As gravações ao vivo, por sua vez, enfatizam a interação coletiva e o risco. O repertório é muito bom, e as canções são mais dissonantes. Enfim, é um trabalho incrível e mais abstrato. 

Melhores Faixas: Medley: T.H. / Dr. Honoris Causa, Unknown Soldier, Crystal 
Vale a Pena Ouvir: Second Sunday In August, The Moors

Sweetnighter – Weather Report





















NOTA: 9,5/10


Mais um ano se passa, e é lançado mais um álbum, intitulado Sweetnighter, no qual ocorrem mudanças significativas. Após o I Sing The Body Electric, acontece uma ruptura consciente com o caráter mais etéreo e abstrato dos dois primeiros discos. Aqui, Joe Zawinul começa a empurrar a banda de forma mais explícita em direção ao ritmo, ao groove e à repetição, elementos que mais tarde definiriam a estética pela qual ficariam marcados, o que não agradava a Miroslav Vitouš. Além disso, há a presença meteórica de Herschel Dwellingham (bateria) e Muruga Booker (percussão). A produção é mais densa, elétrica e frontal do que nos discos anteriores. Zawinul assume controle quase total do espaço sonoro. O baixo acústico do Vitouš permanece presente, mas frequentemente em conflito estético com a lógica mais percussiva e rítmica das composições. O repertório é maravilhoso, e as canções ficam bem mais suaves. No fim, é um trabalho sensacional e bastante essencial. 

Melhores Faixas: 125th Street Congress, Manolete 
Vale a Pena Ouvir: Adios, Boogie Woogie Waltz

Mysterious Traveller – Weather Report





















NOTA: 9,8/10


Outro ano se passou, e foi lançado outro trabalho sensacional do Weather Report, o Mysterious Traveller. Após o Sweetnighter, Miroslav Vitouš já se encontrava em rota de colisão estética com Joe Zawinul, que passa a assumir de forma mais dominante o espaço sonoro com seus teclados e sintetizadores. A presença do baixista elétrico Alphonso Johnson em parte do disco antecipa a saída definitiva do Vitouš e aponta para o som futuro da banda, além da utilização de dois bateristas, Ishmael Wilburn e Skip Hadden. A produção, feita por Zawinul e Shorter, é muito mais assertiva, com um som mais elétrico e mais controlado, com menos espaços vazios e maior sensação de direção. Zawinul domina o espaço sonoro com Fender Rhodes e outros sintetizadores, criando paisagens densas, quentes e rítmicas, muitas vezes substituindo funções tradicionais do baixo. O repertório é incrível, e as canções são todas bem imersivas e vibrantes. No fim, é um baita disco e certamente um clássico. 

Melhores Faixas: Jungle Book, Mysterious Traveller, Blackthorn Rose 
Vale a Pena Ouvir: American Tango, Scarlet Woman

Tale Spinnin' – Weather Report





















NOTA: 8,7/10


Em 1975, foi lançado o 5º álbum de estúdio do Weather Report, intitulado Tale Spinnin’. Após o Mysterious Traveller, Miroslav Vitouš já havia deixado a banda, e o baixo elétrico do Alphonso Johnson passa a ser o alicerce rítmico, permitindo que Joe Zawinul se concentre inteiramente em teclados e texturas. Além disso, ele recruta um baterista definitivo, Leon “Ndugu” Chancler. O percussionista Don Um Romão sai, e em seu lugar entra o brasileiro Alyrio Lima. Wayne Shorter, por sua vez, adota uma postura cada vez mais econômica e poética, tocando menos notas, mas com maior peso expressivo. A produção é muito mais detalhada e altamente equilibrada. Cada instrumento ocupa um espaço bem definido, e o som do grupo soa orgânico, apesar do uso intenso de eletrônica. Com a presença do Ndugu, o grupo adiciona um groove sofisticado, com clara influência do Funk. O repertório é bacana, e as canções são bem técnicas. No geral, é um disco bacana e que aponta algo promissor. 

Melhores Faixas: Lusitanos, Freezing Fire 
Vale a Pena Ouvir: Man In The Green Shirt, Between The Thighs

Black Market – Weather Report





















NOTA: 9,8/10


Então chegamos a 1976, quando foi lançado outro álbum fantástico do Weather Report, o Black Market. Após o Tale Spinnin’, o baixista Alphonso Johnson estava perto de sair da banda, mas Joe Zawinul tinha uma carta na manga, já que colocou Jaco Pastorius para participar de duas faixas, algo que seria importante para o futuro do grupo. Além disso, tivemos a presença de outros músicos, como os bateristas Narada Michael Walden e Chester Thompson e os percussionistas Alex Acuña e Don Alias. A produção, feita por Zawinul e Shorter, é mais nítida e rítmica. Os teclados do Zawinul tornam-se mais funcionais, enquanto a seção rítmica passa a ser a base de tudo: Alphonso Johnson oferece linhas de baixo elásticas, e Jaco Pastorius, nas faixas em que aparece, traz uma nova concepção do instrumento como voz melódica dominante. O repertório é simplesmente sensacional, parecendo até uma coletânea. No final, é um trabalho sensacional e uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Black Market, Elegant People, Herandnu 
Vale a Pena Ouvir: Cannon Ball, Gibraltar


                                                                                               Bom é isso e flw!!!        

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