terça-feira, 23 de junho de 2026

Analisando Discografias - Earl Sweatshirt: Parte 2

                 

I Don't Like Shit, I Don't Go Outside – Earl Sweatshirt





















NOTA: 9,8/10


Se passaram dois anos, e foi lançado mais um álbum do Earl Sweatshirt: o sensacional I Don't Like Shit, I Don't Go Outside. Após o Doris, Earl passou por diversas mudanças pessoais. A relação com a fama continuava desconfortável, sua ligação com a Odd Future já não era tão intensa quanto nos primeiros anos, e sua visão artística caminhava para algo cada vez mais distante do Rap tradicional. A produção foi feita pelo próprio rapper junto com Left Brain. Os dois apostaram em beats minimalistas, com a presença de acordes repetitivos, baixos abafados, baterias secas e pequenos samples que entram e desaparecem rapidamente. O resultado faz parecer que Earl está rimando em um quarto escuro, de forma isolada, colocando todo o seu flow técnico em evidência e seguindo elementos do Rap experimental e do Cloud Rap. O repertório é incrível, e as canções são muito profundas e carregadas de questionamentos. Enfim, é um baita disco e um verdadeiro clássico. 

Melhores Faixas: Grief, Faucet, Huey, Wool, AM // Radio 
Vale a Pena Ouvir: DNA, Mantra

Some Rap Songs – Earl Sweatshirt





















NOTA: 10/10


Em 2018, Earl Sweatshirt lança seu 3º álbum de estúdio, o espetacular Some Rap Songs. Após o I Don't Like Shit, I Don't Go Outside, que retratava um artista mergulhado na depressão e no isolamento, este novo álbum mostra Earl transformando esse sofrimento em uma forma completamente nova de fazer rap. Esse projeto foi lançado pouco depois de ele perder seu pai, Keorapetse Kgositsile, uma figura cuja ausência já havia sido abordada anteriormente, mas cuja morte deu um novo significado à relação entre os dois. A produção foi feita por ele junto com Sage Elsesser, Black Noi$e e outros colaboradores, que seguiram uma estética ainda mais crua, já que os beats soam fragmentados, com samples entrando e desaparecendo sem aviso. As baterias fora do tempo remetem imediatamente a J Dilla, e tudo isso segue uma abordagem voltada ao Drumless e ao Rap experimental. O repertório é sensacional, parecendo uma coletânea. Enfim, é um disco incrível e uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Riot!, Azucar, Ontheway!, The Mint, Shattered Dreams, Nowhere2go, Shattered Dreams 
Vale a Pena Ouvir: Red Water, Loosie

Feet Of Clay – Earl Sweatshirt





















NOTA: 7/10


No ano seguinte, Earl Sweatshirt surge do nada com um novo EP, o Feet Of Clay. Após o clássico Some Rap Songs, em que Earl reformulou completamente sua linguagem musical, esse EP mostra um artista ainda mais confortável dentro dessa estética, levando suas ideias para um território ainda mais abstrato e menos preocupado com qualquer tipo de acessibilidade. Isso porque ele havia saído da Columbia Records e assinado com a Warner, além de ter ganhado mais liberdade artística. A produção foi feita por ele junto com The Alchemist, Black Noi$e, Mach-Hommy e ovrkast, seguindo aquela abordagem de beats fragmentados e samples envelhecidos, com essa estética se tornando ainda mais extrema. As baterias são extremamente discretas, e a presença de chiados, pequenas distorções e imperfeições faz parte da identidade sonora do EP. O repertório é muito bom, e as canções são mais atmosféricas. Enfim, é um trabalho bacana, mesmo com poucas inovações. 

Melhores Faixas: MTMOB, EAST 
Vale a Pena Ouvir: EL TORO COMBO MEAL, 4N

SICK! – Earl Sweatshirt





















NOTA: 8,8/10


Três anos se passaram, e o rapper lança mais um disco intitulado SICK!, que trouxe mudanças. Após o EP Feet Of Clay, este álbum nasceu durante um período em que o mundo inteiro vivia as consequências do isolamento provocado pela pandemia. Embora Earl nunca transforme o álbum em um relato explícito sobre esse contexto, a sensação de confinamento, ansiedade e incerteza atravessa praticamente todo o projeto. A produção contou com aqueles mesmos nomes, como The Alchemist, Alexander Spit, Black Noi$e e outros colaboradores, que seguiram uma abordagem bem mais limpa. Os beats são orgânicos, com samples precisos, loops curtos e atmosferas discretas. Há muito mais definição na mixagem, além de os flows do Earl terem ficado mais cadenciados, sem, é claro, perder sua técnica. Dialogando com o Jazz Rap, Drumless e o Trap. O repertório é muito bom, e as canções são carregadas de mensagem. No geral, é um ótimo disco e é bem subestimado. 

Melhores Faixas: 2010, Tabula Rasa, Fire In The Hole, Vision 
Vale a Pena Ouvir: God Laughs, Sick!

Voir Dire – Earl Sweatshirt & The Alchemist





















NOTA: 9/10


No ano seguinte, Earl Sweatshirt lança um álbum colaborativo com The Alchemist, o Voir Dire. Após o SICK!, esse projeto acabou acontecendo depois de muita conexão entre ambos nos trabalhos anteriores e passou por diferentes formas de lançamento até chegar às plataformas de streaming. Isso ajuda a explicar a sensação de “fragmento organizado” que o álbum transmite: ele não soa como um conceito rígido, mas como um conjunto de ideias que se conectam pela atmosfera. A produção foi feita completamente por Uncle Al, que adotou uma abordagem limpa e cinematográfica. Os beats são suaves, com presença de samples de Soul e Jazz altamente refinados, texturas ambientais e loops que evoluem lentamente, sem perder a repetição hipnótica. Isso faz com que Earl adote um flow mais cadenciado nessa abordagem puxada para o Drumless e o Jazz Rap. O repertório é ótimo, e as canções são bastante imersivas e relaxantes. No fim, é um trabalho muito legal e coeso. 

Melhores Faixas: Mac Deuce, The Caliphate, Vin Skully, Mancala, 27 Braids 
Vale a Pena Ouvir: Dead Zone, Free The Ruler, 100 High Street

Live Laugh Love – Earl Sweatshirt





















NOTA: 9,3/10


Então chegamos a 2025, quando Earl Sweatshirt lança seu 5º e mais recente álbum, o Live Laugh Love. Após o Voir Dire, com The Alchemist, este novo disco surge como uma tentativa de reorganizar sua identidade artística em torno de algo mais direto, mas ainda profundamente pessoal. Earl parece interessado em explorar a contradição entre uma estética de positividade superficial e a complexidade emocional real da vida adulta. A produção foi feita por ele junto com Theravada, Navy Blue e outros colaboradores, e segue uma temática mais variada, com beats crus e baseada em três princípios: calor analógico, colagem sonora e pequenas rupturas rítmicas. Isso também está presente nos flows do Earl, que são cheios de variação e funcionam nessa junção do Rap experimental, Drumless e Jazz Rap. O repertório é incrível, e as canções são bastante reflexivas e carregadas de questionamentos sobre família. No fim, é um belo disco e um dos melhores do ano passado. 

Melhores Faixas: Tourmaline, Exhaust, Crisco, Infatuation, Live, Gamma (Need The <3) 
Vale a Pena Ouvir: Heavy Metal (Ejecto Seato), Static

 

                                                                            Por hoje é só, então flw!!!          

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