Esú – Baco Exu do Blues
NOTA: 9,8/10
No ano de 2017, Baco Exu do Blues lança seu sensacional álbum de estreia, o Esú. O rapper baiano começou sua trajetória por volta de 2015, quando fazia parte do grupo Direto do Hospício. Só que a virada de chave aconteceu em 2016, quando lançou a diss Sulicídio com Diomedes Chinaski, na qual faziam críticas à cena do Rap, que estava concentrada apenas em SP e RJ. Isso foi importante para o que ficou conhecido como "ano lírico", tanto que foi o próprio Baco quem criou essa expressão em sua participação no Poetas no Topo 2. Esse trabalho seria bastante carregado de espiritualidade. Produção, feita por Nansy Silvvs, traz beats pesados, com percussões orgânicas, guitarras discretas, pianos melancólicos e graves constantes, incorporando bastante influência do Trap, o que faz com que Baco adote um flow mais agressivo e técnico. O repertório é sensacional, e as canções são bem reflexivas e cheias de mensagem. No fim, é um baita disco e um clássico.
Melhores Faixas: Esú, En Tu Mira, Te Amo Disgraça, Senhor Do Bonfim, En Tu Mira
Vale a Pena Ouvir: Imortais E Fatais, Capitães De Areia
Bluesman – Baco Exu do Blues
NOTA: 10/10
Melhores Faixas: Flamingos, Me Desculpa Jay Z, Girassóis De Van Gogh, Kanye West Da Bahia, Minotauro De Borges
Vale a Pena Ouvir: Bluesman, Queima Minha Pele (ótima feat do Tim Bernardes)
Não Tem Bacanal na Quarentena – Baco Exu do Blues
NOTA: 7/10
Dois anos se passaram, e o Baco lança o curioso EP Não Tem Bacanal na Quarentena. Após o Bluesman, ele se tornou um dos principais nomes da nova geração do Rap nacional. Incialmente, esse EP teria o titulo apenas de Bacanal Com a chegada da quarentena, Baco transformou a ideia em uma brincadeira irônica: se não havia possibilidade de festas, encontros ou excessos, então "não tem bacanal na quarentena". Produção feita por Dactes, Deekapz, JLZ, Nansy Silvvz e Pgiscoming, colocaram uma abordagem mais leve e acessível sendo gravado em três dias com os beats sendo mais amplos, hi-hats constantes, sintetizadores suaves e baterias secas dialogando assim com Trap, R&B e Rap acústico com isso o Baco alterna entre momentos de canto e flows melódicos. O repertório é legalzinho, tem canções divertidas e que foi feita para chocar. Enfim, é um EP bacana e que é muito injustiçado.
Melhores Faixas: Humanos Não Matam Deuses, Amo Cardi B e Odeio Bozo, Jovem Preto Rico
Vale a Pena Ouvir: O Sol Mais Quente, Tropa do Babu
QVVJFA? – Baco Exu do Blues
NOTA: 6/10
Dois anos se passaram, e Baco Exu do Blues lançou seu 3º álbum, Quantas Vezes Você Já Foi Amado? (QVVJFA?). Após o EP Não Tem Bacanal na Quarentena, ele preparava um trabalho mais intimista, construído durante o período de isolamento social. O álbum nasceu de um momento em que Baco refletia não apenas sobre a carreira, mas principalmente sobre seus relacionamentos, suas inseguranças e a dificuldade de demonstrar afeto. Produzido por Dactes, JLZ, Marcelo de Lamare, Nansy Silvvz e Paz, que seguiram uma abordagem mais acessível e suave. Os beats são mais minimalistas, com pianos suaves, guitarras limpas, sintetizadores discretos, linhas de baixo orgânicas e baterias minimalistas. Com isso, Baco adota vocais mais intimistas e próximos, dialogando com R&B e Trap Soul. O repertório começa bem, mas depois decai, com canções genéricas e sem graça. No geral, é um trabalho mediano que beira o cansativo.
Melhores Faixas: 20 Ligações, Lágrimas, Imortais e Fatais 2
Piores Faixas: Inimigos, Samba in Paris (Glooria Grove não entregou nada), Sei Partir
FETICHE – Baco Exu Do Blues
NOTA: 1/10
Em 2024, Baco Exu do Blues lança o infame EP FETICHE, e aqui as coisas ficam bem piores. Após o QVVJFA?, o rapper decidiu lançar um trabalho que investiga o prazer, os jogos de poder, a fantasia e a hipersexualização dos corpos negros. O projeto foi lançado acompanhado por um curta-metragem que apresenta uma narrativa em que fantasia e realidade se confundem, utilizando imagens de sadomasoquismo e desejo como metáforas para discutir projeções e fetiches. A produção, feita mais uma vez por Dactes, JLZ, Marcelo de Lamare e Marcos Maurício, aposta em instrumentais minimalistas inspirados no R&B contemporâneo, Trap Soul e Afrobeats. Com pianos discretos, guitarras limpas, sintetizadores atmosféricos e baterias econômicas, a sonoridade acaba soando bastante reciclada e voltada para viralizar no TikTok. O repertório é terrível, e as canções beiram a vergonha alheia. Enfim, é um EP péssimo que se tornou uma mancha podre na carreira do Baco.
Melhores Faixas: (........................................) Piores Faixas: piscina vazia, você foi a melhor, fetiche
HASOS – Baco Exu Do Blues
NOTA: 5/10
Então chegamos ao ano passado, quando Baco lançou seu 4º e, até então, último álbum, o HASOS. Após o EP FETICHE, esse trabalho é estruturado como uma longa sessão de terapia, utilizando interlúdios que simulam conversas entre paciente e terapeuta para conduzir a narrativa emocional do disco. O título faz referência à inscrição "H-AS OS", escondida por Caravaggio na pintura Davi com a Cabeça de Golias, uma abreviação em latim para Humilitas occidit superbiam ("a humildade mata o orgulho"). A produção contou com os mesmos nomes, que seguiram uma abordagem mais variada, com beats orgânicos, presença de pianos, contrabaixos orgânicos, guitarras discretas, sopros ocasionais e baterias secas. A sonoridade dialoga bastante com Neo-Soul e Jazz Rap, mas acaba ficando muito arrastada e com variações de ritmo imprecisas. O repertório é irregular, com canções boas e outras bem sem graça. Em suma, é um álbum mediano que, infelizmente, não funcionou.
Melhores Faixas: Mar de Guerra, Gladiadores de Areia, Assassinos de Saudade, Caravaggio Com Colar de Gandhy Piores Faixas: Que Eu Sofra, Fugindo do Espelho, Um Pouco, Romance Latino (Teto decepcionou)
Então é só e flw!!!





