Dummy – Portishead
NOTA: 10/10
No ano de 1994, o Portishead lançava seu lendário álbum de estreia, intitulado Dummy. Formado em 1991 na cidade de Bristol, na Inglaterra, pela cantora Beth Gibbons, pelo produtor e multi-instrumentista Geoff Barrow e pelo guitarrista Adrian Utley, o grupo surgiu em um período em uma cena underground se desenvolvia. Nesse contexto, a cena de Bristol começava a ganhar destaque por misturar elementos do Soul, Dub, Jazz e Rap. Produzido pela banda e lançada pelo selo Go! Beat Records, o álbum faz uso de samples e batidas programadas, mas combina esses elementos como arranjos de cordas, guitarras, órgãos e efeitos cinematográficos. A bateria geralmente é lenta e pesada, criando uma sensação de tensão constante, e os vocais da Beth transmitem uma sensação de melancolia e sofrimento, mostrando as bases do Trip Hop. O repertório é sensacional, parecendo até uma coletânea. No fim, é um disco maravilhoso e um dos melhores de todos os tempos.
Melhores Faixas: Glory Box, Roads, Sour Times, Biscuit, Mysterons, Wandering Star
Vale a Pena Ouvir: Strangers, It Could Be Sweet
Portishead – Portishead
NOTA: 10/10
Três anos se passaram, e o Portishead lançou seu clássico 2º álbum, que pode ser chamado de Portishead II. Após o atemporal Dummy, que havia sido aclamado pela crítica e ajudou a transformar o Trip Hop em um dos gêneros mais importantes da música alternativa dos anos 90, a banda enfrentou um processo de criação bastante desgastante. Nesse período, Beth Gibbons passava por problemas emocionais, enquanto Geoff Barrow estava cada vez mais interessado em técnicas de produção experimentais. Produzido por eles junto com Dave McDonald, tem um som mais agressivo e obscuro. Barrow e Adrian Utley passaram muito tempo criando texturas sonoras únicas, utilizando, por exemplo, uma enorme quantidade de ruídos, distorções, efeitos de fita e entre outros recursos. Os vocais da Beth Gibbons soam ainda mais angustiados. O repertório novamente é sensacional, parecendo uma coletânea. No geral, é um belíssimo trabalho e uma obra-prima.
Melhores Faixas: All Mine, Cowboys, Only You, Humming, Mourning Air
Vale a Pena Ouvir: Western Eyes, Over, Half Day Closing
Third – Portishead
NOTA: 9,1/10
Então se passaram onze anos, e a banda lançou seu 3º e possivelmente último álbum, o Third. Após o Portishead II, o trio praticamente desapareceu dos holofotes, alimentando rumores de separação e fazendo com que muitos acreditassem que a banda jamais voltaria. Em vez de um retorno nostálgico, apresentou o trabalho mais estranho, sombrio e experimental de sua carreira. A produção foi bastante experimental, na qual implementaram sintetizadores analógicos, baterias eletrônicas, drones, ruídos industriais e influências vindas do Krautrock, Post-Rock, Rock Experimental e até da música eletrônica dos anos 70. A sonoridade é mais seca, fria e agressiva. Com isso, a bateria adota o estilo motorik com aquele ritmo mecânico, enquanto os vocais da Beth Gibbons soam bem mais frágeis. O repertório é muito bom, e as canções são bastante sombrias, embora algumas pareçam deslocadas. No final, é um belo álbum e muito atmosférico.
Melhores Faixas: The Rip, Machine Gun, Threads, Hunter, Silence
Piores Faixas: Small, We Carry On, Deep Water