Eu Sou Todos Nós – Zé Ramalho
NOTA: 3,5/10
Passaram-se dois anos, e o Zé Ramalho retornou com seu 12º álbum, o Eu Sou Todos Nós. Após o Cidades & Lendas, ele aproveitou o sucesso da Antologia Acústica, coletânea que revitalizou sua carreira e apresentou seus clássicos a uma nova geração. A gravadora BMG preferia dar sequência ao êxito comercial com um segundo volume da antologia, mas Zé insistiu em gravar um disco totalmente inédito. A produção, feita por Robertinho de Recife, apresenta uma sonoridade mais pesada que a dos dois discos anteriores. As guitarras elétricas ganham bastante destaque, aproximando o álbum um pouquinho do Rock, enquanto os elementos nordestinos continuam presentes por meio da viola, da zabumba, do acordeão e da percussão tradicional. Mas tudo soa bastante repetitivo e com elementos que fogem muito das características do Zé. O repertório é fraquíssimo, e as canções são sem graça, com poucas realmente interessantes. No fim, é um disco ruim e sem coesão.
Melhores Faixas: Companheira De Alta Luz, Metrópolis Dourada, Sem-Terra, A Peleja De Zé Limeira No Final Do Segundo Milênio
Piores Faixas: Das Maravilhas, Martelo Rap Ecológico, Vermelhos, Errare Humanun Est, Agônico - O Canto
Zé Ramalho Canta Raul Seixas – Zé Ramalho
NOTA: 8/10
Melhores Faixas: Metamorfose Ambulante, S.O.S., Planos De Papel
Vale a Pena Ouvir: Ouro De Tolo, As Aventuras De Raul Seixas Na Cidade De Thor, Para Raul
O Gosto Da Criação – Zé Ramalho
NOTA: 8/10
No ano seguinte, Zé Ramalho lançou outro álbum, O Gosto da Criação (capa horrorosa). Após o Canta Raul Seixas, ele decidiu fazer um trabalho com um tom mais otimista. Em vez de enfatizar conflitos políticos ou crises existenciais, o álbum concentra-se na capacidade humana de aprender, transformar-se e encontrar sentido por meio da experiência. A produção foi mais orgânica e refinada. Em vez de privilegiar guitarras pesadas, busca um equilíbrio entre violões, viola de doze cordas, guitarras elétricas discretas, teclados e instrumentos nordestinos, seguindo muito mais uma abordagem do Folk contemporâneo e da MPB, com Zé entregando uma performance segura e com menos dramaticidade. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas e imersivas. No fim, é um disco bacana e injustamente subestimado pelos fãs.
Melhores Faixas: O Silêncio Dos Inocentes, Fissura, Modificando O Olhar
Vale a Pena Ouvir: Aprendendo A Vencer, É Praticando Na Vida Que Muito Vai Aprender, Tudo Que Fiz Foi Viver
Parceria Dos Viajantes – Zé Ramalho
NOTA: 8,2/10
Cinco anos se passaram, e Zé Ramalho lançou mais um trabalho inédito, o Parceria dos Viajantes. Após O Gosto da Criação, o cantor decidiu fazer um disco retrospectivo. Em vez de repetir fórmulas anteriores, preferiu reafirmar sua capacidade de dialogar com artistas de diferentes vertentes, demonstrando que sua música permanecia aberta à renovação. O resultado é um trabalho mais leve e comunicativo do que seus discos filosóficos do início dos anos 2000, mas que preserva sua identidade poética. A produção é muito mais variada, já que mistura Pop Rock, MPB, Folk, Baião e música nordestina, mantendo como base o violão de Zé Ramalho, mas incorporando guitarras elétricas, acordeão, teclados, metais e diversas texturas instrumentais. O repertório é muito bom, e as canções conseguem ser bem envolventes e imersivas. No geral, é um ótimo álbum e bastante consistente.
Melhores Faixas: Procurando A Estrela (participação da Daniela Mercury), Porta De Luz
Vale a Pena Ouvir: A Nave Interior (participação da Pitty), Do Muito E Do Pouco, Chamando O Silêncio
Sinais Dos Tempos – Zé Ramalho
NOTA: 3/10
No ano de 2012, o cantor lançou seu 15º álbum de estúdio, o fraquíssimo Sinais dos Tempos. Após o Parceria dos Viajantes, Zé Ramalho declarou interesse em lançar um disco em 2012 por causa do fim do calendário maia, associado por muitos à ideia de "fim do mundo". Isso reforça uma atmosfera temática que atravessa o álbum inteiro: tempo, destino, crise, consciência e transformação. A produção, feita em conjunto com Robertinho de Recife, apresenta um som mais terreno. As guitarras têm peso, mas não dominam o disco; ao mesmo tempo, a sanfona e a percussão tradicional mantêm a identidade regional, estabelecendo um equilíbrio entre a MPB, o Folk e algumas influências do Forró e do Rock psicodélico. Mas tudo soa bastante repetitivo, com arranjos que não conseguem empolgar. O repertório é muito ruim, e as canções são bem genéricas, com poucas realmente interessantes. No fim, é um álbum fraco e sem inspiração.
Melhores Faixas: Olhar Alquimista, Portal Dos Destinos, Justiça Cega Piores Faixas: O Que Ainda Vai Nascer, A Noite Branca, Lembranças Do Primeiro, Anúncio Final
Ateu Psicodélico – Zé Ramalho
NOTA: 8,5/10
Então chegamos a 2022, quando Zé Ramalho lançou seu mais recente álbum, o Ateu Psicodélico. Após o Sinais dos Tempos, Zé voltou a reunir material novo durante o período da pandemia de COVID-19, quando revisitou ideias antigas e composições recentes feitas ao longo do isolamento. O título vem de um texto de Arnaldo Baptista, dos Mutantes, sobre a obra do cantor, reforçando o diálogo do álbum com a psicodelia brasileira dos anos 1970. A produção, feita por Robertinho de Recife, adota uma abordagem orgânica e direta, com presença de guitarras, elementos nordestinos (viola, sanfona e ritmos regionais), atmosferas psicodélicas e místicas e intervenções instrumentais elaboradas, fazendo o disco dialogar tanto com o Folk psicodélico quanto com o Rock psicodélico. O repertório é ótimo, e as canções são carregadas de profundidade e muito bem tematizadas. No fim, é um disco bacana que demonstra a versatilidade do Zé Ramalho.
Melhores Faixas: As Onze Palavras, Repentista Marvel (participação do Andreas Kisser), Martelo Armagedon, Olhar Entorpecido, Beira Mar, a Ressurreição Vale a Pena Ouvir: O Diagrama Da Alma Dourada, O Que O Mundo Não Sabe Explicar, Sextilhas Filosóficas





