Ironman – Ghostface Killah
NOTA: 10/10
Em 1996, o Ghostface Killah lançava seu clássico 1º álbum solo, intitulado Ironman. Após o Enter The Wu-Tang (36 Chambers), ele ainda enfrentava problemas judiciais, o que dificultou parte da produção do álbum. Mesmo assim, conseguiu gravar material suficiente para montar seu disco solo. O trabalho mostra um cara que utilizava imagens abstratas, referências ao cotidiano, memórias fragmentadas, violência, luxo, dramas pessoais e metáforas difíceis de interpretar, criando uma identidade única. A produção foi feita inteiramente por RZA, que colocou beats secos e minimalistas, contando com baterias pesadas, caixas secas e loops repetitivos, além de linhas de baixo profundas e samples de Soul, seguindo a temática do Boom Bap. O flow do Ghost é bastante técnico, encaixando-se perfeitamente com as linhas de Raekwon e Cappadonna. O repertório é sensacional, parecendo uma coletânea de grandes momentos. No fim, é um baita disco e uma obra-prima absoluta.
Melhores Faixas: Iron Maiden, Assassination Day (Inspectah Deck marcando presença), Daytona 500, Winter Warz (ótima feat do U-God e Masta Killa), Fish, After The Smoke Is Clear, Wildflower
Vale a Pena Ouvir: Box In Hand (Method Man mandou bem), All That I Got Is You (boa feat da Mary J. Blinge), Poisonous Darts
Supreme Clientele – Ghostface Killah
NOTA: 10/10
Melhores Faixas: One, Nutmeg (RZA mandando da boa), Mighty Healthy, Malcom, Wu Banga 101 (Que time: Raekwon, Cappadonna, Masta Killa e GZA), Apollo Kids (Raekwon amassando), Ghost Deini
Vale a Pena Ouvir: Child's Play, Buck 50 (Cappadonna, Method Man, Masta Killa e Redman mandaram bem), Cherchez LaGhost (ótima feat do U-God)
Bulletproof Wallets – Ghostface Killah
NOTA: 8,2/10
No ano seguinte, o Ghostface Killah lança seu 3º álbum, o Bulletproof Wallets, que foi mais comercial. Após o clássico Supreme Clientele, esse novo álbum possuía uma configuração diferente da versão lançada oficialmente. Diversas faixas precisaram ser retiradas ou substituídas por problemas envolvendo a liberação de samples, algo relativamente comum nos discos do Wu-Tang devido ao uso pesado de gravações antigas de Soul e Funk. A produção foi feita por RZA, PLX, The Alchemist e outros, que colocaram beats muito mais suaves, com presença de baterias marcantes, porém com maior preocupação em melodias suaves e grooves acessíveis. Além disso, há linhas de baixo mais variadas e até sintetizadores discretos, mas ainda mantendo a influência do Boom Bap. Com isso, os flows do Ghost se tornam muito mais variados e cadenciados. O repertório é muito bom, e as canções são muito divertidas e, ao mesmo tempo, imersivas. Enfim, é um ótimo álbum e muito consistente.
Melhores Faixas: Never Be The Same Again, The Hilton (Raekwon amassou), The Forest, Theodore
Vale a Pena Ouvir: Ghost Showers, The Juks, Love Session
Fishscale – Ghostface Killah
NOTA: 9,9/10
Melhores Faixas: The Champ, Shakey Dog, Jellyfish, Whip You With A Strap, Kilo (Raekwon mandou bem), Be Easy, 9 Milli Bros (juntou a Wu-Tang inteira)
Vale a Pena Ouvir: Dogs Of War, Big Girl, Momma, Beauty Jackson
The Big Doe Rehab – Ghostface Killah
NOTA: 6/10
Mais um ano se passou, e o Ghostface Killah voltou com um álbum bem mais acessível, The Big Doe Rehab. Após Fishscale, o rapper decidiu adotar uma abordagem mais descontraída. Ghost continua explorando histórias sobre o cotidiano urbano, relacionamentos, luxo, humor e criminalidade, mas o álbum possui um clima menos intenso e mais leve em diversos momentos. A produção foi feita por Anthony Acid, Sean C & LV, entre outros, que seguiram para uma sonoridade bem mais polida e limpa, com beats amplos contando com vocais antigos, linhas de baixo profundas, cordas e pianos que criam uma atmosfera calorosa. Só que, claro, o álbum segue a estética do Rap mafioso que ele ajudou a consolidar, mas o problema é que há muita coisa extremamente repetitiva, e os flows do Ghost acabam, às vezes, não se encaixando bem. O repertório é mediano, começando bem, mas depois apresenta canções bem fraquinhas. Enfim, é um álbum irregular e sem graça.
Melhores Faixas: Yapp City, Walk Around, Yolanda's House (ótima feat do Method Man e Raekwon), Paisley Darts
Piores Faixas: Toney Sigel A.K.A. The Barrel Brothers, We Celebrate, Rec-Room Therapy (U-God não entregando nada), The Prayer
Wu-Massacre – Meth • Ghost • Era
NOTA: 6/10
No ano de 2010, foi lançado o álbum colaborativo de Method Man, Ghostface Killah e Raekwon, o Wu-Massacre. Após o lançamento de seus projetos recentes, os três lendários rappers do Wu-Tang Clan decidiram se reunir para fazer um trabalho que relembrasse a estética dos projetos clássicos do grupo, em um momento em que o álbum de estreia estava perto de completar 20 anos de lançamento. A produção contou com Scram Jones, RZA, Mathematics e outros, que pegaram aquela estética clássica com elementos modernos; ou seja, os beats são pesados, mas convivem com graves mais fortes, timbres digitais mais evidentes e uma maior preocupação com impacto imediato. Cada rapper colocou seu jeito de rimar em cima dos beats, deixando algo muito vazio e com falta de maior coesão. O repertório é irregular, tendo canções legais e outras que são fracas mesmo. Enfim, é um álbum mediano e bem decepcionante.
Melhores Faixas: Smooth Sailing (Remix), Dangerous, Miranda
Piores Faixas: Criminology 2.5, Gunshowers, It's That Wu Sh*t
Apollo Kids – Ghostface Killah
NOTA: 8,7/10
Naquele mesmo ano, o Ghost lança mais um trabalho novo, o Apollo Kids, onde trouxe uma abordagem interessante. Após o Wu-Massacre com Method Man e Raekwon, o rapper já preparava um projeto que tem referencia a uma das faixas do Supreme Clientele. Com o Ghostface Killah confortável com sua identidade artística, cercado por inúmeros colaboradores e disposto a explorar diferentes abordagens dentro do rap tradicional de Nova York. Produção foi diversificada contando com Sean C & LV, Frank Dukes e vários outros, que colocaram beats cruas e diretas contando com baterias pesadas, linhas de baixo profundas e melodias bastante calorosas. Fora a presença de graves que possuem bastante presença e os detalhes instrumentais aparecem com maior clareza. Deixando o Ghost surfar nos beats com seu flow extremamente preciso. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas e imersivas. No geral, é um ótimo álbum e muito coeso.
Melhores Faixas: In Tha Park (Black Thought amassando), Troublemakers (Raekwon, Method Man e Redman amassaram), Black Tequila (Cappadonna foi bem), Ghetto (Cappadonna, Raekwon e U-God se encaixaram bem), 2Getha Baby
Vale a Pena Ouvir: Purified Thoughts (ótima feat do GZA), Drama (The Game mandou bem)
Twelve Reasons To Die – Ghostface Killah & Adrian Younge
NOTA: 9,4/10
Três anos se passaram, e o Ghostface Killah lançou um álbum junto com Adrian Younge, o Twelve Reasons To Die. Após o Apollo Kids, os dois decidiram fazer um álbum conceitual inspirado pelo cinema italiano dos anos 60 e 70, pelos filmes de terror, pelas histórias de máfia e pelas trilhas sonoras de Ennio Morricone, combinadas à tradição do Soul e do Funk que sempre influenciaram o Wu-Tang. A história gira em torno de Tony Starks, um assassino ligado à máfia que é traído, morto e transformado em um espírito vingativo que retorna para eliminar seus inimigos. A produção foi feita, obviamente, por Adrian Younge, que colocou beats pesados que dialogam tanto com o Boom Bap quanto com o Horrorcore. Com baterias secas, cordas dramáticas, guitarras com muito reverb e baixos encorpados. O repertório é incrível, e as canções são bem atmosféricas e variadas. Enfim, é um baita álbum e extremamente bem-feito.
Melhores Faixas: An Unexpected Call (The Set Up) (Inspectah Deck amassou), Enemies All Around Me, I Declare War (Masta Killa mandou bem), The Sure Shot (Parts 1 And 2), Beware Of The Stare, Blood On The Cobblestones (ótima feat do U-God e Deck), Twelve Reasons To Die
Vale a Pena Ouvir: Revenge Is Sweet (Killa marcando presença de novo), Revenge Is Sweet, Rise Of The Black Suits
Sour Soul – BadBadNotGood & Ghostface Killah
NOTA: 9,2/10
Em 2015, o Ghostface Killah lançou, junto com a banda BADBADNOTGOOD, o Sour Soul. Após o Twelve Reasons To Die, feito em parceria com Adrian Younge, esse projeto aconteceu porque o trio canadense sempre teve grande admiração pela obra do Wu-Tang Clan, enquanto Ghost enxergou na banda uma oportunidade de explorar novas possibilidades sonoras sem abandonar sua identidade como MC. A produção foi feita por Frank Dukes, que, em vez de fazer beats, decidiu preservar a banda gravando todos os instrumentos ao vivo, recriando a estética da Soul Music, do Jazz e do Funk com enorme fidelidade. Isso deixa o Ghostface Killah brilhar com seu flow, que alterna entre momentos agressivos e cadenciados, realizando um trabalho que dialoga completamente com o Jazz Rap e reforça esse caráter cinematográfico. O repertório é incrível, e as canções são bastante profundas e carregadas de mensagens. No final de tudo, é um disco maravilhoso e bastante diferenciado.
Melhores Faixas: Ray Gun (MF DOOM amassou), Sour Soul, Six Degrees (Danny Brown foi bem demais), Gunshowers, Food
Vale a Pena Ouvir: Street Knowledge, Tone's Rap
Twelve Reasons To Die II – Ghostface Killah & Adrian Younge
NOTA: 8,4/10
Ainda naquele mesmo ano, foi lançada a 2ª parte de Twelve Reasons To Die, que seguiu por um caminho ainda mais imersivo. Após o Sour Soul, com o BADBADNOTGOOD, Ghostface Killah e Adrian Younge decidiram continuar de onde pararam. No final do primeiro álbum, o personagem Tony Starks havia completado sua vingança contra aqueles que o traíram. Aqui, acompanhamos as consequências desses acontecimentos. Agora, Starks precisa enfrentar novas conspirações, rivais e o peso das decisões tomadas anteriormente. A produção foi bastante orgânica, com os instrumentos sendo gravados ao vivo. Os beats são amplos, contando com cordas dramáticas, guitarras com bastante reverberação, órgãos, flautas, metais e baixos profundos, criando uma atmosfera permanente de suspense que dialoga muito mais com o Jazz Rap e o Horrorcore. O repertório é sensacional, e as canções são bem mais sombrias. Enfim, é uma ótima continuação que entrega muito.
Melhores Faixas: King Of New York, Return Of The Savage, Let The Record Spin (Raekwon foi bem demais nas três), Death's Invitation
Vale a Pena Ouvir: Rise Up, Blackout, Life's A Rebirth
Ghostface Killahs – Ghostface Killah
NOTA: 8/10
Em 2019, o Ghostface lançava mais um álbum, o injustiçadíssimo Ghostface Killahs. Após o Twelve Reasons To Die II, esse trabalho surge em um momento em que o Rap era dominado por novas sonoridades, como o Trap e produções fortemente digitais. Em vez de seguir essas tendências de maneira direta, Ghost preferiu continuar explorando sua temática característica, ainda que incorporasse elementos modernos em alguns momentos. A produção foi feita inteiramente por Danny Caiazzo, que colocou beats modernas, contando com loops retirados ou inspirados em gravações antigas, acompanhados por baterias fortes, baixos encorpados, graves intensos e teclados discretos. Com isso, temos Ghostface Killah explorando flows mais enérgicos e até agressivos. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas e, ao mesmo tempo, pesadas. Enfim, é um ótimo disco e que é criminosamente subestimado.
Melhores Faixas: Conditioning, Pistol Smoke
Vale a Pena Ouvir: Me Denny & Darryl (Method Man e Cappadonna mandaram bem), The Chase, Flex
Set The Tone (Guns & Roses) – Ghostface Killah
NOTA: 2,5/10
Em 2024, o Ghostface Killah lançava mais um álbum, Set The Tone (Guns & Roses). Após Ghostface Killahs, esse novo projeto foi lançado pela Mass Appeal e marca uma nova fase de sua carreira, mostrando um rapper veterano que procura equilibrar a identidade construída ao longo de mais de trinta anos com elementos do Rap contemporâneo. Com isso, esse seria um trabalho muito mais acessível quando comparado aos seus outros projetos da década passada. A produção foi diversificada, contando com Bam Beatzz, EZ Elpee, Bundy e vários outros, que tentaram fazer um som dividido entre uma primeira metade mais orientada por beats pesados, lembrando a estética do Boom Bap, e uma segunda metade que lembra muito mais o R&B e um pouco do Trap, contando com beats mais orgânicos. Mas tudo é muito bagunçado e extremamente malfeito. O repertório é terrível, tendo poucas canções boas. No final, é um álbum horrível e um grande tropeço do Ghost.
Melhores Faixas: Pair Of Hammers (Method Man mandou bem), No Face (ótima feat do Kanye West), Touch You
Piores Faixas: Scar Tissue (Nas nem tinha muito que fazer), Skate Odyssey (Raekwon foi bem esquecível), Shots, Locked In (AZ péssimo aqui), Yupp!, Trap Phone, Plan B
Supreme Clientele 2 – Ghostface Killah
NOTA: 8,5/10
Em 2025, chegamos ao mais recente álbum do Ghostface Killah, o Supreme Clientele 2. Após o terrível Set The Tone (Guns & Roses), durante mais de uma década, Ghost mencionou diversas vezes a possibilidade de produzir uma continuação, mas o projeto sofreu inúmeros atrasos até ser oficialmente lançado pela Mass Appeal dentro da série "Legend Has It", idealizada por Nas para reunir novos trabalhos de artistas clássicos do Rap. A produção foi feita pelo próprio rapper, junto com 4th Disciple, Scram Jones, Scavo e outros, que colocaram beats crus vindos do Boom Bap, utilizando baterias secas, baixos profundos, loops simples, pianos, guitarras discretas, órgãos, cordas e grooves inspirados na Soul Music. Com isso, em vez de inventar e usar Auto-Tune, como antes, Ghostface volta ao espírito natural, entregando novamente aquele flow técnico. O repertório é muito bom, e as canções são bastante divertidas e profundas. No geral, é um ótimo álbum que consegue entreter.
Melhores Faixas: Curtis May, The Trial (Method Man, Raekwon e GZA mandaram bem), Rap Kingpin, Metaphysics
Vale a Pena Ouvir: Iron Man, Love Me Anymore (Nas mandou bem), Georgy Porgy, Candyland












