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sábado, 1 de agosto de 2026

Analisando Discografias - Ghostface Killah

                   

Ironman – Ghostface Killah





















NOTA: 10/10


Em 1996, o Ghostface Killah lançava seu clássico 1º álbum solo, intitulado Ironman. Após o Enter The Wu-Tang (36 Chambers), ele ainda enfrentava problemas judiciais, o que dificultou parte da produção do álbum. Mesmo assim, conseguiu gravar material suficiente para montar seu disco solo. O trabalho mostra um cara que utilizava imagens abstratas, referências ao cotidiano, memórias fragmentadas, violência, luxo, dramas pessoais e metáforas difíceis de interpretar, criando uma identidade única. A produção foi feita inteiramente por RZA, que colocou beats secos e minimalistas, contando com baterias pesadas, caixas secas e loops repetitivos, além de linhas de baixo profundas e samples de Soul, seguindo a temática do Boom Bap. O flow do Ghost é bastante técnico, encaixando-se perfeitamente com as linhas de Raekwon e Cappadonna. O repertório é sensacional, parecendo uma coletânea de grandes momentos. No fim, é um baita disco e uma obra-prima absoluta. 

Melhores Faixas: Iron Maiden, Assassination Day (Inspectah Deck marcando presença), Daytona 500, Winter Warz (ótima feat do U-God e Masta Killa), Fish, After The Smoke Is Clear, Wildflower 
Vale a Pena Ouvir: Box In Hand (Method Man mandou bem), All That I Got Is You (boa feat da Mary J. Blinge), Poisonous Darts

Supreme Clientele – Ghostface Killah





















NOTA: 10/10


Entrando nos anos 2000, o Ghostface lança seu atemporal 2º álbum, o Supreme Clientele. Após o Ironman, o rapper enfrentou problemas legais, passou um período encarcerado e precisou reorganizar sua vida pessoal antes de voltar ao estúdio. Ghost também realizou viagens para a África, experiência que influenciou parte de sua visão artística e pessoal. Embora o álbum não seja conceitual, há uma sensação de renovação espiritual misturada ao tradicional universo urbano que sempre caracterizou suas letras. A produção contou com RZA, Mathematics, JuJu e vários outros nomes, que seguiram um caminho mais diversificado, com beats sendo bem mais cruas, contando com baterias secas, maior variação de texturas, loops imperfeitos e samples de Soul precisos, encaixando perfeitamente com os flows caóticos do rapper. O repertório é sensacional, sendo uma verdadeira coletânea e muito bem amarrado. Enfim, é um disco incrível e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: One, Nutmeg (RZA mandando da boa), Mighty Healthy, Malcom, Wu Banga 101 (Que time: Raekwon, Cappadonna, Masta Killa e GZA), Apollo Kids (Raekwon amassando), Ghost Deini 
Vale a Pena Ouvir: Child's Play, Buck 50 (Cappadonna, Method Man, Masta Killa e Redman mandaram bem), Cherchez LaGhost (ótima feat do U-God)

Bulletproof Wallets – Ghostface Killah





















NOTA: 8,2/10


No ano seguinte, o Ghostface Killah lança seu 3º álbum, o Bulletproof Wallets, que foi mais comercial. Após o clássico Supreme Clientele, esse novo álbum possuía uma configuração diferente da versão lançada oficialmente. Diversas faixas precisaram ser retiradas ou substituídas por problemas envolvendo a liberação de samples, algo relativamente comum nos discos do Wu-Tang devido ao uso pesado de gravações antigas de Soul e Funk. A produção foi feita por RZA, PLX, The Alchemist e outros, que colocaram beats muito mais suaves, com presença de baterias marcantes, porém com maior preocupação em melodias suaves e grooves acessíveis. Além disso, há linhas de baixo mais variadas e até sintetizadores discretos, mas ainda mantendo a influência do Boom Bap. Com isso, os flows do Ghost se tornam muito mais variados e cadenciados. O repertório é muito bom, e as canções são muito divertidas e, ao mesmo tempo, imersivas. Enfim, é um ótimo álbum e muito consistente. 

Melhores Faixas: Never Be The Same Again, The Hilton (Raekwon amassou), The Forest, Theodore 
Vale a Pena Ouvir: Ghost Showers, The Juks, Love Session

Fishscale – Ghostface Killah





















NOTA: 9,9/10


Em 2006, o Ghostface lançava outro álbum sensacional, o Fishscale, que foi bem mais ambicioso. Após o Bulletproof Wallets, em vez de adaptar completamente seu estilo às tendências da época, como fez anteriormente, ele decidiu aprofundar ainda mais sua identidade baseada em narrativas de rua, referências à Soul Music e uma escrita extremamente visual. A produção contou com MF DOOM, J Dilla, Pete Rock e vários outros, que colocaram uma abordagem extremamente rica em detalhes. Os beats são muito variados, com presença de samples precisos de Soul dos anos 60 e 70, baterias minimalistas, vocais femininos, linhas de baixo profundas, cordas, pianos e guitarras suaves. O álbum dialoga, em alguns momentos, com o Boom Bap e o Chipmunk Soul, deixando o flow técnico do Ghostface Killah conseguir surfar nos beats. O repertório é maravilhoso, e as canções são carregadas de mensagens e muito atmosféricas. No fim, é um belo disco e muito profundo. 

Melhores Faixas: The Champ, Shakey Dog, Jellyfish, Whip You With A Strap, Kilo (Raekwon mandou bem), Be Easy, 9 Milli Bros (juntou a Wu-Tang inteira) 
Vale a Pena Ouvir: Dogs Of War, Big Girl, Momma, Beauty Jackson

The Big Doe Rehab – Ghostface Killah





















NOTA: 6/10


Mais um ano se passou, e o Ghostface Killah voltou com um álbum bem mais acessível, The Big Doe Rehab. Após Fishscale, o rapper decidiu adotar uma abordagem mais descontraída. Ghost continua explorando histórias sobre o cotidiano urbano, relacionamentos, luxo, humor e criminalidade, mas o álbum possui um clima menos intenso e mais leve em diversos momentos. A produção foi feita por Anthony Acid, Sean C & LV, entre outros, que seguiram para uma sonoridade bem mais polida e limpa, com beats amplos contando com vocais antigos, linhas de baixo profundas, cordas e pianos que criam uma atmosfera calorosa. Só que, claro, o álbum segue a estética do Rap mafioso que ele ajudou a consolidar, mas o problema é que há muita coisa extremamente repetitiva, e os flows do Ghost acabam, às vezes, não se encaixando bem. O repertório é mediano, começando bem, mas depois apresenta canções bem fraquinhas. Enfim, é um álbum irregular e sem graça. 

Melhores Faixas: Yapp City, Walk Around, Yolanda's House (ótima feat do Method Man e Raekwon), Paisley Darts 
Piores Faixas: Toney Sigel A.K.A. The Barrel Brothers, We Celebrate, Rec-Room Therapy (U-God não entregando nada), The Prayer

Wu-Massacre – Meth • Ghost • Era





















NOTA: 6/10


No ano de 2010, foi lançado o álbum colaborativo de Method Man, Ghostface Killah e Raekwon, o Wu-Massacre. Após o lançamento de seus projetos recentes, os três lendários rappers do Wu-Tang Clan decidiram se reunir para fazer um trabalho que relembrasse a estética dos projetos clássicos do grupo, em um momento em que o álbum de estreia estava perto de completar 20 anos de lançamento. A produção contou com Scram Jones, RZA, Mathematics e outros, que pegaram aquela estética clássica com elementos modernos; ou seja, os beats são pesados, mas convivem com graves mais fortes, timbres digitais mais evidentes e uma maior preocupação com impacto imediato. Cada rapper colocou seu jeito de rimar em cima dos beats, deixando algo muito vazio e com falta de maior coesão. O repertório é irregular, tendo canções legais e outras que são fracas mesmo. Enfim, é um álbum mediano e bem decepcionante. 

Melhores Faixas: Smooth Sailing (Remix), Dangerous, Miranda 
Piores Faixas: Criminology 2.5, Gunshowers, It's That Wu Sh*t

Apollo Kids – Ghostface Killah





















NOTA: 8,7/10


Naquele mesmo ano, o Ghost lança mais um trabalho novo, o Apollo Kids, onde trouxe uma abordagem interessante. Após o Wu-Massacre com Method Man e Raekwon, o rapper já preparava um projeto que tem referencia a uma das faixas do Supreme Clientele. Com o Ghostface Killah confortável com sua identidade artística, cercado por inúmeros colaboradores e disposto a explorar diferentes abordagens dentro do rap tradicional de Nova York. Produção foi diversificada contando com Sean C & LV, Frank Dukes e vários outros, que colocaram beats cruas e diretas contando com baterias pesadas, linhas de baixo profundas e melodias bastante calorosas. Fora a presença de graves que possuem bastante presença e os detalhes instrumentais aparecem com maior clareza. Deixando o Ghost surfar nos beats com seu flow extremamente preciso. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas e imersivas. No geral, é um ótimo álbum e muito coeso. 

Melhores Faixas: In Tha Park (Black Thought amassando), Troublemakers (Raekwon, Method Man e Redman amassaram), Black Tequila (Cappadonna foi bem), Ghetto (Cappadonna, Raekwon e U-God se encaixaram bem), 2Getha Baby 
Vale a Pena Ouvir: Purified Thoughts (ótima feat do GZA), Drama (The Game mandou bem)

Twelve Reasons To Die – Ghostface Killah & Adrian Younge





















NOTA: 9,4/10


Três anos se passaram, e o Ghostface Killah lançou um álbum junto com Adrian Younge, o Twelve Reasons To Die. Após o Apollo Kids, os dois decidiram fazer um álbum conceitual inspirado pelo cinema italiano dos anos 60 e 70, pelos filmes de terror, pelas histórias de máfia e pelas trilhas sonoras de Ennio Morricone, combinadas à tradição do Soul e do Funk que sempre influenciaram o Wu-Tang. A história gira em torno de Tony Starks, um assassino ligado à máfia que é traído, morto e transformado em um espírito vingativo que retorna para eliminar seus inimigos. A produção foi feita, obviamente, por Adrian Younge, que colocou beats pesados que dialogam tanto com o Boom Bap quanto com o Horrorcore. Com baterias secas, cordas dramáticas, guitarras com muito reverb e baixos encorpados. O repertório é incrível, e as canções são bem atmosféricas e variadas. Enfim, é um baita álbum e extremamente bem-feito. 

Melhores Faixas: An Unexpected Call (The Set Up) (Inspectah Deck amassou), Enemies All Around Me, I Declare War (Masta Killa mandou bem), The Sure Shot (Parts 1 And 2), Beware Of The Stare, Blood On The Cobblestones (ótima feat do U-God e Deck), Twelve Reasons To Die 
Vale a Pena Ouvir: Revenge Is Sweet (Killa marcando presença de novo), Revenge Is Sweet, Rise Of The Black Suits

Sour Soul – BadBadNotGood & Ghostface Killah





















NOTA: 9,2/10


Em 2015, o Ghostface Killah lançou, junto com a banda BADBADNOTGOOD, o Sour Soul. Após o Twelve Reasons To Die, feito em parceria com Adrian Younge, esse projeto aconteceu porque o trio canadense sempre teve grande admiração pela obra do Wu-Tang Clan, enquanto Ghost enxergou na banda uma oportunidade de explorar novas possibilidades sonoras sem abandonar sua identidade como MC. A produção foi feita por Frank Dukes, que, em vez de fazer beats, decidiu preservar a banda gravando todos os instrumentos ao vivo, recriando a estética da Soul Music, do Jazz e do Funk com enorme fidelidade. Isso deixa o Ghostface Killah brilhar com seu flow, que alterna entre momentos agressivos e cadenciados, realizando um trabalho que dialoga completamente com o Jazz Rap e reforça esse caráter cinematográfico. O repertório é incrível, e as canções são bastante profundas e carregadas de mensagens. No final de tudo, é um disco maravilhoso e bastante diferenciado. 

Melhores Faixas: Ray Gun (MF DOOM amassou), Sour Soul, Six Degrees (Danny Brown foi bem demais), Gunshowers, Food 
Vale a Pena Ouvir: Street Knowledge, Tone's Rap

Twelve Reasons To Die II – Ghostface Killah & Adrian Younge





















NOTA: 8,4/10


Ainda naquele mesmo ano, foi lançada a 2ª parte de Twelve Reasons To Die, que seguiu por um caminho ainda mais imersivo. Após o Sour Soul, com o BADBADNOTGOOD, Ghostface Killah e Adrian Younge decidiram continuar de onde pararam. No final do primeiro álbum, o personagem Tony Starks havia completado sua vingança contra aqueles que o traíram. Aqui, acompanhamos as consequências desses acontecimentos. Agora, Starks precisa enfrentar novas conspirações, rivais e o peso das decisões tomadas anteriormente. A produção foi bastante orgânica, com os instrumentos sendo gravados ao vivo. Os beats são amplos, contando com cordas dramáticas, guitarras com bastante reverberação, órgãos, flautas, metais e baixos profundos, criando uma atmosfera permanente de suspense que dialoga muito mais com o Jazz Rap e o Horrorcore. O repertório é sensacional, e as canções são bem mais sombrias. Enfim, é uma ótima continuação que entrega muito. 

Melhores Faixas: King Of New York, Return Of The Savage, Let The Record Spin (Raekwon foi bem demais nas três), Death's Invitation 
Vale a Pena Ouvir: Rise Up, Blackout, Life's A Rebirth

Ghostface Killahs – Ghostface Killah





















NOTA: 8/10


Em 2019, o Ghostface lançava mais um álbum, o injustiçadíssimo Ghostface Killahs. Após o Twelve Reasons To Die II, esse trabalho surge em um momento em que o Rap era dominado por novas sonoridades, como o Trap e produções fortemente digitais. Em vez de seguir essas tendências de maneira direta, Ghost preferiu continuar explorando sua temática característica, ainda que incorporasse elementos modernos em alguns momentos. A produção foi feita inteiramente por Danny Caiazzo, que colocou beats modernas, contando com loops retirados ou inspirados em gravações antigas, acompanhados por baterias fortes, baixos encorpados, graves intensos e teclados discretos. Com isso, temos Ghostface Killah explorando flows mais enérgicos e até agressivos. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas e, ao mesmo tempo, pesadas. Enfim, é um ótimo disco e que é criminosamente subestimado. 

Melhores Faixas: Conditioning, Pistol Smoke 
Vale a Pena Ouvir: Me Denny & Darryl (Method Man e Cappadonna mandaram bem), The Chase, Flex

Set The Tone (Guns & Roses) – Ghostface Killah





















NOTA: 2,5/10


Em 2024, o Ghostface Killah lançava mais um álbum, Set The Tone (Guns & Roses). Após Ghostface Killahs, esse novo projeto foi lançado pela Mass Appeal e marca uma nova fase de sua carreira, mostrando um rapper veterano que procura equilibrar a identidade construída ao longo de mais de trinta anos com elementos do Rap contemporâneo. Com isso, esse seria um trabalho muito mais acessível quando comparado aos seus outros projetos da década passada. A produção foi diversificada, contando com Bam Beatzz, EZ Elpee, Bundy e vários outros, que tentaram fazer um som dividido entre uma primeira metade mais orientada por beats pesados, lembrando a estética do Boom Bap, e uma segunda metade que lembra muito mais o R&B e um pouco do Trap, contando com beats mais orgânicos. Mas tudo é muito bagunçado e extremamente malfeito. O repertório é terrível, tendo poucas canções boas. No final, é um álbum horrível e um grande tropeço do Ghost. 

Melhores Faixas: Pair Of Hammers (Method Man mandou bem), No Face (ótima feat do Kanye West), Touch You 
Piores Faixas: Scar Tissue (Nas nem tinha muito que fazer), Skate Odyssey (Raekwon foi bem esquecível), Shots, Locked In (AZ péssimo aqui), Yupp!, Trap Phone, Plan B

Supreme Clientele 2 – Ghostface Killah





















NOTA: 8,5/10


Em 2025, chegamos ao mais recente álbum do Ghostface Killah, o Supreme Clientele 2. Após o terrível Set The Tone (Guns & Roses), durante mais de uma década, Ghost mencionou diversas vezes a possibilidade de produzir uma continuação, mas o projeto sofreu inúmeros atrasos até ser oficialmente lançado pela Mass Appeal dentro da série "Legend Has It", idealizada por Nas para reunir novos trabalhos de artistas clássicos do Rap. A produção foi feita pelo próprio rapper, junto com 4th Disciple, Scram Jones, Scavo e outros, que colocaram beats crus vindos do Boom Bap, utilizando baterias secas, baixos profundos, loops simples, pianos, guitarras discretas, órgãos, cordas e grooves inspirados na Soul Music. Com isso, em vez de inventar e usar Auto-Tune, como antes, Ghostface volta ao espírito natural, entregando novamente aquele flow técnico. O repertório é muito bom, e as canções são bastante divertidas e profundas. No geral, é um ótimo álbum que consegue entreter. 

Melhores Faixas: Curtis May, The Trial (Method Man, Raekwon e GZA mandaram bem), Rap Kingpin, Metaphysics 
Vale a Pena Ouvir: Iron Man, Love Me Anymore (Nas mandou bem), Georgy Porgy, Candyland


quinta-feira, 30 de julho de 2026

Analisando Discografias - Raekwon

                 

Only Built 4 Cuban Linx... – Raekwon





















NOTA: 10/10


Em 1995, o Raekwon lançava seu clássico 1º álbum solo, o Only Built 4 Cuban Linx.... Após o Enter the Wu-Tang (36 Chambers) com o Wu-Tang, o rapper, junto com RZA, decidiu criar um álbum com uma narrativa contínua, inspirado em filmes de máfia como Scarface e The Godfather. Outro aspecto importante foi o enorme protagonismo de Ghostface Killah. Embora o disco seja oficialmente do Raekwon, Ghost aparece em praticamente todas as músicas, funcionando como um coprotagonista da história. A produção, feita pelo próprio RZA, segue uma sonoridade bastante refinada e cinematográfica, com beats elegantes, baterias pesadas e secas, linhas de baixo profundas, samples de Soul e trechos de filmes antigos. Os flows do Raekwon são extremamente precisos nessa junção de Boom Bap com a temática do Rap mafioso e do Coke Rap. O repertório é sensacional, parecendo uma coletânea. No fim, é um disco fantástico e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Ice Cream (que time: Method Man, Ghostface Killah e Cappadonna), Guillotine (Swordz) (baita feat do Inspectah Deck e GZA), Criminology, Incarcerated Scarfaces, Knowledge God, Wu-Gambinos (Method Man, Ghost amassando de novo junto com RZA e Masta Killa), Verbal Intercourse (Nas amassou) 
Vale a Pena Ouvir: Heaven & Hell, Can It Be All So Simple (Remix), Ice Water

Immobilarity – Raekwon





















NOTA: 4/10


Quatro anos se passaram, e o Raekwon lançou seu 2º álbum solo, o Immobilarity. Após o clássico Only Built 4 Cuban Linx..., os fãs esperavam uma continuação direta daquela narrativa cinematográfica, mas Raekwon optou por um caminho diferente. O rapper acabou decidindo fazer um disco bem mais acessível, só que o maior problema foi a ausência do Ghostface Killah, que não participou do projeto por questões contratuais envolvendo a Epic Records e a Razor Sharp. A produção contou com The Infinite Arkatechz, Pete Rock, Naheen "Pop" Bowens, entre outros, que construíram um som mais amplo, com beats pesadas e limpas, baterias secas, graves constantes e loops frequentemente minimalistas. Os flows do Raekwon ficaram mais agressivos, mas o problema é que eles não combinam com a proposta das beats. O repertório é fraquinho, com canções boas e outras bastante genéricas. Enfim, é um álbum ruim e que foi um tropeço. 

Melhores Faixas: Live From New York, Casablanca, The Table (Masta Killa mandou bem), Jury, 100 Rounds 
Piores Faixas: Forecast, Sneakers, My Favorite Dred, Yae Yo, Power, Pop Shit, Raw

The Lex Diamond Story – Raekwon





















NOTA: 3,5/10


Quatro anos se passaram, e o Raekwon lançou mais um álbum, o The Lex Diamond Story. Após o Immobilarity, esse novo trabalho enfrentou uma série de problemas devido a diversos adiamentos. Com esse álbum, o rapper tentou equilibrar o moderno com a estética clássica que já havia estabelecido, funcionando como uma coleção de histórias independentes sobre tráfico, sobrevivência, riqueza, traição, violência e a vida nas ruas. A produção, feita por DJ Khalil, Mizza, Crummie Beats, entre outros, aposta em uma sonoridade polida e acessível, com beats mais amplas, linhas de baixo mais limpas e baterias mais encorpadas, dialogando tanto com o Boom Bap quanto com o Chipmunk Soul. Só que o problema é que isso aqui é apenas mais um trabalho de Gangsta Rap genérico, com o flow do Raekwon bastante repetitivo. O repertório é muito ruim, tendo canções chatinhas e apenas algumas exceções. No geral, é um álbum péssimo e bastante esquecível. 

Melhores Faixas: Missing Watch (Ghostface Killah amassando), Pit Bull Fights, Clientele Kidd (Ghost e Fat Joe mandaram bem), Missing Watch, All Over Again 
Piores Faixas: Once Upon A Time, Robbery, Smith Bros., The Hood, Ice Cream Pt. 2 (Method Man e Cappaddonna decepcionaram), Planet Of The Apes, Musketeers Of Pig Alley (Masta Killa e Inspectah Deck nem estavam afim)

Only Built 4 Cuban Linx... Pt. II – Raekwon





















NOTA: 9,8/10


Em 2009, o Raekwon retornou com a 2ª parte do Only Built 4 Cuban Linx..., que veio com uma sonoridade mais modernizada. Após o péssimo The Lex Diamond Story, o rapper voltou a trabalhar de forma mais próxima de RZA e Ghostface Killah. O sucesso artístico do Fishscale (2006), do Ghostface, e o fortalecimento da relação entre os integrantes do Wu-Tang ajudaram a reacender a ideia de produzir uma continuação digna do clássico de 1995. A produção, feita por RZA junto com Mathematics, The Alchemist, Dr. Dre, J Dilla, entre outros, trouxe uma abordagem ampla e crua, com beats diretas, baterias pesadas, baixos profundos, loops constantes e samples de música oriental e trilhas cinematográficas, dialogando com o Boom Bap e o Chipmunk Soul. Os flows do Raekwon são bem precisos e até mais técnicos. O repertório é maravilhoso, com canções profundas e tensas. No geral, é um baita disco e foi um grande acerto. 

Melhores Faixas: New Wu (Ghost e Method Man amassando), House Of Flying Daggers (mesma coisa, só que agora com Inspectah Deck), Ason Jones, Surgical Gloves, Penitentiary, 10 Bricks (Ghost carregou Cappadonna), Black Mozart (Deck e RZA mandaram bem), Kiss The Ring (Deck e Masta Killa foram bem), Sonny’s Missing 
Vale a Pena Ouvir: Baggin’ Crack, We Will Rob You (Slick Rick, Masta Killa e GZA mandaram bem), Cold Outside, Canal Street

Shaolin Vs. Wu-Tang – Raekwon





















NOTA: 8,6/10


Indo para 2011, o Raekwon lançou mais um álbum, o Shaolin vs. Wu-Tang, que foi ainda mais urbano. Após o Only Built 4 Cuban Linx... Pt. II, o rapper decidiu fazer um trabalho que celebrasse a cultura do Wu-Tang Clan. O título faz referência à antiga rivalidade fictícia entre os estilos de kung fu Shaolin e Wu-Tang, tema recorrente nos filmes de artes marciais que inspiraram a identidade do grupo desde o início da carreira. A produção, feita por Scram Jones, Eric Sermon, DJ Khalil, entre outros, aposta em uma sonoridade bem variada, alternando entre beats cruas e outras mais suaves. O álbum conta com baterias dinâmicas, baixos profundos, sintetizadores discretos e atmosferas sombrias, seguindo, é claro, a abordagem do Boom Bap e até do Cloud Rap. O rapper consegue apresentar flows bem variados e até mais cadenciados. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas e imersivas. Enfim, é um álbum legal e que merecia ser redescoberto. 

Melhores Faixas: Masters Of Our Fates (Black Thought levando som para ele), Chop Chop Ninja (Deck mandou bem demais), Butter Knives, Snkae Pond, Last Trip To Scotland, Molasses (Rick Ross mandou bem até), Silver Rings (Ghostface Killah amassou) 
Vale a Pena Ouvir: Crane Style, Every Soldier In The Hood (ótima feat do Method Man), Rich And Black (Nas foi até bem)

The Wild – Raekwon





















NOTA: 7,1/10


Seis anos se passaram, e o rapper retornou com um disco novo, o The Wild, que tentou ser mais variado. Após o Shaolin vs. Wu-Tang, esse projeto funciona como uma coleção de histórias e reflexões sobre a experiência de um veterano do Rap. Raekwon continua explorando temas como criminalidade, riqueza, respeito, sobrevivência e os códigos das ruas, mas agora sob a perspectiva de alguém que já conquistou reconhecimento e observa sua trajetória com mais maturidade. A produção foi diversificada, contando com Dame Grease, Dan the Band e Frank G., que trouxeram beats amplas, baterias mais limpas, graves encorpados e uma sonoridade que transita entre o Boom Bap, Jazz Rap, Trap e até o Drumless. Os flows do Raekwon são variados na medida certa, mesmo que, em alguns momentos, ele erre. O repertório é muito bom, e as canções são bem mais melódicas, mesmo que haja outras mais fracas. No fim, é um álbum bacana, mesmo que tenha pequenos erros. 

Melhores Faixas: Marvin, This Is What It Comes Too, Nothing, Can't You See, M & N 
Piores Faixas: Visiting Hour, Crown of Thorns, My Corner (Lil Wayne foi mal), Purple Brick Road

The Emperor's New Clothes – Raekwon





















NOTA: 8,2/10


Então chegamos a 2025, quando o Raekwon lançou seu mais recente álbum, o The Emperor's New Clothes. Após o The Wild, esse trabalho foi mais um projeto da série Legend Has It..., da Mass Appeal, e aqui o rapper demonstra maturidade ao refletir sobre envelhecimento, legado e permanência em uma cultura que mudou profundamente desde os anos 90. A produção contou com Snipe Beatz, Nottz, Frank G., entre outros, que trouxeram beats cruas e diretas, com baterias suaves, linhas de baixo profundas e loops constantes, dialogando tanto com o Boom Bap quanto com Jazz Rap e o Chipmunk Soul. Os flows do Raekwon variam de momentos mais cadenciados a outros mais agressivos, conseguindo se encaixar perfeitamente nesse universo do Gangsta Rap mafioso. O repertório é muito bom, e as canções são bastante reflexivas e carregadas de mensagem. Em suma, é um ótimo disco e bastante consistente. 

Melhores Faixas: Wild Corsicans (chamou o Griselda inteiro aqui), The Omerta (Nas mandou bem), Mac & Lobster (Ghostface amassando), 600 School (ótima feat do Ghostface Killah e Method Man) 
Vale a Pena Ouvir: Get Outta Here (Ghost aqui de novo), Bear Hill, Pomogranite (Inspectah Deck foram bem)


Analisando Discografias - Snoop Dogg: Parte 1

                  Doggystyle – Snoop Doggy Dogg NOTA: 10/10 No ano de 1993, o Snoop Dogg lançava seu clássico álbum de estreia, o Doggystyle...