quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Analisando Discografias - Black Pantera

                 

Project Black Pantera – Project Black Pantera





















NOTA: 8/10


No ano de 2015, o Black Pantera lançava seu álbum de estreia, quando ainda era chamado de Project Black Pantera (referência aos Panteras Negras). Formado um ano antes, na cidade de Uberaba, no interior de Minas Gerais, por Charles Gama (vocais e guitarra), que começou tudo sozinho, já que havia chamado seu irmão, Chaene da Gama (baixo), e Rodrigo “Pancho” Augusto (bateria) para fazer parte da banda, mas eles recusaram de início. Após darem uma chance ao material, porém, acabaram entrando. Produzido pela própria banda, trouxe um som cru e pesado, com influências claras de Crossover Thrash e Groove Metal. As guitarras possuem riffs cortantes, distorção e ataques secos. O baixo é bem melódico, e a bateria tem seu devido peso, enquanto os vocais de Charles são agressivos e urgentes. O repertório é legalzinho, e as canções são bem imersivas, mesmo com algumas sendo meio clichês. Enfim, é um disco bom para uma banda promissora. 

Melhores Faixas: Eu Sei, Ratatá, Execução Na Av. 38, Boto Pra Fuder, Escravos 
Piores Faixas: Abre A Roda E Senta O Pé, Rede Social

Agressão – Black Pantera






















NOTA: 8,5/10


Três anos depois, o Black Pantera lançava seu 2º álbum de estúdio, o Agressão. Após o Project Black Pantera, eles decidiram fazer um trabalho que teve muito mais liberdade para explorar groove, rap, mudanças de andamento e diferentes formas de conduzir os vocais. As letras continuam falando de racismo, violência, desigualdade, intolerância, impunidade e opressão, só que agora existe uma confiança maior na maneira de transformar esses temas em música. Produzido por Ricardo Barbosa, que deixou aquele som pesado, só que com uma maior clareza, contendo um foco em estruturas mais abrangentes. As linhas de baixo conduzem passagens e criam um groove profundo, a bateria é cheia de viradas precisas, as guitarras possuem riffs curtos e mudanças de andamento, fora os vocais do Charles, que continuam bem agressivos. O repertório é muito bom, e as canções ficaram mais profundas. No fim, é um ótimo disco e que se mostrou mais consistente. 

Melhores Faixas: Prefácio, O Último Homem Em Pé, Onde Os Fracos Não Tem Vez, Poder Para O Povo 
Vale a Pena Ouvir: O Sexto Dia, Extra!, Granada

Ascensão – Black Pantera





















NOTA: 9,4/10


Quatro anos se passaram, e o Black Pantera lançava mais um álbum, o sensacional Ascensão. Após o Agressão, a banda assinou com a DeckDisc e começou a preparar esse projeto, só que, devido à pandemia, houve alguns atrasos. O trabalho representa não apenas a ascensão do povo preto, mas também a ascensão de qualquer pessoa oprimida, independentemente de cor, sexo, religião ou condição social. Produzido por Rafael Ramos junto com a banda, o álbum apresenta um som pesado e equilibrado, alternando entre Groove Metal e Hardcore Punk, além de alguns elementos do Crossover Thrash. O baixo do Chaene é bastante presente e possui linhas rítmicas precisas, a bateria do Pancho é bastante física, e as guitarras do Charles possuem riffs cortantes e densos, enquanto seus vocais ficam mais variados. O repertório é maravilhoso, e as canções são carregadas de urgência. No fim, é um baita disco que já é um clássico. 

Melhores Faixas: Fogo Nos Racistas, Padrão É O Caralho, Mosha, Anti Vida, Revolução É O Caos, Eles Que Lutem, Delírio Coletivo 
Vale a Pena Ouvir: Dia do fogo (participação do Rodrigo Lima do Dead Fish), A Besta, Não Fode O Meu Rolê

PERPÉTUO – Black Pantera





















NOTA: 9/10


Em 2024, o Black Pantera lançava seu 4º álbum, o também sensacional PERPÉTUO. Após o Ascensão, a banda já havia deixado de ser apenas uma promessa da cena underground e, com esse novo projeto, tinha conseguido uma projeção muito maior. Decidindo fazer um trabalho que olha mais profundamente para sua própria ancestralidade afro-latina. Essa mudança foi influenciada por uma viagem ao Chile, onde tocaram no Festival Rockódromo. A produção foi relativamente a mesma, só que com uma maior diversidade. As linhas de baixo do Chaene criam momentos melódicos e grooves, a bateria de Pancho é bem precisa, e as guitarras de Charles possuem riffs pesados, com seus vocais sendo mais melódicos e variados. Com isso, temos uma junção de Metal Alternativo, Crossover Thrash, Hardcore Punk e elementos do Funk Metal e Manguebeat. O repertório é incrível, e as canções são carregadas de mensagem. No geral, é outro disco sensacional e bem amplo. 

Melhores Faixas: TRADUÇÃO, PERPÉTUO, PROVÉRBIOS, METE MARCHA, CANDEIA 
Vale a Pena Ouvir: BOOM!, PROMISSÓRIA, SEM ANISTIA

 

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