Selected Ambient Works 85-92 – Aphex Twin
NOTA: 10/10
No ano de 1992, foi lançado o álbum de estreia do Aphex Twin, o Selected Ambient Works 85-92. Richard D. James, nascido em Limerick, na Irlanda, começou a produzir esse material em 1985, durante a adolescência, indo até o início de sua fase adulta, daí o título do projeto. O disco funciona meio como uma coleção de ideias, sonhos, memórias e atmosferas acumuladas ao longo de anos e, após lançar alguns EPs, ele assinou com a R&S Records. A produção foi feita por ele mesmo e lançada pelo selo Apollo, onde fez uso de sintetizadores analógicos, linhas de baixo profundas, batidas simples e loops repetitivos para construir ambientes hipnóticos, mostrando assim traços do IDM e Ambient Techno. Há muito reverb, ecos sutis e timbres levemente desafinados que criam uma estética “viva”, imperfeita e emocional. O repertório é simplesmente sensacional e praticamente funciona como uma coletânea. É um disco fantástico e um dos melhores álbuns de todos os tempos.
Melhores Faixas: Xtal, Tha, Heliosphan, Ageispolis, I, Ptolemy, Pulsewidth, Delphium, Actium
Vale a Pena Ouvir: We Are The Music Makers, Schottkey 7th Path
Surfing On Sine Waves – Polygon Window
NOTA: 8,8/10
Em 1993, o Aphex Twin, agora sob o pseudônimo Polygon Window, lançou o álbum Surfing on Sine Waves. Após o atemporal Selected Ambient Works 85-92, esse projeto saiu pela Warp Records dentro da série Artificial Intelligence, iniciativa fundamental para transformar a música eletrônica em algo mais contemplativo e voltado à audição doméstica, e não apenas às pistas. Aqui, Polygon Window representava um lado mais Techno, ainda que extremamente experimental. A produção é mais seca, metálica e mecanizada. Richard trabalha com drum machines rígidas, sintetizadores ácidos, linhas de baixo profundas e pads frios que criam uma sensação constante de deslocamento urbano. O disco possui uma estética quase cyberpunk em vários momentos. Existe forte influência do Techno de Detroit aqui, especialmente na maneira como groove e atmosfera coexistem. O repertório é legal, e as canções ficaram mais atmosféricas. No fim, é um álbum bem interessante.
Melhores Faixas: Audax Powder, Polygon Window, Untitled, UT1 - Dot
Vale a Pena Ouvir: Quixote, Quoth
Quoth – Polygon Window
NOTA: 8/10
Melhores Faixas: Quoth, Iketa
Vale a Pena Ouvir: Bike Pump Meets Bucket, Quoth (Wooden Thump Mix)
Selected Ambient Works Volume II – Aphex Twin
NOTA: 10/10
Indo para 1994, o Aphex Twin lançava seu sensacional 2º disco, intitulado Selected Ambient Works Volume II. Após os projetos sob o nome de Polygon Window, Richard D. James praticamente abandona a estrutura tradicional da música eletrônica para mergulhar em uma Ambient abstrata, fantasmagórica e profundamente psicológica. Seu nome já estava associado à explosão criativa da Warp Records e ao crescimento do IDM, embora sua música frequentemente escapasse de qualquer classificação simples. A produção é bem mais minimalista e atmosférica, trabalhando com drones, pads distantes, texturas granuladas, reverbs profundos e harmonias lentas que parecem suspensas no tempo. O aspecto mais impressionante da produção é justamente a espacialidade, dialogando totalmente com a música ambiente. O repertório é sensacional, e as canções são carregadas de uma beleza enorme em sua imersão. No fim, é um baita disco e outra obra-prima.
Melhores Faixas: Rhubarb (#3), Cliffs (#1), Lichen (#20), Blue Calx (#13), Z Twig (#17), Hexagon (#19), Curtains (#7), Match Sticks (#24), Weathered Stone (#9)
Vale a Pena Ouvir: Radiator (#2), White Blur 2 (#23), Grass (#5)
Analogue Bubblebath – AFX
NOTA: 7/10
Em 1994, foi relançado um dos primeiros EPs do Aphex Twin, o Analogue Bubblebath. Após o espetacular Selected Ambient Works Volume II, a gravadora TVT Records conseguiu o material original desse EP e fez uma pequena remasterização nele. Esse trabalho foi basicamente o que levou Richard D. James a assinar com a R&S Records, isso em um período em que ele estava mais ligado às pistas de dança, mas no qual já existia algo estranho e emocional em suas composições. A produção é bem crua e profundamente hipnótica. Richard trabalha principalmente com linhas ácidas inspiradas na Roland TB-303, baterias eletrônicas secas e sintetizadores atmosféricos simples, mas extremamente eficazes. As influências principais são o Acid Techno, mas já mostrando certos elementos de Ambient. O repertório contém quatro faixas que conseguem ser divertidas e imersivas. Enfim, é um ótimo trabalho, e foi graças a ele que Richard acabou sendo descoberto.
Melhores Faixas: Analogue Bubblebath, Isopropophlex
Vale a Pena Ouvir: Entrance To Exit, A F X 2
...I Care Because You Do – Aphex Twin
NOTA: 9/10
No ano de 1995, o Aphex Twin lançou seu 3º álbum, o ...I Care Because You Do (com uma capa quase icônica). Após o Analogue Bubblebath, ele começava a se afastar gradualmente da música ambiente para explorar estruturas rítmicas mais agressivas e composições cada vez mais imprevisíveis. Naquele período, o IDM começava a ganhar forma como um movimento reconhecível através de artistas ligados à Warp Records, enquanto o Jungle e outras vertentes experimentais surgiam no underground britânico. A produção é extremamente variada, já que aqui temos elementos do IDM, Acid Techno, Downtempo e Breakbeat, com Richard manipulando baterias de maneira muito mais agressiva e fragmentada. Os beats frequentemente parecem instáveis, quebrando expectativas de forma imprevisível. Os sintetizadores soam deformados. O repertório é incrível, e as canções são bastante enigmáticas. No geral, é um disco muito bacana e que foi mais complexo.
Melhores Faixas: Alberto Balsalm, Acrid Avid Jam Shred, Come On You Slags!, Start As You Mean To Go On, Icct Hedral, Mookid
Vale a Pena Ouvir: Wax The Nip, Wet Tip Hen Ax, Next Heap With
Richard D. James Album – Aphex Twin
NOTA: 10/10
No ano seguinte, foi lançado outro álbum sensacional do Aphex Twin, o Richard D. James Album (capa icônica). Após o ...I Care Because You Do, ele mergulhava agora em uma abordagem ainda mais extrema, acelerando baterias e desconstruindo ritmos. A metade dos anos 90 foi marcada pelo crescimento do Jungle e do Drum and Bass no Reino Unido. Muitos produtores experimentavam breaks rápidos e estruturas frenéticas, mas Richard abordava essa linguagem de uma forma completamente diferente. A produção é simplesmente inacreditável, com as baterias sendo frenéticas, quebradas e imprevisíveis, mas ainda mantendo um groove extremamente preciso. O uso de breakbeats é central. Richard fragmenta loops de bateria em microssegundos, reorganizando os sons de maneira quase alienígena, levando o Drill’n’Bass para um lado ainda mais complexo. O repertório é sensacional, parecendo uma coletânea. No fim, é outro disco fenomenal e mais um clássico.
Melhores Faixas: Fingerbib, 4, Girl/Boy Song, To Cure A Weakling Child, Carn Marth
Vale a Pena Ouvir: Cornish Acid, Yellow Calx, Peek 824545201
Então é isso, um abraço e flw!!!






