Come To Daddy – Aphex Twin
NOTA: 9/10
Indo para 1997, o Aphex Twin lança mais um EP intitulado Come to Daddy, que foi bem interessante. Após o Richard D. James Album, esse EP ajudou a transformar sua imagem em algo próximo de uma figura mítica e perturbadora dentro da cultura alternativa dos anos 90. Grande parte desse impacto veio do videoclipe dirigido por Chris Cunningham para a faixa-título. O vídeo, com crianças usando o rosto distorcido de Richard e cenas urbanas grotescas, virou imediatamente um marco da MTV alternativa. A produção foi bem pesada, densa e profundamente claustrofóbica. Richard trabalha com distorções violentas, baterias hiperfragmentadas, ruídos industriais e sintetizadores deformados para criar um ambiente sonoro sufocante. Além disso, sua voz frequentemente aparece deformada, monstruosa ou caricata, reforçando o caráter grotesco do EP. O repertório é muito bom, e as canções são bastante caóticas. No fim, é um ótimo EP, que o consolidou ainda mais.
Melhores Faixas: Film, Come To Daddy (Pappy Mix), IZ-US, To Cure a Weakling Child, Contour Regard
Vale a Pena Ouvir: Come to Daddy, Mummy Mix, Bucephalus Bouncing Ball
Windowlicker – Aphex Twin
NOTA: 9,2/10
Melhor Faixa: Windowlicker
Vale a Pena Ouvir: Nannou, Equation (Formula)
Drukqs – Aphex Twin
NOTA: 9,9/10
Em 2001, o Aphex Twin retornava com seu 5º álbum de estúdio, o estranho Drukqs. Após o EP Windowlicker, o que aconteceu foi que parte do material teria sido lançada às pressas depois que um tocador de MP3 contendo faixas inéditas foi perdido durante uma viagem de avião. Isso ajuda a explicar a natureza extremamente fragmentada do disco. Enquanto trabalhos anteriores frequentemente mantinham certa coerência estilística, aqui Richard alterna brutalidade rítmica extrema com composições minimalistas para piano preparado. A produção foi bem complexa, com breakbeats impossivelmente complexos, texturas digitais microscópicas, manipulação espacial detalhista e gravações acústicas íntimas. Com isso, temos uma junção do Drill'n'Bass e IDM com influências do impressionismo, da música ambiente e da música eletroacústica. O repertório é incrível, e as canções são bastante cinematográficas. No fim, é um belo disco, que foi injustamente criticado.
Melhores Faixas: Avril 14th, Vordhosbn, Cock/Ver10, Mt Saint Michel + Saint Michaels Mount, 54 Cymru Beats, Meltphace 6, Nanou 2, QKThr, Ziggomatic 17, Taking Control, Omgyjya-Switch7, Jynweythek
Vale a Pena Ouvir: Gwely Mernans, Orban Eq Trx4, Kesson Dalef, Father
Analord – Aphex Twin
NOTA: 9/10
Lá para 2005, foi lançada a 10ª edição da série de EPs intitulada Analord, feita por Aphex Twin. Após o Drukqs, a música eletrônica estava cada vez mais dominada por produções digitais limpas e softwares sofisticados. Richard parecia interessado em seguir na direção oposta. Esse trabalho funciona quase como um manifesto analógico: grooves crus, sintetizadores ácidos, drum machines secas e improvisação espontânea. Esses EPs foram distribuídos separadamente, frequentemente em edições limitadas de vinil, o que lhes conferiu um status quase mítico entre os fãs. A produção foi completamente centrada em equipamentos analógicos. As linhas de baixo possuem enorme presença física. Os sintetizadores ácidos frequentemente parecem pulsar organicamente, e as baterias são secas e minimalistas. Com isso, temos um cruzamento entre IDM, Acid Techno e Acid Breaks. O repertório contém 2 faixas muito imersivas. Enfim, é um ótimo EP e vale a pena conhecer.
Melhor Faixa: Fenix Funk 5
Vale a Pena Ouvir: Xmd 5a
Rushup Edge – The Tuss
NOTA: 9,1/10
Dois anos depois, Aphex agora sob o nome de The Tuss, lançava o álbum Rushup Edge. Após o Analord 10, surgiu meio que do nada um suposto duo sob esse nome, composto por Brian Tregaskin e Karen Tregaskin, nomes que mais tarde seriam oficializados como fictícios. Na realidade, era Richard, que voltava a mergulhar em estruturas extremamente complexas, ritmos absurdamente rápidos e manipulações digitais frenéticas, mas agora combinadas com um senso de groove surpreendentemente acessível e até eufórico. A produção foi uma combinação de manipulação digital extrema com grooves acid extremamente fluidos e dançantes. O álbum soa como uma colisão entre IDM, Drill'n'Bass, Acid Techno e electro futurista. Richard utiliza timbres de sintetizadores brilhantes, elásticos e emocionalmente carregados, além do uso de acid lines. O repertório é incrível, e as canções conseguem soar bastante futuristas. No final, é um baita disco e um clássico.
Melhores Faixas: Rushup I Bank 12, Synthacon 9 Vale a Pena Ouvir: Goodbye Rute, Death Fuck
Syro – Aphex Twin
NOTA: 8,8/10
Então chegamos a 2014, quando foi lançado o último álbum de Aphex Twin até então, o Syro. Após o Rushup Edge como The Tuss, Richard já era tratado como uma figura quase mítica da música eletrônica. O anúncio foi um tanto estranho: começou com um dirigível estampando o logo clássico do artista e sobrevoando Londres, seguido por símbolos misteriosos surgindo em cidades como Nova York e Tóquio. A campanha rapidamente gerou histeria na internet e consolidou a sensação de "retorno de uma entidade desaparecida". A produção foi bem detalhada. Os sintetizadores possuem um calor extraordinário, cheios de pequenas imperfeições, oscilações e movimentos internos. As baterias continuam extremamente complexas, mas agora de forma mais fluida, e as linhas de baixo possuem enorme presença física. O repertório é muito bom, com canções divertidas, embora algumas sejam mais fracas. Enfim, é um ótimo disco, apesar de ser o mais fraco.
Melhores Faixas: Aisatsana, Minipops 67 (Source Field Mix), Xmas_Evet10 (Thanaton3 Mix), 180db_, Papat4 (Pineal Mix) Piores Faixas: Fz Pseudotimestretch+e+3, Circlont14 (Shrymoming Mix), S950tx16wasr10 (Earth Portal Mix)
Então um abraço e flw!!!





