segunda-feira, 8 de junho de 2026

Analisando Discografias - Nas: Parte 2

                 

King's Disease II – Nas





















NOTA: 8,9/10


No ano seguinte, Nas lançou o King's Disease II, que seguiu por um caminho ainda mais variado. Após o King's Disease, o rapper encontrava-se em uma posição rara: mais de vinte e cinco anos após sua estreia com Illmatic, ele vivia um dos períodos mais elogiados de sua trajetória artística, estando completamente confortável em seu papel de veterano respeitado e utilizando décadas de experiência para refletir sobre riqueza, legado, sobrevivência, família e crescimento pessoal. A produção do Hit-Boy foi mais expansiva e ambiciosa, com samples bastante variados, indo do Soul, Funk, R&B e Gospel. Tudo isso transita entre Boom Bap, Jazz Rap e alguns momentos de trap, fazendo com que Nas explore um flow mais variado, algo que funciona muito bem. O repertório é ótimo, e as canções são profundas e bem construídas. No fim, é um ótimo disco, bastante elegante e reflexivo. 

Melhores Faixas: Moments (Lauryn Hill amassou), Death Row East, Moments, Store Run, The Pressure, Rare, Nas Is Good 
Vale a Pena Ouvir: 40 Side, Count Me In, My Bible

Magic – Nas





















NOTA: 9,8/10


Chegando ao fim da década de 90, o Aphex Twin lançou outro EP, intitulado Windowlicker. Após o Come to Daddy, o impacto cultural desse trabalho foi amplificado pelo videoclipe dirigido por Chris Cunningham. O vídeo da faixa-título tornou-se instantaneamente icônico graças à mistura de humor grotesco, estética surrealista e desconforto psicológico. Richard aparecia novamente explorando sua imagem pública caricatural, usando seu próprio rosto de maneira exagerada e perturbadora. A produção foi mais sofisticada. Os timbres possuem uma profundidade impressionante, os ritmos são extremamente complexos e a espacialidade sonora é quase cinematográfica, dialogando muito mais com a IDM. Richard continua explorando breakbeats fragmentados e baterias impossivelmente rápidas, mas agora com um acabamento muito mais limpo e elegante. O repertório contém 3 faixas muito legais, que conseguem te envolver. No geral, é um ótimo EP e muito divertido. 

Melhor Faixa: Windowlicker 
Vale a Pena Ouvir: Nannou, Equation (Formula)

King's Disease III – Nas





















NOTA: 10/10


E aí, no fim do ano de 2022, ele enfim retornou com o tão aguardado King's Disease III. Após O Magic, a expectativa para essa continuação era enorme. Muitos fãs se perguntavam se ainda existiam novos caminhos a serem explorados dentro do conceito iniciado em 2020. Em vez de simplesmente repetir fórmulas anteriores, Nas utilizou o álbum como uma oportunidade para fazer um balanço abrangente de sua vida, sua carreira e seu legado. A produção de Hit-Boy foi para um lado mais diversificado, com beats bem orgânicos; pianos elegantes, cordas discretas, baixos profundos e baterias cuidadosamente programadas aparecem constantemente. Os elementos dO Boom Bap, Jazz Rap, Trap e Chipmunk Soul são combinados de forma riquíssima, enquanto os flows do Nas atingem um nível técnico impressionante. O repertório é sensacional, sendo praticamente uma coletânea, só tendo música incrível. Enfim, é um álbum sensacional e uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Legit, Thun, Reminisce, Michael & Quincy, Once A Man, Twice A Child, First Time, I'm On Fire, Beef 
Vale a Pena Ouvir: Get Light, Ghetto Reporter, Don't Shoot

Magic 2 – Nas





















NOTA: 8,8/10


Mais um ano se passou, e Nas lançou Magic 2, que seguiu um caminho diferente. Após o fim da trilogia King's Disease, foi decidido voltar para essa outra trilogia, focada em álbuns menos conceituais e mais centrados na química entre Nas e Hit-Boy, na excelência técnica e na capacidade de criar músicas envolventes. O álbum apresenta o rapper confortável com sua posição histórica, mas ainda curioso, criativo e disposto a explorar diferentes atmosferas musicais. A produção seguiu por um aspecto mais diversificado, com beats mais variados, transitando entre Jazz Rap, Boom Bap e Trap. Os samples são mais puxados para Soul, Funk e até Reggae, mostrando que Hit-Boy ampliou seu leque musical. Com isso, temos texturas sonoras variadas e arranjos que mantêm a audição dinâmica. O repertório é muito bom, e as canções são divertidas, além de bastante profundas. Enfim, é um ótimo disco que consegue ser muito agradável. 

Melhores Faixas: Motion, Office Hours (50 Cent mandou bem), What This All Really Means, One Mic, One Gun (ótima feat do 21 Savage) 
Vale a Pena Ouvir: Bokeem Woodbine, Earvin Magic Johnson, Slow It Down

Magic 3 – Nas





















NOTA: 9/10


Poucos meses depois, essa trilogia foi finalizada com Magic 3, que representou uma junção de tudo o que veio antes. Após o Magic 2, essa conclusão serve como uma síntese de tudo o que Nas e Hit-Boy construíram ao longo daqueles anos. O álbum mistura nostalgia, maturidade, observação social, técnica refinada e celebração artística. Além disso, Nas encontrava-se em uma posição única dentro do Rap. Pouquíssimos artistas de sua geração continuavam lançando música em alto nível. A produção foi bastante equilibrada, reunindo elementos de Boom Bap, Trap, Chipmunk Soul e até um pouco de Cloud Rap, tudo alinhado em beats orgânicos, samples discretos e baterias igualmente discretas. Além disso, o flow do Nas consegue ser bastante técnico e, em alguns momentos, até agressivo. O repertório é ótimo, e as canções são reflexivas, variadas e muito bem construídas. No final de tudo, é um disco bacana que encerra de forma decente essa parceria. 

Melhores Faixas: I Love This Feeling, Never Die (nunca imaginei Lil Wayne num Boom Bap), Based On True Events, Pt. 2, Jodeci Member, Based On True Events, Speechless, Pt. 2 
Vale a Pena Ouvir: Superhero Status, Japanese Soul Bar, Blue Bentley, Pretty Young Girl

Light-Years – Nas & DJ Premier





















NOTA: 8,4/10


Então chegamos a 2025, quando Nas lançou seu mais recente álbum colaborativo com DJ Premier, o Light Years. Após o Magic 3, ele decidiu revisitar uma parceria histórica que ajudou a definir sua identidade artística desde Illmatic. Porém, em vez de simplesmente recriar o passado, o álbum procura estabelecer uma ponte entre diferentes momentos de sua carreira. Com Nas frequentemente olhando para trás, ele revisita experiências antigas e reflete sobre o tempo, mas sem abandonar completamente o presente. A produção é crua, com beats pesados, baterias secas, scratches, samples de Soul e loops cuidadosamente construídos. O álbum dialoga bastante com o Boom Bap dos anos 90, além de incorporar elementos de Jazz Rap e Turntablism, fazendo com que os flows do Nas sejam precisos e cadenciados. O repertório é bem legal, e as canções são leves e bem profundas. No geral, é um ótimo disco que vai envelhecer muito bem. 

Melhores Faixas: Writers, My Story Your Story (AZ mandou bem), Madman 
Vale a Pena Ouvir: Welcome To The Underground, Sons (Young Kings), Pause Tapes, Bouquet (To The Ladies)


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