Flow Deus – MC Igu
NOTA: 8/10
Em 2017, o MC Igu lançava uma de suas várias mixtapes, sendo essa o Flow Deus. O rapper nasceu em Yamanashi e, ainda pequeno, veio para Itapetininga, município do estado de São Paulo, Brasil. Começando sua trajetória por volta de 2014, quando lançou alguns trampos de forma esporádica, no início ele tentava acompanhar tendências, mas, com o tempo, tornou-se um dos principais nomes a fazer Trap no Brasil. Naquele início de 2017, o Igu recém tinha entrado para a Recayd e já estava preparando esse trabalho aqui. A produção foi feita por ele próprio, que colocou beats bem minimalistas, com 808s fortes, hi-hats constantes, pads atmosféricos e baterias secas que seguem o Trap tradicional, mas também têm elementos do Cloud Rap e do Plugg. Os flows do Igu são bem puxados para o Mumble Rap, e ele consegue encaixá-los de forma precisa. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem divertidas. No fim, é uma ótima mixtape e bem ousada.
Melhores Faixas: Flow Corey Taylor, Flow Anime, Flow Backyardigans
Vale a Pena Ouvir: Flow INSS, Flow Guitarra Humana
Subliminar – MC Igu
NOTA: 9/10
Em 2018, o MC Igu lançava seu álbum de estreia, intitulado Subliminar, que trouxe algo mais diferenciado. Após o Flow Deus, o rapper começou a se consolidar não só por estar na Recayd Mob, mas também por ser um dos principais nomes do começo do Trap no Brasil. Para seu álbum, ele decidiu explorar não só temas como sexo, drogas e ostentação, mas também existe uma forte presença de solidão, frustração, ambição, crítica à cena e referências pessoais. A produção foi feita pelo Igu junto com Rare Kidd, que colocaram beats mais pesados, com 808s distorcidos, hi-hats constantes, pads amplos e atmosféricos e synths melódicos que dialogam tanto com o Trap quanto com o Cloud Rap e o Emo Rap. Os flows seguem aquela vibe do Mumble Rap, mas, ao mesmo tempo, conseguem ser claros e energéticos. O repertório é incrível, e as canções são bem divertidas, tendo também algumas mais reflexivas. No fim, é um baita álbum de estreia e um clássico do Trap nacional.
Melhores Faixas: 7 P.M. In Mariana, G-Quan III (Derek amassou), Buenos Aires, Blefe, Michael Myers, Nanana, Facetime, Double Cup
Vale a Pena Ouvir: Odeia-Me, Sugee (Recayd inteira aqui), NÓISEGARANTE
Aurélio³ - MC Igu
NOTA: 8,6/10
Dois anos se passaram, e o MC Igu lançava seu 2º álbum de estúdio, o eufórico Aurélio³. Após o Subliminar, o rapper decidiu fazer uma continuação da mixtape Aurélio 2, que tinha lançado em 2016, descrita como uma continuação do Dicionário Aurélio, por conta da linguagem utilizada e da semântica transmitida. Fora a simbologia, já que a capa é uma referência à obra O Mar de Satta na Província de Suruga, criada pelo artista Hiroshige. A produção foi feita pelo rapper junto com Nagalli, Celo1st, Kouth e outros, que colocaram beats mais variados, com 808s pesados, hi-hats discretos, synths melódicos e pads mais atmosféricos, que conseguem transitar tanto pelo Trap quanto pelo Cloud Rap. Aqui, os flows do Igu seguem aquele seu estilo característico, contendo momentos quebrados e outros um pouquinho mais cadenciados. O repertório é muito bom, e as canções são bem energéticas e carregadas de lifestyle. No geral, é um ótimo trabalho e muito consistente.
Melhores Faixas: Bombay, Dolce & Gabbana, Drip, Subaru (Jé foi bem demais), Venom, ClubVale a Pena Ouvir: CA$HALTO, Rally, Patek, Assalto (Dfideliz mandou bem)
Hora do Rush – Jé Santiago & MC Igu
NOTA: 8,8/10
Na metade daquele mesmo ano de 2020, o MC Igu e Jé lançam a mixtape colaborativa Hora do Rush. Após o Aurélio³, eles decidiram fazer um projeto que faz referência direta à franquia cinematográfica A Hora do Rush: Igu assumia a referência a Jackie Chan, enquanto Jé representava Chris Tucker. A ideia era justamente brincar com essa dupla de personagens e transportar a dinâmica dos filmes para a música. O projeto foi dividido em 3 EPs até ser unificado. A produção foi feita inteiramente por Nagalli, que colocou 808s pesados, hi-hats precisos, synths discretos e pads mais atmosféricos, fazendo assim um Trap caprichado e deixando espaço para cada um. Os flows do Igu são mais variados e mantêm aquele seu estilo, enquanto Jé é um contraponto com seus flows mais técnicos. O repertório é sensacional, e as canções são todas bem divertidas. No final de tudo, é uma ótima mixtape e muito bem-feita.
Melhores Faixas: BALENCIAGA, MERCEDES, TT, BISKAT (Culpa do Nagalli)
Vale a Pena Ouvir: SNAKES, HONDA
OG – MC Igu
NOTA: 8,2/10
Dois anos se passaram, e o MC Igu lançava mais um trabalho novo, intitulado OG. Após o Hora do Rush com Jé, ele decidiu fazer um projeto que reafirma sua posição dentro da cena, tanto que o título, associado a “Original Gangster”, aqui funciona muito mais como uma afirmação de veterania e autenticidade dentro do Trap. Igu aparece como alguém que já atravessou diferentes fases da cena e agora pode simplesmente fazer música dentro de seu próprio universo. A produção foi diversificada, contando com Celo1st, Ecologyk, Langris e outros, que colocaram beats mais orgânicos, que contam com 808s fortes, hi-hats discretos e pads mais melódicos. Os flows do Igu ficaram ainda mais variados, contando com momentos agressivos, cadenciados e, claro, aquela vibe puxada para o Mumble Rap. O repertório ficou muito bom, e as canções são bem mais envolventes e carregadas de lifestyle. No geral, é um trabalho bem legal e bastante subestimado.
Melhores Faixas: Hayabusa, Amiri, Game (Yunk Vino amassando), 1
Vale a Pena Ouvir: Foshow (Tchelo mandou bem demais), Modelo, STU, Sheik
Zzz, Vol. 1 – MC Igu
NOTA: 5/10
Em 2023, o MC Igu volta lançando mais uma mixtape nova, sendo essa Zzz, Vol. 1. Após o OG, o rapper, aproveitando o hiato da Recayd, decidiu fazer um trabalho bem mais curto e direto. Ele decidiu explorar temas como lifestyle, drogas, vida noturna e referências de luxo, em uma abordagem que fosse mais refinada. A produção foi diversificada, contando com Celo1st, 22Cartel, JD On Tha Track e afins, que colocaram beats mais melódicos, com 808s fortes, hi-hats discretos e uma maior presença de sintetizadores, que não só dialogam com o Trap tradicional, como também com o Plugg e o New Jazz. Mas o problema é que tudo soa muito confuso, com os flows do Igu ficando bem cansativos. O repertório é mediano: tem canções legais e outras esquecíveis. Enfim, é uma tape fraquinha e irregular.
Melhores Faixas: GTA (Yunk Vino levou o som para ele), Lombrado
Piores Faixas: 20 Minutos, A Novinha
Zzz, Vol. 2 – MC Igu
NOTA: 5/10
No dia seguinte, ele já lançou Zzz, Vol. 2, que praticamente não trouxe algo tão diferente. Esse trabalho foi feito no mesmo período do anterior, seguindo uma abordagem bem mais crua e direta. Fora que também foi decidido seguir uma estética muito mais atmosférica e densa, principalmente nos temas. A produção contou praticamente com os mesmos nomes, que colocaram beats mais amplos, contando mais com 808s fortes, hi-hats constantes e pads texturizados que dialogam desde o Trap, Plugg, Cloud Rap e até o Drill. O problema, de novo, é que tudo soa muito confuso, faltando algo mais bem encaixado, e os flows do Igu novamente são muito cansativos e faltando variação. O repertório é irregular: tem canções legais e outras bem fraquinhas. No fim, são dois trabalhos medianos, aos quais faltou coesão.
Melhores Faixas: Duke, Plano B (de novo, Yunk Vino amassando)
Piores Faixas: Zidane, Meca
Barter 7 – Derek
NOTA: 6/10
No ano seguinte, foi lançado seu 3º álbum, intitulado Barter 7, que tentou ser mais variado. Após o Zzz, Vol. 1 e 2, ele decidiu fazer um trabalho que saísse um pouco da zona de conforto, fazendo referência evidente ao universo de Young Thug e à tradição de Barter 6, algo que também aparece na maneira como Igu trata o Trap como uma plataforma para explorar flows, melodias, drogas, dinheiro e ostentação. A produção contou com Nagalli, Neckklace, 808 Melo e outros, que colocaram beats amplos, contando com 808s carregados, hi-hats constantes, pads precisos e synths discretos, dialogando ainda com o Trap tradicional e com elementos do Plugg e do Jersey Club. Os flows do Igu tiveram um pouco mais de variação, só que isso acaba ficando cansativo, e muitos elementos da produção já soam bem datados. O repertório começa bem, mas depois decai, com canções que são bem fraquinhas. Enfim, é um trabalho mediano e muito impreciso.
Melhores Faixas: Real, 911, México, Wakaflocka
Piores Faixas: Fora do País, 7pm In Hiroshi, Mano Vivendo Igual Boy, Relikias
Noites em Nagoya – MC Igu
NOTA: 8,5/10
Então chegamos a 2026, quando o MC Igu voltou com seu mais novo álbum, o Noites Em Nagoya. Após o Barter 7, o rapper decidiu fazer um trabalho que fosse bem mais consistente e que reforçasse uma estética que mistura cultura japonesa, vida noturna, Trap, moda, drogas, rua e referências à cultura Pop. Fazendo assim um projeto que é bem tematizado e que foge um pouco de acompanhar as tendências atuais da cena. A produção foi feita apenas por Chulo e Loudpacc, que colocaram beats variados, contando com 808s fortes, synths melódicos, hi-hats precisos e pads amplos que dialogam bem mais com um Trap melódico, Jersey Club, Plugg e alguns momentos de Drill. Os flows do Igu ainda seguem aquela estética do Mumble Rap, só que ele consegue variar entre momentos cadenciados e energéticos. O repertório é muito bom, e as canções são divertidas e mais noturnas. No fim, é um trabalho muito legal e que finalmente foi um acerto.
Melhores Faixas: Hennessy, Yabai, Menozin de 13, Dina D, +18 Fujifilm
Vale a Pena Ouvir: Pyong, Kamasutra, Papaléguas








