quarta-feira, 29 de julho de 2026

Analisando Discografias - U-God

                 

Golden Arms Redemption – U-God





















NOTA: 5/10


No ano de 1999, o U-God lançava seu 1º álbum solo, o Golden Arms Redemption. Após o Wu-Tang Forever, ele foi mais um a tentar a sorte fazendo um trabalho solo. Ele era visto como um integrante de apoio, normalmente responsável por versos curtos, voz grave e presença marcante dentro das músicas do grupo. Então, tentou equilibrar o tradicional som do Wu-Tang com as tendências do final dos anos 90. A produção contou com Inspectah Deck, RZA, Hak Da Navigator e vários outros, que apostaram nas características cruas do Boom Bap, ou seja, baterias secas, linhas de baixo profundas, samples de Soul, Jazz e trilhas sonoras orientais, além de loops constantes. Só que o problema é que tudo parece bem bagunçado, o que também não combina com o flow repetitivo do rapper. O repertório é irregular, com canções divertidas e outras que são apenas genéricas. Enfim, é um álbum mediano e que beira o sem graça. 

Melhores Faixas: Pleasure Or Pain, Rumble (Inspectah Deck e Method Man amassaram), Night The City Cried, Knockin At Your Door, Lay Down 
Piores Faixas: Dats Gangsta, Stay In Your Lane, Turbo Charge, Hungry, Shell Shock, Turbulence

Mr. Xcitement – U-God





















NOTA: 1/10


No ano de 2005, o U-God lança seu 2º álbum, o Mr. Xcitement, e aqui as coisas se perderam. Após o Golden Arms Redemption, esse trabalho surgiu como uma tentativa de reafirmar sua carreira individual, mas também revelou um rapper disposto a experimentar sonoridades diferentes das tradicionais produções obscuras. Com isso, ele decidiu fazer um álbum que dialogasse com as tendências. A produção foi diversificada, contando com DJ Homicide, Mike Baiardi, The Produkt e afins, que colocaram uma sonoridade limpa e acessível, com beats mais suaves, maior presença de sintetizadores, linhas de baixo mais pronunciadas e baterias menos cruas. Mas tudo soa completamente mal-feito e não se encaixa com o flow do U-God, que também está horrível e extremamente repetitivo. O repertório é péssimo, e as canções são ridículas e completamente genéricas. No geral, é um trabalho terrível e que, obviamente, foi um fiasco comercial. 

Melhores Faixas (...................................) 
Piores Faixas: You Don't Want To Dance, Jenny, Hit 'Em Up, Roll Out, Get Down, Heart Of Stone, You Don't Want To Dance, Bump

Dopium – U-God





















NOTA: 5/10


Quatro anos se passaram, e o rapper lançou seu 3º álbum solo, o Dopium, que foi um pouco mais coeso. Após o Mr. Xcitement, U-God decidiu fazer um trabalho que fosse mais a ver com suas origens, tanto que o título é uma referência à combinação entre "dope" e "opium", simbolizando algo viciante e poderoso, uma metáfora para sua música e sua presença artística. O projeto também contou com uma grande quantidade de participações, incluindo vários integrantes do Wu-Tang Clan. Produção feita por Teddy Ted, J. Serbe, Hak Da Navigator, entre outros, que criaram beats amplos, com baterias fortes, linhas de baixo marcantes e uma atmosfera cinematográfica. Há uma preocupação em criar ambientes densos, com os flows do U-God ficando mais agressivos, mas que, mesmo assim, continuam repetitivos. O repertório é mediano, tem canções boas e outras genéricas, além de ser carregado pelas feats. No fim, é um álbum irregular e ao qual faltou algo mais. 

Melhores Faixas: Wu-Tang (Method Man levou o som para ele), God Is Love (Cappadonna mandou bem), Train Trussle (ótima feat do Ghostface Killah) 
Piores Faixas: Rims Pokin' Out, Hips, Lipton

The Keynote Speaker – U-God





















NOTA: 5/10


Em 2013, o U-God lançou mais um trabalho novo, intitulado The Keynote Speaker. Após o Dopium, o rapper decidiu fazer um trabalho que retratasse um veterano refletindo sobre sua trajetória, sua posição dentro do Wu-Tang Clan e sua visão sobre a cultura do Rap depois de décadas de carreira. Tanto que esse projeto foi feito para ser bem fiel ao seu trabalho de estreia. A produção foi diversificada, como sempre, contando com RZA, DJ Homicide, Teddy Powell e afins, incorporaram uma sonoridade moderna, incluindo sintetizadores, graves mais fortes e uma presença de 808s. Além de, claro, colocar elementos clássicos do Boom Bap, o problema, novamente, é que há muita coisa que soa reciclada, e os flows do U-God continuam bastante repetitivos e sem variação. O repertório é fraquinho, tem umas canções legais e outras que são bem genéricas. Mas enfim, é um disco mediano e que não consegue empolgar. 

Melhores Faixas: Fire, Heavyweight, Heads Up, Get Mine 
Piores Faixas: Room Keep Spinning, Fame, Keynote Speaker, Stars

Venom – U-God





















NOTA: 6/10


Então chegamos a 2018, quando o U-God lança seu último álbum até então, o Venom. Após o The Keynote Speaker, esse projeto seria mais uma tentativa de recuperar elementos do passado, com o rapper buscando novamente uma sonoridade ligada ao Rap de rua, além de participações de vários nomes associados ao universo Wu-Tang e uma atmosfera que lembra os anos dourados do grupo. A produção contou com nomes como DJ Green Lantern, Large Professor, Lord Finesse e DJ Homicide, que seguiram uma abordagem mais crua e direta, com beats pesados, baterias secas, linhas de baixo profundas e loops discretos, equilibrando o Boom Bap com pequenos traços do Drumless e até do Trap. Só que, novamente, tudo é muito repetitivo e, embora haja uma variação nos flows do U-God, isso não empolga. O repertório é irregular; até começa bem, só que acaba decaindo com canções fraquíssimas. Em suma, é um álbum mediano e cheio de erros, assim como os anteriores. 

Melhores Faixas: Whole World Watchin', Epicenter (ótima feat do Inspectah Deck e do Raekwon), Exordium 
Piores Faixas: Elegance, Unstoppable, Venom


                                                                               Por hoje é só, então flw!!!        

Analisando Discografias - Inspectah Deck

                 

Uncontrolled Substance – Inspectah Deck





















NOTA: 8,8/10


Em 1999, o Inspectah Deck lançava seu 1º trabalho solo, intitulado Uncontrolled Substance. Após o Wu-Tang Forever, o rapper decidiu se aventurar em sua carreira solo, fazendo um trabalho que passou por uma série de problemas, como um incêndio que destruiu boa parte das gravações originais do álbum, obrigando Deck a reconstruir praticamente todo o projeto. A produção foi feita pelo rapper junto de RZA, 4th Disciple, entre outros, que criaram beats crus e pesados, com aquela presença de baterias mais secas, linhas de baixo mais evidentes e arranjos menos caóticos. Adotando aquela abordagem clássica do Boom Bap com traços do Jazz Rap, o álbum faz com que os flows do Deck soem bem fluidos, mantendo toda aquela agressividade e técnica. O repertório é ótimo, e as canções são bem profundas e carregadas de mensagem. No fim das contas, é um ótimo disco e, mesmo com os atrasos, valeu a pena. 

Melhores Faixas: Uncontrolled Substance, Elevation, Touble Man, R.E.C. Room, Longevity, Movas & Shakers, Femme Fatale 
Vale a Pena Ouvir: The Cause, 9th Chamber, The Grand Prix

The Movement – Inspectah Deck





















NOTA: 4/10


Quatro anos se passaram, e o Inspectah Deck lança um álbum novo, o The Movement. Após o Uncontrolled Substance, ele permaneceu bastante ativo dentro do universo Wu-Tang Clan, participando de projetos coletivos, álbuns de outros integrantes e consolidando ainda mais sua reputação como um dos MCs mais consistentes do grupo. Para esse novo projeto, ele ainda queria seguir fiel às suas características, priorizando letras complexas, narrativas urbanas e uma postura mais tradicional. A produção, feita por Arabian Knight, Ayatollah, Falling Down e Phantom of the Beats, seguiu aquela abordagem do Boom Bap tradicional, com baterias secas, graves constantes e linhas de baixo profundas, mas com elementos modernos, como pianos discretos, cordas melancólicas e vocais sampleados. Só que tudo soa bem impreciso, e o flow do Deck não consegue se encaixar. O repertório é bem ruim, tendo canções medíocres e poucas interessantes. No fim, é um disco fraco e nada marcante. 

Melhores Faixas: The Movement, It’ Like That, Big City, That Nigga, Framed 
Piores Faixas: U Wanna Be, The Stereotype, It's Like That, Shorty Right There, Get Right, Bumpin And Grindin

The Resident Patient – Inspectah Deck





















NOTA: 3/10


Em 2005, o Inspectah Deck lançou mais um álbum, o The Resident Patient, que foi mais caseiro. Após o The Movement, o rapper, em vez de buscar hits, prefere construir um trabalho voltado aos fãs do Boom Bap tradicional, apostando em letras densas, instrumentais sombrios e um clima bastante introspectivo. A produção foi feita por ele junto de Concrete Beats, Mondee, entre outros, que colocaram beats crus e diretos, contando com baterias secas, baixos encorpados, samples de Soul e Jazz e loops constantes. O clima predominante é sombrio. Muitos beats utilizam pianos melancólicos, cordas suaves e vocalizações sampleadas. Mas o problema é, certamente, que o flow do Deck está bastante repetitivo e, às vezes, até irregular, com momentos em que fica até fora da proposta de cada beat. O repertório é fraquíssimo, tem canções bastante medíocres e poucas que se salvam. No final, é um trabalho ruim e que acabou não funcionando. 

Melhores Faixas: What They Want, A Lil Story, C.R.E.E.P.S. 
Piores Faixas: Handle That, My Style, Get Down Wit Me, All I Want Is Mine, H.G. Is My Life, Do My Thang

Chamber No. 9 – Inspectah Deck





















NOTA: 8/10


Então chegamos a 2019, quando o Inspectah Deck lançava seu mais recente álbum solo, o Chamber No. 9. Após o The Resident Patient, Deck não tinha mais a pressão de provar seu talento. Seu status como um dos maiores letristas da história do Rap já estava consolidado. Dessa forma, o álbum foi concebido como uma celebração de sua carreira e da tradição do Boom Bap nova-iorquino, sem qualquer preocupação em seguir tendências contemporâneas como a do Trap. A produção, feita apenas por Boo Buddy e Danny Caiazzo, colocou beats densos e crus, mas que não são sobrecarregados. Contando, como sempre, com baterias fortes, linhas de baixo marcantes, samples de Soul, Funk e Jazz cuidadosamente manipulados. Os flows do rapper são bem cadenciados e técnicos. O repertório é muito bom, e as canções são bastante reflexivas. Enfim, é um disco bacana e que ficou muito consistente. 

Melhores Faixas: Can´t Stay Away, Game Don´t Change, Certified 
Vale a Pena Ouvir: No Good, Chamber No. 9, 24K (Cappadonna mandou bem)


terça-feira, 28 de julho de 2026

Analisando Discografias - Cappadonna

                  

The Pillage – Cappadonna





















NOTA: 8,7/10


Em 1998, o Cappadonna lançou seu 1º álbum solo, intitulado The Pillage, em um momento conturbado. Após o Wu-Tang Forever, mesmo não tendo o mesmo reconhecimento de outros membros do coletivo, o rapper vinha de uma sequência extremamente forte de participações especiais. Seu desafio era provar que conseguiria sustentar um disco inteiro apenas com sua personalidade artística. A produção ficou por conta de RZA, 4th Disciple, Goldfinghaz, Mathematics e True Master, que criaram aquela atmosfera sombria, com batidas cruas, baterias pesadas e secas e linhas de baixo profundas. Os samples orientais continuam presentes, assim como trechos de filmes de kung fu, uma marca registrada do universo Wu-Tang. Os flows do Cappadonna são bem agressivos e precisos. O repertório é bem legal, e as canções são bastante reflexivas e carregadas de mensagem. No fim, é um disco bacana e que merece ser redescoberto. 

Melhores Faixas: Dart Throwing (Raekwon amassou junto com Method Man), Supa Ninjaz (U-God e Method Man mandaram bem), Run, Slang Editorial, Milk The Cow 
Vale a Pena Ouvir: Pump Your Fist, MCF, Pillage
  

The Yin And The Yang – Cappadonna





















NOTA: 2,5/10


Em 2001, o Cappadonna lançou seu segundo álbum, intitulado The Yin and the Yang, e aqui as coisas degringolaram. Após o The Pillage, o rapper enfrentava um momento complicado dentro da própria Wu-Tang. O grupo passava por dificuldades internas, agendas separadas e carreiras solo que já não possuíam o mesmo impacto comercial. Ainda assim, Cappadonna optou por permanecer fiel à estética construída ao lado do coletivo, sem tentar adaptar completamente seu estilo às tendências da época. A produção foi feita por True Master, 8-Off, Neonek, entre outros, que seguiram uma abordagem mais moderna, com beats mais acessíveis, mantendo baterias secas, linhas de baixo mais encorpadas, sintetizadores discretos e arranjos menos minimalistas. Mas tudo é bem previsível, e o flow do Cappadonna é extremamente repetitivo. O repertório é ruim, com canções medíocres e poucas que se salvam. No geral, é um álbum péssimo e cansativo. 

Melhores Faixas: Big Business, Revenge 
Piores Faixas: One Way 2 Zion, Super Model, Love Is The Message, We Know

The Angel Of Rap, Solar Eclipse – Cappadonna





















NOTA: 2/10


Chegamos a 2025, quando o Cappadonna lançou seu mais recente álbum, o The Angel of Rap: Solar Eclipse. Após o lançamento do The Yin and the Yang, o rapper lançou vários projetos, mas o problema é que todos eles têm exatamente os mesmos defeitos do álbum citado anteriormente: beats fracos e flows completamente repetitivos e, em alguns momentos, até constrangedores. Neste álbum, ele quis trazer o conceito de um eclipse solar como metáfora para momentos em que a escuridão parece dominar temporariamente. A produção foi feita por Bangavelli, Cashmere Brown, M80, entre outros, que seguiram uma abordagem mais moderna, embora ainda ligada ao Boom Bap, mas com traços até de Trap, utilizando baterias pesadas e graves mais definidos. Só que, de novo, o problema é que tudo soa reciclado, e os flows são horríveis. O repertório é terrível, com canções péssimas e poucas realmente interessantes. No final, é apenas mais um dos vários trabalhos ridículos do rapper.

Melhores Faixas: It's Only Right, Heavenly 
Piores Faixas: Another Dose, Smoke Clears..., Y'all Know What I Mean, New York To BMore


                                                                                        É isso, então flw!!!          

Analisando Discografias - Masta Killa

                  

No Said Date – Masta Killa





















NOTA: 8,7/10


Em 2004, o Masta Killa enfim lançou seu 1º trabalho solo, intitulado No Said Date. Após o Iron Flag, Killa sempre preferiu permanecer em segundo plano, participando de faixas do grupo e de projetos paralelos sem pressa para gravar um disco próprio. Mesmo que o Wu-Tang não estivesse no auge naquele período, ele aproveitou essa oportunidade para apresentar um trabalho profundamente ligado à identidade clássica do grupo. A produção contou com RZA, Mathematics, True Master, entre outros, que utilizaram beats pesados, com presença de baterias secas, samples de Jazz e música oriental, baixos discretos e atmosferas sombrias, dialogando com o Boom Bap tradicional. Os flows do Masta Killa são bem técnicos e precisos. O repertório é muito bom e as canções são todas bem reflexivas e carregadas de metáforas. No geral, é um disco bacana e muito coeso. 

Melhores Faixas: No Said Date, Grab The Mic, Old Man, Queen, Silverbacks, D.T.D. 
Vale a Pena Ouvir: School, Masta Killa
  

Made In Brooklyn – Masta Killa





















NOTA: 4/10


Dois anos se passaram, e o Masta Killa lançava seu 2º álbum, intitulado Made in Brooklyn. Após o No Said Date, o rapper decidiu fazer um trabalho que presta homenagens às raízes do Brooklyn e ao próprio legado do Wu-Tang. O título do álbum evidencia esse orgulho pela cidade que moldou sua carreira e pela cultura hip hop que surgiu em Nova York. A produção contou com nomes como MF DOOM, Pete Rock, Bronze Nazareth e vários outros, que apostaram em um som mais sombrio, com beats ainda bem pesados, baterias secas, linhas de baixo constantes e loops precisos. Mas o problema é que tudo fica bem repetitivo, e isso vale também para o flow do Killa, que fica muito cansativo e estraga a dinâmica do álbum. O repertório é fraquíssimo, com canções genéricas e poucas realmente interessantes. Enfim, é um álbum ruim e que não tem nada de marcante. 

Melhores Faixas: It's What It Is, Pass The Bone (Remix), Street Corner, Older Gods Part 2
Piores Faixas: Let's Get Into Something, Lovely Lady, Ringing Bells, Brooklyn King, Then And Now

Selling My Soul – Masta Killa





















NOTA: 5/10


Em 2012, foi lançado o último álbum até então do Masta Killa, o ambicioso Selling My Soul. Após o Made in Brooklyn, o rapper tentou fazer algo que fugisse um pouco da linha que havia seguido em seus últimos projetos e criar um trabalho mais interessado em espiritualidade, consciência, responsabilidade e preservação da cultura. A produção foi feita pelo próprio rapper junto com Inspectah Deck, Mathematics e afins, que utilizaram beats modernos e fugiam daquela linha tradicional do Rap mainstream. As baterias são pesadas na medida certa, e as linhas de baixo ficaram mais discretas, tanto que se percebe um cruzamento entre Boom Bap, Chipmunk Soul e Neo-Soul. Mas, ao longo do álbum, muitas ideias se mostram recicladas, assim como o flow impreciso do Killa. O repertório é irregular, com canções boas e outras bem genéricas. Enfim, é um álbum mediano e que não funcionou. 

Melhores Faixas: R U Listening, Dirty Soul (Ol Dirty Bastard Tribute), Things Just Aint The Same 
Piores Faixas: Divine Glory, What U See, Part 2

   

Analisando Discografias - Ol' Dirty Bastard

                  

Return To The 36 Chambers: The Dirty Version – Ol’ Dirty Bastard





















NOTA: 10/10


Em 1995, o Ol’ Dirty Bastard lançava seu álbum solo intitulado Return to the 36 Chambers: The Dirty Version. Após o lançamento do Enter the Wu-Tang (36 Chambers), ODB foi mais um a se aventurar na carreira solo, e sua proposta era totalmente diferente, já que ele queria transmitir personalidade acima de qualquer outra característica. Seus vocais alternavam entre rap, gritos, desafinação proposital, improviso, canto gospel, humor e delírio. A produção, feita pelo rapper junto com RZA, Ethan Ryman, True Master, 4th Disciple e outros, trouxe uma abordagem crua, com beats pesados. As baterias são secas, os samples de soul dos anos 60 e 70 predominam, as linhas de baixo são simples, os loops repetitivos e a mixagem é propositalmente suja. Dialogando assim com o Boom Bap, mas segue uma abordagem voltada ao Rap experimental. O repertório é espetacular, parecendo uma verdadeira coletânea. No fim, é um baita disco e uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Shimmy Shimmy Ya, Brooklyn Zoo, Raw Hide (Method Man e Raekwon amassou), Damage (GZA mandou bem demais), Snakes 
Vale a Pena Ouvir: Proteck Ya Neck II The Zoo, Baby C'mon, The Stomp
  

N***a Please – Ol’ Dirty Bastard





















NOTA: 9/10


Quatro anos depois, ODB lançou seu segundo e último álbum em vida, o N***a Please. Após o Return to the 36 Chambers: The Dirty Version*, o rapper acabou se tornando uma personalidade conhecida não apenas pelo talento musical, mas também por suas inúmeras polêmicas envolvendo problemas com a justiça, abuso de drogas e comportamentos erráticos que frequentemente ganhavam destaque na mídia. A produção contou com RZA, The Neptunes, Buddha Monk, entre outros, que seguiram uma abordagem ainda mais experimental, mas com beats mais limpos, apresentando graves mais fortes, maior definição na mixagem, além da presença de grooves inspirados no Funk, linhas de baixo marcantes e refrães bastante melódicos. Os flows do Dirty ficaram mais variados e precisos. O repertório é muito bom, e as canções são bastante divertidas e imersivas. Enfim, é um álbum bacana e demonstra uma proposta ainda mais ousada. 

Melhores Faixas: Got Your Money, I Can't Wait, Cracker Jack, Good Morning Heartache, All In Together Now, N***a Please 
Vale a Pena Ouvir: Recognize, Dirty Dog, Cold Blooded

A Son Unique – ODB





















NOTA: 4/10


Dez anos se passaram e foi lançado o único trabalho póstumo do Ol’ Dirty Bastard, o Son Unique. Após o N***a Please, sua vida pessoal havia sido marcada por prisões, problemas com drogas e constantes conflitos com a indústria musical. Ele até havia assinado com a Roc-A-Fella e estava preparando esse projeto, mas, em 2004, veio a falecer de forma repentina, aos 35 anos, vítima de uma overdose acidental, pouco antes de finalizar os últimos detalhes do disco. Com isso, esse trabalho acabou sendo revisado para, enfim, lançá-lo. A produção contou com aqueles nomes conhecidos, ou seja, RZA, Pharrell Williams, Rockwilder e vários outros, que tentaram unir uma abordagem moderna ao Boom Bap clássico, com baterias mais pesadas, linhas de baixo definidas e sintetizadores modernos. Mas tudo soa bastante impreciso e sem coesão. O repertório é ruim, tendo poucas canções interessantes. No fim, é um álbum póstumo bastante esquecível. 

Melhores Faixas: Operator, Pop Shots, Intoxicated, Back In The Air 
Piores Faixas: How Ya Feeling Dirty, Lift Your Skirt, Don't Hurt Me, Skrilla, ODB, Don't Go Breaking My Heart

   

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Analisando Discografias - GZA

                 

Words From The Genius – Genius (GZA)





















NOTA: 5/10


Em 1991, o GZA, que na época era conhecido apenas como The Genius, lançava seu álbum de estreia, o Words from the Genius. Antes de entrar para o Wu-Tang Clan, ele se destacou nas batalhas de Rap e estava na correria para, quem sabe, lançar um disco. Assim, conseguiu um contrato com a Cold Chillin' Records, responsável por artistas como Big Daddy Kane, Kool G Rap e Biz Markie. Com isso, o rapper sofreu certa pressão para entregar um trabalho que dialogasse com os nomes já citados. A produção ficou por conta de Easy Mo Bee, Patrick Harvey e Jesse West, que criaram batidas mais limpas. Com isso, temos baterias secas, linhas de baixo bem marcadas, scratches constantes e diversos samples de Soul, Jazz e Funk. O álbum apresenta elementos do chamado Mid-School Hip Hop, com alguns traços de Boom Bap, mas tudo soa bastante genérico. O repertório é irregular: há canções legais e outras chatinhas. Enfim, é um álbum mediano e parecendo uma cópia do Kane. 

Melhores Faixas: Words From A Genius, Come Do Me, Drama, Feel The Pain 
Piores Faixas: Life Of A Drug Dealer, Superfreak, Living Foul, The Genius Is Slammin'

Liquid Swords – Genius / GZA





















NOTA: 10/10


Indo para 1995, foi lançado o sensacional e clássico 2º álbum do GZA, o Liquid Swords. Após o Words from the Genius, o rapper acabou se juntando ao Wu-Tang Clan e, após o lançamento do álbum de estreia do grupo, cada integrante lançou um trabalho solo. Nosso mano GZA estava preparando um projeto que trazia versos elaborados, repletos de metáforas, referências científicas, jogos de palavras, filosofia oriental, violência urbana e observações sociais. A produção foi feita inteiramente pelo RZA, que criou batidas cruas e minimalistas. As baterias são pesadas, as linhas de baixo são profundas e os samples de Soul, Jazz e trilhas sonoras antigas são manipulados de forma extremamente criativa. A sonoridade segue o Boom Bap, criando um ambiente escuro e quase claustrofóbico. Os flows do rapper são bem precisos e técnicos. O repertório é sensacional, parecendo uma verdadeira coletânea. No geral, é um disco atemporal e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: 4th Chamber (RZA amassou), Shadowboxin' (baita feat do Method Man), Liquid Swords, Basic Instructions Before Leaving Earth, Duel Of The Iron Mic (que time: Inspektah Deck, Masta Killa, Ol' Dirty Bastard), Cold World 
Vale a Pena Ouvir: Living In The World Today, Swordsman, Gold

Beneath The Surface – GZA / Genius





















NOTA: 8/10


Quatro anos se passaram, e o GZA lança mais um álbum, o Beneath the Surface. Após o clássico Liquid Swords, o rapper optou por manter sua identidade lírica, mas dentro de uma produção mais diversificada. O álbum também reflete um período de transição para o Wu-Tang Clan. O RZA já não produzia sozinho todos os trabalhos do grupo, abrindo espaço para outros produtores ligados ao coletivo. A produção, feita pelo próprio GZA, contou com Mathematics, Arabian Knight, entre outros. Eles seguiram uma abordagem mais acessível. Com isso, as batidas são bem minimalistas, as baterias são pesadas, mas controladas, e há uma maior presença de linhas de baixo marcantes, teclados discretos e melodias mais desenvolvidas. Os flows do GZA são bastante técnicos e não têm tanta agressividade como antes. O repertório é ótimo, e as canções ficaram mais imersivas e até melancólicas. Enfim, é um álbum bem bacana e consistente. 

Melhores Faixas: Beneath The Surface, Publicity Vale a Pena Ouvir: Feel Like An Enemy, Crash Your Crew (ótima feat do Ol’ Dirty Bastard e RZA), 1112 (Masta Killa mandou bem), Amplified Sample

Legend Of The Liquid Sword – GZA / Genius





















NOTA: 9/10


No final do ano de 2002, o GZA lançou seu 4º álbum solo, o Legend of the Liquid Sword. Após o Beneath the Surface, o rapper tenta recuperar parte do espírito de seu maior clássico, mas sem simplesmente repetir a fórmula. O próprio título faz referência ao universo criado em Liquid Swords, remetendo novamente às imagens de artes marciais, disciplina e precisão. A produção foi feita por ele, junto com RZA, DJ Muggs, Arabian Knight, entre outros, que criaram batidas amplas, com presença de baterias secas, linhas de baixo marcantes e atmosferas densas. Porém, existe uma tentativa maior de modernizar o som para o início dos anos 2000. Os flows do Genius seguem um caminho mais cadenciado, utilizando sua técnica no momento certo sem se tornarem repetitivos. O repertório é incrível, e as canções são bem profundas e carregadas de crítica social. No fim, é um baita disco e criminosamente subestimado pelos fãs. 

Melhores Faixas: Did Ya Say That, Highway Robbery, Stay In Line, Sparring Minds (Inspectah Deck mandou bem), Fame, Animal Planet, Luminal 
Vale a Pena Ouvir: Silent (Ghostface mandou bem), Uncut Material, Fam (Members Only)

Pro Tools – GZA / Genius





















NOTA: 5/10


Então chegamos a 2008, quando o GZA lançou seu 5º e último álbum até então, o Pro Tools. Após o Legend of the Liquid Swords, o rapper ainda era muito cobrado para fazer um trabalho que chegasse ao patamar de seu álbum clássico de 1995. O título faz referência tanto ao software utilizado na produção musical quanto às ferramentas necessárias para construir uma grande obra. A produção foi diversificada, contando com RZA, Black Milk, Dreddy Kruger, entre outros, que seguiram uma sonoridade mais moderna, mas ainda carregando os elementos clássicos do Boom Bap. As baterias ficaram bem mais minimalistas, com uma presença constante de loops, samples de Soul e estruturas simples. Porém, o maior problema é que os flows do GZA muitas vezes não se encaixam, havendo poucos momentos em que ele consegue ir bem. O repertório é fraquinho: há canções boas e outras bastante genéricas. Em suma, é um álbum mediano e, depois disso, não tivemos mais nada. 

Melhores Faixas: Groundbreaking, Alphabets, Firehouse, 0% Finance 
Piores Faixas: Paper Plate, Life Is A Movie, Columbian Ties, Pencil
  

                                                                                   Então é isso e flw!!!           

Analisando Discografias - Redman

                  Whut? Thee Album – Redman NOTA: 9,9/10 Em 1992, Redman lançava seu clássico álbum de estreia, o Whut? Thee Album. O rapper...