Return To The 36 Chambers: The Dirty Version – Ol’ Dirty Bastard
NOTA: 10/10
Em 1995, o Ol’ Dirty Bastard lançava seu álbum solo intitulado Return to the 36 Chambers: The Dirty Version. Após o lançamento do Enter the Wu-Tang (36 Chambers), ODB foi mais um a se aventurar na carreira solo, e sua proposta era totalmente diferente, já que ele queria transmitir personalidade acima de qualquer outra característica. Seus vocais alternavam entre rap, gritos, desafinação proposital, improviso, canto gospel, humor e delírio. A produção, feita pelo rapper junto com RZA, Ethan Ryman, True Master, 4th Disciple e outros, trouxe uma abordagem crua, com beats pesados. As baterias são secas, os samples de soul dos anos 60 e 70 predominam, as linhas de baixo são simples, os loops repetitivos e a mixagem é propositalmente suja. Dialogando assim com o Boom Bap, mas segue uma abordagem voltada ao Rap experimental. O repertório é espetacular, parecendo uma verdadeira coletânea. No fim, é um baita disco e uma obra-prima.
Melhores Faixas: Shimmy Shimmy Ya, Brooklyn Zoo, Raw Hide (Method Man e Raekwon amassou), Damage (GZA mandou bem demais), Snakes
Vale a Pena Ouvir: Proteck Ya Neck II The Zoo, Baby C'mon, The Stomp
N***a Please – Ol’ Dirty Bastard
NOTA: 9/10
Quatro anos depois, ODB lançou seu segundo e último álbum em vida, o N***a Please. Após o Return to the 36 Chambers: The Dirty Version*, o rapper acabou se tornando uma personalidade conhecida não apenas pelo talento musical, mas também por suas inúmeras polêmicas envolvendo problemas com a justiça, abuso de drogas e comportamentos erráticos que frequentemente ganhavam destaque na mídia. A produção contou com RZA, The Neptunes, Buddha Monk, entre outros, que seguiram uma abordagem ainda mais experimental, mas com beats mais limpos, apresentando graves mais fortes, maior definição na mixagem, além da presença de grooves inspirados no Funk, linhas de baixo marcantes e refrães bastante melódicos. Os flows do Dirty ficaram mais variados e precisos. O repertório é muito bom, e as canções são bastante divertidas e imersivas. Enfim, é um álbum bacana e demonstra uma proposta ainda mais ousada.
Melhores Faixas: Got Your Money, I Can't Wait, Cracker Jack, Good Morning Heartache, All In Together Now, N***a Please
Vale a Pena Ouvir: Recognize, Dirty Dog, Cold Blooded
A Son Unique – ODB
NOTA: 4/10
Dez anos se passaram e foi lançado o único trabalho póstumo do Ol’ Dirty Bastard, o Son Unique. Após o N***a Please, sua vida pessoal havia sido marcada por prisões, problemas com drogas e constantes conflitos com a indústria musical. Ele até havia assinado com a Roc-A-Fella e estava preparando esse projeto, mas, em 2004, veio a falecer de forma repentina, aos 35 anos, vítima de uma overdose acidental, pouco antes de finalizar os últimos detalhes do disco. Com isso, esse trabalho acabou sendo revisado para, enfim, lançá-lo. A produção contou com aqueles nomes conhecidos, ou seja, RZA, Pharrell Williams, Rockwilder e vários outros, que tentaram unir uma abordagem moderna ao Boom Bap clássico, com baterias mais pesadas, linhas de baixo definidas e sintetizadores modernos. Mas tudo soa bastante impreciso e sem coesão. O repertório é ruim, tendo poucas canções interessantes. No fim, é um álbum póstumo bastante esquecível.
Melhores Faixas: Operator, Pop Shots, Intoxicated, Back In The Air
Piores Faixas: How Ya Feeling Dirty, Lift Your Skirt, Don't Hurt Me, Skrilla, ODB, Don't Go Breaking My Heart