quarta-feira, 29 de julho de 2026

Analisando Discografias - Inspectah Deck

                 

Uncontrolled Substance – Inspectah Deck





















NOTA: 8,8/10


Em 1999, o Inspectah Deck lançava seu 1º trabalho solo, intitulado Uncontrolled Substance. Após o Wu-Tang Forever, o rapper decidiu se aventurar em sua carreira solo, fazendo um trabalho que passou por uma série de problemas, como um incêndio que destruiu boa parte das gravações originais do álbum, obrigando Deck a reconstruir praticamente todo o projeto. A produção foi feita pelo rapper junto de RZA, 4th Disciple, entre outros, que criaram beats crus e pesados, com aquela presença de baterias mais secas, linhas de baixo mais evidentes e arranjos menos caóticos. Adotando aquela abordagem clássica do Boom Bap com traços do Jazz Rap, o álbum faz com que os flows do Deck soem bem fluidos, mantendo toda aquela agressividade e técnica. O repertório é ótimo, e as canções são bem profundas e carregadas de mensagem. No fim das contas, é um ótimo disco e, mesmo com os atrasos, valeu a pena. 

Melhores Faixas: Uncontrolled Substance, Elevation, Touble Man, R.E.C. Room, Longevity, Movas & Shakers, Femme Fatale 
Vale a Pena Ouvir: The Cause, 9th Chamber, The Grand Prix

The Movement – Inspectah Deck





















NOTA: 4/10


Quatro anos se passaram, e o Inspectah Deck lança um álbum novo, o The Movement. Após o Uncontrolled Substance, ele permaneceu bastante ativo dentro do universo Wu-Tang Clan, participando de projetos coletivos, álbuns de outros integrantes e consolidando ainda mais sua reputação como um dos MCs mais consistentes do grupo. Para esse novo projeto, ele ainda queria seguir fiel às suas características, priorizando letras complexas, narrativas urbanas e uma postura mais tradicional. A produção, feita por Arabian Knight, Ayatollah, Falling Down e Phantom of the Beats, seguiu aquela abordagem do Boom Bap tradicional, com baterias secas, graves constantes e linhas de baixo profundas, mas com elementos modernos, como pianos discretos, cordas melancólicas e vocais sampleados. Só que tudo soa bem impreciso, e o flow do Deck não consegue se encaixar. O repertório é bem ruim, tendo canções medíocres e poucas interessantes. No fim, é um disco fraco e nada marcante. 

Melhores Faixas: The Movement, It’ Like That, Big City, That Nigga, Framed 
Piores Faixas: U Wanna Be, The Stereotype, It's Like That, Shorty Right There, Get Right, Bumpin And Grindin

The Resident Patient – Inspectah Deck





















NOTA: 3/10


Em 2005, o Inspectah Deck lançou mais um álbum, o The Resident Patient, que foi mais caseiro. Após o The Movement, o rapper, em vez de buscar hits, prefere construir um trabalho voltado aos fãs do Boom Bap tradicional, apostando em letras densas, instrumentais sombrios e um clima bastante introspectivo. A produção foi feita por ele junto de Concrete Beats, Mondee, entre outros, que colocaram beats crus e diretos, contando com baterias secas, baixos encorpados, samples de Soul e Jazz e loops constantes. O clima predominante é sombrio. Muitos beats utilizam pianos melancólicos, cordas suaves e vocalizações sampleadas. Mas o problema é, certamente, que o flow do Deck está bastante repetitivo e, às vezes, até irregular, com momentos em que fica até fora da proposta de cada beat. O repertório é fraquíssimo, tem canções bastante medíocres e poucas que se salvam. No final, é um trabalho ruim e que acabou não funcionando. 

Melhores Faixas: What They Want, A Lil Story, C.R.E.E.P.S. 
Piores Faixas: Handle That, My Style, Get Down Wit Me, All I Want Is Mine, H.G. Is My Life, Do My Thang

Chamber No. 9 – Inspectah Deck





















NOTA: 8/10


Então chegamos a 2019, quando o Inspectah Deck lançava seu mais recente álbum solo, o Chamber No. 9. Após o The Resident Patient, Deck não tinha mais a pressão de provar seu talento. Seu status como um dos maiores letristas da história do Rap já estava consolidado. Dessa forma, o álbum foi concebido como uma celebração de sua carreira e da tradição do Boom Bap nova-iorquino, sem qualquer preocupação em seguir tendências contemporâneas como a do Trap. A produção, feita apenas por Boo Buddy e Danny Caiazzo, colocou beats densos e crus, mas que não são sobrecarregados. Contando, como sempre, com baterias fortes, linhas de baixo marcantes, samples de Soul, Funk e Jazz cuidadosamente manipulados. Os flows do rapper são bem cadenciados e técnicos. O repertório é muito bom, e as canções são bastante reflexivas. Enfim, é um disco bacana e que ficou muito consistente. 

Melhores Faixas: Can´t Stay Away, Game Don´t Change, Certified 
Vale a Pena Ouvir: No Good, Chamber No. 9, 24K (Cappadonna mandou bem)


Analisando Discografias - U-God

                  Golden Arms Redemption – U-God NOTA: 5/10 No ano de 1999, o U-God lançava seu 1º álbum solo, o Golden Arms Redemption. Apó...