Alleys To Valleys – Hermitude
NOTA: 8,2/10
Em 2003, o duo Hermitude lançava seu álbum de estreia, intitulado Alleys to Valleys. Formado em 2000 na região montanhosa de Blue Mountains, New South Wales, na Austrália, pela dupla Luke Dubber (Luke Dubs) e Angus Stuart (Elgusto), em um período em que os dois estavam desenvolvendo uma abordagem própria para o Rap instrumental. A produção, feita pela própria dupla, colocou batidas cuidadosas, evitando que elas fossem simplesmente loops repetidos durante vários minutos. Há uma preocupação constante com textura, dinâmica e pequenas mudanças dentro dos arranjos. Os samples, teclados, efeitos, linhas de baixo e elementos percussivos são colocados de maneira a criar uma sensação de movimento, que faz esses elementos dialogarem com características do Jazz, Ambient e do Trip Hop. O repertório é muito bom, e as canções são bem atmosféricas. Enfim, é um ótimo disco e mostrou algo promissor.
Melhores Faixas: Alleys To Valleys, Splendid Isolation, Gusto's Theme, Cave Styles
Vale a Pena Ouvir: Moth Journey, Imaginary Friends (AV), Space Evaders, Fire Up The Converters
Tales Of The Drift – Hermitude
NOTA: 8,7/10
Dois anos se passaram, e o Hermitude lançava seu 2º álbum, intitulado Tales of the Drift. Após o Alleys to Valleys, que estabeleceu uma identidade baseada no Rap instrumental, Jazz e um pouco da música eletrônica, o primeiro álbum ainda tinha bastante daquela característica de produtores explorando samples e construindo atmosferas. No seu sucessor, a intenção foi expandir essa fórmula e fazer com que a música tivesse uma presença mais orgânica. A produção foi bem mais orgânica, com eles tendo uma preocupação maior em tocar e manipular os próprios instrumentos. Isso deixa o som mais vivo e também permite que as músicas tenham mais personalidade individual. Os beats continuam quebrados, os samples continuam importantes e existe uma forte preocupação com a manipulação do som, fazendo tudo de forma bem fluida. O repertório é muito bom, e as canções são bem imersivas e variadas. No fim, é um disco bacana e que merece ser redescoberto.
Melhores Faixas: Tapedeck Sound, Madness in G Minor, Galactic Cadillac, The Drift, You Got Soul
Vale a Pena Ouvir: Nightfall's Messenger, Dubs' Theme, Mystical Herm's
Threads – Hermitude
NOTA: 8/10
Mais três anos se passaram, e foi lançado um novo trabalho do Hermitude, o Threads. Após o Tales of the Drift, a dupla estava cada vez mais interessada em transformar essa base em algo mais amplo e musical. Com isso, eles começaram a se afastar um pouco da lógica de simplesmente construir instrumentais e passaram a trabalhar com estruturas mais elaboradas, participações vocais e uma sonoridade eletrônica mais evidente. A produção foi mais cinematográfica, ainda contendo a utilização de samples e programação eletrônica, mas começou a construir músicas com arranjos mais completos, incorporando uma quantidade maior de instrumentos e texturas. Com isso, ainda há elementos do Rap instrumental, só que agora também há passagens do Downtempo e Glitch Hop. O repertório é bem legal, e as canções são bem mais densas. No geral, é um trabalho interessante, mesmo que faltasse algo mais.
Melhores Faixas: Frayed, Slychain
Vale a Pena Ouvir: New People, Bloodshoot, Stepping Stones
HyperParadise – Hermitude
NOTA: 8,3/10
No ano de 2012, o Hermitude voltava com um novo disco, o HyperParadise, de forma repaginada. Após o Threads, a dupla já tinha passado anos desenvolvendo sua linguagem, mas aqui encontrou uma maneira de tornar seu experimentalismo muito mais acessível. Em vez de abandonar a complexidade dos trabalhos anteriores, Luke Dubs e El Gusto começaram a organizar suas ideias em torno de grooves mais fortes e melodias mais marcantes. A produção seguiu por um caminho bem orientado para as pistas de dança, com eles juntando Wonky e Glitch Hop a elementos do Future Bass e Funktronica. Os sintetizadores têm uma textura granulada, enquanto as baterias podem alternar entre algo bastante seco e agressivo e momentos mais espaçosos. Os beats possuem um efeito glitcheado e contam com graves fortes, além da presença de percussão. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas e futuristas. No geral, é um disco bacana e que foi a virada de chave.
Melhores Faixas: Get In My Life, HyperParadise, Speak Of The Devil
Vale a Pena Ouvir: The Hunt, The Villain, Cloud City
Então é isso, um abraço e flw!!!