Don Lucero – Luis Alberto Spinetta
NOTA: 8,3/10
Chegando ao final da década de 80, Spinetta lança o sólido álbum Don Lucero. Após o maravilhoso Tester de violencia, o cantor estava cada vez mais distante da necessidade de se encaixar em uma tendência específica. A música argentina do período estava passando por transformações, e o Rock começava a conviver com uma produção mais moderna e diferentes linguagens do Pop. Spinetta absorve parte desse ambiente, mas não tenta simplesmente soar como seus contemporâneos. A produção foi para um caminho mais sofisticado, com uso eficiente de sintetizadores, programações, efeitos e instrumentos elétricos, mas também preserva uma presença muito forte de guitarras e instrumentos acústicos. Conseguindo criar uma atmosfera bem cinematográfica e com os vocais sendo bem delicados, fazendo assim uma espécie de Pop progressivo com Art Rock. O repertório é muito bom, e as canções são bem imersivas. Enfim, é um disco bacana e muito consistente.
Melhores Faixas: La Melodía Es En Tu Alma, Es La Medianoche, Un Sitio Es Un Sitio
Vale a Pena Ouvir: Fina Ropa Blanca, Cielo Invertido, Divino Presagio
Peluson of Milk – Luis Alberto Spinetta
NOTA: 9,8/10
Em 1991, Luis Alberto Spinetta lançava outro álbum fantástico, o Peluson of Milk. Após o Don Lucero, esse trabalho nasce em uma fase particularmente pessoal da vida de Spinetta, e isso influencia diretamente sua atmosfera. Ele estava vivendo a expectativa do nascimento de sua filha Vera, e esse contexto ajuda a explicar a ternura que atravessa praticamente todo o disco. Não é um álbum infantil, nem simplesmente um álbum sobre paternidade. A produção foi para uma abordagem bem minimalista, com Spinetta tocando a maioria dos instrumentos, só que, claro, com algumas participações. As guitarras, teclados e cordas criam texturas, enquanto o baixo e a bateria são bem sustentáveis, e o uso de sequenciadores e máquinas de ritmo funciona como estrutura, dialogando assim tanto com o Pop Rock e o Art Rock quanto com elementos da New Wave. O repertório é incrível, e as canções são todas belíssimas e bem poéticas. No fim, é um baita disco e um clássico.
Melhores Faixas: Seguir Viviendo Sin Tu Amor, Lago De Forma Mía, Cielo De Ti, Domo Tú, Cada Luz, Jilguero, La Montaña
Vale a Pena Ouvir: Dime La Forma, Hombre De Lata, Ganges, Cruzarás
Silver Sorgo – Spinetta
NOTA: 8/10
Melhores Faixas: Abrazame Inocentemente, Ni Hables
Vale a Pena Ouvir: Mundo Disperso, Adentro Tuyo, La Verdad De Las Grullas, El Mar Es De Llanto, El Enemigo
Para Los Árboles – Spinetta
NOTA: 9/10
No ano de 2003, Luis Alberto Spinetta lançava mais um álbum, o Para los árboles. Após o Silver Sorgo, esse trabalho traz uma preocupação que sempre esteve presente na obra de Spinetta: a natureza. Árvores, céu, água, animais, luz e paisagens aparecem como imagens através das quais ele consegue falar sobre o ser humano sem precisar descrevê-lo diretamente. A natureza não funciona simplesmente como cenário; ela é quase uma linguagem paralela. A produção foi ainda mais sofisticada e conseguiu equilibrar perfeitamente instrumentos reais e programação eletrônica. As guitarras continuam fundamentais, mas aparecem muitas vezes como texturas, contrapontos ou pequenas intervenções melódicas, em vez de simplesmente conduzirem riffs. O baixo é bem sustentável, a bateria é bem orgânica e os teclados são bem variados. O repertório é incrível, e as canções são bastante imersivas e noturnas. No fim, é um belo álbum e bem equilibrado.
Melhores Faixas: Agua De La Miseria, Sin Abandono, Cisne, Ciénaga Dorada, Halo Lunar, El Lenguaje Del Cielo
Vale a Pena Ouvir: Tu Cuerpo Mediodía, Yo Miro Tu Amor, A Su Amor, Allí
Pan – Spinetta
NOTA: 8,5/10
Três anos se passaram, e Spinetta lançava mais um álbum novo, intitulado apenas como Pan. Após o Para los Árboles, a sua relação musical construída com músicos como Claudio Cardone, Nerina Nicotra e Sergio Verdinelli permite que ele trabalhe com uma banda muito mais coesa. Esse novo álbum continuava explorando temas como amor, passagem do tempo, fragilidade, existência, relações humanas e a tentativa de encontrar beleza em meio à confusão. A produção foi bastante orgânica e caminhou para um som que dialogava tanto com o Art Rock quanto com o Jazz-Rock. As guitarras de Spinetta continuam servindo como arquitetura sonora, com a bateria tendo várias mudanças de dinâmica, enquanto o baixo ajuda a definir as harmonias e dá às músicas uma profundidade enorme. E os teclados ampliam bastante o espaço harmônico. O repertório ficou muito bom, e as canções são bem mais melódicas e intimistas. Enfim, é um disco bacana e que foi bem abrangente.
Melhores Faixas: No Habra Un Destino Incierto, Sinfin, Dale Luz Al Instante, ¡Que Hermosa Estas!
Vale a Pena Ouvir: Espuma Mistica, Cancion De Noche, Atado A Tu Frontera
Un Mañana – Spinetta
NOTA: 9,5/10
Melhores Faixas: No Quiere Decir, La Mendiga, Hiedra Al Sol, Vacio Sideral, Despierta En La Brisa, Preso Ventanilla
Vale a Pena Ouvir: Para Soñar, Cancion De Amor Para Olga, Tu Vuelo Al Fin
Los Amigo – Luis Alberto Spinetta
NOTA: 5/10
Então chegamos em 2015, onde foi lançado um álbum póstumo do Spinetta, o Los Amigo. Após o Un Mañana, o cantor estava preparando alguns projeto no inicio da década de 2010, mas no começo do ano de 2012, devido a um cancer de pulmão, Luis Alberto Spinetta veio a falecer. Com isso, esse material acabou sendo resgatado e foi preparado um ano antes junto com Rodolfo García na bateria e Daniel Ferrón no baixo. Produção feita pelo proprio cantor, seguiu uma abordagem bem espontanea. As bases foram gravadas ao vivo, com os três tocando juntos, e não houve overdubs nas tomadas originais. O que temos são guitarras expressivas, baixo melodico e uma bateria sustentavel lembrando muito a sonoridade do A 18’ Del Sol. Só que apesar de eles terem ido de cabeça na improvisação, tudo soa bem confuso e faltando algo mais enxuto. O repertório é curtinho tendo poucas faixas, com algumas legais e outras não. Enfim, é um álbum mediano, mas que trouxe algo interessante.
Melhores Faixas: Iris, Canción Del Lugar
Piores Faixas: Bagualerita, El Gaitero






