Soda Stereo – Soda Stereo
NOTA: 8,5/10
No ano de 1984, o Soda Stereo lançava seu álbum de estreia autointitulado, numa temática bem padronizada. Formado em 1982, na capital argentina, Buenos Aires, por Gustavo Cerati (vocais e guitarras), Zeta Bosio (baixo) e Charly Alberti (bateria), o trio vinha construindo uma identidade fortemente ligada à New Wave. Com eles surgindo em um período pós-ditadura militar e com uma nova geração ocupando a indústria musical local, a banda, que havia ganhado muito destaque, assinou com a CBS. A produção, feita por Federico Moura, colocou um som polido e detalhado. As guitarras de Cerati possuem muito mais riffs, efeitos, acordes secos e texturas. As linhas de baixo de Bosio são bastante sustentadas, e a bateria é bem orgânica, fora, claro, os vocais expressivos de Cerati, que estão sempre no centro. O repertório é legalzinho, tendo canções divertidas e outras que envelheceram mal. No fim, é um disco bacana, mas que serviu mais como apresentação.
Melhores Faixas: Tratame Suavemente, Sobredosis De T.V., El Tiempo Es Dinero, Dietetico
Piores Faixas: Tele-Ka, Mi Novia Tiene Biceps
Nada Personal – Soda Stereo
NOTA: 9,1/10
No ano seguinte, o Soda Stereo retornou com seu 2º álbum de estúdio, o Nada Personal. Após o álbum de estreia, eles começaram a deixar um pouco de lado a imagem puramente divertida e provocativa do primeiro trabalho. A banda continuava interessada em música Pop, dança e estética moderna, mas Gustavo Cerati passou a explorar letras mais ambíguas, sensuais e introspectivas. A produção, feita pela própria banda, continuou sendo bem limpa e sofisticada, ainda tendo aquele diálogo com a New Wave e com elementos do Synth-pop, Post-Punk, 2-Tone e Funk Rock. As guitarras passam a criar texturas, ambientes e pequenas camadas dentro das músicas. O baixo conduz muito bem, e a bateria é bastante precisa, fora um uso ocasional de sintetizadores. Enquanto isso, os vocais de Cerati ficaram um pouco mais melódicos. O repertório é incrível, e as canções são bem divertidas e energéticas. No fim, é um belo disco e mostrou uma grande evolução.
Melhores Faixas: Cuando Pase El Temblor, Nada Personal, Juego De Seducción, Estoy Azulado, Danza Rota
Vale a Pena Ouvir: Si No Fuera Por..., Imágenes Retro, El Cuerpo Del Delito
Signos – Soda Stereo
NOTA: 9,9/10
Melhores Faixas: Persiana Americana, Prófugos, El Rito, Signos
Vale a Pena Ouvir: Sin Sobresaltos, Final Caja Negra
Doble Vida – Soda Stereo
NOTA: 9/10
De novo se passou outro ano, e o Soda Stereo lançava seu 4º álbum, o Doble Vida. Após o Signos, a banda começou a circular com mais força pela América Latina e percebeu que sua música podia ultrapassar o circuito argentino. Isso também trouxe uma mudança de perspectiva. A banda queria ampliar sua sonoridade e incorporar elementos do Rock, Pop e Funk de maneira mais evidente. A produção, feita por Carlos Alomar, deixou uma sonoridade limpa e encorpada, colocando uma maior preocupação no groove. Com isso, os baixos ganham bastante importância, enquanto Charly Alberti trabalha com uma bateria mais dinâmica e menos presa à estética puramente New Wave. As guitarras de Cerati continuam utilizando efeitos e texturas, mas agora existem momentos mais agressivos, fora seus vocais, que ficaram bem mais seguros e energéticos. O repertório é maravilhoso, e as canções são bem divertidas e suaves. Enfim, é um baita disco e que é muito subestimado.
Melhores Faixas: En La Ciudad De La Furia, Lo Que Sangra (La Cupula), Corazon Delator, Dia Comun - Doble Vida
Vale a Pena Ouvir: En El Borde, Terapia De Amor Intensiva
Cancion Animal – Soda Stereo
NOTA: 10/10
Entrando nos anos 90, o Soda Stereo lança o maravilhoso e atemporal Cancion Animal. Após o Doble Vida, o Soda decide recuperar uma parte mais visceral do Rock argentino que havia marcado sua adolescência, aproximando-se de uma sonoridade muito mais guitarrística, pesada e orgânica. Já que aquela estética da New Wave já tinha se tornado obsleto e ultrapassado, com isso eles decidiram ir de cabeça no Rock alternativo que eles já tinha explorado em determinados momentos. Produção feita novamente pela propria banda, foi para uma sonoridade mais mais encorpada, direta e orgânica. As guitarras do Cerati possuem riffs distorcidos e grandes momentos instrumentais, além claro de seu vocal que ficou ainda mais expressivo. Os baixo é bastante presente e a bateria ganhou bastante peso, tendo assim elementos do Hard Rock e Jangle Pop. O repertório é maravilhoso, parecendo quase que uma coletanea. No fim, é um disco excepcional e um dos melhores de todos os tempos.
Melhores Faixas: De Musica Ligera, Un Millon De Años Luz, Cancion Animal, Sueles Dejarme Solo, (En) El Septimo Dia, Entre Canibales
Vale a Pena Ouvir: Te Para 3, Hombre Al Agua
Dynamo – Soda Stereo
NOTA: 10/10
Melhores Faixas: Primavera 0, Luna Roja, Toma La Ruta, Fué, En Remolinos, Ameba, Secuencia Inicial
Vale a Pena Ouvir: Camaléon, Texturas, Claroscuro
Sueño Stereo – Soda Stereo
NOTA: 9,7/10
Em 1995, o Soda Stereo lançava seu 7º e último álbum, o maravilhoso Sueño Stereo. Após o excepcional Dynamo, o Soda passou por uma espécie de pausa, e seus integrantes começaram a desenvolver outros projetos. Gustavo Cerati, em particular, aprofundou ainda mais seu interesse por eletrônica e experimentação. Com esse álbum, a banda soa menos como uma tentativa de descobrir uma nova identidade e mais como uma síntese de tudo aquilo que o trio havia construído. A produção foi para um caminho mais elegante e cinematográfico, conversando com o Rock alternativo e o Art Rock, já que temos elementos de Dream Pop, Chamber Pop e música eletrônica. Com isso, as guitarras ficaram bem texturizadas, o baixo ficou mais discreto, a bateria está mais orgânica, e os sintetizadores, a programação e os efeitos deixam tudo mais atmosférico. O repertório é incrível, e as canções são todas muito imersivas. Enfim, é um baita disco de encerramento de uma banda lendária.
Melhores Faixas: Ella Usó Mi Cabeza Como Un Revólver, Disco Eterno, Zoom, Angel Eléctrico, Pasos, Efecto Doppler
Vale a Pena Ouvir: Planta, Ojo De La Tormenta, Paseando Por Roma






