Almendra – Almendra
NOTA: 10/10
Era o início dos anos 70, e surgiu o álbum de estreia autointitulado de uma banda chamada Almendra. Formada dois anos antes, na capital argentina, Buenos Aires, por quatro jovens promissores, Luis Alberto Spinetta (guitarras e vocais), Edelmiro Molinari (guitarras), Emilio del Guercio (baixo) e Rodolfo García (bateria), a banda trouxe um álbum lançado pela Sony Music, carregado de experimentação, mas que não abria mão da acessibilidade e também tinha um grande diferencial: as letras poéticas de Spinetta. A produção foi feita pela própria banda, que colocou um som orgânico que misturava Rock Psicodélico, Folk, Blues Rock e Pop Barroco. As guitarras são bastante variadas em seus timbres, o baixo é bastante consistente, a bateria acompanha o movimento, inclusive nas mudanças de dinâmica, e os vocais do Spinetta são bem poderosos. O repertório é sensacional, sendo praticamente uma coletânea. No fim, é um disco atemporal e um dos melhores de todos os tempos.
Melhores Faixas: Muchacha (Ojos De Papel), A Estos Hombres Tristes, Plegaria Para Un Niño Dormido, Ana No Duerme, Color Humano
Vale a Pena Ouvir: Que El Viento Borró Tus Manos, Laura Va
Almendra II – Almendra
NOTA: 9,2/10
No mesmo ano, o Almendra lançava seu 2º álbum, que é conhecido como Almendra II. Após seu clássico álbum de estreia, a banda havia apresentado uma combinação muito particular, além de ter colocado Luis Alberto Spinetta como um dos principais compositores da música argentina. A banda já não parecia satisfeita em trabalhar apenas com o formato de canções relativamente curtas e acessíveis. Spinetta, Edelmiro Molinari, Emilio del Guercio e Rodolfo García estavam interessados em desenvolver composições mais extensas e com estruturas menos convencionais. A produção foi bem mais expansiva, com eles entrando de cabeça na psicodelia, além de traços do Blues Rock e Rock Progressivo. As guitarras ficaram muito mais intensas, a cozinha rítmica é bastante orgânica e os arranjos conseguem ser bem funcionais. O repertório é muito bom, e as canções são bem ecléticas e contêm um caráter imersivo. No fim, é um ótimo disco que consegue ser bem coeso.
Melhores Faixas: Camino Dificil, Toma El Tren Hacia El Sur, Rutas Argentinas, Vete De Mí, Cuervo Negro, Agnus Dei, Para Ir, Carmen, Los Elefantes, Mestizo
Vale a Pena Ouvir: No Tengo Idea, Florecen Los Nardos, En Las Cúpulas
El Valle Interior – Almendra
NOTA: 8,7/10
Em 1980, o Almendra lançava seu 3º e último álbum, o El Valle Interior, que teve uma proposta diferente. Após o Almendra II, a banda acabou se separando porque alguns planos não deram certo, como uma tentativa de fazer uma Ópera-Rock, e também os conflitos internos fizeram com que cada um seguisse seu próprio caminho. Até que, no fim dos anos 70, eles se reuniram, e o que começou com apresentações ao vivo posteriormente resultou na ideia de registrar material novo. A produção foi feita por Alberto Ohanian, que colocou um som limpo e definido, só que eles não se desfizeram de seu lado orgânico. As guitarras aparecem de maneira menos agressiva e mais textural, as linhas de baixo são bem melódicas e a bateria é bem sustentável, com eles dialogando com Rock Progressivo e Jazz-Rock. O repertório é muito bom, e as canções são bem atmosféricas e cadenciadas. Enfim, é um ótimo disco que encerrou bem a trajetória da banda.
Melhores Faixas: Miguelito, Mi Espíritu Ha Partido A Tiempo, Las Cosas Para Hacer, Amidama
Vale a Pena Ouvir: El Fantasma De La Buena Suerte, Buen Dia, Dia De Sol