domingo, 13 de setembro de 2026

Analisando Discografias - Foreigner

                 

Foreigner – Foreigner





















NOTA: 9,6/10


No ano de 1977, foi lançado o álbum de estreia autointitulado do Foreigner, que foi um divisor de águas. Formado um ano antes em Nova York por Lou Gramm nos vocais, Mick Jones e Ian McDonald nas guitarras, Al Greenwood (teclados), Ed Gagliardi (baixo) e Dennis Elliott (bateria), eles traziam uma abordagem diferente: em vez de apostar em um Rock extremamente agressivo, o grupo constrói um som pesado, mas extremamente melódico, com riffs marcantes e refrões fortes. A produção feita por John Sinclair e Gary Lyons junto com a banda deixou um som limpo e extremamente polido, que juntava os elementos do Hard Rock e do nascente AOR. As guitarras conseguem alternar entre riffs mais diretos, bases densas e momentos mais melódicos. A cozinha rítmica é bastante orgânica, os teclados criam atmosferas e os vocais do Gramm são bem articulados. O repertório é maravilhoso, e as canções são imersivas. No fim, é um baita disco de estreia e um clássico. 

Melhores Faixas: Cold As Ice, Feels Like The First Time, The Damage Is Done, Long, Long Way From Home, Starrider 
Vale a Pena Ouvir: At War With The World, Fool For You Anyway, Headknocker

Double Vision – Foreigner





















NOTA: 8,7/10


No ano seguinte, o Foreigner lançava seu 2º álbum, o expressivo Double Vision. Após o álbum de estreia, a banda estava tentando consolidar aquilo que havia construído no álbum anterior. A formação continuava essencialmente a mesma, com Mick Jones e Ian McDonald comandando a parte instrumental e Lou Gramm novamente como principal voz. A diferença é que agora a banda já tinha mais experiência e uma noção muito mais clara de como transformar sua sonoridade em algo ainda mais direto e eficiente. A produção, feita junto com Keith Olsen, seguiu uma abordagem limpa e acessível, com eles continuando a juntar os elementos do AOR e Hard Rock. As guitarras possuem bastante força e riffs precisos, a bateria tem impacto e o baixo sustenta as músicas de maneira firme. O uso de teclados é bem aproveitado e os vocais do Gramm continuam bem articulados. O repertório é muito bom, e as canções são bem variadas. Enfim, é um ótimo disco e que teve mais imersão. 

Melhores Faixas: Double Vision, Blue Morning, Blue Day, Hot Blooded 
Vale a Pena Ouvir: You're All I Am, Love Has Taken Its Toll

Head Games – Foreigner





















NOTA: 8,5/10


Chegando ao final dos anos 70, o Foreigner lançava mais um disco, o subestimadíssimo Head Games. Após o Double Vision, a banda acabou passando por mudanças, com a saída do baixista Ed Gagliardi e a entrada de Rick Wills (ex-Roxy Music). E, para esse álbum, decidiram fazer algo que pegasse parte da agressividade apresentada antes e equilibrá-la com uma preocupação maior com melodias e arranjos comerciais. A produção, feita por Mick Jones e Ian McDonald junto com o lendário Roy Thomas Baker, seguiu por um som limpo e extremamente organizado. As guitarras continuam tendo presença, mas o som já demonstra uma preocupação maior em deixar tudo muito bem definido e acessível. A bateria é firme, o baixo sustenta bem as músicas e os teclados continuam sendo usados para ampliar os arranjos. O repertório é muito bom, e as canções são bastante energéticas. No fim, é um disco bacana e que acabou não vendendo muito. 

Melhores Faixas: Head Games, Women, Dirty White Boy, The Modern Day 
Vale a Pena Ouvir: Love On The Telephone, Do What You Like, I'll Get Even With You

4 – Foreigner





















NOTA: 9,8/10


No ano de 1981, o Foreigner lançava seu clássico 4º álbum, intitulado apenas como 4. Após o Head Games, Ian McDonald e Al Greenwood deixaram a banda, fazendo com que o Foreigner passasse de um sexteto para um quarteto, com Mick Jones, Lou Gramm, Dennis Elliott e Rick Wills. Essa redução poderia ter deixado o som mais limitado, mas aconteceu justamente o contrário: Jones assume ainda mais controle sobre a direção musical, enquanto a banda passa a trabalhar com uma estrutura mais enxuta. A produção de Mick Jones junto com Robert John "Mutt" Lange deixou uma abordagem polida e extremamente radiofônica, com eles equilibrando Hard Rock, AOR e pitadas de música Pop. As guitarras são muito bem trabalhadas, alternando riffs pesados e bases mais limpas. O baixo é bastante presente, a bateria é precisa e os vocais do Lou Gramm são bem melódicos. O repertório é sensacional, e as canções são bem cadenciadas. No fim, é um baita disco e que foi o auge deles. 

Melhores Faixas: Waiting For A Girl Like You, Urgent, Juke Box Hero, I’m Gonna Win, Girl Of The Moon, Night Life 
Vale a Pena Ouvir: Break It Up, Don't Let Go

Agent Provocateur – Foreigner





















NOTA: 8,7/10


Se passaram três anos para o Foreigner voltar com seu 5º álbum, o Agent Provocateur. Após o 4, eles tinham se tornado uma das principais bandas do Hard Rock daquele período, mas estavam cada vez mais se distanciando dessa abordagem. A banda passa a explorar com mais intensidade o Pop Rock, sintetizadores, baladas e uma produção grandiosa, refletindo muito bem o ambiente musical da primeira metade dos anos 80. A produção, feita por Mick Jones junto com Alex Sadkin, deixou um som grandioso e radiofônico. As guitarras continuam presentes, mas já não possuem a mesma posição dominante que tinham nos primeiros trabalhos. A bateria é bastante limpa e controlada, o baixo acompanha de maneira sólida e os teclados ajudam a preencher boa parte do espaço sonoro. E os vocais do Lou Gramm ficaram mais variados. O repertório é muito legal, e as canções ficaram mais intimistas. No geral, é um disco bacana e que envelheceu bem. 

Melhores Faixas: I Want To Know What Love Is, That Was Yesterday, Down On Love, Tooth And Nail 
Vale a Pena Ouvir: Reaction To Action, Two Different Worlds, Stranger In My Own House

Inside Information – Foreigner





















NOTA: 6/10


Mais três anos se passaram, e o Foreigner lançava mais um álbum novo, o Inside Information. Após o Agent Provocateur, eles estavam completamente no topo e, obviamente, queriam se manter lá. Mas eles queriam tentar recuperar um pouco mais de equilíbrio. Existe uma preocupação maior em trazer guitarras e momentos mais pesados, sem abandonar a acessibilidade conquistada durante a década. A produção, feita junto com Frank Filipetti, deixou aquele som limpo, só que mais detalhado. Mick Jones tem um papel muito importante na construção dessa sonoridade. As guitarras são utilizadas tanto para criar riffs quanto para complementar os teclados e os vocais. O baixo e a bateria funcionam de maneira muito controlada, mas o problema é que há muitos momentos arrastados e faltando variação, com os vocais de Lou Gramm nem conseguindo salvar. O repertório é irregular, tem canções boas e outras genéricas. No geral, é um álbum mediano e impreciso. 

Melhores Faixas: Inside Information, Say You Will, Out Of The Blue 
Piores Faixas: Face To Face, I Don't Want To Live Without You, Can’t Wait

Unusual Heat – Foreigner





















NOTA: 5/10


Indo para 1991, o Foreigner voltava com seu 7º álbum de estúdio, o Unusual Heat. Após o Inside Information, o vocalista Lou Gramm decidiu sair da banda e, no seu lugar, Mick Jones contratou Johnny Edwards. Mas havia um problema naquele período: o AOR tinha deixado de ser tendência e já tinha perdido espaço para o Rock alternativo, e a banda achou que ainda teria espaço na mídia seguindo a mesma fórmula. A produção de Mick Jones junto com Terry Thomas seguiu aquela mesma abordagem de sempre, buscando algo mais grandioso. As guitarras possuem uma presença maior e alguns arranjos são mais densos, dando ao álbum uma aparência mais roqueira. Enquanto a cozinha rítmica sustenta tudo e os vocais do Johnny são bem parecidos com os de Gramm, conseguindo até mandar bem, mas é aquilo: tudo soa bastante previsível. O repertório é mediano, tem canções legais e outras esquecíveis. Enfim, é um álbum irregular e que chega a ser tedioso. 

Melhores Faixas: I'll Fight For You, Ready For The Rain, When The Night Comes Down 
Piores Faixas: Mountain Of Love, Unusual Heat, Safe In My Heart

Mr. Moonlight – Foreigner





















NOTA: 3/10


Mais três anos se passaram, e a banda lança mais um trabalho, o Mr. Moonlight. Após o Unusual Heat, o Foreigner tinha encerrado seu vínculo com a Atlantic Records, com a qual esteve desde o início, e assinou com a Arista. Além disso, o vocalista Lou Gramm retornou à banda, mas, ao mesmo tempo, o baixista Rick Wills e o baterista Dennis Elliott acabaram saindo, e entraram Bruce Turgon e Mark Schulman. A produção feita pela banda junto com Mike Stone deixou aquele som acessível e, ao mesmo tempo, moderno para os padrões dos anos 90. As guitarras ficaram mais pesadas, com presença de solos e harmonizações em determinados momentos, e os vocais de Lou Gramm ficaram bastante posicionados no centro. Mas tudo aqui soa bastante repetitivo e insistente em fórmulas obsoletas. O repertório é péssimo, e as canções são bastante genéricas, com poucas exceções. No final de tudo, é um disco péssimo de uma banda totalmente perdida. 

Melhores Faixas: All I Need To Know, Until End Of The Time, Under The Gun 
Piores Faixas: Real World, White Lie, Rain, Hand On My Heart, Big Dog

Can't Slow Down – Foreigner





















NOTA: 3/10


Então chegamos em 2009, quando o Foreigner lançava seu 9º e último álbum, o Can’t Slow Down. Após o Mr. Moonlight, a banda continuou, só que focando muito mais em suas turnês, até que, lá para 2005, Mick Jones reformulou a banda com Michael Bluestein nos teclados, Thom Gimbel na guitarra, Jeff Pilson no baixo e Brian Tichy na bateria. Mas a principal mudança foi a entrada de Kelly Hansen como vocalista, após a saída definitiva de Lou Gramm. Com isso, esse trabalho seria uma tentativa de se recolocar para uma nova geração, lançando esse projeto pela Rhino. A produção, feita por Marti Frederiksen e Mark Ronson, seguiu por uma abordagem limpa, com toques modernos. As guitarras têm passagens melódicas, a bateria é mais encorpada e o baixo aparece com uma definição melhor, mas, mesmo assim, tudo soa bastante arrastado e previsível. O repertório é bem ruim, com poucas canções dignas. Em suma, é um álbum fraco e, após isso, a banda só focou em turnês. 

Melhores Faixas: In Pieces, Angel Tonight, Give Me A Sign 
Piores Faixas: Too Late, When It Comes To Love, Living In A Dream, As Long As I Live, I Can't Give Up


Analisando Discografias - Heart: Parte 1

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