segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Analisando Discografias - Motörhead: Parte 2

                 

Inferno – Motörhead





















NOTA: 9,8/10


No ano de 2004, o Motörhead lançava seu 17º álbum de estúdio, intitulado Inferno. Após o Hammered, a banda já não precisava provar sua importância histórica e também não precisava acompanhar as tendências do Metal dos anos 2000. A proposta era simplesmente fazer um disco pesado, agressivo e concentrado, mas com uma produção capaz de dar ao trio uma força renovada. Lemmy, Campbell e Dee parecem completamente confortáveis dentro de seus papéis. A produção, feita por Cameron Webb, traz uma sonoridade muito mais pesada, encorpada e moderna, mantendo aquele tradicional Heavy Metal e Hard Rock da banda. O baixo do Lemmy continua distorcido e agressivo, mas possui uma definição excelente. As guitarras do Phil possuem timbres grossos e bastante agressivos, enquanto a bateria do Dee é bastante impactante e precisa. O repertório é sensacional, e as canções são todas muito divertidas. Enfim, é um baita disco, bastante variado e cheio de energia. 

Melhores Faixas: Terminal Show, In The Name Of Tragedy, Whorehouse Blues, Killers, Suicide, Smiling Like A Killer 
Vale a Pena Ouvir: Fight, In The Year Of The Wolf, Life's A Bitch

Kiss Of Death – Motörhead





















NOTA: 8,3/10


Dois anos se passaram para o Motörhead lançar mais um disco, o Kiss of Death. Após o Inferno, a situação da banda era bastante confortável. O trio estava junto havia muitos anos, Campbell já dominava completamente o papel de único guitarrista e Mikkey Dee estava cada vez mais integrado ao processo criativo. Lemmy, por sua vez, continuava sendo o principal elemento de identidade do grupo, mas sua voz já carregava naturalmente mais desgaste. Em vez de esconder isso, o álbum utiliza essa característica a seu favor. A produção do Cameron Webb seguiu um caminho que teve uma combinação certeira de peso, clareza e agressividade. Com isso, temos guitarras com riffs encorpados e agressivos, o baixo possui uma distorção certeira e a bateria apresenta impacto e definição. O repertório é muito bom, e as canções conseguem ser bem divertidas e variadas. Enfim, é um álbum bacana, mas que acabou ficando na sombra de seu antecessor. 

Melhores Faixas: God Was Never On Your Side, Sucker, Trigger, Kingdom Of The Worm, Living In The Past 
Vale a Pena Ouvir: Devil I Know, Under The Gun, Sword Of Glory

Motörizer – Motörhead





















NOTA: 8/10


Mais dois anos se passaram, e foi lançado o 19º álbum deles, o decente Motörizer. Após o Kiss of Death, a formação já estava completamente estabelecida e funcionava como uma unidade muito bem entrosada. Em 2008, Lemmy já tinha mais de 60 anos e o grupo estava há décadas na estrada. Mesmo assim, não existe no álbum uma tentativa de diminuir a intensidade para acompanhar a idade dos músicos. A produção foi aquela de sempre, um equilíbrio preciso entre agressividade e clareza, juntando os universos do Heavy Metal e do Hard Rock com alguns elementos de Speed Metal e daquilo que Lemmy chamava de Rock ‘n’ Roll. O baixo permanece enorme e distorcido, a guitarra do Phil tem bastante espaço para os riffs e solos, enquanto a bateria do Mikkey Dee apresenta impacto e precisão sem parecer artificialmente comprimida. O repertório é legalzinho, tendo canções divertidas e outras mais cadenciadas. No geral, é um ótimo disco que entrega o básico. 

Melhores Faixas: The Thousand Names Of God, Teach You How To Sing The Blues, Rock Out
Vale a Pena Ouvir: One Short Life, Back On The Chain, Buried Alive

The Wörld Is Yours – Motörhead





















NOTA: 8/10


No ano de 2010, foi lançado mais um álbum da banda, o The Wörld Is Yours, que foi mais caótico. Após o Motörizer, eles não precisavam recuperar prestígio nem provar que ainda conseguiam fazer música pesada. O objetivo era manter o nível. O Motörhead já havia encontrado uma fórmula bastante confortável nos anos 2000: produção pesada, riffs diretos, mistura de Heavy Metal e Hard Rock, além da personalidade inconfundível de Lemmy. A produção seguiu um caminho mais definido, mas ainda deixando aquele peso característico. A bateria do Mikkey Dee possui bastante impacto, especialmente no bumbo e na caixa, e a execução permanece extremamente precisa. As guitarras possuem um timbre grosso, agressivo e relativamente seco, e o baixo do Lemmy permanece distorcido e muito presente. O repertório é muito bom, e as canções são bem energéticas e mais carregadas de urgência. Enfim, é um ótimo disco que cumpre sua proposta. 

Melhores Faixas: I Know How To Die, Brotherhood Of Man, Devils In My Head 
Vale a Pena Ouvir: Rock 'N' Roll Music, Born To Loose, Get Back In Line

Aftershock – Motörhead





















NOTA: 8,5/10


Se passaram três anos para que eles lançassem seu penúltimo álbum, o Aftershock. Após o The Wörld Is Yours, Lemmy já estava com sua saúde se deteriorando, e isso dava ao trabalho um peso adicional quando ouvido retrospectivamente. Ainda assim, esse trabalho não é feito com espírito de despedida. Pelo contrário: existe uma postura extremamente desafiadora, como se a banda estivesse determinada a continuar funcionando normalmente apesar das circunstâncias. A produção seguiu um caminho eficiente, pesado e orgânico. O baixo do Lemmy permanece como uma das principais armas da produção, sendo distorcido e acompanhando boa parte do espectro sonoro. As guitarras do Phil Campbell ficam mais definidas e menos escondidas atrás do baixo, enquanto a bateria do Mikkey Dee é extremamente presente. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem energéticas e carregadas de sinceridade. Enfim, é um ótimo disco e foi mais imersivo. 

Melhores Faixas: Lost Woman Blues, Dust And Glass, Coup De Grace, Crying Shame, Queen Of The Damned 
Vale a Pena Ouvir: End Of Time, Knife, Silence When You Speak To Me

Bad Magic – Motörhead





















NOTA: 8,6/10


Em 2015, chegamos ao último álbum do Motörhead, o Bad Magic, que não trouxe algo muito diferente. Após o Aftershock, Lemmy já estava bastante debilitado fisicamente, e esse trabalho foi lançado apenas quatro meses antes de sua morte, em dezembro de 2015. É importante não transformar o álbum em uma espécie de “disco de despedida” artificial, porque ele não foi concebido dessa maneira. A banda continuava trabalhando como sempre, com a mesma atitude agressiva e o mesmo desprezo por qualquer tentativa de suavizar sua identidade. A produção foi feita, como sempre, por Cameron Webb, que colocou aquele som agressivo e equilibrado, juntando o melhor do Heavy Metal e do Hard Rock que eles sabiam fazer. O baixo distorcido, a guitarra definida do Phil e a bateria dinâmica do Mikkey, além dos vocais expressivos do Lemmy, estão aqui. O repertório é muito legal, e as canções são bem divertidas e satisfatórias. No fim, é um ótimo disco que foi uma despedida decente. 

Melhores Faixas: Victory Or Die, Thunder & Lightning, Fire Storm Hotel, Sympathy For The Devil, Till The End 
Vale a Pena Ouvir: Electricity, When The Sky Comes Looking For You, Choking On Your Screams


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