Nativus – Nativus (Natiruts)
NOTA: 10/10
No ano de 1997, o então chamado Nativus lançou seu álbum de estreia autointitulado. Formado no ano anterior, na capital Brasília, por Alexandre Carlo (vocais e guitarra), Kiko Peres (guitarra), Luís Maurício (baixo), Juninho (bateria), Izabella Rocha (vocal de apoio) e Bruno Dourado (percussão), surgiu em um período em que o Reggae nacional ganhava destaque por conta de nomes como O Rappa e Edson Gomes, mas o Natiruts tinha uma identidade bem própria. A produção, feita pela banda junto com Rodrigo Vidal e lançada pelo selo Zen Records, apresenta uma sonoridade bem orgânica. A bateria utiliza uma afinação seca e natural, enquanto o baixo ocupa uma posição central na mixagem. As guitarras exploram constantemente o tradicional skank do Roots Reggae, e os vocais de Alexandre são bem expressivos, dialogando bastante com o Pop Reggae. O repertório é sensacional, parecendo quase uma coletânea. No fim, é um baita disco e um clássico absoluto.
Melhores Faixas: Presente De Um Beija Flor, Liberdade Pra Dentro Da Cabeça, Deixa O Menino Jogar, Som De Bob, Casulo
Vale a Pena Ouvir: Surfista Do Lago Paranoá, Cantar, Semente Nativa
Povo Brasileiro – Natiruts
NOTA: 9,8/10
Dois anos depois, o agora Natiruts lançou seu 2º álbum, o Povo Brasileiro, que foi um trabalho mais ambicioso. Após o Nativus, a banda mudou de nome para o que conhecemos hoje para não ter problemas com outra banda gaúcha de mesmo nome. Além disso, seu disco de estreia foi relançado, já que o grupo assinou com a gravadora EMI. Para esse projeto, decidiram incorporar críticas sociais, referências históricas, identidade nacional e discussões políticas ao universo da banda. A produção, feita por Liminha, trouxe um som bem mais refinado. Há bastante presença de metais e teclados, preenchendo os espaços com timbres discretos. A cozinha rítmica é bem sólida e consegue criar um groove constante, enquanto as guitarras permanecem fiéis ao skank, porém exploram mais camadas. Além disso, os vocais de Alexandre continuam bem expressivos. O repertório é incrível, e as canções são bem profundas. No geral, é um belíssimo álbum e muito coeso.
Melhores Faixas: O Carcará E A Rosa, Meu Reggae É "Roots", Eu e Ela, Povo Brasileiro, Proteja-se e Lute, Em Paz, Forasteiro
Vale a Pena Ouvir: Cavaleiros Azuis, Palmares 1999, Una Vez Más
Verbalize – Natiruts
NOTA: 8,7/10
Melhores Faixas: Andei Só, Verbalize, Tenha Os Olhos Sempre Abertos, Homem Do Povo (participação do Rodolfo Abrantes), Flashes E Ambições
Vale a Pena Ouvir: Eu Luto, Discípulo De Mestre Bimba, Gotas De Vidro
Qu4tro – Natiruts
NOTA: 9/10
No ano seguinte, a banda voltou lançando mais um trabalho novo, intitulado simplesmente Qu4tro. Após Verbalize, o Natiruts se consolidou como um dos grupos mais populares do Brasil, levando seu Reggae para um público muito além dos fãs tradicionais do gênero. Para esse projeto, decidiram fazer algo mais sério, tanto que as composições não foram todas feitas por Alexandre Carlo. A produção de Tom Capone é extremamente limpa, porém um pouco menos sofisticada. Isso porque aqui eles voltaram a fazer um Reggae mais tradicional, com Luís Maurício trazendo linhas de baixo melódicas, a bateria de Lucas Pimentel seca e precisa, as guitarras explorando constantemente o tradicional skank e os vocais do Alexandre conseguindo transmitir serenidade sem perder a intensidade emocional. O repertório é ótimo, e as canções são mais reflexivas e muito bem tematizadas. Enfim, é um ótimo álbum e carregado de espiritualidade.
Melhores Faixas: Bob Falou, Espero Que Um Dia, Aldeia, Jamaica Roots II, Naticongo, Nessa Babilônia
Vale a Pena Ouvir: Leve Com Você, Andar Pela Ilha, Soul De Bsb
Nossa Missão – Natiruts
NOTA: 8,7/10
Três anos depois, o Natiruts lançou mais um trabalho novo, o variado Nossa Missão. Após o Qu4tro, o guitarrista Kiko Peres acabou saindo da banda. Além disso, eles encerraram seu vínculo com a EMI e passaram a lançar seus trabalhos de forma independente. Com isso, aproximaram sua música do dub, vertente jamaicana conhecida pelo uso intenso de delays, reverbs, ecos e manipulações de estúdio. A produção, feita pela própria banda, resultou em uma sonoridade mais variada, mas sem abrir mão daquele lado acessível característico do grupo. O som ainda é puxado para o Pop Reggae, mas há muita presença do Dub e do Dancehall. As guitarras skankeadas agora recebem diversos efeitos de delay e phaser. A cozinha rítmica é bem mais orientada ao groove, e os vocais de Alexandre são bastante expressivos. O repertório é ótimo, e as canções são suaves e muito cadenciadas. No geral, é um trabalho muito bom e carregado de ousadia.
Melhores Faixas: Quem Planta Preconceito, Quero Ser Feliz Também, Au De Cabeça, Iluminar, Caraíva
Vale a Pena Ouvir: Bossa Nova em Kingston, Eu Eternamente Cantarei a Paz, Toca Fogo
Raçaman – Natiruts
NOTA: 8/10
Em 2009, o Natiruts lançou seu 6º álbum de estúdio, o Raçaman, que foi um trabalho bem mais modernizado. Após o Nossa Missão, o percussionista Bruno Dourado e Izabella Rocha, que fazia os vocais de apoio, acabaram saindo da banda. Para esse projeto, Alexandre Carlo procurou expandir ainda mais os limites do Reggae praticado pelo grupo, aproximando-o da música brasileira e de elementos da música latina. A produção foi bastante limpa e muito variada, já que reúne elementos do Reggae, Dub, Dancehall, Soul e World music. As guitarras possuem timbres bastante limpos e modernos, as linhas de baixo são extremamente melódicas e profundas, a bateria é extremamente definida, assim como a percussão, e os vocais do Alexandre ficaram mais intimistas e trazem uma sensação de aconchego. O repertório é legalzinho, e as canções são mais envolventes e melódicas. No final de tudo, é um ótimo disco que envelheceu bem.
Melhores Faixas: Raçaman, Um Céu, Um Sol E Um Mar
Vale a Pena Ouvir: Vento, Sol, Coração, 1996, Sorri, Sou Rei, Reggae Music (Farol De Santa Marta)
Índigo Cristal – Natiruts
NOTA: 5/10
Melhores Faixas: Desculpe, Doutor, Sol Do Meu Amanhecer, Eu Quero Demais
Piores Faixas: Caminhando Eu Vou, Canção Pro Vento, Que Bom Você De Volta
I Love – Natiruts
NOTA: 3/10
No final de 2018, o Natiruts lançou outro álbum, intitulado I Love, que foi um trabalho ainda mais sofisticado. Após o Índigo Cristal, Alexandre Carlo decidiu criar um disco inteiramente voltado ao amor em suas diversas formas: amor romântico, amizade, ancestralidade e respeito às diferenças. Além disso, procurou aproveitar o hype que o Natiruts havia adquirido com seu lançamento anterior, em um período marcado pelo domínio do Sertanejo universitário. A produção foi mais variada, com as guitarras skank sempre em destaque, porém cercadas por sintetizadores suaves, efeitos de ambiência e camadas vocais bastante trabalhadas. O baixo possui um groove mais profundo, e a bateria apresenta timbres modernos e secos, dialogando com o Pop Reggae, além de influências da música latina e até do R&B. Mesmo assim, tudo parece um conjunto de ideias sem forma. O repertório é muito ruim, com canções chatinhas e poucas exceções. No final, é um álbum fraquíssimo e sem coesão.
Melhores Faixas: Bem Pra Longe, Deriram, Verde do Mar de Angola (ótima participação do Gilberto Gil)
Piores Faixas: Hoje Eu Quero Ouvir, I Love, Xaxado do Amor, O Silêncio Virou Som
Good Vibration – Natiruts
NOTA: 5/10
Melhores Faixas: Dia Perfeito (Planta E Raiz levou som para eles), Reggae Amor (participação do Carlinhos Brown), Good Vibration (IZA mandou bem)
Piores Faixas: Que Bom Você De Volta II, Ela, Todo Bien, Rosas
É isso, um abraço e flw!!!








