Unknown Mortal Orchestra – Unknown Mortal Orchestra
NOTA: 8,2/10
Em 2011, o Unknown Mortal Orchestra lançava seu álbum de estreia autointitulado. Formado no ano anterior, na cidade de Auckland, na Nova Zelândia, por Ruban Nielson, que anteriormente fazia parte de uma banda garageira The Mint Chicks, o projeto surgiu após um período em que ele passou compondo sozinho, buscando algo diferente. Ruban decidiu criar um projeto em que tocasse todos os instrumentos e adotasse uma abordagem caseira e psicodélica. A produção foi feita por ele próprio, mantendo uma sonoridade crua, com gravações saturadas, guitarras cheias de efeitos, vocais frequentemente enterrados na mixagem e baterias que parecem gravadas em salas pequenas, criando uma sensação de proximidade. O álbum junta elementos de Pop Psicodélico e Slacker Rock, além de traços do Funk e Bedroom Pop. O repertório é muito bom, e as canções são bem suaves. Enfim, é um ótimo disco de estreia e bastante coeso.
Melhores Faixas: FFunny FFrends, Little Blu House, Never Damage!
Vale a Pena Ouvir: Boy Witch, Bicycle
II – Unknown Mortal Orchestra
NOTA: 9/10
Dois anos depois, o Unknown Mortal Orchestra lançava seu 2º disco, que foi mais expansivo. Após o álbum de estreia, Ruban manteve a estética caseira e o gosto pelas imperfeições, mas passou a construir músicas mais sofisticadas, tanto harmonicamente quanto melodicamente. A influência do Soul, do R&B e do Funk ficou muito mais evidente, aproximando a banda de um som mais quente e sensual, sem abandonar a psicodelia. A produção apresentou um maior refinamento, mesmo mantendo aquela estética Lo-fi. As guitarras têm uma enorme variedade de timbres, utilizando fuzz, phaser, wah-wah, chorus, vibrato, delays e reverbs bastante profundos. A cozinha rítmica tem um groove bem envolvente e elaborado, e os vocais de Ruban ficaram mais melódicos e cheios de falsetes, ainda seguindo a vibe do Pop Psicodélico e com influência do Soul e do R&B. O repertório é incrível, e as canções são bem cadenciadas. No geral, é um belo disco e mostrou uma grande evolução.
Melhores Faixas: So Good At Being In Trouble, Swim And Sleep (Like A Shark), From The Sun, Monki, No Need For A Leader, One At A Time
Vale a Pena Ouvir: Faded In The Morning, Secret Xtians
Multi-Love – Unknown Mortal Orchestra
NOTA: 9,2/10
Melhores Faixas: Multi-Love, Can't Keep Checking My Phone, Necessary Evil, Stage Or Screen, Ur Life One Night
Vale a Pena Ouvir: Puzzles, Like Acid Rain
Sex & Food – Unknown Mortal Orchestra
NOTA: 8,5/10
Três anos se passaram, e a banda lançou mais um álbum, o Sex & Food, que retomou aquela temática mais suja. Após o Multi-Love, Ruban passou bastante tempo viajando, compondo em diferentes lugares e absorvendo influências muito diversas. Essa mudança de rotina refletiu diretamente no álbum, que não possui uma narrativa tão linear quanto o antecessor. Em vez de girar em torno de um único conceito emocional, o disco funciona como uma coleção de ideias que exploram diferentes estados de espírito. A produção voltou a ser extremamente Lo-fi, mas agora aparece misturada com uma quantidade muito maior de camadas instrumentais. As guitarras utilizam uma enorme variedade de timbres, alternando entre momentos limpos e outros mais saturados. A cozinha rítmica é bem sólida, e a presença de sintetizadores e teclados elétricos deixa o som mais amplo. O repertório é ótimo, e as canções ficaram bem mais reflexivas. No geral, é um álbum muito bom e até subestimado.
Melhores Faixas: Hunybee, Major League Chemicals, American Guilt, A God Called Hubris, Everyone Acts Crazy Nowadays
Vale a Pena Ouvir: This Doomsday, Not In Love We're Just High, Ministry Of Alienation
IC-01 Hanoi – Unknown Mortal Orchestra
NOTA: 8,1/10
Naquele mesmo ano de 2018, o Unknown Mortal Orchestra lançou seu 1º álbum instrumental, o IC-01 Hanoi. Após o Sex & Food, durante uma turnê pela Ásia, Ruban Nielson e o restante da banda aproveitaram o tempo livre para entrar em um estúdio local e gravar longas jams sem um objetivo definido. Em vez de compor músicas previamente estruturadas, os integrantes passaram horas improvisando, explorando diferentes grooves, mudanças de andamento, timbres e interações entre os instrumentos. A produção foi totalmente diferente, já que tudo foi gravado na pura improvisação, criando uma sensação constante de espontaneidade. Aqui, as guitarras têm muitas texturas, delays, reverbs e diversos efeitos psicodélicos. O baixo cria um groove constante, a bateria tem muita liberdade e os teclados são bem densos, juntando Rock Psicodélico, Krautrock e Jazz Fusion. O repertório é muito bom, e as canções são bem imersivas. Enfim, é um disco bacana e vale a pena ir atrás.
Melhores Faixas: Hanoi 6, Hanoi 5, Hanoi 4
Vale a Pena Ouvir: Hanoi 2, Hanoi 7
V – Unknown Mortal Orchestra
NOTA: 7,2/10
Melhores Faixas: Meshuggah, That Life, In The Rear View, The Garden, Weekend Run
Piores Faixas: Shin Ramyun, I Killed Captain Cook, Layla
IC-02 Bogota – Unknown Mortal Orchestra
NOTA: 8/10
Em 2025, o Unknown Mortal Orchestra lançou o que pode ser considerado seu 7º álbum, mas, na verdade, seu 2º álbum instrumental: IC-02 Bogotá. Após o V, Ruban Nielson escolheu Bogotá, na Colômbia, como cenário para gravar uma série de jams instrumentais ao lado dos integrantes da banda e de músicos convidados locais. O projeto foi registrado durante uma estadia na cidade e manteve a proposta de transformar a experiência daquele lugar em música, privilegiando a espontaneidade em vez da composição convencional. A produção privilegiou ao máximo as improvisações feitas em tempo real. Aqui, as guitarras aparecem muito mais preocupadas em construir texturas do que em demonstrar virtuosismo. A cozinha rítmica traz grooves bem variados, e os teclados conduzem as jams. Com isso, temos uma junção interessante entre Jazz-Rock e psicodelia. O repertório é muito bom, e as canções são bem cadenciadas. Em suma, é um álbum bacana e injustamente ignorado.
Melhores Faixas: Earth 1, Underworld 6
Vale a Pena Ouvir: Earth 3, Earth 2, Heaven 7






