segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Analisando Discografias - Heart: Parte 2

                 

Brigade – Heart





















NOTA: 8,3/10


Entrando nos anos 90, o Heart lançava seu 10º álbum de estúdio, o sentimental Brigade. Após o Bad Animals, a banda decidiu manter a fórmula que havia funcionado tão bem nos trabalhos anteriores, mas procurou ampliar ainda mais o lado comercial do grupo. A banda continua trabalhando com Hard Rock e Pop Rock, só que agora com uma preocupação ainda maior com melodias acessíveis e refrões imediatamente memoráveis. A produção, feita por Richie Zito, deixou aquele som extremamente polido e grandioso. As guitarras são fortes e bem definidas, a bateria possui bastante impacto e os teclados ocupam espaços importantes nos arranjos. Além disso, as linhas de baixo são bem sustentáveis, enquanto os vocais de Ann Wilson continuam bastante variados e energéticos. O repertório é muito bom, e as canções variam entre momentos pesados e outros mais intimistas. No geral, é um ótimo disco e que marcaria o fim do ápice comercial da banda. 

Melhores Faixas: All I Wanna Do Is Make Love To You, Call Of The Wind, The Night 
Vale a Pena Ouvir: Stranded, Secret, Wild Child, I Want Your World To Turn

Desire Walks On – Heart





















NOTA: 5/10


Se passaram três anos e foi lançado mais um disco da banda, o Desire Walks On. Após o Brigade, o Heart sabia bem que toda a sonoridade que voltou a consolidá-lo nos anos 80 tinha sido completamente deixada de lado pela grande mídia por sons pesados e alternativos. Com isso, Ann e Nancy Wilson procuraram equilibrar a identidade clássica da banda com uma abordagem um pouco mais madura e contemporânea. A produção, feita por John Purdell e Duane Baron, deixou uma sonoridade limpa e com aquela pegada grandiosa, misturando ainda Hard Rock e AOR. As guitarras continuam importantes, mas aparecem de maneira mais equilibrada. Existe uma preocupação maior em deixar os instrumentos respirarem, enquanto os teclados são utilizados mais como complemento do que como elemento dominante, mas aqui tudo soa bastante previsível e faltando variação. O repertório é mediano, tem canções boas e outras esquecíveis. Enfim, é um álbum irregular e muito tedioso. 

Melhores Faixas: Black On Black II, My Crazy Head, Ring Them Bells (participação do Layne Stayley) 
Piores Faixas: Voodoo Doll, Rage, The Woman In Me

Jupiters Darling – Heart





















NOTA: 8/10


Foi só em 2004 que a banda retornou com um novo disco intitulado Jupiters Darling. Após o Desire Walks On, as irmãs acabaram se dedicando a outros projetos nesse meio tempo. Quando retornaram com um novo projeto, decidiram resgatar as raízes do Heart. Fora que elas tinham novos integrantes, com a entrada de Craig Bartock (guitarra), Darian Sahanaja (teclados), Mike Inez (baixo) e Ben Smith (bateria). E agora trabalhando de forma independente e não precisando se preocupar com impacto radiofônico. Produzido pela própria banda, o álbum seguiu uma abordagem orgânica e sofisticada. As guitarras possuem textura, a bateria soa mais natural e existe uma preocupação muito maior em deixar os instrumentos respirarem, voltando a dialogar tanto com Hard Rock clássico quanto com Folk Rock. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem cadenciadas. No fim, é um ótimo álbum e que é bastante subestimado pelos fãs. 

Melhores Faixas: Move On, Fallen Ones, Make Me 
Vale a Pena Ouvir: Enough, Down The Nile, Oldest Story In The World

Red Velvet Car – Heart





















NOTA: 8,1/10


Se passaram seis anos para o Heart lançar mais um trabalho novo, o Red Velvet Car. Após o Jupiters Darling, a banda acabou tendo várias mudanças, com a maioria dos integrantes que entraram saindo e, no lugar deles, entrando Ben Mink na guitarra e Rick Markmann no baixo, com Ben Smith continuando como baterista. Esse álbum mostra Ann e Nancy tentando manter a identidade do Heart atualizada, mas sem abandonar aquilo que sempre funcionou melhor para elas. Produzido pelo próprio Ben Mink, o álbum deixou aquela abordagem orgânica e pesada, juntando tanto o Hard Rock com elementos do Folk e Blues Rock. As guitarras ficaram bem mais encorpadas e com presença de riffs precisos. A cozinha rítmica é bastante sustentável e natural, e os vocais da Ann continuam bem variados, mesmo já estando envelhecidos. O repertório é muito legal, e as canções são belíssimas e às vezes carregadas de peso. Enfim, é um disco bacana e que foi mais ousado. 

Melhores Faixas: Hey You, Sunflower, Death Valley 
Vale a Pena Ouvir: Wheels, There You Go, Sand

Fanatic – Heart





















NOTA: 5/10


Então chegamos em 2012, quando o Heart lançou seu 14º e possivelmente último álbum, o Fanatic. Após o Red Velvet Car, Ann e Nancy já carregavam décadas de experiência. Não existe mais aquela preocupação de mostrar que ainda são capazes de competir comercialmente com bandas mais jovens. Com esse trabalho funcionando muito mais como uma declaração de que o Heart continua tendo vontade de tocar música pesada. A produção seguiu praticamente a mesma abordagem, só que agora deixando um som muito mais cheio de camadas. As guitarras têm muita presença e peso, com riffs que ocupam um papel fundamental nos arranjos. O som continua relativamente limpo, mas existe uma quantidade maior de distorção e agressividade. Mas, assim, muitos dos arranjos soam sem imersão e faltando um maior complemento. O repertório é irregular, tem canções legais e outras fracas. No fim, é um álbum mediano e, após isso, focaram só nas turnês. 

Melhores Faixas: Walkin' Good, Skim And Bones, Rock Deep (Vancouver) 
Piores Faixas: Fanatic, Dear Old America, 59 Crunch

 

Analisando Discografias - Queensrÿche: Parte 1

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