Slayyyter – Slayyyter
NOTA: 8,4/10
No ano de 2019, a Slayyyter lançava seu 1º trabalho no formato de mixtape, que levava seu nome. A cantora, vinda de Kirkwood, Missouri, um subúrbio a oeste de St. Louis, começou sua trajetória no ano anterior. Nesse período, ela tinha lançado vários singles que tinham muita influência da música Pop dos anos 2000, do Electroclash, do Dance-Pop e da estética de Internet que posteriormente seria associada ao Hyperpop. Aqui, ela mantém boa parte dessa personalidade, mas começa a ampliar consideravelmente o repertório de referências. A produção contou com Ayesha Erotica, Good Intent, AOBeats, entre outros, que seguiram uma abordagem que lembra muito o Electropop, contando assim com sintetizadores brilhantes, graves fortes, baterias programadas e uma quantidade considerável de processamento vocal, que faz lembrar muito a Britney Spears no auge. O repertório é muito bom, e as canções são bem caóticas. No geral, é uma ótima mixtape e bem coesa.
Melhores Faixas: Alone, Motorcycle, Mine, Touch My Body, Celebrity
Vale a Pena Ouvir: Candy, Devil, Ghosttt
Troubled Paradise – Slayyyter
NOTA: 5/10
Aí, em 2021, a Slayyyter lançava seu 1º álbum de estúdio, o irregular Troubled Paradise. Após sua mixtape, a cantora decidiu manter boa parte dessa personalidade, só que agora ela passa a adotar um lado muito mais variado, já que o título resume bem essa mudança. Existe uma ideia de paraíso artificial, colorido e extremamente Pop, mas que esconde frustração, insegurança, relacionamentos problemáticos e uma sensação de descontrole. A produção contou agora com Robokid, Wuki, Chris Greatti, entre outros, que seguiram uma abordagem que passou a equilibrar Electropop e Hyperpop, apresentando momentos mais agressivos, com graves enormes, baterias eletrônicas comprimidas, sintetizadores distorcidos e efeitos. Mas o problema é que tudo fica muito repetitivo, e essa vibe de pastiche da Britney já fica bem cansativa. O repertório é mediano, tem canções boas e outras sem graça. Enfim, é um disco fraco e que mostrou que era hora de mudar.
Melhores Faixas: Troubled Paradise, Self Destruct, Clouds, Letters
Piores Faixas: Dog House, Throatzillaaa, Cowboys, Villain
Starfucker – Slayyyter
NOTA: 9,1/10
Dois anos depois, a Slayyyter volta com seu 2º álbum, o extremamente ambicioso Starfucker. Após o Troubled Paradise, a cantora decidiu fazer um trabalho que gira em torno de fama, desejo, sexo, festas, relacionamentos e da própria imagem de uma estrela Pop. Existe uma espécie de contradição entre a fantasia de ser uma celebridade e o lado mais vazio ou destrutivo dessa vida, com ela explorando esse universo, só que sem abandonar o humor e a provocação que sempre fizeram parte de sua persona. A produção foi feita por Nicopop, junto com Jordan Palmer, Valley Girl e afins, que seguiram uma abordagem equilibrada, que dialoga com Dance-Pop e Electropop, com alguns elementos de Synth-pop, Synthwave e Electroclash. Há muito uso de sintetizadores, baterias eletrônicas, baixos pulsantes, vocais processados e uma forte influência da música de pista. O repertório é incrível, e as canções são todas bem divertidas e passam uma vibe noturna. Enfim, é um grande disco que consegue ser bem variado.
Melhores Faixas: Miss Belladonna, Erotic Electronic, Purr, Out Of Time, Plastic, Dramatic
Vale a Pena Ouvir: Memories Of You, Girl Like Me, I Love Hollywood!
WOR$T GIRL IN AMERICA – Slayyyter
NOTA: 10/10
Nesse ano, a Slayyyter lançava o seu sensacional 3º álbum, o WOR$T GIRL IN AMERICA. Após o Starfucker, a cantora decidiu, nesse trabalho, colocar a sujeira e a agressividade muito mais à frente. Com esse conceito, que mostra a “pior garota da América” como uma personagem extremamente hedonista, autodestrutiva, arrogante, sexualizada e obcecada por fama, o projeto gradualmente revela que essa personalidade não é simplesmente uma fantasia divertida. A produção conta com Austin Corona, Wyatt Bernard, entre outros, que seguiram uma abordagem bem áspera, juntando Electropop, Electroclash e Electro House, mostrando-a entrando muito nessa abordagem do revival do Indie Sleaze. Os sintetizadores são granulados, os baixos distorcidos, as baterias eletrônicas agressivas e os vocais processados são bem variados. O repertório é excepcional, sendo praticamente uma coletânea de puro caos. No final, é um baita disco e certamente uma obra-prima.
Melhores Faixas: DANCE…, BEAT UP CHANEL$, CRANK, $T. LOSER, YES GODDD, GAS STATION, OLD TECHNOLOGY, CANNIBALISM!
Vale a Pena Ouvir: BRITTANY MURPHY., UNKNOWN LOVERZ, I’M ACTUALLY KINDA FAMOUS