segunda-feira, 27 de julho de 2026

Analisando Discografias - RZA

                 

RZA As Bobby Digital In Stereo – RZA





















NOTA: 8/10


No ano de 1998, o RZA lançava seu 1º trabalho solo, o RZA as Bobby Digital in Stereo. Após o lançamento do Wu-Tang Forever, ele resolveu assumir completamente o protagonismo como rapper. Em vez de simplesmente lançar um disco sob seu próprio nome, criou o alter ego Bobby Digital, um personagem extravagante, hedonista, sarcástico e moralmente ambíguo. Produção foi feita inteiramente por ele próprio. As batidas ficaram ainda mais variadas, contendo baterias pesadas, mas deixaram de ser secas e minimalistas. Agora aparecem sintetizadores espaciais, linhas de baixo eletrônicas, efeitos digitais, ruídos, vocoders, samples extremamente manipulados e uma enorme quantidade de camadas sonoras. Mesmo seguindo uma abordagem de Boom Bap, percebe-se uma forte orientação para o Afrofuturismo. O repertório é legalzinho, e as canções são bem divertidas e cadenciadas. Enfim, é um ótimo álbum e meio subestimado. 

Melhores Faixas: Holocaust (Silk Worm) (Ghostface Killah amassou), N.Y.C. Everything (ótima feat do Method Man) 
Vale a Pena Ouvir: Slow Grind African, Unspoken Word, Kiss Of A Black Widow (Ol' Dirty Bastard mandou bem), Domestic Violence

Ghost Dog: The Way Of The Samurai (Music From The Motion Picture) – RZA





















NOTA: 8,7/10


No final do ano de 1999, o RZA lança a trilha sonora do filme Ghost Dog: Matador Implacável. Após o RZA as Bobby Digital in Stereo, o lendário produtor da Wu-Tang foi convidado por Jim Jarmusch para fazer a trilha sonora do filme de mesmo nome, que retrata Ghost Dog, um assassino profissional que vive segundo os ensinamentos do Hagakure, antigo código dos samurais, conciliando uma rotina de violência com uma profunda disciplina espiritual. Isso traz elementos que dialogavam muito com a abordagem que o RZA sempre teve musicalmente. A produção é muito mais minimalista, atmosférica e cinematográfica. As batidas são acompanhadas por sintetizadores suaves, linhas de baixo profundas, baterias espaçadas, pianos melancólicos, cordas eletrônicas, efeitos ambientais e pequenos detalhes que ajudam a construir tensão. O repertório é bem legal, e as canções são até que bem relaxantes. No geral, é uma trilha sonora muito bem-feita. 

Melhores Faixas: Flying Birds, RZA #7, Funky Theme, Opening Theme (Raise Your Sword Instrumental), RZA's Theme, Untitled #12 (Free Jazz) 
Vale a Pena Ouvir: Gangsters Theme, Samurai Showdown (Raise Your Sword), Samurai Theme

Birth Of A Prince – RZA





















NOTA: 3,6/10


Indo para 2003, o RZA lançou mais um álbum, intitulado Birth of a Prince, que representou uma tentativa de se modernizar. Após a trilha sonora do filme Ghost Dog, o RZA abandona grande parte do que havia feito anteriormente e entrega um trabalho mais próximo de sua própria identidade. As letras voltam a enfatizar espiritualidade, filosofia, amadurecimento pessoal, família, política, responsabilidade e os desafios da vida após o enorme sucesso do Wu-Tang Clan. A produção seguiu um caminho mais acessível e amplo. As batidas ficaram mais limpas, as baterias mais equilibradas, os sintetizadores mais constantes, além de contar com arranjos de cordas, pianos, corais e linhas de baixo bastante marcantes, seguindo a abordagem do Boom Bap com toques modernos. Porém, o que estraga o álbum são os flows irregulares do RZA e algumas escolhas deslocadas. O repertório é fraco: há canções boas, mas o restante é bem genérico. No final, é um álbum ruim e que não empolga. 

Melhores Faixas: Grits, You'll Never Know, Wherever I Go, Fast Cars, The Whistle 
Piores Faixas: Chi Kung, The Grunge, The Drop Off, The Birth, Bob N' I, Cherry Range, Koto Chotan

Bobby Digital And The Pit Of Snakes – RZA





















NOTA: 1/10


Em 2022, foi lançado o mais recente álbum do RZA, o Bobby Digital and the Pit of Snakes. Após o Birth of a Prince, ele participou de vários projetos, desde trilhas sonoras de filmes até trabalhos esporádicos com a Wu-Tang. Aqui, ele coloca o personagem em uma história muito mais elaborada, envolvendo batalhas contra forças malignas, dimensões paralelas, tecnologia e espiritualidade. A produção foi feita, como sempre, pelo próprio RZA. Ele tentou criar um som mais cinematográfico, juntando os mundos do Funk Rock e do Rap. Ou seja, as batidas ficaram mais variadas, com a presença de cordas, pianos, corais, guitarras discretas, baixos profundos e baterias mais controladas. Só que tudo é bastante mal mixado, com arranjos extremamente arrastados. Além disso, o flow do RZA está completamente monótono. O repertório é péssimo, e as canções são totalmente medíocres e sem graça. Enfim, é um álbum terrível e ignorado com razão. 

Melhores Faixas: (.............................) 
Piores Faixas: Trouble Shooting, Celebrate Life, We Push, Cowards


Analisando Discografias - GZA

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