domingo, 26 de julho de 2026

Analisando Discografias - Wu-Tang Clan

                 

Enter The Wu-Tang (36 Chambers) – Wu-Tang Clan





















NOTA: 10/10


No ano de 1993, o Wu-Tang Clan lançava seu atemporal álbum de estreia, o Enter The Wu-Tang (36 Chambers). Formado no ano anterior, em Nova York, por RZA, GZA, Ol' Dirty Bastard, Raekwon, Ghostface Killah, Inspectah Deck, U-God, Masta Killa e Cappadonna (que, devido à sua prisão, foi substituído por Method Man), o coletivo nasceu em Staten Island, e trazia uma abordagem que juntava todas as suas vivências e fazia referências ao cinema de artes marciais, especialmente aos filmes produzidos em Hong Kong durante as décadas de 70 e 80. A produção foi feita inteiramente por RZA, que gravou tudo de forma caseira, com beats crus, baterias pesadas, loops repetitivos e samples vindos do Jazz e do Soul dos anos 60, criando assim uma obra-prima do Boom Bap. O repertório é sensacional, parecendo uma coletânea, com praticamente todas as faixas sendo inacreditáveis. No geral, é um clássico absoluto e um dos melhores álbuns de todos os tempos. 

Melhores Faixas: C.R.E.A.M., Protect Ya Neck, Wu-Tang Clan Ain't Nuthing Ta F' Wit, Shame On A Nigga, Da Mystery Of Chessboxin', Method Man, Tearz, Bring Da Ruckus 
Vale a Pena Ouvir: Wu-Tang: 7th Chamber, Clan In Da Front

Wu-Tang Forever – Wu-Tang Clan





















NOTA: 9,8/10


No ano de 1997, eles retornam com seu ambicioso 2º álbum duplo, o Wu-Tang Forever. Após o clássico Enter The Wu-Tang (36 Chambers), cada integrante lançou seu álbum solo, sendo um clássico atrás do outro. Quando o grupo voltou a se reunir para gravar seu próximo álbum, a expectativa era enorme. O clima continua sombrio e urbano, mas há um foco maior em letras filosóficas, espiritualidade, reflexões sociais e demonstrações de habilidade técnica. A produção, feita por RZA, contou com 4th Disciple, True Master e Inspectah Deck, trazendo aquela abordagem Lo-fi, só que com elementos mais sofisticados. Os beats são mais orgânicos, com baterias mais definidas, enquanto os teclados, cordas e pequenos detalhes atmosféricos aparecem com muito mais frequência, seguindo ainda a abordagem do Boom Bap. O repertório é incrível, e as canções são bem profundas e, ao mesmo tempo, pesadas. No geral, é um baita álbum e também um clássico. 

Melhores Faixas: Impossible, Reunited, It’s Yourz, For Heavens Sake, Visionz, Triumph, Deadly Melody, Bells Of War, Hellz Wind Staff 
Vale a Pena Ouvir: Heaterz, Little Ghetto Boys, Severe Punishment, The City

The W – Wu-Tang Clan





















NOTA: 8,7/10


Entrando nos anos 2000, o Wu-Tang lança seu 3º álbum, o The W, que foi mais diferenciado. Após o Wu-Tang Forever, os integrantes continuavam lançando projetos solo de sucesso, mas a dinâmica interna do grupo já não era a mesma. Cada membro possuía uma carreira consolidada, agendas cada vez mais difíceis de conciliar e estilos artísticos que haviam evoluído em direções diferentes. A produção, feita por RZA junto com Mathematics, trouxe beats mais variados, com as baterias permanecendo pesadas, porém apresentando maior definição. O uso de camadas de percussão cria instrumentais mais densos, enquanto os baixos ganham ainda mais presença na mixagem. Além disso, há um uso de cordas, pianos e efeitos ambientes. Os flows de cada integrante conseguem ser bem precisos e complementares. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas e cadenciadas. Enfim, é um ótimo disco, que se destaca por ser mais variado. 

Melhores Faixas: Careful (Click, Click), I Can't Go To Sleep, Gravel Pit, Protect Ya Neck (The Jump Off) 
Vale a Pena Ouvir: Hollow Bones, Redbull, Jah World

Iron Flag – Wu-Tang Clan





















NOTA: 8/10


No ano seguinte, o Wu-Tang Clan lançava mais um álbum novo, intitulado Iron Flag. Após o The W, cada membro estava profundamente envolvido em suas carreiras solo, alguns enfrentavam conflitos contratuais, e a dificuldade de reunir todos em estúdio tornava o processo de gravação cada vez mais complicado. Além disso, RZA já não exercia o mesmo controle absoluto sobre o grupo, abrindo espaço para que outros integrantes influenciassem mais diretamente o direcionamento artístico do coletivo. A produção, feita por RZA junto com True Master, Mathematics, Nick Fury e Trackmasters, seguiu uma abordagem mais variada, com beats mais amplos, presença de linhas de baixo mais evidentes, guitarras, metais e samples muito mais variados. Além disso, as baterias continuam pesadas, só que possuem uma sonoridade mais limpa e moderna. O repertório é muito bom, e as canções são bem imersivas e reflexivas. Enfim, é um disco bacana e que vale a pena ser redescoberto. 

Melhores Faixas: Ya'll Been Warned, Iron Flag, Uzi (Pinky Ring) 
Vale a Pena Ouvir: Back In The Game, In The Hood, Rules, One Of These Days

8 Diagrams – Wu-Tang Clan





















NOTA: 6/10


Seis anos se passaram, e o Wu-Tang volta bem diferente com seu novo álbum, o 8 Diagrams. Após o Iron Flag, aconteceu o falecimento de Ol' Dirty Bastard, em novembro de 2004, vítima de uma overdose acidental. Sua ausência afetou profundamente o Wu-Tang Clan, tanto artisticamente quanto emocionalmente. Além disso, esse trabalho foi totalmente conturbado, já que Raekwon e Ghostface Killah criticaram publicamente parte das escolhas de RZA, alegando que o produtor havia abandonado a essência crua do grupo em favor de uma abordagem mais experimental. A produção, como dito, foi feita por RZA e seguiu um caminho mais ambicioso, com beats variados que transitam entre o Boom Bap e o Jazz Rap. As baterias funcionam mais como sustentação para arranjos bastante complexos, o que deixa tudo muito impreciso e faz com que os integrantes também soem imprecisos. O repertório é mediano, com canções boas e outras medíocres. Enfim, é um álbum irregular e decepcionante. 

Melhores Faixas: Campfire, The Heart Gently Weeps, Sunlight, Wolves, Life Changes 
Piores Faixas: Weak Spot, Starter, Stick Me For My Riches, Rushing Elephants, Unpredictable

Chamber Music – Wu-Tang Clan





















NOTA: 5/10


No ano de 2009, foi lançada a coletânea do Wu-Tang Clan intitulada Chamber Music. Após o 8 Diagrams, esse projeto foi idealizado pela gravadora E1 Music em parceria com a empresa Wu Music Group, tendo RZA como produtor executivo, mas sem a participação integral de todos os membros durante as gravações. A produção, feita por RZA, contou com a colaboração do The Revelations, em que os baixos são gravados com instrumentos reais e possuem bastante profundidade. As baterias continuam inspiradas no Boom Bap clássico, mas apresentam maior definição e impacto. As guitarras aparecem com frequência, assim como órgãos, pianos elétricos, cordas e metais. Porém, mesmo com a proposta interessante, o que estraga o álbum é o fato de tudo soar bem impreciso, com arranjos confusos. O repertório é irregular, tendo canções boas e outras fracas, além dos interlúdios esquisitos de RZA. No geral, é um trabalho feito mais para experimentar ideias novas. 

Melhores Faixas: Sound The Horns, Ill Figures, Harbor Masters 
Piores Faixas: I Wish You Were Here, Kill Too Hard, Wise Men

Legendary Weapons – Wu-Tang Clan





















NOTA: 5/10


Dois anos se passaram, e a Wu-Tang retornou meio que com a 2ª parte desse projeto, o Legendary Weapons. Após o Chamber Music, que apostava em atmosferas contemplativas e instrumentação orgânica, este álbum volta a enfatizar batidas pesadas, agressividade e competição lírica, aproximando-se mais do espírito dos primeiros trabalhos do grupo, embora utilize técnicas de produção mais modernas. A produção do RZA contou com nomes como Noah Rubin, Lil' Fame, Andrew Kelley, entre outros, que pegaram beats variados do Boom Bap e adicionaram baterias impactantes, graves profundos, enquanto os samples aparecem ao lado de sintetizadores, guitarras e efeitos eletrônicos. Além disso, o álbum elimina aqueles interlúdios presentes no trabalho anterior, mas o problema é que acaba soando muito reciclado e cansativo. O repertório é novamente irregular, com canções medíocres e outras interessantes. No fim, são dois trabalhos medianos e bem explicativos porque são esquecidos. 

Melhores Faixas: Diesel Fluid, Start The Show, Meteor Hammer 
Piores Faixas: The Black Diamonds, Never Feel This Pain, Legendary Weapons

A Better Tomorrow – Wu-Tang Clan





















NOTA: 3/10


No ano de 2014, a Wu-Tang Clan lançou seu 6º álbum de estúdio, intitulado A Better Tomorrow. Após o Legendary Weapons, esse novo projeto funciona como uma homenagem à trajetória do grupo. Entretanto, o processo de produção foi extremamente conturbado. As tensões internas entre os integrantes haviam aumentado nos anos anteriores, principalmente entre RZA e Raekwon. Raekwon chegou a declarar publicamente que não participaria do projeto enquanto determinadas questões internas não fossem resolvidas. A produção feita pelo RZA contou com Mathematics, 4th Disciple, Adrian Younge e Rick Rubin, que buscaram um som refinado e extremamente moderno. As batidas soam mais limpas, com uma presença até maior de sintetizadores, instrumentos ao vivo, cordas e pianos, mas tudo soa confuso e falta algo mais coeso. O repertório é muito ruim, tendo canções fraquíssimas e poucas que se salvam. Enfim, é um álbum péssimo e que é muito mal-nascido. 

Melhores Faixas: Mistaken Identity, Pioneer The Frontier, Necklace 
Piores Faixas: Hold The Heater, Never Let Go, 40th Street Black / We Will Fight, Keep Watch, Preacher's Daughter, Crushed Egos

The Saga Continues – Wu-Tang Clan





















NOTA: 4/10


Três anos depois, eles voltam com um novo álbum totalmente diferente, o The Saga Continues. Após A Better Tomorrow, o grupo tinha vendido a única cópia do Once Upon a Time in Shaolin para Martin Shkreli pela bagatela de 2 milhões de dólares. Esse novo projeto não teria RZA produzindo as batidas; ele ficaria apenas como supervisor, e U-God acabou nem participando devido a questões de direitos autorais. A produção ficou então por conta de Mathematics, que trouxe uma estética crua e que lembra aquele Boom Bap noventista, com batidas pesadas, contando com baterias secas, linhas de baixo profundas, samples de Soul, Funk e Jazz e arranjos discretos que deixam amplo espaço para os vocais. Mas acho que o problema são os integrantes, com o flow de cada um não conseguindo se encaixar e ficando muito repetitivo. O repertório é ruim, as canções são bem cansativas, com poucas realmente interessantes. No final de tudo, é outro álbum fraco e que beira o esquecível. 

Melhores Faixas: If Time Is Money (Fly Navigation, People Say, G'd Up, My Only One 
Piores Faixas: Berto And The Fiend, Why Why Why, Lesson Learn'd

Black Samson, The Bastard Swordsman – Wu-Tang X Mathematics





















NOTA: 8/10


Então chegamos em 2025, quando foi lançado o mais recente álbum da Wu-Tang, o Black Samson, The Bastard Swordsman. Após o The Saga Continues, o grupo teve seus lançamentos clássicos redescobertos por uma nova geração. Depois de anos em que os integrantes concentraram seus esforços em carreiras solo e projetos paralelos, Mathematics procurou construir um álbum que remetesse diretamente à estética clássica deles. A produção, que teve RZA apenas como supervisor, seguiu aquela estética crua e clássica do Boom Bap noventista, com baterias pesadas, samples de Soul, Funk e trilhas sonoras obscuras, linhas de baixo profundas, além de efeitos que deixam um caráter cinematográfico. O flow de cada integrante funciona muito bem e não fica deslocado. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas e, claro, profundas. Em suma, é um ótimo álbum e aqui finalmente houve um acerto após anos. 

Melhores Faixas: Mandingo, Warriors Two, Cooley High 
Vale a Pena Ouvir: Cleopatra Jones, Roar Of The Lion (The Lion’s Pit) (ótima feat do Kool G Rap), Dolemite

                                                                                Por hoje é só, então flw!!!     

Analisando Discografias - GZA

                  Words From The Genius – Genius (GZA) NOTA: 5/10 Em 1991, o GZA, que na época era conhecido apenas como The Genius, lançava...