sábado, 25 de julho de 2026

Analisando Discografias - Turnover

                 

Turnover – Turnover





















NOTA: 7/10


Em 2011, o Turnover lançava seu 1º trabalho no formato de EP, trazendo algo interessante. Formado em 2009, na cidade de Virginia Beach, pelos irmãos Austin Getz (vocais e guitarras) e Casey Getz (bateria), além de Daniel Dempsey (baixo), Alex Dimaiuat (guitarra) e Kyle Kojan (guitarra), eles surgem em meio à cena underground do Pop Punk e do Emo Revival, que estava em ebulição, revisitando temas como angústia adolescente, relacionamentos fracassados e frustrações pessoais. A produção, feita por Michael Bridgett, trouxe um som cru. As guitarras têm uma distorção marcante e riffs pesados, o baixo acompanha a base de maneira eficiente, a bateria é bastante explosiva e consistente, e os vocais de Austin aparecem levemente comprimidos e carregados de emoção, privilegiando a entrega emocional acima da técnica. O repertório é muito bom, contendo cinco faixas bastante imersivas. Enfim, é um ótimo EP e mostrou um caminho promissor para a banda. 

Melhores Faixas: Time, Sasha 
Vale a Pena Ouvir: Solitude, Waiting, Sleepless Night

Magnolia – Turnover





















NOTA: 9,4/10


Dois anos depois, o Turnover lançou seu álbum de estreia, o belíssimo Magnolia. Após o lançamento do EP, a banda passou por algumas mudanças, como a saída do guitarrista Alex Dimaiuat e a mudança para o selo independente Run for Cover. Aqui, eles apresentam um projeto que incorpora momentos mais melódicos, introspectivos e emocionalmente complexos. A produção, feita por Will Yip, trouxe um som mais orgânico, mas sem abrir mão da crueza. As guitarras mantêm aquela distorção característica, só que agora também possuem linhas melódicas. O baixo é bem consistente, a bateria é bastante variada, sendo explosiva em alguns momentos, utilizando viradas discretas e mudanças de intensidade, e os vocais de Austin são bem melódicos e expressivos, dialogando com o Emo, Pop Punk e o Post-Hardcore. O repertório é sensacional, e as canções são bastante profundas e sentimentais. No geral, é um baita disco de estreia e muito consistente. 

Melhores Faixas: Most Of The Time, Seedwong, Shiver, To The Bottom, Hollow, Bloom 
Vale a Pena Ouvir: Like A Whisper, Wither, Daydreaming

Peripheral Vision – Turnover





















NOTA: 10/10


Em 2015, o Turnover surgiu com seu clássico e sensacional 2º álbum, o Peripheral Vision. Após o Magnolia, o guitarrista Kyle Kojan acabou saindo da banda e, em seu lugar, entrou Eric Soucy, que havia segurado as pontas para o grupo durante as turnês. Para esse trabalho, eles decidiram abandonar o universo do Pop Punk e do Emo, partindo para uma sonoridade mais orientada ao Indie, relembrando muito a sonoridade dos anos 80 e 90. A produção, feita novamente pelo painho (Will Yip), trouxe uma sonoridade profundamente imersiva. As guitarras possuem arpejos cristalinos, acordes abertos e inúmeras camadas de efeitos, como chorus, delay, reverb e modulações sutis. O baixo é bem mais melódico, a bateria ficou mais dinâmica e os vocais do Austin são mais suaves, dialogando com o Dream Pop, Indie Rock, além de trazer traços do Jangle Pop e Post-Punk. O repertório é maravilhoso, parecendo uma coletânea. Enfim, é um disco incrível e uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Cutting My Fingers Off, Dizzy On The Comedown, Humming, New Scream, Like Slow Disappearing, Take My Head, Hello Euphoria 
Vale a Pena Ouvir: I Would Hate You If I Could, Diazepam

Good Nature – Turnover





















NOTA: 8,9/10


Dois anos se passaram, e a banda lançou seu 3º álbum, o Good Nature, que trouxe algumas novidades. Após o clássico Peripheral Vision, o Turnover abandonou parte da tristeza e da introspecção que definiam seu antecessor para apresentar um trabalho muito mais relaxado e otimista. As letras refletem essa mudança de perspectiva. Austin Getz passa a escrever sobre amadurecimento, paz interior, amor, natureza, contemplação e a tentativa de encontrar equilíbrio diante das dificuldades da vida. A produção é bem mais sofisticada, trazendo um som leve. As guitarras têm timbres cristalinos, utilizando chorus, delay e reverb de maneira bastante controlada. A cozinha rítmica é bem mais econômica, sustentando a dinâmica, enquanto os vocais do Austin Getz são mais relaxados. Com isso, temos uma junção do Dream Pop, Indie Pop e traços do Indie Surf. O repertório é ótimo, e as canções são bem cadenciadas. No geral, é um disco bacana e muito aconchegante. 

Melhores Faixas: Sunshine Type, Super Natural, Nightlight Girl, Bonnie (Rhythm & Melody), Breeze 
Vale a Pena Ouvir: Pure Devotion, Curiosity, Living Small

Altogether – Turnover





















NOTA: 8,5/10


Perto do fim da década de 2010, o Turnover lançou o controverso Altogether, que foi mais radical. Após o Good Nature, o guitarrista Eric Soucy acabou sendo demitido da banda, segundo ele, por abuso emocional e, em seu lugar, entrou Nick Rayfield, que, naquele momento, permaneceu apenas como músico de turnê. Para esse projeto, em vez de reforçar as guitarras atmosféricas, eles passaram a privilegiar teclados e grooves mais suaves. A produção ficou bem mais elegante e delicada, com as guitarras servindo muito mais como complemento dos teclados e sintetizadores, que ganharam maior destaque. O baixo tem mais liberdade, com linhas melódicas, a bateria é mais econômica e sofisticada, e os vocais do Austin são suaves, mas agora recebem harmonias ainda mais elaboradas. Com isso, temos elementos mais voltados ao Indie Pop. O repertório é muito bom, e as canções são bem mais intimistas. Enfim, é um ótimo álbum e criminosamente subestimado. 

Melhores Faixas: Much After Feeling, Still In Motion, Plant Sugar, Valley Of The Moon 
Vale a Pena Ouvir: No Reply, Number On The Gate, Sending Me Right Back

Myself In The Way – Turnover





















NOTA: 3/10


Indo para 2022, a banda voltou com um novo disco, intitulado Myself In The Way. Após o Altogether, o Turnover assume definitivamente uma postura voltada para a experimentação. O foco deixa de estar apenas nas guitarras atmosféricas e passa a incluir sintetizadores, linhas de baixo mais elaboradas e uma abordagem rítmica muito mais sofisticada. A produção, novamente de Will Yip, ficou bem mais refinada e, de certo modo, mais acessível. Aqui, os sintetizadores são constantes, as guitarras novamente servem como complemento e o baixo ficou mais orientado ao groove. O problema é que eles fizeram um trabalho de Pop sofisticado e psicodelia, com traços do Yacht Rock e Boogie, que não funciona. Isso porque as batidas 4/4 são recicladas e os vocais do Austin são processados de forma esquisita. O repertório é muito ruim, com canções sem graça e poucas que são realmente interessantes. Enfim, é um álbum péssimo e uma mancha podre na trajetória deles. 

Melhores Faixas: Myself In The Way, Mountains Made Of Clouds, Ain't Love Heavy 
Piores Faixas: Fantasy, Wait Too Long, Queen In The River, Pleasures Galore

Down On Earth – Turnover





















NOTA: 6/10


Então chegamos a 2026, quando o Turnover lança seu mais recente álbum, o Down on Earth. Após o Myself In The Way, a banda acabou deixando a Run for Cover e firmou um contrato com a Community, subsidiária da Vagrant Records. Para esse projeto, volta a colocar as guitarras em evidência, sem abandonar completamente as experiências acumuladas ao longo da segunda metade de sua carreira. A produção, feita agora por Zac Montez, decidiu equilibrar clareza com uma sonoridade atmosférica, juntando Indie Rock com influências claras de Post-Punk e Dream Pop. As guitarras possuem timbres extremamente limpos, utilizando chorus, reverb e delay de forma bastante elegante. A cozinha rítmica ficou mais orgânica, só que soa muito imprecisa em determinados momentos. Agora, os vocais do Austin são irregulares, já que parecem ter sido gravados dentro de um aquário. O repertório é irregular: há canções legais, mas outras são bem fracas. Enfim, é um álbum mediano e inconsistente. 

Melhores Faixas: Nightjar, I See You And Realize, Little Bees Don't Bite 
Piores Faixas: Wheelie For No One, I’m Up, I’m Up, Pieces

                                                                                    Então é só e flw!!!     

Analisando Discografias - Turnover

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