Gorillaz – Gorillaz
NOTA: 9,8/10
No ano de 2001, o Gorillaz lançava seu álbum de estreia autointitulado, com uma proposta inovadora. Formado em 1998, na Inglaterra, por dois indivíduos nada desconhecidos: Damon Albarn e Jamie Hewlett, o projeto tinha a ideia de criar uma banda virtual que pudesse transitar por diferentes gêneros sem ficar presa às convenções de um grupo tradicional. Os personagens 2-D, Murdoc Niccals, Noodle e Russel Hobbs não eram apenas ilustrativos: suas personalidades, seus instrumentos e suas histórias ajudavam a construir o universo artístico da banda. A produção, feita junto com Dan the Automator, Tom Girling e Jason Cox, seguiu uma sonoridade variada, com predominância do Trip Hop, embora apresente elementos do Rock alternativo e do Dub. As guitarras são bastante variadas, a bateria é seca e os teclados e efeitos deixam o som mais cinematográfico. O repertório é incrível, e as canções são muito imersivas. Enfim, é um baita disco de estreia e meio que um clássico.
Melhores Faixas: Clint Eastwood, 19-2000, Tomorrow Comes Today, Re-Hash, Sound Check (Gravity), M1 A1, Rock The House
Vale a Pena Ouvir: Double Bass, Slow Country, 5/4, Man Research (Clapper)
Demon Days – Gorillaz
NOTA: 10/10
Quatro anos se passaram até o Gorillaz lançar seu sensacional 2º álbum, o Demon Days. Após o disco de estreia, Damon Albarn e Jamie Hewlett expandiram a proposta do projeto, construindo um trabalho com uma identidade sonora mais coesa, uma atmosfera mais sombria e uma abordagem conceitual mais evidente. Com isso, aprofundaram a mistura de participações especiais, instrumentos tradicionais e personagens animados para explorar diferentes caminhos. A produção, feita junto com Danger Mouse, Jason Cox e James Dring, resultou em um som sofisticado, juntando Art Pop e Rock alternativo, com elementos do Trip Hop, Rap e Dance alternativo. Com isso, temos batidas que privilegiam timbres secos e padrões repetitivos, enquanto o uso de efeitos e sintetizadores reforça essa abordagem futurista. As guitarras são mais complementares. O repertório é maravilhoso, parecendo uma coletânea. No final, é um baita disco e um dos melhores de todos os tempos.
Melhores Faixas: Feel Good Inc. (o acerto que foi colocar De La Soul aqui), DARE, El Mañana, Dirty Harry (ótima feat do Bootie Brown), Kids With Guns, November Has Come (baita feat do MF DOOM), Last Living Souls
Vale a Pena Ouvir: O Green World, Demon Days, White Light
Plastic Beach – Gorillaz
NOTA: 10/10
Foi só entrando na década de 2010 que o Gorillaz lançou seu fantástico 3º álbum, o Plastic Beach. Após o Demon Days, aqui a proposta foi desenvolver um universo marcado pela poluição, pelo consumo excessivo, pela artificialidade e pela relação problemática entre a humanidade e o meio ambiente. Além disso, a ideia de uma ilha artificial formada por resíduos e materiais descartados encontra correspondência em uma música que mistura referências de épocas e estilos distintos. A produção, feita inteiramente por Damon Albarn, resultou em um som cinematográfico e detalhado, seguindo mais o Art Pop, com elementos do Electropop, Synth-pop e Indietronica. O uso de sintetizadores é mais constante, as batidas têm maior variedade, além de arranjos orquestrais, instrumentos de sopro, guitarras texturizadas e linhas de baixo bastante elaboradas. O repertório é maravilhoso, também parecendo uma coletânea. No fim, é um trabalho sensacional e uma obra-prima.
Melhores Faixas: On Melancholy Hill, Rhinestone Eyes, Stylo (feats interessantes do Mos Def e Bobby Womack), Plastic Beach, Empire Ants, To Binge (participação da Yukimi Nagano do Little Dragon), Superfast Jellyfish, Broken, Some Kind Of Nature (participação curiosa do Lou Reed)
Vale a Pena Ouvir: Glitter Freeze, Pirate Jet, White Flag
The Fall – Gorillaz
NOTA: 5/10
Melhores Faixas: Revolving Doors, Amarillo, Hillbilly Man, Aspen Forest
Piores Faixas: Shy-Town, California & The Slipping Of The Sun, The Speak It Mountains, Detroit
Humanz – Gorillaz
NOTA: 6/10
Sete anos se passaram até a banda voltar com um novo disco, intitulado Humanz. Após o The Fall, o Gorillaz apresentou uma proposta centrada em uma espécie de festa imaginária realizada diante de um cenário de instabilidade social e política. Existe uma sensação de celebração coletiva, mas essa celebração não é necessariamente alegre: por trás das batidas dançantes e das participações vocais, há uma atmosfera de inquietação, alienação e incerteza. A produção, feita junto com The Twilite Tone e Remi Kabaka Jr., resultou em um som mais limpo e impactante, seguindo totalmente o Electropop, com elementos do Dance alternativo, Rap e Neo-Soul. O álbum conta com batidas eletrônicas, sintetizadores constantes, linhas de baixo profundas, programações rítmicas e texturas digitais. Mas tudo parece extremamente pasteurizado e simplista. O repertório é irregular, e as canções são fracas, com poucas interessantes. No fim, é outro trabalho decepcionante.
Melhores Faixas: Andromeda, Busted And Blue, Strobelite, She's My Collar
Piores Faixas: Ascension, Carnival, We Got The Power, Sex Murder Party
The Now Now – Gorillaz
NOTA: 8,4/10
No ano seguinte, eles voltaram com mais um trabalho novo, o The Now Now, que foi mais psicodélico. Após o Humanz, eles decidiram reduzir o número de participações e começaram a fazer algo em que as estruturas musicais são mais diretas e Damon Albarn aparece como o principal responsável por estabelecer a identidade das composições, que transmitem uma sensação de deslocamento e solidão. Além disso, o integrante virtual Murdoc Niccals foi substituído por Ace, das Meninas Superpoderosas (eu sei, que crossover!). A produção, feita junto com James Ford e Remi Kabaka, seguiu aquela abordagem limpa e mais detalhada, variando entre Synth-pop e Electropop. Os sintetizadores acrescentam melodias e texturas atmosféricas, enquanto as programações rítmicas estabelecem o andamento das composições e as linhas de baixo são bem definidas. O repertório é muito bom, e as canções são mais atmosféricas. Enfim, é um disco bacana e que envelheceu bem.
Melhores Faixas: Humillty (participação do George Benson), Tranz, Lake Zurich, Sorcererz
Vale a Pena Ouvir: Hollywood (participação do Snoop Dogg e Jamie Principle), Souk Eye, Magic City
Song Machine Season One – Gorillaz
NOTA: 8,7/10
Melhores Faixas: Aries (participação do Peter Hook), Strange Timez (participação do Robert Smith do The Cure), Dead Butterflies, Momentary Bliss
Vale a Pena Ouvir: The Valley Of The Pagans (participação do Beck), Pac-Man, The Pink Phantom (participação do Elton John)
Cracker Island – Gorillaz
NOTA: 6,2/10
Três anos se passaram até o Gorillaz retornar com seu 8º álbum, o Cracker Island. Após o Song Machine, Season One, eles decidiram fazer um trabalho conceitual que gira em torno de uma comunidade fictícia associada a um culto, com referências à manipulação, à alienação, à busca por pertencimento e à influência de estruturas de poder sobre o comportamento humano. Essa ideia se conecta ao universo visual criado por Jamie Hewlett, mas também ajuda a estabelecer uma atmosfera de estranheza por trás de músicas frequentemente acessíveis. A produção, feita em conjunto com Greg Kurstin, Remi Kabaka Jr., Kevin Parker e Tainy, resultou em um som limpo e refinado. Os sintetizadores funcionam tanto como instrumentos melódicos quanto como recursos para construir atmosferas, e a programação apresenta batidas variadas, mesmo que tudo soe muito repetitivo. O repertório começa bem, mas depois decai, com canções fracas. No final, é um álbum mediano e que poderia ser melhor.
Melhores Faixas: Cracker Island (participação do Thundercat), New Gold (participação do Tame Impala e do Bootie Brown), Oil (participação do Steve Nicks)
Piores Faixas: Tarantula, The Tired Influencer, Tormenta (aproveitaram para tirar uma lasquinha do Bad Bunny)
The Mountain – Gorillaz
NOTA: 9,6/10
Então chegamos a 2026, quando o Gorillaz lançou seu mais recente álbum, o The Mountain. Após o Cracker Island, a concepção desse trabalho está ligada à Índia e à reflexão sobre a mortalidade. Durante viagens ao país, Damon Albarn e Jamie Hewlett passaram por experiências pessoais difíceis: ambos perderam seus pais durante o período de desenvolvimento do trabalho. Esse contexto alterou o significado da viagem, que deixou de ser apenas uma exploração artística e passou a envolver luto, memória e espiritualidade. A produção contou com alguns nomes já conhecidos, que contribuíram para uma sonoridade cinematográfica e variada, seguindo o Art Pop, Neo-psicodelia e o Synth-pop. Os sintetizadores e as programações acrescentam profundidade e dividem espaço com instrumentos tradicionais indianos, entre eles o sitar, a bansuri, o sarod e a tabla. O repertório é incrível, e as canções são bastante reflexivas. Em suma, é um baita disco e um dos melhores do ano.
Melhores Faixas: Damascus (grande Mos Def...digo....Yasiin Bey), The Happy Dictator, Orange County, The Moon Cave, The Empty Dream Machine, The Sad God (nas três: Black Thought mandou bem), The God Of Lying, Casablanca (não vou nem falar do número de vezes que aparece Johnny Marr)
Vale a Pena Ouvir: The Plastic Guru, The Mountain, The Sweet Prince, The Hardest Thing
Por hoje é só, então flw!!!








