terça-feira, 20 de outubro de 2026

Analisando Discografias - Hungria

                 

Hip Hop Tuning – Hungria Hip Hop





















NOTA: 3/10


No ano de 2009, o Hungria Hip Hop lançava seu álbum de estreia, o Hip Hop Tunning. O rapper brasiliense começou sua carreira em 2005, aos 14 anos, quando ainda era bastante aspirante. Foi somente durante a adolescência que ele começou a lançar alguns singles e ganhou certa notoriedade dentro da cena, já que suas composições tinham um certo apelo popular e aproximavam o Rap de elementos associados à cultura automotiva, às roupas de marca, às festas e à ostentação. A produção, conduzida por DJ Mix, apresenta um som direto e, ao mesmo tempo, acessível, já que isso aqui é praticamente Crunk, muito inspirado no Rap sulista americano. Com isso, temos 808s marcados e ritmos fortes. O problema é que tudo soa extremamente datado, e os flows do Hungria são simplistas. O repertório é ruim, com canções medíocres e poucas faixas interessantes. No fim, é um álbum terrível que envelheceu muito mal. 

Melhores Faixas: Bens Materiais, Trinca Os Graves, Quantas Vezes Vi 
Piores Faixas: Paga Pau, Fumaça, La No Posto É Nós Que Manda (Remix), Quer Parar?!

Meu Carona – Hungria Hip Hop





















NOTA: 5/10


Seis anos se passaram até Hungria estourar de vez com seu 2º álbum, o Meu Carona. Após o Hip Hop Tunning, o rapper passou a fazer parte do grupo Son d’Play, com o qual chegou a lançar alguns trabalhos, mas, em 2013, acabou voltando para sua carreira solo. Decidiu, então, fazer um álbum em que a figura dos veículos funciona como cenário para histórias de relacionamentos, festas, amizades, conflitos e conquistas. As produções de Neguim e DuckJay seguiram aquela abordagem do Crunk, mas já apresentavam alguns elementos que viriam a fazer parte do Trap no Brasil. Temos beats amplos, com a presença de 808s graves, pads que deixam o som mais atmosférico e uma percussão digital muito marcada. Mesmo assim, tudo soa impreciso, com momentos excessivos. Já os flows do Hungria até apresentam alguma variação, mas não se sustentam. O repertório é mediano: tem canções legais e outras esquecíveis. No final, é um álbum irregular, mas que foi um sucesso. 

Melhores Faixas: Zorro Do Asfalto, Sai Do Meu Pé, O Playboy Rodou 
Piores Faixas: Baú Dos Piratas, Meu Carona, Cama De Casal

Atmosfera – Hungria





















NOTA: 2,5/10


Foi apenas em 2023 que Hungria voltou com seu 3º álbum, intitulado Atmosfera. Após o Meu Carona, o rapper continuou ampliando seu território dentro do Rap nacional, já que lançou vários singles de sucesso nesse meio-tempo, como Lembranças, Dubai, Provavelmente, Beijo Com Trap e Amor e Fé. Foi só depois de um tempo que ele lançou um projeto que procurava ampliar a dimensão emocional de suas composições por meio de arranjos sinfônicos, cordas e uma interpretação musical pensada para criar uma experiência mais cinematográfica. A produção contou com WC no Beat, Duckjay, entre outros, que apresentaram um som acessível, unindo Rap, Pop Soul e elementos de música orquestral. Só que tudo soa extremamente arrastado e não consegue se sustentar. Até os vocais de Hungria soam muito confusos. O repertório é ruim: tem canções até decentes e outras que são simplesmente ridículas. No final, é um álbum chato que não funcionou. 

Melhores Faixas: Céu Aberto, Atmosfera 
Piores Faixas: Seu Pai Falou, Preta, Rolê

Virou Verão – Hungria





















NOTA: 2/10


Então chegamos a 2025, quando Hungria lançou seu álbum mais recente, o Virou Verão. Após o Atmosfera, Hungria explicou que sempre teve facilidade para circular entre diferentes estilos, citando influências que vão do Sertanejo ao Forró e ao Rap. Ele também ressaltou que o objetivo era reunir amigos da música e apresentar uma nova versão de sua identidade artística, com mais espaço para a mistura de ritmos. A produção contou com DJ Mall No Beat, Deko e vários outros, que criaram beats amplos que, como dito, transitam entre Pagode, Trap, Piseiro, entre outros estilos, lembrando que isso foi gravado no complexo Thermas da Mata, em Cotia, na Grande São Paulo, então teve edição em estúdio. Mas tudo aqui soa extremamente sem alma e bagunçado, feito apenas para continuar no topo das paradas e também viralizar no TikTok. O repertório é horrível, e as canções são ridículas, com apenas uma exceção. Enfim, é um álbum tenebroso e uma mancha podre. 

Melhores Faixas: Vagabundo de Luxo (WIU mandou bem) 
Piores Faixas: Minha Quebrada (Grelo indo mal), Só Deus (Turma Do Pagode esquecíveis), Lua de Mel (vou falar, o que do Léo Santana?)


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