sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Analisando Discografias - Kate Bush

                 

The Kick Inside – Kate Bush





















NOTA: 10/10


No ano de 1978, foi lançado o álbum de estreia da Kate Bush, o The Kick Inside. A cantora inglesa, desde a infância, sempre foi apaixonada por música e, quando tinha 11 anos, já tinha aprendido a tocar piano. Nesse intervalo de tempo, seus pais já tinham gravado várias fitas demo dela, e uma delas chegou às mãos de Ricky Hopper que, impressionado, tocou essa fita para David Gilmour (sim, do Pink Floyd), que a apresentou para várias gravadoras. Quem acabou fechando com a Kate foi a EMI. A produção, feita por Andrew Powell junto com o próprio David Gilmour, colocou um som que equilibrado, já que aqui temos muitos elementos do Pop Rock e do Pop progressivo, além do que foi chamado de Art Pop. Como o piano é o coração de tudo, ele se destaca junto à instrumentação tradicional, enquanto os vocais da Kate são bastante versáteis. O repertório é maravilhoso, parecendo praticamente uma coletânea. No final, é um baita disco de estreia e uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Wuthering Heights, Moving, The Saxophone Song, Kite, Oh To Be In Love, The Man With The Child In His Eyes, L'Amour Looks Something Like You 
Vale a Pena Ouvir: The Kick Inside, Strange Phenomena, Feel It

Lionheart – Kate Bush





















NOTA: 9/10


Naquele mesmo ano, lá para o finalzinho, foi logo lançado seu 2º álbum, intitulado Lionheart. Após o clássico The Kick Inside, esse novo trabalho serve como uma continuação direta daquele momento inicial, mas também como um álbum feito sob uma pressão muito maior para manter o ritmo de sua carreira. Kate Bush começava a ampliar um pouco mais o universo temático, passando por referências literárias, cinema, personagens fictícios, relações amorosas e diferentes atmosferas. A produção, feita inteiramente por Andrew Powell, seguiu uma abordagem mais sofisticada e limpa, ainda equilibrando os mundos do Art Pop e do Pop progressivo. Com isso, os pianos continuam centrais, mas agora dividem espaço com teclados e arranjos orquestrais. Existe também uma preocupação maior em criar ambientes específicos para cada composição. O repertório é legal, tendo canções divertidas e outras mais variadas. Enfim, é um ótimo disco e que foi muito injustiçado. 

Melhores Faixas: Wow, Symphony In Blue, In Search Of Peter Pan, Hammer Horror, Coffee Homeground 
Vale a Pena Ouvir: Kashka From Baghdad, Don't Push Your Foot On The Heartbrake

Never For Ever – Kate Bush





















NOTA: 10/10


Entrando nos anos 80, Kate Bush lançava seu maravilhoso 3º álbum, o Never For Ever. Após o Lionheart, Kate passou a assumir uma participação muito maior nas decisões de produção e começou a tratar o estúdio não apenas como um lugar para registrar suas músicas, mas como uma ferramenta criativa. Nos primeiros discos, ela já demonstrava interesse por personagens, literatura, fantasia e situações incomuns, mas aqui essas ideias começam a ganhar uma dimensão mais sombria e psicológica. A produção, feita pela própria cantora junto com Jon Kelly, seguiu uma abordagem orgânica e detalhada, que equilibra Art Pop, Pop progressivo e Pop barroco. Além de continuar utilizando instrumentos tradicionais, eles passam a conviver com sintetizadores, programação, efeitos e diferentes tratamentos eletrônicos. Fora que os vocais da Kate ficaram mais delicados. O repertório é incrível, também chegando a parecer uma coletânea. No final, é um baita disco e um clássico absoluto. 

Melhores Faixas: Babooshka, Army Dreamers, The Wedding List, Breathing, Blow Away 
Vale a Pena Ouvir: Delius, Egypt, Violin

The Dreaming – Kate Bush





















NOTA: 10/10


Dois anos se passaram para Kate Bush lançar outro álbum espetacular, o The Dreaming. Após o Never For Ever, Kate não está mais preocupada em fazer com que cada composição seja imediatamente acessível. Ela passa a privilegiar atmosfera, dinâmica, personagens, mudanças bruscas e estruturas que podem parecer estranhas na primeira audição. Já que aqui não temos um trabalho de apelo comercial, e sim algo que conversa com temas bem mais pesados e complexos. A produção seguiu uma abordagem experimental, com essa temática de Art Pop e Pop progressivo sendo explorada no seu ápice. Já que o uso da mistura de instrumentos tradicionais com sintetizadores, bateria, percussão, efeitos, sons processados, diferentes camadas vocais e técnicas de estúdio torna as músicas muito mais densas. O repertório é maravilhoso, com as canções magníficas, que são bem variadas. No final, é um álbum sensacional e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Sat In Your Lap, Suspended In Gaffa, Get Out Of My House, Night Of The Shallow, There Goes A Tenner 
Vale a Pena Ouvir: Pull Out The Pin, Leave It Open, All The Love

Hounds Of Love – Kate Bush





















NOTA: 10/10


Três anos se passaram para Kate Bush lançar o excepcional e atemporal Hounds Of Love. Após o The Dreaming, a cantora arranjou uma maneira de conciliar a experimentação que havia descoberto com melodias mais imediatas e estruturas mais acessíveis. O álbum também representa uma fase em que Kate passa a ter uma compreensão ainda maior de sua própria linguagem. Ela já havia trabalhado com personagens, literatura, fantasia e narrativas cinematográficas, mas agora essas características aparecem com uma organização muito mais refinada. A produção, feita como sempre pela própria cantora, seguiu aquela abordagem cinematográfica, só que equilibrando-a com muita clareza. Combinando instrumentos tradicionais, sintetizadores, baterias eletrônicas, percussão, vocais sobrepostos, efeitos e arranjos acústicos. O repertório é sensacional, fazendo também parecer uma coletânea. No final, é um álbum espetacular e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Running Up That Hill (A Deal With God), Hounds Of Love, Cloudbusting, The Big Sky, Jig Of Life, Mother Stands For Comfort, Hello Earth 
Vale a Pena Ouvir: Under Ice, And Dream Of Sheep, Watching You Without Me

The Sensual World – Kate Bush





















NOTA: 9,8/10


No fim dos anos 80, Kate Bush lançava seu 6º álbum de estúdio, o maravilhoso The Sensual World. Após o Hounds Of Love, a cantora decidiu seguir uma abordagem mais elegante, orgânica e contemplativa, embora continue existindo uma quantidade enorme de detalhes escondidos nos arranjos. Uma das grandes características do álbum é essa sensação de maturidade, com ela interessada em observar relações humanas, desejo, intimidade, memória, envelhecimento, distância e a própria passagem do tempo. A produção seguiu uma abordagem refinada e menos agressiva, com os sintetizadores passando a ser mais controlados e dividindo espaço com as baterias e a percussão, que ficaram mais movimentadas, além dos instrumentos de sopro. Os vocais da Kate também são mais intimistas. O repertório é incrível, e as canções são muito melódicas e sentimentais. Enfim, é outro disco fenomenal e cheio de atmosfera. 

Melhores Faixas: The Sensual World, This Woman's Work, Love And Anger, The Fog, Deeper Understanding 
Vale a Pena Ouvir: Rocket's Tail (For Rocket), Reaching Out, Never Be Mine

The Red Shoes – Kate Bush





















NOTA: 8/10


Foi apenas em 1993 que Kate Bush lançava mais um álbum, intitulado The Red Shoes. Após o The Sensual World, esse novo trabalho ficou mais voltado para performance, dança, palco e energia. Existe uma sensação de que Kate queria que as músicas fossem não apenas ouvidas, mas também visualizadas e sentidas corporalmente. Isso fica especialmente evidente no próprio conceito do álbum, que dialoga com a ideia de dança e com o famoso conto dos sapatos vermelhos. A produção seguiu uma abordagem orgânica, fazendo um equilíbrio entre Art Pop e Pop Rock, além de ter um pouco mais de elementos do Adult Contemporary. Os sintetizadores têm camadas mais brilhantes, o uso de guitarras é bem equilibrado, e o baixo e a bateria têm muita presença. O problema é que tem muita coisa que soa datada e com imprecisões. O repertório é legal, tem canções intimistas, mas também algumas esquisitas. Enfim, é um disco bom, mas é o mais fraco de sua carreira. 

Melhores Faixas: Lily, The Red Shoes, Rubberband Girl, Top Of The City, Why Should I Love You? 
Piores Faixas: Eat The Music, Big Stripey Lie

Aerial – Kate Bush





















NOTA: 9,7/10


Se passaram então doze anos para Kate Bush voltar com seu 8º álbum, o Aerial. Após o The Red Shoes, a cantora acabou desaparecendo da grande mídia para poder focar em sua família e na criação de seu filho, Bertie. Com esse trabalho sendo muito mais interessado em observar a vida cotidiana, a natureza, a família, a passagem do tempo, a maternidade, a memória, a rotina e pequenas experiências pessoais passam a ocupar um espaço enorme. A produção seguiu uma sonoridade muito mais orgânica e espaçosa. Com o uso do piano sendo bem expressivo, a bateria ficou agora mais discreta, e o uso de guitarras serve mais como textura, já que sons de pássaros, ambientes naturais e diferentes texturas são incorporados à música de maneira tão natural. Fora que os vocais da Kate Bush estão mais intimistas. O repertório é incrível, e as canções são bem pessoais e cheias de profundidade. Enfim, é um belo disco e que merece ser redescoberto. 

Melhores Faixas: Nocturn, Sunset, King Of The Mountain, Joanni, How To Be Invisible 
Vale a Pena Ouvir: An Architect's Dream, Bertie, Aerial

50 Words For Snow – Kate Bush





















NOTA: 8/10


Chegamos em 2011, quando a Kate Bush lançou o que é praticamente seu último álbum, o 50 Words for Snow. Após o Aerial, a cantora continuava a fazer aparições esporádicas e, nesse meio-tempo, começou a preparar um álbum ainda mais frio, lento e minimalista. Ela estava interessada em explorar o espaço entre os sons, deixando as músicas se desenvolverem de maneira extremamente gradual, já que o conceito gira em torno do inverno, da neve, do silêncio, da noite e das relações humanas que acontecem nesse cenário. A produção, feita pela própria Kate Bush, seguiu um som atmosférico, juntando tanto Art Pop quanto Ambient Pop. O piano é o grande centro do álbum. As notas possuem bastante reverberação e ficam cercadas por silêncio. O resto da instrumentação é econômico, e os vocais são mais tranquilos. O repertório é muito bom, contendo faixas longuíssimas, mas que são muito imersivas. Enfim, se caso for um disco de despedida, ele é muito decente. 

Melhores Faixas: Misty, Snowflake 
Vale a Pena Ouvir: Snowed In At Wheeler Street (participação do Elton John), Lake Tahoe


                                                                                        É isso, então flw!!!           

Analisando Discografias - Kate Bush

                  The Kick Inside – Kate Bush NOTA: 10/10 No ano de 1978, foi lançado o álbum de estreia da Kate Bush, o The Kick Inside. A ...